quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Swingin' (in the rain) outros carnavais e um clube diabólico

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O Carnaval costuma ser uma época animada nos clubes de swing, as máscaras costumam ajudar as pessoas a soltar-se. Houve um ano em que fomos ao nosso clube favorito quando já não era no sítio original, a Yin mascarou-se de cupido, com asinhas brancas, uma boina vermelha de crochet trés française, um poncho também de crochet muito esburacado branco que deixava ver um soutiã vermelho. Improvisou um pequeno arco e flecha e andava a flechar o pessoal aleatoriamente. O Yang não se quis mascarar nesse ano.


Houve outro carnaval em que o Yang se mascarou com o corpete da Duquesa e deixou a Yin colocar-lhe unhas postiças e pintá-las, o que lhe deu imenso gozo. Comprou uma mini-saia elástica, vestiu umas meias de liga que esburacou logo que lhes pôs os dedos manicurados em cima. Completou o look com uma cabeleira loira encaracolada e maquilhagem carregada que não disfarçava a barba a despontar. Ficou com um ar de puta reles transgender que dava tesão e divertia a Yin -  estava uma verdadeira matrafona!
A Yin vestiu um negligé oferecido pela Duquesa, nos mesmos tons preto e vermelho do corpete do Yang com tanga e máscara a condizer. Após um animado jantar na casa da Duquesa, lá fomos com o Tal Casal conhecer um novo clube.
O Tal estava todo cafeinado e quando bebe café, tudo pode acontecer. Depois de muita indecisão em relação ao traje, acabou por se decidir por uma cabeleira punk cor-de-laranja que fazia vagamente lembrar o Rod Stewart. A Tal estava muito elegante no seu corpete, que lhe acentuava a cintura fina e decote generoso, ligeiramente burlesca com um toque de loucos anos 20.
O espaço era do tipo “Tal Clube”, um armazém num local insuspeito mas muito acessível, cremos já ter ido àquela rua visitar uma loja de móveis, mesmo ao lado. No interior, um hall acolhedor dava-nos as boas-vindas. Estava frio lá fora, mas lá dentro tirámos os casacos e assumimos as nossas novas identidades.


Já conhecíamos os donos deste sítio, tinham sido sócios dos Donos do Pedaço. Apresentaram-nos o local, não era muito grande, tinha uma pequena pista, um balcão com varão onde dava para dançar, uma zona de quartos e um labirinto que começava após os quartos e dava a volta para a pista.


O espaço estava bem composto, com bastante fumo, a música era uma treta, por isso ficámos no sítio do bar a conversar. Depois o Tal foi dançar para a pista e deu um espetáculo que nos deixou bastante bem humorados. Fomos até um quarto, tirámos umas fotos e demos a trancada inaugural deste clube a carnavalar.

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sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Swingin' (in the rain) a artista e o cientista #5

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Ambos responderam positivamente, ele apenas após a Yin ter perguntado se tinha lido o texto. Mas a verdade é que nunca chegaram a embarcar na viagem. Nós fomos mantendo contato, convidando para várias coisas, desde idas a clubes, caminhadas, jantares, saltos de pára-quedas… todos os convites foram recusados, sempre muito ocupados nos mais variados projetos que nunca nos incluíam. A Yin começou a ter um dejá vu de uma situação com outro casal (ainda antes chamarmos a isto de swing) em que não teve paciência para compreender a falta de disponibilidade da outra parte e desatinou. Desta vez não queria fazer isso e manteve-se quieta.

Passados uns meses, a Artista aborda-nos a perguntar se queríamos ir ao aniversário do Tal Clube que ia fechar para obras e que o Dono do Pedaço disse que nunca voltaria a abrir. Se até então o Yang se tinha mantido na dele, tentando pôr água na fervura sempre que a Yin se exaltava, desta vez achou muito má onda o convite dela, pois só poderiam entrar com outro casal que conhecesse o local e pareciam querer usar-nos para esse efeito. Acabou por lhes responder muito sincera e educadamente que não tínhamos interesse em ir a esse clube nesse dia, pois que estávamos a pensar em ir a outro e seriam muito bem-vindos se quisessem vir connosco. A Yin nem sequer se dignou a pronunciar-se. E é claro que eles não quiseram vir connosco.

A Yin andou a remoer esta história durante um ano, a tentar compreender o que os tinha levado a agir daquela forma, sempre achando que devíamos ter um defeito qualquer. Por que é que alguém diz que gostou, que quer repetir e depois não diz nada durante meses? Ficou mesmo a bater mal uns tempos, tentou esquecer o que se tinha passado e seguir em frente mas não conseguiu. Tinha aquela dúvida a martelar-lhe na mente. Chegámos a encontrar-nos acidentalmente, afinal de contas moramos em localidades próximas, cumprimentámo-nos e seguimos caminho. Numa dessas vezes, o Cientista estava sozinho. A Yin achou que a melhor forma de arrumar o assunto, para além de escrever sobre isto, seria fazer a tal pergunta que lhe andava a martelar o juízo: Por que não nos voltámos a encontrar?, pedindo que lhe respondessem com sinceridade. Ela respondeu prontamente que esteve doente e que o tempo não tinha sido muito. Lembramos que tinha passado um ano desde o nosso encontro sexual. Ele revelou que se tinham separado, mas que continuam bons amigos.

Que pena, eles pareciam mesmo feitos um para o outro. Um peso enorme saiu de cima da Yin. A separação deles explicava a ausência de contatos. Tudo levava a crer que o assunto estava arrumado. Mas o Cientista continuou o diálogo com a Yin. Queria continuar o que tinham começado, agora sem a Artista. Mas não nos pareceu que os nossos desejos estivessem em sintonia, e com alguma pena da Yin, declinámos o convite.


Mais tarde viemos a saber (o mundo é pequeno) que o Cientista afinal tem uma companheira de longa data que se "esqueceu" de mencionar e que pelos vistos, não costuma fazer parte das suas aventuras...

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quinta-feira, 17 de agosto de 2017

o Prazer de SUPAR*

*andar de Stand Up Paddle


A vontade de experimentar foi imediata, assim que vi e entendi o conceito. A oportunidade surgiu há uns anos, numa plácida baía da costa alentejana. No princípio, as pernas tremem, apesar do mar parecer plano, sempre se agita um pouco, não é fácil manter o equilíbrio e a queda é quase certa. O medo de cair e fazer figuras ridículas está lá, mas não impede o gozo. E lutar contra o desequilíbrio e vencer é um gozo vitorioso. A sensação de estar em pé a deslizar sobre as águas, apenas com uma prancha e um remo (que se chama pagaia) a manobrar, a controlar todo o processo tem qualquer coisa de… bíblico. É mesmo poderoso!
A partir daí, fiquei viciada. Experimentei lagoas, rios e albufeiras, sítios onde conseguia alugar pranchas.


O vento é inimigo do SUP, transforma-nos em vela. E se até pode ser muito bom navegar à popa (é só preciso ficar em pé, podemos abrir os braços e apreciar a paisagem) à bolina (ziguezaguear contra o vento) não é nada fácil, mas com alguma tenacidade, é possível, nem que seja de joelhos ou esquecendo a pagaia e dando aos braços como fazem os surfistas.


Uma vez quis aventurar-me na maré cheia revolta. Vi algumas pessoas a fazê-lo, e achei que depois da rebentação não teria dificuldades. Pois a primeira dificuldade foi mesmo passar a rebentação. Levei com a prancha em cima, engoli alguma água, mas depois de esperar que o sete passasse, lá consegui. A segunda dificuldade foi conseguir pôr-me de pé. O mar, que visto de terra até parecia calminho, sentido na pele era uma máquina de lavar roupa a centrifugar. Ok, talvez esteja a exagerar um pouco, mas aquilo de calmo não tinha nada, tentava pôr-me de pé, vinha uma onda e lá caía eu, punha-me em cima da prancha para de novo cair com a próxima onda… Resultado, só aguentei meia hora e desse tempo, passei muito pouco em pé e fiquei com a boca a saber a sal de tanta água que engoli. Quando decidi sair, apanhei uma onda de joelhos! É uma sensação fantástica, uma energia tremenda, mágica, a elevar-nos e a levar-nos para terra muito rápido… claro que no final enrolei-me toda na onda e na areia, andei às voltas até não saber mais qual era o lado de cima e voltar a descobrir de novo. E via os outros a entrar e a sair com imensa fluidez e elegância, senti-me mesmo aselha… no dia seguinte doíam-me os músculos todos como se tivesse levado uma tareia. É que levei mesmo porrada do mar e passei a respeitar mais os surfistas.


Comecei a ir com mais calma, nas ondinhas pequeninas, aquelas onde se aprende a fazer surf. Comecei a entender o ritmo do mar, a respeitá-lo. Até entender a sintonia da minha respiração com a remada e a ondulação. Quando expiro, puxo a pagaia; quando inspiro trago-a para fora da água e repito o ciclo tendo em atenção as ondas, contrabalaçando os altos e baixos. Trabalho o corpo todo e tenho plena consciência disso. Não é difícil, é parecido com andar a pé ou de bicicleta, se não pensarmos, fazêmo-lo instintivamente. A grande vantagem é que se cairmos, tomamos banho, não nos esbardalhamos no chão duro. Nunca me magoei a sério, o mais grave que me aconteceu foram umas nódoas negras, uma unha partida e um brinco (de estimação) perdido para o mar. E depois de algumas tentativas falhadas, começamos a apanhar ondinhas, a deslizar e a vir com elas para a costa. Uma delícia!


Certa altura, pelo meu aniversário, ofereci-me uma aula de SUP yoga. Já andava para experimentar há imenso tempo, ninguém quis vir comigo por isso tive uma prática muito proveitosa e tranquila na foz do rio, com um professor só para mim. E foi muito bom! Nunca pensei que conseguisse fazer tantas posturas em cima de uma prancha! Alguns amigos acompanharam-me e ficaram em terra na esperança de me ver cair, mas eu aguentei-me. Fiquei mesmo surpreendida por não ter caído, estive quase quando experimentei as posturas do Guerreiro, que em terra firme até nem são muito difíceis, mas que causam bastante desequilíbrio em cima de uma prancha. Ou posturas invertidas como esta. A partir daí, comprei uma âncora, e sempre que pude, usei nas pranchas alugadas. Sabe mesmo bem, depois de remar, sentir o prana, a energia vital a pulsar, ao pôr-do-sol, praticar yoga e relaxar! (Um conselho: usar repelente de insetos para yogar no lusco-fusco)


Fiz as contas e decidi comprar uma prancha insuflável. Muito fácil de transportar, não tão fácil de encher (é preciso uma pressão tremenda, o que acaba por se tornar num bom aquecimento, dar à bomba manual) e também requer alguma logística para voltar a arrumar e lavar, mas como se costuma dizer, “quem corre por gosto, não cansa”.
A verdade é que não me arrependo nada, só tenho pena de não ter comprado há mais tempo. A grande vantagem é poder experimentar sítios onde não existem pranchas para alugar e claro, durante o tempo e o horário que me apetecer.


Tenho conseguido contagiar amigos e familiares com este desporto. Desenvolvi uma técnica parecida com a aprendizagem de bicicleta, que consiste em colocar uma mão no selim e ir a correr atrás, eu vou de boleia na parte posterior da prancha, ajudando a estabilizá-la. É muito divertido, algumas pessoas têm um talento natural para a coisa, outras nem por isso. Encontro particular piada naqueles que acham que é muito fácil e não precisam de indicações. São invariavelmente os primeiros a cair e a fazer aquelas figuras tristes que dão tanta vontade de rir e fazem o meu dia muito mais alegre!... No outro dia estive a ensinar o meu pai. E a pensar que há trinta anos estava ele a ensinar-me a andar de bicicleta…


Guardo muito bons momentos e sei que vou criar muitos mais. Desfrutar de uma vista privilegiada de um grupo de golfinhos… talvez numa próxima consiga nadar com eles! Subir rios tranquilos, sem gente, sem roupa… sentir a água a fluir debaixo dos pés, em perfeita comunhão com a natureza… apanhar uma onda em pé, aproveitar toda aquela energia acumulada na água, sentir a adrenalina a fazer o seu trabalhinho espalhando pelo corpo e mente uma torrente de euforia e bem-estar… Na serenidade das águas calmas ou no ímpeto das ondas, é verdadeiramente entusiasmante. Só me falta experimentar sexo na prancha. Um orgasmo em cima da água deve ser estrondoso!


Que mais dizer para te converter… EXPERIMENTA!

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Swingin' (in the rain) os Felizes do Norte #2

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Notava-se que mais gente já tinha passado por ali, pelo que a Feliz pediu uma toalha de banho para colocar na cama. Um procedimento tão simples que nunca nos tinha ocorrido fazer nos clubes. A verdade é que nunca tínhamos passado de uns amassos com outro casal num clube, mas suspeitávamos que desta vez iríamos mais longe.
Estava imenso calor, mais do que anteriormente quando estivemos naquele quarto, talvez porque a excitação desta vez era diferente, quatro pessoas a respirar, a transpirar tesão.
Pela conversa que tivemos com eles no dia anterior, tinha ficado claro que ela não era bissexual, que gostava mesmo era de estar com homens. No entanto, foi ela que tomou a iniciativa chamando a Yin, beijando-a, começando a despi-la. Foram-se despindo ambas e os homens seguiram-nas, cada qual se despindo a si próprio, com alguma ajuda delas.


A Yin gostou da suavidade da pele, da boca da Feliz, apesar de saber a tabaco. Ambos eram fumadores, mas isso não nos incomodou muito. Para quem disse que não gostava de mulheres, não se portou nada mal com a Yin. Depois cada qual ficou com o parceiro oposto. A Yin também gostou do toque e do corpo dele, bastante firme,  O Yang começou a fazer o seu trabalhinho de mãos no corpo da Feliz, mais concretamente na zona genital e ficámos estupefatos com a facilidade com que ela chegava ao orgasmo, parecia uma fábrica, a Yin sentiu alguma inveja, mais tarde havia de lhe perguntar como fazia aquilo. A Yin também gostou do toque dele, muito firme, tenso, teso, parecia prestes a explodir a qualquer momento, mas aguentou-se bem. Gostou de ouvir a Feliz gemer de prazer proporcionado pelo Yang, aquilo estava a dar-lhe imensa pica enquanto chupava o Feliz, cada vez mais rápido. O Yang continuou até ficar com o pulso dorido e a Feliz não parecia fartar-se de se vir. Então ele propôs-lhe entrar dentro dela e iniciaram uma bela canzana. A Yin esteve algum tempo a cavalgar o Feliz, entretanto os outros dois terminaram e ficaram um pouco a apreciá-los, até que por fim ele se veio a penetrá-la por trás.

Ficámos ali um pouco, ofegantes, encharcados em suor, o ambiente estava demasiado quente e precisámos sair para arejar. Fomos ter com os nossos amigos e pouco depois despedimo-nos e voltámos para a casa deles. Pelo caminho comentámos alguns acontecimentos.

No dia seguinte voltámos a encontrar-nos com os Felizes e ficámos um pouco mais à conversa. Gostamos particularmente dos sorrisos cúmplices pós-sexo guardado em segredo. Fomos ainda visitar a casa que estavam a recuperar, e mostraram-nos com imenso orgulho e felicidade os planos de futuro. Despedimo-nos desejando tudo de bom e seguimos viagem, após trocarmos doces típicos das regiões onde habitamos.

Foi uma experiência interessante, que não nos importaríamos de repetir, apesar de sabermos que mesmo que eles fossem da mesma opinião, a distância não nos iria permitir fazê-lo com regularidade.

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domingo, 13 de agosto de 2017

Swingin' (in the rain) os Felizes do Norte #1

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Há uns anos conhecemos através da blogosfera uma curiosa moçoila do norte, dona de uma interessante mescla de sotaques da sua terra natal, da américa do sul e uma pontinha de british accent, herdada das suas andanças pelo mundo. Muito simpática e bonita, conhecemo-la pessoalmente num centro comercial do centro do país, com uma amiga divertida. Temos mantido o contato e soubemos que ela estava a namorar com um swinger. Ela contou-nos que quando começaram a relação, ele explicou-lhe o que fazia com a antiga companheira e que queria continuar a praticar com ela, ao que ela acedeu. No início, pensámos que ela tivesse de algum modo sido coagida a aceitar, ou era isso ou não havia namoro. Mas depois percebemos que não era bem assim. Gostámos bastante da visita deles, apesar de ter sido apenas de passagem, pareceram-nos genuinamente Felizes, muito boa onda e apetecíveis. A Yin teve imensa pena de ter de ir trabalhar logo após o almoço, gostava de ter passado a tarde com eles.


No final do verão, fomos retribuir a visita da Utopia e seu Camaleão para Norte e claro, passámos pela terra dos Felizes. Foi um final de tarde muito agradável, a falar sobre swing e o que mais nos apeteceu num barzinho simpático. Combinámos visitar um clube com eles no dia seguinte, para gáudio do Yang, que já tinha tentado visitar um clube nortenho, mas não tinha encontrado a mesma vontade por parte da Yin.
Não seria o preferido da Feliz, uma vez que eles já tinham combinado ir a uma festa de anos noutro clube. Seria uma espécie de “Tal Clube” à moda do Norte, tipologia de discoteca, mas com um ar mais recente. Conseguimos convencer a Utopia e o Camaleão a virem connosco e chegámos antes da meia-noite por ser mais barato. Um casal levou-nos a conhecer o espaço. Gostámos da sobriedade da pista e dos quatro quartos, dois deles comunicavam entre si através de uma janela de vidro e um outro era uma sala sado-maso, todos decorados com simplicidade e bom gosto. A música era interessante e não estava muito alta, mas foi aumentando à medida que foi chegando mais gente e consequentemente falando mais alto. Havia uma parte que estava fechada que só abre quando o clube enche. As pessoas eram da nossa idade e mais velhas, não vimos lá as  figuras tristes ou ridículas que por vezes vemos nos clubes do sul.
Os Felizes ainda não tinham chegado e nós fomos dançando e bebendo, até nos apetecer ir para um quarto. Escolhemos a sala sado-maso com a costumeira cruz de Santo André, cama redonda vermelha e correntes penduradas. Fizemos algumas fotos com a Yin de lingerie preta e meias de rede, parecia estar no seu habitat natural. Ela agarrou-se às correntes,  desprendeu uma do teto e não conseguiu voltar a colocá-la no sítio. O quarto estava limpo, ainda ninguém o tinha utilizado naquela noite, por isso decidimos ser os primeiros e dar uso à cama redonda vermelha. Pouco depois de voltarmos à pista ligeiramente ofegantes, chegaram os Felizes e dividiram atenções connosco e com o resto do grupo de amigos do aniversariante. O espaço foi-se compondo, as pessoas eram simpáticas e alegres, um casal fez-se ao varão ao som de Ring My Bells. Ele não tinha uma perna, mas rodopiava com ligeireza à volta da sua mulher, que não tinha corpo de modelo mas conseguia transmitir sensualidade e ambos davam bastante dignidade àquela cena, apreciámos a coragem e cumplicidade do casal que conquistou um merecido aplauso de todos os que assistiram.
A noite já ia avançada e os Felizes estavam a dançar ao pé de nós e dos nossos amigos. De repente, sem nada o fazer prever, a Feliz vira-se para a Yin e pergunta-lhe ao ouvido: ”Achas que os vossos amigos ficavam chateados se fossemos para um quarto?” - A Yin engoliu em seco e pensou se teria ouvido bem. Não estava à espera de tal convite àquela hora. Foi falar com o Yang, que se mostrou disponível. Claro que os nossos amigos não se importam, já os tínhamos avisado quando fomos visitar os quartos sozinhos e desta vez fomos acompanhados, até ao único quarto que estava vago naquela altura, o mesmo onde já tínhamos estado antes…


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terça-feira, 8 de agosto de 2017

Arqueologia do Desejo

Isto sou eu a tentar organizar os meus pensamentos num formato partilhável. Porque tal como o sexo, em boa companhia costuma ser melhor.


Não estava à espera, assim, tão de repente. Estava sossegada, no meu canto, sem procurar nada por não esperar nada de novo. Estava sem grande entusiasmo, e esta coisa da novidade é importante, porque é uma espécie de tempero da vida. A rotina, tal como a comida, só tem sabor de for bem temperada. E quanto mais se experimenta e vive, mais difícil descobrir coisas novas, inovar.


Mesmo quando nos encontrámos, não sabia o que iria acontecer, não pensei que fosse tão rápido. Senti-me desde logo inquieta, como alguém que dorme tranquilamente e cujo sono é perturbado. A minha libido estava adormecida, decidida a acordar apenas para viver algo que valesse a pena. E após a resmunguice inicial com que fico quando me acordam, deixei-me levar para um sítio bastante aprazível e por lá tenho estado desde então.


O fim-de-semana passado deu-me oportunidade de acalmar um pouco esta minha inquietude, refletir sobre os recentes acontecimentos e colecionar novas experiências. De manhã bem cedo, pela fresquinha, soube-me bem caminhar e desfrutar da calma paisagem alentejana, meditar à beira-mar, sentir a erva e o lodo e a areia debaixo dos pés descalços, arranhar-me toda a colher amoras cobertas de orvalho. Caminhar ajuda-me a pensar, meditar acalma-me e os arranhões são apenas uma prova de que estou viva e sinto e saro. E mesmo o ardor dos arranhões na água salgada me soube bem. A verdade é que isto me despertou os sentidos de uma forma como não acontecia há bastante tempo. A comida sabe melhor, as cores são mais vibrantes, sabe bem respirar fundo e encher os pulmões de ar, ouvir música e cantarolar e dançar... Sentir a pele, sentir a água morna a escorrer pelo corpo num simples duche (que coisa fantástica é o duche!) apreciar tudo, experimentar tudo como se fosse a primeira vez. Porque muitas vezes face à mesma situação, uma mudança de perspetiva torna tudo completamente diferente. Isto ajuda-me a prestar atenção às coisas simples que são essenciais e me fazem perceber como sou uma sortuda privilegiada do caneco.


Sei que tenho ainda muito para explorar, muito para aprender. Quero escavar bem fundo, ir descobrindo o que está enterrado à espera de ser encontrado e persistir até encontrar o início, a origem do Desejo. Quero encontrar novas formas de o trazer e manter à superfície. Quero compreender melhor a Dor, para melhor compreender o Prazer.
Não procuro apenas um estímulo corporal, mas sobretudo cerebral, sem dúvida o principal órgão do Prazer, é lá que começa o Desejo, é lá que devem estar as respostas. E eu tenho tantas perguntas...


Gostava de fazer esta viagem convosco. Querem embarcar comigo?
Yin

domingo, 6 de agosto de 2017

Swingin' (in the rain) a artista e o cientista #4

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Trocámos mensagens que diziam que tínhamos gostado e queríamos repetir. Todos concordaram, embora soubéssemos à partida que não seria tão cedo, pois o Cientista iria estar fora do país por uns tempos. Ainda assim, encontrámo-nos novamente com a Artista e ficámos a percebê-la um pouco melhor. A verdade é que não sabíamos grande coisa sobre eles, mas ficámos com imensa vontade de os desvendar, tanto um quanto o outro têm profissões e ocupações interessantes, ficámos com vontade de participar, de fazer coisas com eles que não tivessem de passar obrigatoriamente por sexo.


A Yin começou a descongelar e a criar expetativas. Tentava não fazer filmes, mas era difícil não o fazer. Até porque estava a ser estimulada. Num fim-de-semana, enquanto fazíamos a viagem de regresso a casa, o Cientista meteu-se com ela, a dizer que lhe apetecia estar a quatro naquele momento. Ela humedeceu instantaneamente. A conversa que se seguiu foi quente e deixou-a plena de desejo. Quando chegámos a casa, coisa que ainda demorou, pudemos finalmente satisfazer o desejo e soube muito bem. Mas não deixámos de reparar que ele só se meteu com a Yin, que lhe perguntou se ele tinha contado à Artista e mais tarde disse que apenas tinha falado, sem se referir ao teor da conversa. Isto não nos pareceu um bom caminho.


Ainda assim, a Yin decidiu escrever um texto, uma espécie de declaração de intenções com votos de reciprocidade.

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quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Swingin' (in the rain) a artista e o cientista #3

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A Yin demorou um pouco, hesitou em revelar-se. Não estava muito confiante. Passado algum tempo, muito mais do que necessitou para vestir a indumentária, apareceu tal como foi à festa, com a lingerie preta de renda e franjas que o Yang lhe havia oferecido e uma máscara veneziana, que lhe dava alguma proteção psicológica. Reparou no brilho dos olhos do cientista quando a viu, que não demorou muito a descobrir-lhe os seios que já assim, tinham muito pouco a cobri-los.
A Yin virou a sua atenção para a Artista e ignorou um pouco o Cientista, à espera que se acalmasse um pouco. Já tinhamos trocado fotos e percebido que a Artista não era muito abonada de peito. De fato, sai mesmo ao pai, muito lisinha, mas com uns mamilos apetitosos. Quando a Yin a despiu, fez um comentário parvo de quem constata o óbvio e logo se arrepende: “Tu não precisas de usar soutien!” Mais tarde haveria de lhe pedir desculpa, mas a Artista não pareceu ficar chateada com isso, e explicou -lhe que depois de dar de mamar a três crianças, ficou sem peito. A Yin achou incrível como poderiam ter saído três crias, todas já crescidas, de uma barriga tão pequena. Ela é mesmo pequenina, morena e cheirosa, com um sorriso luminoso, contagiante.
Não faltou muito para o Cientista reclamar a atenção da Yin, e ela ainda tentou que os dois homens se envolvessem, tinha alguma esperança, pois ele tinha referido ser bi (uma coisa que a entusiasmou um pouco) mas se é, não mostrou qualquer interesse no Yang, que não tardou a ser puxado para o “molho” e a envolver-se com a Artista.
Mais uma vez, foi tudo muito rápido, a Yin estava meio atordoada, já o cientista a tinha possuído e o Yang fazia o mesmo com a Artista. Estivemos ainda um pouco, cada um com o seu par, e depois as duas meninas, os três, uma grande misturada suculenta.


Pouco depois, foram embora, pois ele tinha de fazer as malas para viajar no dia seguinte.

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