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sexta-feira, 7 de maio de 2010

Magda VII

início | continuação daqui
texto por
Bernardo Lupi
imagem da esquerda: Aubrey Beardsley (clicar em cima para amplicar)
imagem da direita: Bound by Lust by
crazynloveless


Foi assim que, com o decorrer dos dias, o dono e a sua escrava passaram a ter um relacionamento cada vez mais íntimo, desenvolvendo formas de cumplicidade que agradavam a ambos.

As noites eram de uma sensualidade intensa, de carinho, de uma doçura que transcendia um relacionamento puramente sexual, um sentimento que ia muito além da pura dominação e que, quase com certeza, podia ser definido de forte atracção recíproca, de paixão real e amor.

Efectivamente essa palavra nunca foi pronunciada explicitamente e, por outro lado, Henrique continuava a exercer a sua autoridade de dono inflexível; com efeito, ele não precisava inventar infracções imaginárias para castigar a companheira. As regras que regiam o status de Magda eram inúmeras, arbitrárias, mutáveis e contraditórias. Mesmo que se esforçasse, ela acabava por infringir diariamente um bom número delas. Como consequência, os castigos faziam parte do seu quotidiano. Chicote nas nádegas, nas coxas, nas solas dos pés...

Contudo, Magda já não conseguia sequer imaginar uma vida que não fosse a de escrava. Agora que tinha experimentado a submissão nunca mais seria capaz de aceitar um relacionamento "normal" que, para ela, já não fazia já não fazia sentido.

Instintivamente Magda estava a traduzir em actos diários as palavras de um famoso aforismo de Nietsche: "A felicidade do homem é: eu quero. A felicidade da mulher é: ELE quer".

Cada vez mais, acordava a meio da noite e, mesmo estando totalmente imobilizada e com a pele ainda a arder pelos golpes que lhe eram infligidos, entrevia, como no pior dos pesadelos, um futuro em que o seu Senhor a deixasse livre, sem cordas, cadeados, chicotes ou, pior ainda, a trocasse por outra mulher.

Se realmente isso tivesse acontecido, pensava, seria capaz de sobreviver um só dia…

Como viver longe do homem que amava mais que a sua própria vida? Como existir sem o dono que tomava conta dela, que dominava não apenas o seu corpo como também seus sentimentos, seus sonhos, que satisfazia seus desejos e suas vontades mais profundas?

E, embora ela ainda não tivesse ouvido explicitamente palavras de amor de Henrique, sabia perfeitamente que ele a amava com uma intensidade que raramente se observa entre os amantes mais apaixonados. Sabia que o amor dele tinha raízes mais fortes que todas as correntes e as cordas que a prendiam durante a noite.

Mesmo assim estava preocupada e, como a grande maioria das mulheres, começou a ficar possessiva e ciumenta.

Na semana seguinte, Henrique, que regra geral saía pouco de casa nos momentos de folga, começou a ausentar-se durante várias horas consecutivas. Obviamente sem dar explicação alguma - um mestre nunca se iria justificar perante a sua escrava-. Escolhia fatos elegantes, aprumava-se com rigor, perfumava-se e ia-se embora com passos rápidos e decididos.

Era enorme a angústia de Magda, a observar os ponteiros do relógio avançar até horas cada vez mais tardias sem que ele regressasse a casa.

Para piorar ainda mais o seu estado de aflição, notou uma certa frieza que ele nunca tinha demonstrado anteriormente. Agora parecia-lhe mais distante, sempre apressado e absorto em pensamentos que o transportavam para longe dela.

Foi assim durante três intermináveis dias.

Na manhã do quarto dia, Magda, após ter reflectido sobre a acção que estava perto de executar, pegou no telefone e começou, lentamente, a digitar o número do telemóvel de Henrique.

Sabia perfeitamente que, como escrava, nem podia aproximar-se de um telefone. Sabia que corria o risco de ser castigada duramente. Mas era uma tortura mil vezes pior ficar na dúvida de que ele estivesse nos braços de uma outra mulher.

É verdade que os Senhores tinham o direito de possuir mais de uma escrava mas ela, que aceitava com prazer qualquer punição, que se conformava em ser tratada como um objecto de prazer, nunca concordou com essa regra. Reconhecia ao seu Senhor o direito de tirar-lhe o sangue gota a gota, de lhe arrancar a pele com o chicote desde, porém, que fosse a única mulher dele.

Agora achava-se no direito de saber, de descobrir a verdade, pois a dúvida a devastava por dentro como uma doença mortal.

E se ele fosse inocente? E se as suas ausências fossem relacionadas a problemas de trabalho? Tinha visto no escritório de Henrique diversos documentos das empresas e relatórios de contas com algarismos sublinhados a cores fluorescentes. Ao tentar investigar a vida dele, poderia correr o risco de perder a confiança do seu parceiro para sempre.

Intuiu o risco terrível de perdê-lo para sempre, mas o seu instinto feminino prevaleceu e, ingenuamente, pensou que seria capaz de inventar uma desculpa para justificar um acto de insubordinação e de desconfiança tão infantil.

Quando o telefone começou a tocar, o coração de Magda quase parou de bater.

O telemóvel tocava, tocava, tocava e ele não atendia. Podia ser a confirmação que ele estaria na companhia de outra mulher.

Finalmente ela ouve a voz dele. Henrique ao ler no visor o número da sua casa, calculou imediatamente quem estaria a ligar.

- Fala… -disse ele, com voz de enfado.

Magda ouviu as vozes de várias pessoas que discutiam animadamente sobre questões financeiras e, numa fracção de segundo, deu-se conta que o seu Henrique estaria a participar numa reunião do conselho de administração das suas empresas.

Como que por artes mágicas caiu o véu que a cegava. Entendeu a atitude dele, a pressa de sair de casa, as demoras, as preocupações de quem mantém a responsabilidade do bom funcionamento de um grupo de empresas.

A felicidade de descobrir que ela continuava a ser a única parceira dele, fez com que não conseguisse improvisar uma explicação plausível para justificar o telefonema. Ficou muda e, sem nem pensar nas consequências, simplesmente desligou o telefone sem dizer nada e desrespeitando, dessa forma, a ordem do seu dono que aguardava uma resposta.

Henrique regressou a casa perto da meia-noite.

continua aqui

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Magda VI

imagem de Jan Saudek via Vanderdeken

texto de Bernardo Lupi
continuação daqui
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Depois de uma noite de chuva fraca, o dia amanheceu fresco e ensolarado.

Henrique deu a Magda a permissão de tomar um novo banho. Ela estava a aprender, aos poucos, que, basicamente, nada lhe era permitido. Mesmo para executar acções simples e banais, como lavar as mãos ou tomar um copo de água, necessitava pedir, e naturalmente obter, a permissão prévia do seu Senhor, que nem sempre era dada.

Magda experimentava os efeitos psicológicos do cativeiro. Era um processo de reformulação de sua personalidade que a tornava não apenas extremamente dependente - uma mulher-criança -, como também muito subordinada ao arbítrio de seu dono. Acrescentava-se o facto que, em qualquer momento, ela podia receber ordens as quais, aparentemente, não faziam sentido algum, mas que deviam ser obedecidas sem a menor demora e, obviamente, sem nem ousar replicar ou simplesmente perguntar porque uma determinada acção lhe era imposta.

Acontecia, por exemplo, que após ter varrido o piso de um certo ambiente, Magda pedisse a autorização para completar o trabalho passando um pano molhado, como teria sido lógico fazer numa casa de habitação, mas sempre a autorização lhe era negada, de modo que no chão, em aparência limpo, ia-se acumulando uma invisível camada de gordura, misturada com um fino pó escuro oriundo das ancestrais vigas de madeira que sustentavam o casarão.

Ela não entendia a razão dessa estranha proibição…

O motivo, que nunca lhe foi revelado, era que o seu dono a queria, o mais possível, parecida às antigas escravas - aquelas de verdade que eram compradas nos mercados -, as quais, tendo que trabalhar descalças e acorrentadas, tinham as plantas dos pés permanentemente sujas. Assim, quando Henrique mandava que ela se ajoelhasse ou se deitasse na cama, contemplava a superfície escura das solas, contrastando com a brancura do dorso, e essa visão deixava-o ainda mais excitado, consciente de possuir uma escrava real e não apenas uma mulher que gostasse de brincar de ser escrava.

Outro aspecto da personalidade do seu parceiro era de fazer com que a sua submissa tivesse, quando observada de longe ou sob um certo ângulo, a aparência de uma livre e graciosa empregada doméstica. Por isso determinou que ela vestisse um belo avental de linho branco, imaculado e perfeitamente engomado; essa peça cobria o corpo de Magda do pescoço até às coxas, escondendo boa parte dos seios, mas deixando completamente nuas as costas e as nádegas. Mandou também que ela usasse uma fita do mesmo tecido, que escondesse a coleira, e pulseiras de linho para disfarçar os braceletes de aço.

Henrique não conseguiu, e nem quis, esconder tudo, como por exemplo a corrente das algemas e a outra que a unia à argola da coleira. Muito menos os grilhões nos tornozelos.

Contudo, de uma certa forma o disfarce funcionava e, várias vezes, ele teve a oportunidade de zombar subtilmente com os seus convidados. Enquanto eles tomavam um chá sentados no varandim do jardim, Magda ficava durante bastante tempo, dentro de casa, fingindo espanar, vagarosamente, bibelots e molduras alinhadas sobre os móveis.

Em virtude da distância e da meia-luz dos aposentos, os visitantes não conseguiam observá-la nos detalhes, apenas percebiam, pela silhueta do corpo, que ela era jovem e bonita. Ela nunca se virava de costas para eles e sempre permanecia atrás da mesa que escondia totalmente a parte mais baixa das pernas. Os convidados imaginavam que ela completasse a sua farda com sapatilhas brancas ou algo similar. Não sonhavam que estivesse descalça e com os pés acorrentados. Muito menos podiam adivinhar que, debaixo do avental, dois prendedores de metal apertassem os seus mamilos.

Também, para impedir que alguém descobrisse as reais perversões de Henrique, naquelas ocasiões o mestre tirava a pequena corrente que ia da coleira até às algemas. Magda, com a intenção de facilitar a brincadeira dele, aprendeu a trabalhar com as mãos quase juntas, escondendo, dessa forma, a corrente das pulseiras.

Henrique, como forma de recompensar essa cooperação, atava as coxas da escrava com dois cintos de couro, ambos providos de argolas, bem à altura das virilhas. Um cordão de seda de quase um centímetro de diâmetro unia essas argolas com a argola dianteira do cinturão, obviamente passando no meio dos lábios vaginais onde apertava e esfregava delicadamente o clitóris. Assim, enquanto os convidados falavam animadamente de negócios ou de política, Magda, mergulhada num mundo paralelo, deliciava-se com um prazer infinitamente superior aquele que podia vir de conversas que, para ela, eram um pouco enfadonhas.

Para encerrar a encenação, Magda foi instruída a aproximar-se furtivamente das janelas e puxar rapidamente os pesados cortinados de veludo, antes que os amigos conseguissem vislumbrar algum detalhe suspeito. Ela aprendeu a agir como uma gata que caça um passarinho e por isso recebia os mais rasgados elogios por parte de Henrique.

Todavia, apesar dos movimentos dissimulados de Magda, ocasionalmente acontecia que alguma mulher curiosa do grupo conseguisse notar, mesmo na penumbra e por uma fracção de segundo, as correntes nos tornozelos. Nestes casos, pasmadas, procuravam imediatamente os olhos do anfitrião, como que para fazer uma pergunta mas, o olhar calmo e ligeiramente irónico de Henrique as induzia a pensar que devia ter-se tratado ou de uma alucinação ou uma ilusão óptica e que os grilhões fossem, eventualmente, algum tipo extravagante de enfeite.

Depois, quando finalmente sozinhos, Henrique e Magda comentavam as situações e davam boas gargalhadas, a gozar com a ingenuidade dos visitantes. O Senhor gratificava imediatamente a sua escrava, ordenando que ela, em pé, apoiasse o busto e a cabeça em cima da mesa e penetrava-a analmente com tanto vigor que vários bibelots acabavam por cair no chão. Ela limitava-se a berrar de prazer enquanto o pénis mergulhava incessantemente no seu traseiro.

continua aqui