e eu ria com gosto, por estares a rir. depois ficámos em silêncio, só para rebentar a rir a seguir. depois silêncio sério, a olhar-nos durante um grande bocado.
depois eu aproximei-me de ti beijei-te nos lábios, devagar.
tu coraste e devolveste-me o beijo, mas com gula, a abrir-me os lábios e a enfiar a língua como se eu fosse um doce que nunca tinhas provado e estavas a descobrir que gostavas. bastante.
e eu deixei-me ir para dentro da tua boca. toda intensa e inteira, a dançar tango com a tua língua, a sorvê-la, a mordê-la, a rodopiar com ela. lambi-te o queixo que escorria da gargalhada cítrica, doce e fresca.
já não sei se estava a sonhar ou acordada. estava... a sonhardada.
a minha língua ganhou vontade própria (que não era diferente da minha, apenas mais precisa) e começou a deslizar por ti abaixo. macia e quente, muito quente. e fresca e doce, doce e salgada. caminhei e perdi-me por montes e vales a sentir as curvas e texturas com a boca e as mãos e os olhos e o nariz e os ouvidos. tu rias e gemias, rias e gemias...
depois acordei. e perguntei-me se realmente querias. se realmente gostarias.
e tu, que sonhaste tu?
