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quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Swingin' (in the rain) outros carnavais e um clube diabólico

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O Carnaval costuma ser uma época animada nos clubes de swing, as máscaras costumam ajudar as pessoas a soltar-se. Houve um ano em que fomos ao nosso clube favorito quando já não era no sítio original, a Yin mascarou-se de cupido, com asinhas brancas, uma boina vermelha de crochet trés française, um poncho também de crochet muito esburacado branco que deixava ver um soutiã vermelho. Improvisou um pequeno arco e flecha e andava a flechar o pessoal aleatoriamente. O Yang não se quis mascarar nesse ano.


Houve outro carnaval em que o Yang se mascarou com o corpete da Duquesa e deixou a Yin colocar-lhe unhas postiças e pintá-las, o que lhe deu imenso gozo. Comprou uma mini-saia elástica, vestiu umas meias de liga que esburacou logo que lhes pôs os dedos manicurados em cima. Completou o look com uma cabeleira loira encaracolada e maquilhagem carregada que não disfarçava a barba a despontar. Ficou com um ar de puta reles transgender que dava tesão e divertia a Yin -  estava uma verdadeira matrafona!
A Yin vestiu um negligé oferecido pela Duquesa, nos mesmos tons preto e vermelho do corpete do Yang com tanga e máscara a condizer. Após um animado jantar na casa da Duquesa, lá fomos com o Tal Casal conhecer um novo clube.
O Tal estava todo cafeinado e quando bebe café, tudo pode acontecer. Depois de muita indecisão em relação ao traje, acabou por se decidir por uma cabeleira punk cor-de-laranja que fazia vagamente lembrar o Rod Stewart. A Tal estava muito elegante no seu corpete, que lhe acentuava a cintura fina e decote generoso, ligeiramente burlesca com um toque de loucos anos 20.
O espaço era do tipo “Tal Clube”, um armazém num local insuspeito mas muito acessível, cremos já ter ido àquela rua visitar uma loja de móveis, mesmo ao lado. No interior, um hall acolhedor dava-nos as boas-vindas. Estava frio lá fora, mas lá dentro tirámos os casacos e assumimos as nossas novas identidades.


Já conhecíamos os donos deste sítio, tinham sido sócios dos Donos do Pedaço. Apresentaram-nos o local, não era muito grande, tinha uma pequena pista, um balcão com varão onde dava para dançar, uma zona de quartos e um labirinto que começava após os quartos e dava a volta para a pista.


O espaço estava bem composto, com bastante fumo, a música era uma treta, por isso ficámos no sítio do bar a conversar. Depois o Tal foi dançar para a pista e deu um espetáculo que nos deixou bastante bem humorados. Fomos até um quarto, tirámos umas fotos e demos a trancada inaugural deste clube a carnavalar.

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segunda-feira, 13 de maio de 2013

swingin' (in the rain) parte 24

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A maluca da Musa pediu ao DJ para tocar uma musiquinha que sabia que a Yin gostava. Estava prestes a preparar das dela. Quando a música começou a tocar, ela e a O foram para o palco e chamaram a Yin. Ela fingiu que não era nada com ela e assobiou para o ar. Elas foram dar show para o varão e nós ficámos a assistir. Estava a ser um bom espetáculo, elas mexem-se bem e fazem bom uso do cilindro de metal. A música é contagiante e o A (chamemos assim ao par da O) aproxima-se da Yin e começam a dançar. Ela chama o Yang para a dança e enquanto as outras duas se entretêm no varão, a Yin dança com os dois, beija-os muito languidamente, alternadamente, até que é puxada pelas outras duas para o palco (que na verdade tem apenas uma dezena ou duas de cm, mas ainda assim lhe parece bastante assustador. Ela é voyeur, caramba, e isso é exibicion... nem sequer tem tempo para raciocinar. desata a gritar “socorro, tirem-me daqui!” mas ninguém parece ligar-lhe. Agarra-se ao varão enquanto elas a puxam para o meio, perde um sapato, enfim, faz um bocadinho de palhaça antes de decidir deixar-se ir e depois de se soltar (literalmente, do varão) fica no meio das duas e aceita os mimos que ambas lhe dão. Depois sugere que a Musa vá para o meio e beijam-se. é um beijo muito suave e terno, difícil de explicar. Não é daqueles que aquecem, embora ela não estivesse com frio, mas sabe definitivamente bem. Ela beija-lhe uma mama e também lhe sabe bem. Depois sugere que seja a vez da O ir para o meio, mas a música termina entretanto. Que não fosse por isso, voltamos a estar os quatro juntos, a formação original e mimamos a O, e a Yin prova-lhe uma maminha de mamilo espetado e beijam-se mais e aquecem, aquecemos todos. Vamos espreitar o espaço renovado ao lado da pista, uma espécie de labirinto com glory holes do diâmetro de pernas. Vimos algumas cenas dignas de filme erótico de alta qualidade. A luz estava fantástica, avermelhada, parecia acariciar o rabo alçado na mulher, mas na verdade era uma mão masculina cujos dedos iam entrando e saindo de dentro dela, ao ritmo da respiração e dos gemidos. Passou-nos pela cabeça fazermos o nosso próprio filme a quatro, mas não ali, não assim. Ficámos algum tempo com eles no escurinho, a partilhar aquela intimidade lasciva. A Yin aproveitou para descer à cintura do Yang e brincar como menino dele. O A perguntava-lhe se tinha perdido as chaves e ela ria com o sexo do Yang na boca. Queríamos aproximar-nos mais deles, mas a Yin achou que tínhamos de lhes dar espaço. Ainda não tinha havido muito contato entre a O e o Yang e achávamos que tinha de ser ela a dar o primeiro passo nesse sentido, caso o quisesse dar. Arrefecemos e voltámos para cima.
Por esta altura o T-boy andava de toalha enrolada à cintura, com arzinho de quem já tinha faturado e ficou um pouco à conversa connosco. A O ainda falou em tomar banho (nesta altura, ainda não conseguíamos distinguir quando ela estava a falar sério e quando estava a gozar) e o Yang sugeriu que a Yin lhe fosse lavar as costas, mas ela torceu o nariz e disse que não tinha chinelos. A ideia de tomar banho ali não é minimamente atraente. Lembra as séries CSI, se alguém usasse uma daquelas luzes que faz os fluídos corporais brilhar, haveria de encontrar muitas luzinhas no final da noite. E isso, de alguma forma, representa um sério risco de saúde pública que não estamos dispostos a correr. Tentamos sempre minimizar os riscos ao máximo. Pouco depois o casal eclesiástico foi embora e nós não demorámos muito mais, deixando bem clara uma forte vontade de estar novamente com eles. Um banho relaxante na nossa banheira, quem sabe?



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quarta-feira, 24 de abril de 2013

Swingin' (in the rain) parte 22

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O Carnaval estava a chegar e decidimos fazer mais uma incursão ao nosso clube preferido. O dress code era máscara, com lingerie ou underwear, pelo que nos decidimos por disfarces mínimos. Preto e prata foram as cores que escolhemos. O Yang de preto, com uma mascarilha desenhada em redor dos olhos, a Yin com uma cabeleira prateada e uma saia da mesma cor feita com uns pompons de líder de claque e uma echarpe nos mesmos tons. Tinha uma lingerie preta transparente, com lantejoulas pretas e prateadas em sítios estratégicos. Tinha também um bigodinho feito de pêlos púbicos que era a nossa private joke. Andou meses a deixar crescer os pêlos para poder cofiá-los e a ideia era que ficassem enrolados nas pontas, mas os pêlos são rebeldes e nem com gel foram na conversa dela. De qualquer das formas, por baixo das lantejoulas, não se via grande coisa, apesar da semi-transparência da tanga, ainda mais com a saia das tirinhas prateadas por cima. Ela ainda tentou que o Yang levasse algumas tirinhas prateadas a simular pêlos púbicos, mas ele recusou-se terminantemente, o mais que conseguiu foi pintar-lhe as unhas de preto. Já tinha conseguido pintar-lhe as unhas de uma mão de rosa choque num outro carnaval em que se mascarou de matrafona, pelo que foi um progresso considerável. conseguiu também vaporizá-lo com os mesmos brilhantes prateados dela que faziam um efeito bastante glamouroso contra o preto da roupa e da lingerie, incluindo os sapatos e as meias pretas com liga prateada da Yin.
Rumaram ao clube já aperaltados e sabiam que os Embaixadores lá estariam. A Yin pensou em levar o pingalim, mas acabou por levar a chibata, condizia melhor com a sua indumentária e estava preparada para voltar a disciplinar o Guardião se ele voltasse com aquela conversa dos beijos. É preciso dizer que da última vez que lá estivemos, quando nos fomos despedir, ele e a Yin trocaram um xoxo ligeiramente humedecido e ainda gabaram as nádegas firmes um do outro. Soube bem à Yin, nem tanto ao Yang, ainda a remoer o facto de ele não querer ir lá a casa.
Pelo que pudemos apurar, o xoxo tem um estatuto especial nos clubes. É relativamente comum as mulheres cumprimentarem com um xoxo tanto homens como mulheres. Homens com homens nunca vimos e estamos convictos que a maior parte acharia isso uma grande paneleirice. A Yin gostava de ver isso, mas acreditamos que teria infinitamente mais sorte num clube gay.
Desta vez o Yang foi presenteado com um xoxo pela Dona do Pedaço. Ela é muito simpática, estivemos um pouco à conversa no início da noite e gostámos bastante, para além de ter um belíssimo corpo, tem coisas na cabeça. Falámos um pouco sobre a perspectiva deles, de como separam o trabalho do prazer, apesar de também serem swingers e ela também é da opinião de que seria interessante fazer um estudo sociológico sobre o swing. Claro que existem artigos, papers e teses, mas sempre numa perspetiva académica de quem está de fora, muito tradicional e conservadora, por vezes até moralista e revoltante. Se o swing é o que dizem ser, então definitivamente nós não somos praticantes. Ainda vamos formar uma nova religião: protestantismo swinger... A verdade é que não nos identificamos com a maior parte do que dizem os casais citados nestes estudos. O que vale é que vamos encontrando pessoas com pontos de vista semelhantes e mesmo que não sejam, é sempre bom trocar ideias e cromos.
A noite estava animada, apesar do frio e chuva que se faziam sentir lá fora, lá dentro estava-se bastante bem. Os Embaixadores apresentaram-nos um trio de dois homens e uma mulher com quem já nos tínhamos cruzado da outra vez, mas já não nos lembrávamos. A Musa referiu que era ela que estava a disputar a coluna de som com a “Adele” na noite da passagem de ano. A Yin lembrou-se de lhe fazer uma pergunta para a qual não esperava resposta ou sequer que ela ouvisse "cê téim samba no pé, né?". Claro, a moça tem "àqueli sótaquizinhu açucárádo” o samba está-lhe no sangue. Estranhas playlists se ouvem naquela casa, na passagem de ano fizemos uma viagem aos anos 90 que incluiu do melhor e do pior que se ouvia nesses tempos, incluindo samba. Na noite do carnaval a música estava mais atual, surpreendeu-nos a falta de samba, mas também não sentimos grande falta. Aliás, aquilo nem parecia carnaval, sem serpentinas e línguas da sogra, muito poucas máscaras e cabeleiras, nenhuma matrafona...
Mais tarde foi-nos também apresentado um casal muito simpático que não cumpriu o dress code no que diz respeito à lingerie, mas que vinha muito bem trajado de figuras... eclesiásticas. Cada um com seu livrinho doutrinal, o que nos rimos com as imagens de corpos desnudos - ela com meninos e ele com meninas, ahah! ou não viessem eles de uma terra com fortes tradições carnavalescas, tal como nós. Gerou-se ali uma empatia imediata e quando toda a gente seguiu para a pista, nós ficámos os quatro um bom tempo confortavelmente a conversar ao calor da lareira. De vez em quando um dos homens do trio da "minina com sótaquizinho" vinha ter connosco para se aquecer. Não percebemos bem a onda dele, de cuecas e meias brancas e um penso a condizer no joelho, explicou que tinha caído a jogar futebol. Apesar de já não ser um puto, tinha um corpo cuidado. Mas como raio não aquecia ele a dançar com uma mulher daquelas e o amigo? Falou da perspetiva dele sobre o swing, que ele e a mulher tinham uma relação aberta, e durante todo o tempo, pensámos que o 
casal "oficial" era com o outro homem, mas depois disseram-nos que não. Foi bem divertido ver os três na pista, as meias brancas dele a brilhar com a luz ultravioleta enquanto dançava e se tentava enquadrar com os outros dois. Curioso ser o segundo trio HomemMulherHomem com que nos deparámos quando aqui vimos em noites que supostamente são apenas para casais. Nada contra, já dissemos noutras alturas que gostamos da biodiversidade. Curiosamente não temos ideia de alguma vez nos termos alguma vez cruzado com nenhum trio MulherHomemMulher...


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terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

domingo, 6 de março de 2011

carnavalando!

Véspera de Domingo Gordo e ela acorda cedo com vontade de fazer das suas. Despacha as tarefas rotineiras e reúne os ingredientes. Inspirada num sonho que tinha tido há dias, saiu de casa de avental e botas, mas em vez do impermeável, levou um sobretudo comprido e teve de calçar umas meias altas e levar cachecol. Apesar do sol, o Inverno faz-se sentir na pele nua. Mas passado o primeiro contacto com o forro frio do casaco, ela nem o sente, a expectativa aquece-a. Adora fazer surpresas, e esta, se correr bem, vai ser das grandes.

Avisou que ia, mas decidiu ir mais cedo para a surpresa fazer mais efeito - em vez de jantar, levou um cesto com o que iria ser o almoço. Antes teve de passar pelo supermercado para buscar os ingredientes que faltavam. Divertiu-se a fazer as compras com um ar muito discreto e compenetrado, sem dar o mínimo indício do que (não) havia por baixo daquela indumentária.
Pelo caminho foi-se deliciando a imaginar a expressão dele quando a visse e a tentar perceber que espécie de máscara era aquela – uma mistura de capuchinho vermelho de cabeleira flamejante encaracolada, bochechas e lábios vermelhos (cesto de verga com paninho por cima e tudo) Pipi das Meias Altas (não eram coloridas, mas chegavam às coxas) e cozinheira lasciva (só detectável pelo avental de quadradinhos vermelhos após casaco despido e revelação dos seus dotes de… culinária).
A expressão dele… aquele sorriso que sublima os cantinhos da boca e faz o olhar brilhar… ela faria qualquer loucura para testemunhar aquela expressão!
Não pode cozinhar apenas de avental porque estava bastante frio, e depois do orgasmo, não restou tesão que chegasse para aquecer o tempo todo, mas o almoço correu lindamente.
A ementa? Primeiro houve entradas (entraram um no outro e partilharam o leite quente dele com beijos) depois uma sopinha de feijão verde (ela nem sequer gostava de feijão verde, mas o creme de cenoura estava óptimo, apenas um pouco salgado), seguida de uma meravigliosa pasta – fusilli tricolore alla carbonara - acompanhada por uma bela salada: cenoura, cogumelos, milho e courgete fundida com maionese. A bebida escolhida foi… água (tal como no sonho em que ela trouxe a garrafa “fonte de vida” mas aqui sem rótulo especial …ihihihih). Uma magnífica broa de milho áspera, dura e estaladiça por fora e suave, doce e húmida por dentro (muito parecida com ele, de resto) de comer e implorar por mais, especialmente quando está quente (mesmo muito parecida com ele!) e por fim tangerinas docinhas e um quadradinho de chocolate!

O resto da tarde foi passada a limpar arduamente a casa, diferente mas necessária forma de aproveitar o sol, para depois aproveitarem a noite com os amigos. No dia seguinte ela lembrou-se de pôr em prática umas máscaras especiais inspirada por outro sonho que teve. Sonhou que os pêlos púbicos tinham crescido imenso e tapavam, alegremente encaracolados, o triângulo da púbis e metade das coxas. Achou piada, podia fazer tranças com eles! Então toca de pedir emprestados alguns caracóis compridos a uma farta cabeleira, inventar uma mascarilha, colher algumas flores para o toque final “flower power” e desenhar uma boca no saco das bolas. O resultado foi hiLaRiaNtE, claro, uma bela matrafona de nariz à Pinóquio, que apesar do frio, não parava de crescer por causa de uma certa borboleta de longos bigodes de penas pretas pousada numa púbis purpurinada. Escusado será dizer que o nariz cresceu, cresceu, cresceu… e espantou a borboleta que foi voar para outras paragens, deixando a descoberto a entrada para um sítio acolhedor onde o nariz apinocado ficou quentinho durante um bom pedaço de tempo...


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terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

morde-me


Texto e foto por Francisco del Mundo

A noite é de Carnaval. Não jantaram juntos. Ele com os seus amigos e Ela com uma amiga.


Ele sempre se mascarou. A cidade assim o exige. Deixou-se levar pela moda e pensou em vampirizar-se. Mas a referência dele não eram os vampiros recentes, mas sim Lestat. A mítica personagem que Tom Cruise encarnou na tela. A base branca para esconder a sua pele morena. A camisa negra aberta no peito desafiando o ar frio da noite e as calças pretas completavam o vestuário. O cabelo desalinhado e na boca dois caninos salientes. Nada daquelas dentaduras completas, artificiais. Apenas dois caninos que passavam bem como dentes seus. Perfeito!


Ela queria ter-se mascarado mas não encontrou a máscara perfeita. Não quis perder a festa e vestiu uma roupa normal de sair. Sem saber bem porquê, decidiu prender o cabelo. Um rabo-de-cavalo que deixava o seu pescoço fino e comprido a descoberto.


É Ele quem primeiro a vê. Ao ver a pele dela, sente um longo arrepio e sorri. Ela vê-o ao longe. Ri dos seus caninos e pisca-lhe o olho. Uma multidão de mascarados interpõe-se entre eles. Só passados alguns minutos Ela sente alguém que lhe toca no ombro. Vira-se e dá de caras com olhar dele. Ele inclina-se para a frente, cheira-a e diz-lhe ao ouvido: “Vem comigo!”. Como que magnetizada por uma força sobrenatural, segue-o sem hesitar. O apartamento dele não dista mais de vinte metros. Entram no prédio e Ela sobe os degraus para o elevador. Ele agarra-lhe o braço e puxa-a pela porta das escadas. Encosta-a ao vão entre a parede e as escadas. Beijam-se uma primeira vez. Ela consegue sentir os dentes dele com a língua. Isso excita-a. Um frémito de medo e excitação. Ela inclina o pescoço e pergunta-lhe: “É isto que queres?”. Julgava que não mostrando medo, assumiria o controlo. “Não”, responde ele. “Não é aí que te vou morder!”. As mãos dele percorrem o corpo dela. Ao chegar às calças, rapidamente lhe desaperta os botões e desce-as até aos pés. Ela já não sabia se era excitação de ser mordida, medo de serem apanhados ou até frio. Ele beija a parte da frente das coxas até ao joelho. Olha para cima e diz: “A minha artéria favorita está aqui, no interior da coxa.”. E começa a mordiscar o interior das coxas. Os gemidos dela começam a ser mais intensos. Ele afasta-lhe as pernas e dá uma mordida mais forte. “Hummmm, mais…”, suplica Ela. Num só movimento Ele vira-a ao contrário e morde-lhe gentilmente as nádegas. Ela já tem as mãos na parede. Completamente vulnerável. Ele baixa-lhe as cuecas pretas de fio dental e começa a fazer um sexo oral que a leva ao delírio. Um jogo excitante que os deixa loucos. De repente, Ela vira-se. Levanta-o e encosta-o à parede. “Agora sou eu. Não penses que só os vampiros sabem chupar!”. E ali mesmo a sua boca o faz vir, depois de um sonoro gemido de libertação. Abraçam-se os dois depois de um orgasmo partilhado.


“Agora vamos dançar, porque ainda é cedo”, decreta Ela. “Sim porque sabes que os vampiros têm de aproveitar a noite…”



terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

um conto de Carnaval (2ª parte)

continuação daqui

Cara a cara, continuaram com as falas do guião:
-"Can you love a player?"- diz ela já com ar de desejo.
-"Can you love a fool?" - diz ele segundos antes de a agarrar. Riem. Agarram-se sofregamente, despem os fatos que os envolvem, deixando as máscaras. Estas tinham recortes nos lábios, pelo que os beijos eram trocados com avidez. A cama em que se deitavam era típica das casas daquela altura. Um verdadeiro dossel da realeza. Tudo em seda entre púrpuras e dourados.

Entregaram-se loucamente como dois amantes. Ela com destreza, coloca o preservativo com a boca, o que o deixa mais erecto do que estava. Ele deita-a e penetra-a devagar, até ao fundo. Ela solta um gemido curto, mas que indica com clareza o prazer que sente. Enquanto isso inicia-se um rito, um jogo a quatro mãos em que buscam todos os recantos dos corpos. Línguas sedentas beijam e molham cada pedaço de pele à vista. Com ritmos mais acelerados começam a perder os sentidos... E sentindo algo quente, com uma respiração profunda, ele veio-se enquanto sentia os espasmos do orgasmo daquele ventre. Vestiram-se e desceram, um de cada vez, até ao salão principal. Ninguém notou o que se passou e assim era como queriam que ficasse. Minutos depois era hora da despedida.
-"Good night my lord. Hope you enjoyed the evening." - diz Viola com um sorriso.
-"Believe me my lady, I did. Have a great night." - despede-se ele, sorrindo também. Deram um beijo simples, apenas lábios com lábios e cada um seguiu o seu caminho. Assim foi a noite de William e Viola, numa noite de Carnaval. O que eles não sabiam é que no ano seguinte a história repetir-se-ia, mas com personagens diferentes.


FIM

domingo, 14 de fevereiro de 2010

um conto de Carnaval (1ª parte)

Arredores de Londres. Névoa, frio, noite. Baile de máscaras. Ele de William Shakespeare com um daqueles fatos que sê vê em filmes e ela de Viola de Lesseps com um vestido de seda dourada, comprido, espartilhado, decotado e com uma enorme saia em balão. Não se conheciam, mas aquela complementaridade notada pelos dois foi evidente na primeira troca de olhares. Despiram-se de imediato com os olhos. As máscaras não revelavam identidades, apenas fantasias.
-"The dinner is served." - ecoou pelo salão da mansão onde se encontravam. Os lugares estavam marcados. Coincidência ou não estavam um em frente ao outro separados pelos pratos, talheres de prata, copos de cristal, um castiçal prateado e uma travessa recheada de queijos das mais variadas nacionalidades.
Os vários convidados falavam das futilidades que se comentam nas revistas, na qualidade do que estava na mesa... eles, ao invés da maioria, preferiam o silêncio. Entre cada garfada esboçavam um sorriso. Entre cada sorriso, um gole do mais requintado vinho.
Finda a sobremesa era hora do baile.
Ela desloca-se até umas das mesas e limita-se a observar. Não só quem está no palco, mas também tudo o que se encontra à sua volta. Repara na toalha de cetim, nos cortinados de veludo vermelho-sangue, nas cadeiras de madeira maciça, na colecção de punhais exposta numa das paredes creme. Pergunta-se como serão os quartos...
Ele senta-se mais atrás e o pensamento que lhe invade a mente é apenas um: conhecer a paixão do personagem que encarna nessa noite.
-"And now, the last dance of the night." - É o último anúncio.
Ele abre os olhos, como que acordado de um sonho. "Well William, I guess it's now or never!" pensa para si. Num ápice levanta-se vai até àquela mulher de cabelos loiros que o fascinou desde o primeiro momento e estende-lhe a mão.
-"Would you give me the honour Madame?" - disse.
-"Miss, if you please..." - corrigiu ela. E deu-lhe a mão.
-"A thousand apologies, Miss..." - proferiu, embaraçado.
-"Viola, Viola de Lesseps." - completou ela enquanto caminhavam para o palco. Não, ela não ia entregar o seu nome. Queria continuar assim, Viola.
E deu-se início uma valsa, a última valsa da noite. Para aquele casal era mais que isso. Era o desenrolar de um mistério onde, até agora, apenas sabiam os nomes dos personagens que vestiam. E nada mais que isso.
Olhavam-se por segundos que pareciam eternos e as mãos dele na pele dela pareciam algodão...
A cintura dela aos olhos dele eram mas do que poderia pedir.
Ele, moreno de olhos castanhos, um castanho profundo como ela nunca tinha visto. Talvez fosse da máscara, mas na altura não se importou. Queria gozar o momento, apreciar o homem que tinha nos braços. Ela de corpo esbelto, cabelos compridos, longos, ondulados. Olhos de cor azul misturado com um leve tom de verde. Um verdadeiro enigma de mulher de lábios vermelhos e finos, mas não em demasia. "Perfect!" pensou ele. Só viam a hora de ver a descoberto que toda aquela vestimenta cobria.
-"Master Shakespeare, I heard you are a poet" - quebrou ela o silêncio. Ele nada disse.
-"But a poet of no words?" - diz, indignada.
-"I was a poet till now, but I have seen beauty that puts my poems at one with the talking ravens at the Tower." - diz ele, tal como no filme "Shakespeare In Love" tão bem conhecido pelos dois, ao que parece. Riem os dois. Sim, ambos conhecem o filme de cor. O que vinha a seguir ao baile também eles conheciam. E pretendiam seguir o guião. Não à risca, mas quase. A música ainda tocava e aproveitavam os dois para se desviarem, aos poucos. Chegaram às escadas e foram subindo sempre de braço dado. A mansão não era de nenhum dos dois, mas de um amigo que tinham em comum. Ainda assim sabiam perfeitamente onde era o quarto de hóspedes.