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quinta-feira, 4 de junho de 2009

o Prazer de dar ao pedal


Gosto muito de bicicletar por entre subidas e descidas empoeiradas rasgadas pelos pneus, sentir a irregularidade do terreno nas sacudidelas dos braços e chafurdar na lama das subidas íngremes por onde empurro a bike. Gosto também de passear por estradas lisinhas onde as rodas deslizam a alta velocidade.
Imaginar que se me espalho a 50 ou 60 km/h, espeto-me duma maneira que fico com alcatrão agarrado à pele, para além de poder partir alguns ossos, e em vez de me assustar, sorrio e mordo o lábio, ao sentir a adrenalina bombar no sangue. Bem, pelo menos, costumo usar capacete.
Já caí ribanceira abaixo, a bike lá em cima e eu de rojo até parar, esfolei apenas as mãos, braços e pernas e comi um bocado de pó. Levantei-me, limpei a terra das feridas, a pele parecia limão raspado com laivos de sangue e pequenas pedrinhas incrustadas. Voltei a montar a bike e fiz uma subida íngreme até casa. Quando lá cheguei comecei a ver tudo às pintinhas pretas e a andar à roda, tive de me deitar. Nada que o descanso e uma boa desinfectadela com mercurocromo não resolvesse.

Mens sana in corpore sano. Enquanto biclo e esforço o corpo, a minha mente voa. Consigo arejar os neurónios e ter altas ideias à velocidade que com vou. Gosto de andar de bike ao sol e à sombra das árvores e quando chove aquela chuva miudinha que quase não molha, mas refresca os lábios e dá para provar com a língua. Faço-o pelo puro prazer de sentir o vento, o cheiro, o sabor do ar, o silêncio da deslocação, a vista privilegiada da Natureza. Antes do automóvel, ia para as aulas e para o centro da cidade de bike. Depois do automóvel, ainda pensei em enfiá-la no porta-bagagens, mas logo verifiquei que não seria assim tão simples. E rendi-me ao comodismo de viajar num bólide confortável sem ter de me esforçar minimamente. E passei a usar a bike apenas para lazer, sempre que me apetecia, saía por aí a descobrir novos trilhos por detrás das colinas, novas perspectivas dos sítios que já conhecia.
Redescobri entretanto o prazer de usar o meu veículo ecológico de duas rodas como meio de transporte. Tenho o privilégio de morar relativamente perto do trabalho, mas não tão perto que possa ir a pé, por isso levo o meu bad boy de quatro rodas. Mas cada vez há mais carros, demoro mais tempo em filas, um percurso que normalmente faria em 10 minutos sem trânsito, prolonga-se facilmente para o dobro em hora de ponta. E cada vez é mais difícil estacionar. Sei que não é nenhum drama comparado com as horas infinitas que algumas pessoas passam no trânsito, mas ninguém gosta de esperar se o puder evitar, não é? E antes que o sedentarismo tomasse totalmente conta de mim, pensei em encontrar uma forma de resolver estas chatices de uma vez por todas, e finalmente lembrei-me que a bike também serve para ir de um lado para o outro, e não apenas para umas voltinhas em redondo. Conheço as irregularidades do piso como os sulcos da palma da mão. Cada curva, cada mudança de roda pedaleira, numa simpática rotina. Conheço os cheiros, os sons, as pessoas que de carro me passariam despercebidas. E que bem que sabe ultrapassar todos os carros frustrados nas filas de trânsito!
- Não perco tempo em pára-arranca;

- Não tenho de me preocupar com lugar para estacionar;
- Poupo o ambiente;
- Poupo no combustível;
- Mantenho-me em forma.


Não sei por que é que não pensei nisto antes…

Foto: CORBIS

sexta-feira, 13 de junho de 2008

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

BTT


Que saudades dos meus passeios de bicicleta ao pôr-do-sol! Agora a noite chega cedo, está frio. Lembro-me de quando o sol aquecia até tarde e o dia durava até à hora do jantar. Tenho o fim-de-semana, eu sei, mas não me chega. Por isso, decidi levantar-me mais cedo e sair de casa com rumo mais ou menos planeado, ao sabor do vento.
Rasgo o caminho de terra batida com restos de alcatrão, desço na lisura da ponte sobre a auto-estrada: iiiiihuuuuuu! Largo o volante e fecho os olhos por um instante. Os rumos habituais adquirem novos contornos, o que se perde em velocidade para os automóveis, ganha-se em pormenor, em cheiro, em som.
Ando por montes e vales (são mais pequenos declives, mas de BTT, parecem montanhas) o sol espreita ainda envergonhadamente pelo horizonte, está frio, as mãos congelam, sinto o ar gelado entrar e arder no nariz e na garganta, as lágrimas saltam-me dos olhos até se habituarem ao frio (nota: trazer óculos para a próxima).
Depois de uma subida ou duas mais intensa, já me sinto mais quente. Passo por baixo da auto-estrada, subo desço, subo desço até voltar ao ponto de partida. Estou quente, a transpirar.

Hoje aconteceu uma coisa inédita: depois de uma subida mais acentuada, resolvi ajustar o capacete, junto à paragem do autocarro. Comecei a ver tudo desfocado, a cabeça a andar à roda. Não, não me esqueci do pequeno-almoço. Resolvi sentar-me na paragem, devia ser uma quebra de tensão. Cabeça para baixo, até que oiço alguém:
- Tensão baixa? – Olho para o lado: eras tu!
- Acho que sim. – E deste-me um pacotinho de açúcar. Tão doce! A tensão subiu logo, ainda não tinha posto o açúcar na boca.
- Estás melhor? – Perguntaste.
- Agora sim, obrigado! – Disse eu com um sorriso de orelha a orelha. E segui o meu caminho sem mais percalços.

Chego a casa, alongamentos, duche de pêssego e manga, tudo a postos para um dia de trabalho em cheio!

Andar de bicicleta ao nascer do dia é o meu novo ritual.

vídeo: CORBIS motion