quarta-feira, 2 de julho de 2008

doce tortura - parte 3

continuação daqui

Quando chega a casa, Carla fala ao companheiro sobre a depilação que fez e telefona a marcar a depilação das pernas. Carla fica contente quando o vê, gosta da ideia dele se tornar um cliente habitual.
Para quem já depilou o corpo todo, as pernas não custam nada. Conseguem assim ter uma conversa muito agradável e descontraída. "ele tem umas pernas bem feitas, quase tão bem feitas como as do meu homem", pensa ela. Falam sobre massagens. Ela tem formação em shiatsu. Ele revela-lhe o desejo de aprender a fazer massagens… sensuais. Ela acha piada ao tipo de linguagem que ele usa, sempre muito correcto, algo envergonhado. Sugere-lhe um centro onde pode aprender algumas técnicas.
Ele agradece todo o trabalho e todas as horas passadas a trabalhar nele e despede-se com dois beijinhos, permitindo a ambos aspirarem um pouco o perfume que se desprende dos seus corpos, o que lhes provoca algum desconcerto.
Ela sente-se bem por gostarem do seu trabalho, sente-se ainda melhor por ser ele a dizê-lo.
Algo está a mudar nela. Começa a achar-se mais bonita. Nada mudou fisicamente, mas a forma como ela se vê é completamente diferente. O seu apetite sexual é devorador, o companheiro até estranha, mas gosta. Ela dedica-se a satisfazê-lo com um fogo nunca visto e tem mais prazer que nunca. Começa a ansiar pelo regresso daquele homem que, sem saber, despertou o instinto sexual dela.
Alberto volta algum tempo depois à clínica. Diz que a esposa adorou e ele também, mas que não se quer submeter todos os meses àquela tortura. Vem com a ideia de fazer depilação definitiva nos genitais, e enfraquecer um pouco os pêlos no resto do corpo.
Na consulta, ele pergunta-lhe se ela alguma vez fez aquele tipo de depilação.
- Sim, tenho habilitações para o fazer – diz ela.
- Pergunto se a fez pessoalmente... se recomenda...
- Em mim? - Sentiu-se corar. Os olhos dele olhavam dentro dos seus e aquela conversa estava a perturbá-la.
- Sim. Fica impecável e nunca mais dá trabalho nenhum… Quer ver?
Não pensou. As palavras saíram-lhe da boca como se tivessem sido proferidas por outra pessoa e agora estava num impasse. O que iria ele pensar? O tempo que ele levou a reagir pareceu uma eternidade.
Estava completamente siderado com a possibilidade que se tinha permitido imaginar, mas que poderia agora concretizar-se. Respondeu com um aceno lento afirmativo, mais com os olhos que com a cabeça. Não queria acreditar naquela cena surreal.


Há pessoas que conseguem o que querem sem ter de o pedir. Puro charme. Seria ele capaz?

continua (e termina?) aqui

história inspirada neste texto no blog Verbo Erótico

14 comentários:

Língua Lasciva disse...

Adorei tudo. Acabo de ler as 3 partes.Carla e Alberto prometem muitas emoções na última parte!
Lembro um de seus comentários: não precisa ter infidelidade em todas estórias, mas se tiver é porque retrata uma determinada estória, algum relacionamento.
Eles existem na forma fiel e na infiel também. Cabe-nos descrever isto, não concordas?
Aproveito para dizer que o provoca-me acaba de inaugurar nossa lista de blogs favoritos.
Inaugurou os comentários, muito bem escritos por sinal, por isso em forma de homenagem, vocês são nosso primeiro blog favorito.

saudações,

uma das línguas lascivas

carpe vitam! disse...

Olá Língua,
agradeço as tuas palavras simpáticas!

A infidelidade é um assunto muito em voga na blogosfera, parece que acrescenta picante a uma história, porque o fruto proibido é o mais apetecido. Ninguém gosta de ser traído, e como não não sou excepção, também não penso que trair seja uma boa política, embora consiga entender perfeitamente o que leva uma pessoa a ser infiel, porque já senti a tentação, não o aceito porque acho que existem sempre outras saídas mais dignas.
É por isso que tenho muito cuidado ao aflorar o tema. É por isso que nas minhas histórias, não existe o picante de uma traição descarada desprovida de sentimentos de culpa.

Aproveito para deixar o link de uma provocação que foi feita há algum tempo sobre o tema, e que deu respostas muito interessantes: http://provocame.blogspot.com/2008/05/provocao-gratuita-17.html

Pekenina disse...

E ela, seria ela capaz? ;-)

Beijo*

carpe vitam! disse...

será? eu acredito que sim, desde que ele saiba pedir...

Língua Lasciva disse...

Ela mostra, já até o convidou para ver. E ele? Ele vê, toca? Mistério...
Carpe, soube provocar... vou verbalizar em resposta, ok?!

P.S.
Adorei ver "uma das Línguas Lascivas" por aqui, hahaha... É verdade, somos duas líguas, verbalizando juntas, porque junto é mais gostoso! ;)

Anónimo disse...

Carpe
O que é provocar, senão despertar desejos adormecidos. Somos provocados diariamente em nossos desejos de consumo. Pela mídia nos fazem uma chuva de provocações. Neste blog vcs nos provocam despertando nossos desejos sexuais. Assim, Alberto e Carla para representar nossos desejos teem que chegar ao finaLmente sexual. São treis as maneiras possíveis. 1)Trair seus parceiros, ou 2) se realizarem saido para uma "menage a quatre" que modernamente chamamos de "swing" no compartilhamento perfeito ou 3)saem para o sexo manual (masturbação). Estas são as formas de satisfazerem os desejos reprimidos.
Nós leitores, já assumimos os personagens nos incorporando em cada um, e anciosamente esperamos o desfecho.
Parabens, pela bem bolada idéia de nos provocar.
Bjos
Julio 135

carpe vitam! disse...

Olá (outra) Língua!
Sim, ela vai mostrar, resta saber o quê! fica pra ver, na próxima quarta :)
Sem dúvida que duas línguas verbalizam melhor que uma, especialmente se existir uma interacção directa!
Vou ficar a aguardar as vossas verbalizações lá no vosso cantinho lascivo ;)

carpe vitam! disse...

Julio 135,
adorei da tua definição de provocação! o dicionário fala em "incitar, desafiar, atrair, tentar, promover, facilitar, ocasionar" e tudo isso se aplica ao despertar de desejos latentes. Não é possível provocar quem não os sinta. Toda a comunicação é uma provocação.
Acerca deste texto, veremos se as tuas previsões estão certas. é possível que nada disso se concretize, é possível que aconteça tudo. Deixa-te ficar e inebriar pelo perfume da imaginação até à próxima quarta-feira!
Até lá, podes ir passando porque vai sempre havendo novidades ;)

Língua Lasciva disse...

Carpe, provocação verbalizada!
Inspirada nas duas primeiras partes do seu conto, criei outro imaginando Alberto presenteando a esposa com seu corpo depilado. Espero que goste e se sinta provocado.
http://verboerotico.blogspot.com/2008/07/pele-nua.html

carpe vitam! disse...

sim, já tinha visto. é o tipo de coisa que eu costumo fazer depois de ler algo que gosto. Umas vezes fica só na minha cabeça, outras escrevo, raramente mostro a alguém. Nunca tinha acontecido fazerem iso com algo que eu escrevi. E não é que gostei mesmo?
GRACIAS!

luafeiticeira disse...

Ui, atenção à depilação definitiva, dizem que são 2 ou 3 sessões, mas a verdade é que são muito mais, dói bastante e fica muito caro. Digo-o por experiência propria.
Beijos

carpe vitam! disse...

Lua, sei que não é barato e que são precisas pelo menos três sessões porque o pêlo tem três fases distintas. Que tipo de depilação definitiva fizeste tu? A depilação a luz pulsada é indolor.

lalisca.cs-life disse...

Gostei muito...bom que audácia a dela!!
beijo

carpe vitam! disse...

Lalisca, ainda tu não viste nada...