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quinta-feira, 14 de março de 2013

uma noite erótica (parte II)


texto por PinhalMancontinuação daqui

O enorme quarto tinha uma ténue iluminação, em tons de vermelho, oriunda principalmente das mesas-de-cabeceira. Espalhadas pelo chão do quarto, haviam também bastantes velas, que emanavam um suave mas interessante odor a cereja. Ainda no chão, e desde o ponto onde ela se encontrava, tinha sido colocado um encantador trilho de pétalas vermelhas, que seguiam um trajecto ondulante até uma cadeira no centro do quarto, e desde aí até à enorme cama. Aqui, sobre os lençóis brancos, estava desenhado um grande coração, preenchido também com pétalas vermelhas, e no seu centro, um outro mais pequeno, com pétalas de um tom mais claro. Cor-de-rosa suave talvez, ou mesmo brancas. 
Na cadeira, provocadoramente despido de roupas à excepção de uma pouco inocente gravata, mas numa pose pouco reveladora, encontrava-se Miguel, expectante pela reacção da jovem beldade ao cenário por si montado.
Carla seguiu pelo trilho de pétalas, pisando-as cuidadosamente com os sensuais sapatos de salto stiletto, até chegar bem perto da cadeira. As notas e o ritmo da música enchiam o ambiente, como que a convidando descaradamente a presentear Miguel com um sensual Striptease. Era sem dúvida uma jogada arriscada da parte deste, pois é sabido que deve partir da Mulher a iniciativa de querer brindar o seu parceiro com uma actuação tão ousada. Mas Carla adorava ser desafiada… E Miguel já tinha percebido isso… 
Num acto romântico, ele revelou uma rosa vermelha, que ofereceu a Carla. Esta aceitou-a, com um sorriso, e perguntou-lhe: 
- O que é que tu queres?... 
- O que tu me quiseres dar. Nada mais do que isso… 
- Olha que depois tens que te aguentar à bronca! 
- E eu aguento… 
- Tens a certeza? 
- Tenho… – Arriscou ele. 
Naquele curto momento de impasse, a música desapareceu num fadeout… 
De repente, a doce voz de Michael Bublé surgiu por entre um fundo de cordas, soltando 
as palavras “Birds flying high, you know how I feel”… 



Era o catalizador que Carla precisava… O timbre do Canadiano arrancou-lhe desde logo 
um sorriso maroto, e à medida que os vocábulos eram derramados, surgiu-lhe uma enorme vontade de baixar a alça direita do vestido. Os olhares não descolavam, e nenhum dos dois se permitia sequer a pestanejar. Era como se uma batalha pelo controlo do Universo estivesse prestes a começar! 

Ao escutar “…It’s a new dawn…”, Carla deixou cair a rosa a seus pés. A sua mão esquerda deslizou sobre o ombro direito e a alça descaiu no braço. 
Quando o contrabaixo surgiu a marcar o ritmo, foi inevitável o acelerar das batidas dos 
corações de ambos. 
A anca de Carla começou a seguir a cadência da música de uma forma infernalmente 
provocante. 
Havia voltado as costas a Miguel que se encontrava absolutamente fascinado, enquanto 
a segunda alça também era arrastada pelo braço esquerdo. O vestido desceu vagarosamente até à cintura, impulsionado sensualmente pelos dedos de Carla. 
Ela virou-se por momentos, revelando o atraente rendilhado do seu soutien preto. 
Aproximou-o descaradamente da cara de Miguel, deixando-o a morder os seus próprios 
lábios. 
Depois girou de novo, sempre numa dança ritmada. O vestido continuou o seu caminho, 
descendo pelo fabuloso corpo da jovem e revelando o cinto de ligas e o sensual fio 
dental que desaparecia por entre as suas nádegas. 
No resto do trajecto descendente do vestido, Carla foi flectindo as pernas, mantendo o 
tronco direito e o ritmo da música na anca. 
O vestido caiu finalmente no chão, sobre o manto de pétalas. Ela retirou os pés de 
dentro da circunferência que o mesmo desenhava, afastando um pouco as pernas. 
Vergou o corpo para o apanhar, espetando descaradamente o traseiro na direcção de 
Miguel e, sempre sincronizada com a cadência da melodia, endireitou-se e atirou-o para 
longe, num gesto brusco mas que conteve uma bela carga erótica. 
Carla olhou por cima do ombro, só para confirmar que Miguel se encontrava a apreciar 
o espectáculo. Sorriu ao atestar que só lhe faltava um pouco baba para perder por 
completo a compostura. 
Ele estava extasiado pela divina imagem que lhe entrava pelos olhos: Os saltos altos 
sublinhavam a elegância das pernas, cobertas por umas sensuais meias escuras, 
semi-transparentes, encimadas por um cativante trabalhado de renda, preso pelas ligas 
que as uniam ao cinto. O fio dental e o soutien eram as restantes peças que restavam no 
corpo de Carla. Certamente ficariam para o final da actuação. 
As molas que ligavam as meias ao cinto foram soltas, e este começou lentamente a ser 
puxado para baixo pelos polegares de Carla. Ela foi curvando as costas aos poucos, 
fazendo questão de manter as pernas esticadas e os seus glúteos bem pertinho da cara de 
Miguel. A sua anca mantinha um delicioso rebolar, quase enlouquecedor. Miguel era um cavalheiro, de facto. Ardia em vontade de lhe tocar, mas nem por um instante ousou arriscar uma atitude que pudesse pôr em causa o resto da fantástica representação. 
Quando o cinto chegou ao chão, os peitos de Carla quase que estavam colados aos seus 
joelhos, numa fantástica demonstração da sua elasticidade. Ela tirou o cinto, rodou o 
corpo e atirou-o a Miguel, que o recebeu com um sorriso aberto. 
Carla aproximou-se e curvou o corpo sobre ele, aproximando os seus lustrosos lábios 
dos dele e, pousando as mãos sobre os joelhos, afastou-lhe descaradamente as pernas, 
revelando uma brutal erecção. 
- Olha quem acordou! – Brincou ela. 
Miguel não conseguiu evitar que surgisse um rubor no seu rosto, como se se sentisse 
envergonhado. 
- Não tenhas vergonha, meu lindo… Agora já é tarde demais para isso! – Disse, enquanto soltava uma piscadela de olho. 
De seguida, pegou na gravata e segredou: 
- Gostei deste pormenor… Mas mais tarde, vais ficar tão quente, que nem esta peça vais 
querer sobre o teu corpo – Gracejou. 
Então, puxando o artefacto com suavidade mas de um modo convicto, ordenou: 
- Anda daí! Preciso dessa cadeira, agora… 
Miguel obedeceu e deixou-se guiar através do manto vermelho, até aos pés da cama. 
Então, Carla fê-lo sentar, apontou-lhe o indicador direito e rematou com um sorriso: 
- Fica aí quietinho a apreciar… 
 continua...

sexta-feira, 8 de março de 2013

uma noite erótica (parte I)

texto por PinhalMan


Tal como haviam combinado, Carla foi ter à casa de Miguel. Entrou no elevador e marcou o código que ele lhe tinha indicado. Enquanto subia até à  Penthouse, foi-se olhando ao espelho. Uma vez que não tencionavam sair nessa noite, pôde dar-se ao luxo  de apresentar um visual arrasador. Não se preocupou em parecer um pouco vulgar… Despertar a paixão do seu amante era o seu único objectivo! 
“Espero que ele não tenha nenhum ataque quando me vir” – Pensou, a sorrir. 
Quando o ascensor chegou ao seu destino, dirigiu-se à luxuosa entrada da casa de Miguel e parou por instantes. Relembrou os avassaladores momentos de paixão que tinham vivido do outro lado daquela porta havia bem pouco tempo, e prometeu a si mesma que esta noite não lhe ficaria atrás. 
Passou uma última vez a mão pelo justo vestido, como que a chegá-lo ainda mais ao 
corpo, e tocou à porta. 
Logo, Miguel surgiu e recebeu-a com um belo sorriso. Não resistiu a olhá-la de cima a 
baixo com ar de desejo, e exclamou: 
- Caramba, Mulher! Até fico sem respiração só de olhar para ti! Por favor, entra… 
Carla aproximou-se, colocou os braços à volta do seu pescoço e colou os seus apetitosos 
lábios nos dele, num saudoso beijo. 
Miguel fechou a porta com um toque com o pé, para não perder a atenção de Carla, e 
por entre um beijo e outro deixou escapar: 
- Não tens… noção… das saudades… que tinha… de ti… 
- Acho que consigo fazer uma ideia… – Respondeu Carla de um fôlego, entregando-se depois a um beijo mais profundo. 
Ali ficaram um pouco, matando as saudades com abraços e beijos. Sabia-lhes tão bem estar assim. Embora não se conhecessem assim há tanto tempo, havia aquela sensação magnética de que o Universo tinha sido criado para  que eles pudessem estar juntos. Nada mais contava naquele momento em que o próprio tempo parecia parar só para os contemplar. 
Então, como se a força do desejo tivesse repousado  por um instante para retomar o fôlego, Miguel aproveitou para justificar o convite que tinha endereçado a Carla: 
- Sabes que no sábado fiquei a pensar que foi pouco cortês da minha parte não te ter recebido no meu quarto da forma que acho que tu mereces… 
- Ai sim? Achas que mereço ser recebida de uma forma especial? – Sorriu Carla. 
- Claro que sim. Não me arrependo nem por um segundo por ter perdido o decoro contigo, mas a verdade é que gostava de te poder proporcionar uns momentos bem carregados de erotismo. Por isso te pedi para vires cá hoje, ter comigo. 
- Hummm… Momentos eróticos soa-me bem. Gostava de ver isso. Mas olha… Desde já  te aviso que esse tipo de ambiente desperta em mim vontades bem carnais! – Respondeu 
Carla, com um riso malandreco. 
- Então vem comigo. – Pediu Miguel, levando-a pela  mão até um aparador que se encontrava perto da porta da sua suite.  
Aí chegados, ele tirou da gaveta um lenço vermelho  de cetim. Enrolou-o e, transformando-o numa venda, disse, enquanto o colocava em volta da cabeça de Carla, cobrindo-lhe por completo os olhos: 
- Agora vais ter que confiar em mim… Vou-te levar até à porta do quarto de banho, vendada, para não estragar a surpresa. Peço-te que  aguardes aí até te dar sinal. Não demorarei mais do que 4 ou 5 minutos, prometo…  
Carla acedeu e deixou-se guiar através da suite.  Entrou no bem equipado quarto de banho e, após sentir a porta a ser fechada, retirou o lenço. Olhou-se no espelho e aprovou o que viu.  Como é que o Miguel não havia de ter gostado? O justo vestido preto, bem decotado, revelava de um modo arrojado as suas formas perfeitas. Só não era demasiado curto, para não denunciar extemporaneamente o sensual cinto de ligas, que na hora certa haveria de provocar efeitos bem interessantes no seu parceiro. 
Ajeitou o cabelo e retirou da clutch, que ainda não tinha largado, um tubo de gloss com que retocou os lábios.  Pousou a pequena bolsa sobre o móvel do lavabo e reparou que, vinda do quarto, começava a soar uma sensual melodia, de batida bem pronunciada. 
Sorriu, como que adivinhando um ambiente propício a uma noite de paixão. Gostava de sentir que ambos estavam com ideias alinhadas. De repente ouviu três batidas na porta. Tinha que ser o sinal! 
Respirou fundo, fechou os olhos por um momento e reabriu-os, devagar, com um olhar 
felino. 
Rodou a maçaneta… Lentamente… Adorava a ideia de poder massacrar Miguel com pequenas esperas, estrategicamente desesperantes. Contudo, a curiosidade em saber o que a aguardava do outro lado da porta acabou por ser mais forte e não demorou muito até que ela a abrisse por completo. 
Por muito que tivesse em mente manter uma pose sensual, não conseguiu evitar uma sensação de arrebatamento causada pelo cenário diante de si… 

continua...

sábado, 27 de agosto de 2011

carpe somnium [último]

continuação daqui | início

Carmina Burana! A orquestra termina ao rubro, sem fôlego, ao mesmo tempo que nós.
Sou a timpanista, a marcar o ritmo, a fazer vibrar todos os tímpanos, a contribuir para uma orgia onde todas as peças se encaixam na perfeição, cada uma e indispensável para a realização de um todo, brilhante, triunfante!

Estamos na Primavera. A paisagem de neve é substituída por campos floridos e verdejantes. Ao lado da casa, à nossa espera, vejo nada mais, nada menos, que um balão de ar quente, pronto a voar… Pronto, morri e estou a ir para o céu, só pode! Chove uma chuva miúda quente que nos cumprimenta suavemente com as suas gotas. Tão bom sentir a chuva na cara, na língua! Os nossos vestidinhos claros de verão rapidamente se molham, revelando as curvas e contornos apetitosos. Subimos e vamos trocando beijos. Beijamo-nos os quatro, num único beijo a quatro línguas…
Chove e faz sol. Um pôr-do-sol colorido que só pode ser meu e a Ângela grita:
- Arco-íris!
- Olha outro! – isto é trabalhinho dela.
- E outro!
- Quatro! – lindo! Bem… magnífico: quatro arco-íris entrelaçados uns nos outros... é tão mágico… as lágrimas vêm-me aos olhos. Só me apetece gritar de felicidade.

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH!
Gritamos os quatro o mais alto que podemos, até ficarmos roucos, até ficarmos surdos, deixamos o ar fresco invadir completamente os nossos pulmões para sentir em pleno que estamos mais vivos do que nunca:
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH!

Podes perguntar o que é que eu ando a tomar, eu digo-te que é apenas tesão acumulado. Esta é a forma pacífica e criativa que encontrei para o libertar.

Descobri que o sonho é o sítio onde as minhas metáforas são verdade.
Deixo-me adormecer aqui e acordo lentamente para a realidade.


Somewhere over the rainbow, Provoca-me!!!!
E o teu sonho, como é?

sábado, 20 de agosto de 2011

carpe somnium [18]

continuação daqui | início

Já estou tão embriagada de prazer que não sou capaz de distinguir pormenores, onde acaba um corpo e começa o outro? Tento esforçar-me por aproveitar cada momento com todos os sentidos, este sonho não irá durar para sempre, quero guardá-lo numa memória viva.

Olho para o espelho do tecto. Consigo sair de mim e ver os nossos corpos entrelaçados, a entrarem uns nos outros. E finalmente percebo que fomos desenhados para isto, dar e receber, pena que nem toda a gente o perceba.

Não sei bem definir o que se está a passar aqui, faltam-me palavras. Poesia sexual, talvez. SUPERCALIFRAGILISTICSEXPIALIDOUCIOUS! Sinto-me uma Mary Poppins hard core! Tudo o que eu possa escrever é apenas um tosco esboço da minha realidade sonhada embebida em imaginação delirante. Todos os meus sentidos estão mais apurados que nunca, isto não é real, é hiperreal, surreal, inacreditável! Não sei o que é isto que sinto, mas sei que é bonito e bom de se sentir. Não tenho a mínima intenção de vos dizer que quero ficar assim para sempre, nem de vos jurar amor eterno, só quero aproveitar o momento ao máximo.

O Fortuna,
Velut Luna
Statu variabilis,
Semper crescis
Aut decrescis;
Vita detestabilis
Nunc obdurat
Et tunc curat
Ludo mentis aciem,
Egestatem,
Potestatem
 Dissolvit ut glaciem.
Sors immanis
Et inanis,
Rota tu volubilis
Status malus,
Vana salus
Semper dissolubilis,
Obumbrata
Et velata
Michi quoque niteris;
Nunc per ludum
Dorsum nudum
Fero tui sceleris.

Sors salutis
Et virtutis
Michi nunc contraria
Est affectus
Et defectus
Semper in angaria.
Hac in hora
Sine mora
Corde pulsum tangite;
Quod per sortem
Sternit fortem,
Mecum omnes plangite!

falta só mais um bocadinho...

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

carpe somnium [17]

continuação daqui | início 

Estou quente, muito quente, febril. O meu corpo escorre em suor. Preciso de arrefecer rapidamente. Abro a porta e levo com o ar gelado… ahhhhh, saio porta fora e desato a correr pela neve.
- Onde é que vais? Volta pra dentro, olha que ainda algum urso te come! – diz ela a rir.
- Oh, se o fizer com jeitinho… ahahahahaha! - Desbundo a brancura gelada, imaculada da neve. É tão raro ter esta oportunidade que tenho de aproveitar ao máximo. Eles vêm também cá para fora e começamos a atirar bolas de neve uns aos outros. Neve fria em corpo quente, derrete imediatamente, fumega!
A Ângela deita-se na neve e começa a agitar os braços e as pernas. Levanta-se cheia de frio, revelando o anjo da neve no chão. Vem ter comigo e eu abraço-a por trás, para a aquecer e derreto os flocos de neve que ficaram presos no cabelo dela.

Estamos no jacuzzi, bem aquecido e borbulhante. Ahhhhh, que bem que sabe relaxar após intensa actividade! Saímos do calor líquido a fumegar e estendemo-nos húmidos na cama. Acendemos umas velas, pomos uns incensos a queimar, óleo de massagens e a Nina Simone a cantar a capela:

Sun in the sky you know how I feel
Breeze driftin' on by you know how I feel

It's a new dawn
It's a new day
It's a new life
For me
And I'm feeling good”

As minhas ancas nunca resistem àquele “tchanananana” do trompete e deixam-se levar… toda eu me embalo na forte doçura da voz dela.
Vamos massajando alternadamente todos os corpos, mantendo sempre o contacto, pele com pele, a deslizar, a pressionar, a aliviar, a relaxar…

continua aqui

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

carpe somnium [16]

continuação daqui | início

Viro costas e volto toda sorridente, com uma surpresa:
- Apresento-vos Dick Van Dike e os sete anões! – gargalhada geral. Olham todos para a minha “arma preta” com algum desdém. Na verdade, a minha cinta caralha é castanha, e longe de ser uma bisarma, escolhi uma com o tamanho certo, não preciso de maior para o que me proponho fazer. Os anõezinhos são um mimo, sete plugs simpáticos, cada qual com uma cor do arco-íris, encontrei-os e não lhes resisti – cada um mais barrigudinho que o outro, têm um formato ergonómico, mesmo indicado!

Eles olham para mim com reservas, mas a Ângela abraça a ideia com gula. Pego no lubrificante, escolho um anãozinho dos mais barrigudos para enfiar no meu rabo e ofereço-me para vos colocar o que escolherem no devido sítio. Muito devagarinho, a provocar a entrada com a língua, a salivá-la, a lubrificá-la, até pedirem para entrar de uma vez. Ao início é um pouco desconfortável, mas aos poucos, o desconforto transforma-se em puro tesão. Foder com um plug enfiado é uma coisa…
Começo a penetrá-la com cuidado de frente, a encaixar as minhas mamas nas dela, a roçar, mamilo com mamilo, a aumentar o ritmo e de repente…
- Caralho! – exclamo completamente atónita: a minha cinta caralha transforma-se num pénis a sério!
– Consigo senti-lo! Ahhahaahahaah! – tenho de o tirar para poder apreciar, e cá está ele, perfeitinho, tesinho… sinto o mesmo fogo do costume, só que mais virado para o exterior.
- E porque é que o tiraste? Volta a pô-lo cá dentro, já! – Returque ela. E eu não discuto, entro para aquele bom aperto, sinto-lhe o calor, a humidade, tão bom! Vou aumentando o ritmo e começo a sentir as contracções dela, delícia! Oh, a tensão é muita, fico com a sensação de que vou explodir a qualquer momento, não consigo controlar e começo a jorrar em golfadas…
- Aaaaaaaaaah, estou a ejacular, estou mesmo a ejacular! - Saio de dentro dela, a temperatura ambiente é bem mais fria e começo a sentir-me a murchar.

Olho para vocês, estão com um ar incrédulo. Verdadeiramente SURPREENDENTE, não? Gosto quando pessoas que julgo conhecer me surpreendem e gosto ainda mais quando as consigo surpreender! Avanço para o meu amor, com a minha pilinha murchinha, pareço bastante inofensiva. Ele começa a beijar-me, a lamber-me, a engolir-me. Gosto do calor da língua, da humidade, ummm, começo a sentir-me intumescer, o sangue a afluir, sinto-me tonta. Sabe bem senti-lo a crescer, a palpitar nas mãos, vontade de o enfiar por ele adentro… deixa…
- Ohhhhh, que quentinho e apertadinho! - Fico assim a dar-lhe devagarinho, completamente à minha mercê.
- Tu és o próximo! – digo ao cão, em tom desafiante.
- Nem penses.
- Vá lá… Podíamos fazer um comboio…
- Ahahaaha. Esquece.
- Caramba, não gostaste da língua, não gostaste dos dedos, não gostaste do anão? Por que não experimentas, então? Vira pra cá esse rabo, prometo ser gentil… - Sabe-me tão bem inverter papéis…
- Tenho de te comer o cu primeiro – mas é que nem sei porque é que isso ainda não aconteceu!
Lambe e morde-me as nádegas como se não houvesse amanhã, espeta-se no meu rabo sem dó nem piedade e eu vou avançando de gatas, com ele atracado, até ao meu amor. É bastante estimulante andar com ele assim, mas eu quero mais. Subo pelo meu amor acima e começo a tentar encaixá-lo. Não é fácil, nunca e fácil, é preciso alguma coordenação, mas depois de tentar um pouco, lá consigo. Gosto de ficar assim, ensanduichada entre dois machos. É uma sensação de total preenchimento. Quero experimentar ao contrário, mudo de posição e fico sentada em cima do meu amor, de costas para ele, enterrado em mim e convido o cão a penetrar-me de frente. Oh, sabe lindamente!
- Oh, Ângela, tens de experimentar isto! – ela dispensa. Aparentemente, é coisa que não faz parte do cardápio de fantasias de algumas mulheres, o que não compreendo, mas aceito.
- Agora tens de ceder ao meu capricho… - dou-lhe uma palmada no rabo e avanço para ele de menino em riste.
- Espera, deixa-me ser eu a controlar – aceito. Deixo-me ficar quietinha enquanto o sinto rodear-me o membro, vencer a resistência devagar. É bom na mesma. Não me interessa quem controla ou deixa de controlar, só me interessa o prazer que isto pode dar. É dá, que belo rabo! Tê-lo assim, totalmente disponível… realmente só a sonhar.

Eu de rabo alçado, totalmente vulnerável. A Ângela avança para mim de cinta-caralha, um pouco hesitante, entra devagarinho e começa a mexer-se lentamente:
- Força, mais força, dá-me com FORÇA! – e ela corresponde. O meu caralho de verdade desaparece para dar novamente lugar à minha amiga de sempre. Cumprimento-a com os dedos, toco à campainha do prazer. Abro a torneira dos orgasmos e jorro a torrente, penetrada alternadamente pelos três, em todos os lugares disponíveis.
- FUUUUUUUUUUUUUUCK!

continua aqui :)

sábado, 30 de julho de 2011

carpe somnium [15]

continuação daqui | início

Avanço para a Ângela. Começo devagar, a minha boca perde-se nos lábios, nas mamas dela, nas axilas, no interior dos braços, faço-lhe cócegas com a língua e mordo suavemente a lateral do tronco, até ela fechar os olhos e rir. Contorno as pernas, subo até ao interior das coxas e por lá me deixo ficar até ela suspirar… lindíssima. Beijo-lhe a barriguinha e vou rodeando o umbigo até sentir-lhe o arrepio. Lambuzo-lhe as virilhas com a língua toda até à entrada do rabo e seguro-lhe as nádegas, até ela me pedir para entrar. Mergulho assim devagarinho, roço a face, o nariz, os lábios nas suas profundezas. Tão macia… carnuda, camurça molhada e quente, a deslizar por entre os meus dedos. Beijo-lhe todos os lábios, como se de uma boca se tratasse, e enterro a minha língua na maciez do seu interior. Ela beija-me, ora com uma, ora com a outra boca, sorvo o sabor húmido do desejo, doce e salgado. Aperto o segredo dela com pequenas dentadas, mordo os lábios borboleta, esfrego a minha boca, o meu queixo, a minha língua, com força, em sintonia com o ritmo da respiração. As minhas mãos passeiam-se pelo corpo dela, apertam-lhe as mamas, as nádegas e todas as suas partes redondas e carnudas, esgueiram-se para dentro dela e iniciam o vaivém da loucura.
Ela começa a puxar-me o cabelo com força, que embora seja curto, ainda aleija:
- Au! – e viro-me para vocês:
- Agora percebo porque é que rapam o cabelo…
- Cala-te, não pares! – diz ela com aquela expressão de quase lá.
Continuo e ela geme… sim, consigo ouvir a sinfonia que o corpo dela orquestra, que maravilha! E dança na minha boca, enquanto a sinto toda, a transpirar prazer. O sexo vibra, explode e brilha sob a minha boca, puxa-me o cabelo, prende-me, aperta-me e eu liberto-a.
The sweetest thing… Há melhor? O mundo era com toda a certeza um sítio melhor se as pessoas praticassem mais sexo oral. Começo a lamber o cão man e convido o meu amor a juntar-se a nós:
- Vá lá, não dizias que não queres morrer estúpido, tens aqui a tua oportunidade! - e para minha GRANDE surpresa, ele aceita, e o outro não recusa. Oh, que bem que sabe partilhar o menino do cão com o meu amor! Beijamo-nos na glande, salivamo-lo de alto abaixo, engolimo-lo alternadamente e mordiscamos. Depois trocamos. Eu já nem estou a ver bem, por mais que eu saiba que não passa de um sonho, é demasiado real, demasiado palpável, demasiado bom! Depois percebo que estou a mais e afasto-me, com muita dificuldade em respirar, e fico a ver como se desenrascam. Sinto o corpo todo a tremer, o chão, as paredes, parece um terramoto. Agarro-me à Ângela e fico juntinho a ela, só para os contemplar. Finalmente fazem uma homenagem ao número do andar onde estivemos! Mas é claro que querem os dois ficar por cima, ficam um bocado a rebolar, o que me deixa ainda mais em brasa, a contorcer-me toda, até que decidem ficar de lado. Muito democrático, sim senhor, I love it! Não se bebem um ao outro, claro que não, onde é que já se viu macho hetero beber outro macho? Mas adorei o progresso.

continua aqui

sábado, 23 de julho de 2011

carpe somnium [14]

continuação daqui | início

Seguimos a voar em direcção a sul, e aterramos junto a um portão enorme de ferro, todo trabalhado. Em cada um dos pilares, um majestoso gato cinzento de loiça impõe-se, abrindo o portão para nos dar as boas vindas.
- A Quinta do Gato Cinzento! Não acredito! – como sabe bem ouvir estas palavras! O meu amor está completamente siderado a olhar para aquilo que já foi uma quinta totalmente degradada, agora totalmente recuperada. Desata a correr pelo caminho fora. Pastam alguns cavalos no prado, uma égua e um potro. Chilreiam os pássaros a dançar com os ramos das árvores e mais acima assistimos ao voo das gaivotas. A casa está linda pintada de azul e branco, com o telhado cinzento, quase se confunde com o céu. O Jardim, verdejante e florido encaminha-nos para o gazeebo. Os azulejos azul índigo da cúpula brilham e recortam o horizonte onde o céu se encontra com o mar, revelando toda a majestade daquele sítio mágico. Absolutamente soberbo! A Ângela corre para lá e dá pulos de alegria quando encontra um verdadeiro tesouro – um Stradivarius! Pega nele com se fosse a maior relíquia do mundo, respira fundo e começa a tocar. Celebração da Natureza, uma interpretação fervilhante da estação do ano que eu sempre achei mais triste e sombria. Curiosamente, é das quatro, a parte que eu prefiro da obra dele. Devia gostar bastante do Inverno, este Vivaldi. Fiquei farta da Primavera depois de passar anos a ouvir o genérico da meteorologia na RTP. Esta passagem também já serviu para publicitar a fusão de um banco, mas foi durante menos tempo. Ela vai dançando com o violino, e eu subo até lá e vou dançando em volta dela, inspirada pelas coreografias da Danielle Veille, completamente nua.

Lentamente, a temperatura desce, o céu muda para um tom mais dramático e começa a bater “leve, levemente, como quem chama por mim”… NEVE! Como é raro poder apreciar tal espectáculo, divirto-me a sentir os flocos na pele nua. Vamos para dentro da casa, que está requintadamente decorada, num estilo que concilia o tradicional com a mais alta tecnologia. É muito confortável, tem um belo soalho de madeira e lareira crepitante. A parte redonda com a menina do gato que parece a Alice do país das maravilhas pintada na parede, tem também uma cama redonda ao centro, as janelas são espelhadas e tem um espelho embutido no tecto, numa sugestiva moldura esculpida com gatos em várias posições. Por vezes até me esqueço que estou a sonhar. Tenho novamente a sensação gritante de que tudo é possível. Sou uma locomotiva a vapor a toda a brida e sei que nada me vai conseguir parar. Tenho um ego pequenino, tenho…
Viro-me para a Ângela:
- E se continuássemos aquela nossa luta de doce de leite, mas desta vez de uma coisa menos intelectual?
- Ummm, vamos a isso!
Ok, preciso da ordenha de 3 vacas, 4 canas-de-açúcar bem grandes e umas quantas vagens de baunilha. Tudo ingredientes que se podem encontrar na quinta, claro. Vamos fazer isto a preceito! Ordenhamos as vacas, extraímos o açúcar, e secamos as vagens. Como tenho o poder de manipular o tempo, tudo isto passa muito depressa, como se estivéssemos num filme mudo, com musiquinha de piano de fundo, ihihihih, é muito divertido! Depois vamos para a cozinha, vestimos aventais (apenas aventais) brancos com barrete de cozinheiro a condizer e pegamos numas colheres de pau gigantescas. O resultado é um panelão enorme de creme, não hesitamos a saltar lá para dentro nuas (só com o barrete), com o creme ainda quente. Ummmm, é tão bom! Eles já estão a alçar a perna para se juntarem a nós:
- Na, na, vocês vão a descascar a fruta! – o cão danado e comenta:
- Pois, se fossem vocês a fazê-lo, eram umas escravas, já nós…
- Tens muita razão de queixa, quem é que te levou a frutinha descascadinha à boca ainda há bocado, quem foi? – diz a Ângela, toda empertigada. - Além disso, para virem para aqui, só se estiverem completamente depilados. – Acrescento eu. Os dois dispensam. Demasiado zelosos dos seus pêlos? Não me parece, é mais pela trabalheira que dá e desta vez sem ajuda, teriam de se desenrascar sozinhos. Ainda por cima, depilar testículos é uma ciência, não o fazer como deve ser é corte certo. Não quero sangue misturado com o creme, é melhor que fiquem de fora mesmo. Ficam a ver enquanto nos deliciamos com o creme, mergulhando a fruta e saboreando o banquete. Claro que também têm direito a provar. Estico as pernas e dou-lhes os meus pés banhados de creme de leite e cerejas no intervalo dos dedos para se irem entretendo enquanto a Ângela me saboreia os lábios.
A cor e a textura do creme assemelha-se a lama, mas é infinitamente melhor, escorrega pelos nossos corpos e forma uma camada escorregadia, muito saborosa. Delicio-me a lamber-lhe as mamas, a mordiscar os mamilos até ficarem sem creme. E depois volto a mergulhar as mãos no doce e começo a verter lentamente pelo corpo dela. Faço desenhos com o fio que escorre, mas depressa se desvanecessem na cremosidade. Ficamos assim, mergulhadas no doce, a saborear a fruta e os nossos corpos, a provocar-vos com o creme de leite, a salpicar tudo com o rasto viscoso, escorregamos e rimos perdidamente. E que bem que sabe!
Um novo banho é inevitável e voltamos a juntar-nos na banheira espumante. Quando saímos, levamos ainda no corpo o aroma da fruta misturada com a doçura do leite.

Não resisto a chamar os Queen, e como o Freddy está muito bem descansadinho no céu, eu resolvo fazer uma coisa que fica algures entre um genial tributo e um brutal assassínio da música quando começo a cantar: Don't stop me now! dando ainda mais ênfase a esta parte:

I'm a rocket ship on my way to Mars
On a collision course
I am a satellite I'm out of control
I am a sex machine ready to reload
Like an atom bomb about to
Oh oh oh oh oh explode!

O que eu curto as guitarradas do Bryan May!
- Vocês segurem-me, vocês segurem-me que senão eu não paro mesmo! - Oh pá, o que eu me rio! - Não vou descansar enquanto não estiver toda a gente satisfeita! Quero ouvir-vos arfar, uivar, relinchar!

continua aqui :)

sábado, 16 de julho de 2011

carpe somnium [13]


- Vamos passear? – digo, e levo o pessoal no Lancia a voar até à praia preferida do meu amor. Está deserta, como quase sempre fora da época balnear.
Agora reparo, ao fim destes anos todos, que a cor daquele mar está sempre reflectida nos olhos dele, por mais longe que esteja. E está convidativo (o mar, e ele também!) a um mergulho. Ninguém dispensa, despimos a roupa e cedemos aos encantos daquela imensidão líquida. Podemos dançar uns com os outros sem sentir o peso da gravidade. A frescura da água endurece os corpos, cada centímetro de pele, em contacto com a suavidade líquida da água, numa sensação de liberdade total, flutuante. É muito boa, dá-me vontade de rir às gargalhadas enquanto salto e rodopio. Agarro-me ao cão, prendo-o com as pernas pelas ancas, sinto-o intumescer lentamente, e deixo-me levar, apenas agarrada pelas pernas, com o resto do corpo a flutuar ao sabor dos seus movimentos. Procuro encaixar-me nele, vejo que eles fazem o mesmo. A água tem um ritmo próprio, mais liberto da gravidade, fluido…
Deixamo-nos levar assim os quatro, aos beijos molhados, salgados, abraçados, encaixados. Os nossos risos misturam-se, e os gemidos intensificam-se, excitam-nos em espiral. Embalamo-nos nesse prazer intenso, e deixamos os nossos corpos flutuar em paz.
O sol alaranjado brilha no horizonte, deixando um rasto de luz na água, reflectindo-se também em nós, brilhando-nos a pele. Nos olhos, espelhamos a cumplicidade e satisfação de um mergulho inesquecível.
No regresso à areia, começamos a dar ao meu amor um tratamento semelhante ao que demos ao cão, e ele volta para o mar, começa a nadar, a fingir que não está nem aí para o que se está a passar.
Eu ainda sugiro:
- Ele chegou em último, precisa de ser bem mimado para compensar o atraso, não queres ajudar?
- Nop – ok, há que respeitar.
- Não sabes o que perdes - diz ela. E continuamos os três entretidos, até o cansaço se começar a apoderar de nós. Temos de descansar porque para lá vamos a voar e eu ainda tenho umas lições de voo para dar ao meu amor. Ele não gosta das alturas, preferia ir de carro voador, mas eu insisto, vais ver que é bom!, e ele cede ao meu capricho. De início começa a tentar equilibrar-se no ar, na horizontal, de barriga para baixo. Isto é como andar de bicicleta, digo-lhe, tens de encontrar o teu centro de gravidade e depois desafiá-lo. Ele lá se vai aguentando, a meio metro do chão, muito a medo. Sobe um pouco mais, hesita e cai redondo na areia. Vá, tenta outra vez! Pensa em coisas boas! E rio-me que nem uma perdida com a falta de jeito dele. Não se pode ser bom em tudo, deixa, mas se treinares chegas lá. Pego-lhe na mão e levo-o de arrasto. Não quero arriscar, nem que a situação da Ângela se repita.

continua aqui, no dia do costume :)

sábado, 9 de julho de 2011

carpe somnium [12]


O meu amor pega numa banana e enfia-a dentro de mim. Se isto não fosse um sonho, jamais deixaria que o fizesse sem preservativo. Não com receio de engravidar de uma banana (nem quero imaginar que tipo de criatura seria) mas por uma questão de higiene e segurança no sexo (devia haver cursos disto, acho que se evitavam muitas idas ao hospital).
Pego num pedaço e manga e papaia, esfrego a mistura no meu botãozinho e vou provando. Ummm, sabe a Verão! Lembra-me um lip gloss que tenho do mesmo sabor e que nunca dura muito tempo nos lábios porque estou sempre a passar por lá com a língua, a saboreá-lo. A Ângela também quer e o cão dá-lhe alguma assistência. Ficamos as duas assim de costas, lado a lado, e o orgasmo dela despoleta o meu logo a seguir. Nunca achei grande piada a orgasmos em uníssono. Assim consigo gozar os dois. Se acontecerem ao mesmo tempo, só consigo gozar o meu.
Precisamos todos de um banho. Enchemos a banheira com sais e relaxamos no líquido borbulhante. Sabe tão bem… levar com os jactos de água na planta dos pés e noutros sítios estratégicos… que maravilha!
Levamos a fruta para continuar a comer. E uma garrafa de champanhe. Constato que o champanhe sabe muito melhor dentro da banheira a borbulhar que fora dela, não sei explicar porquê.

continua aqui... quem tem vindo a ler sabe quando :)

sábado, 2 de julho de 2011

carpe somnium [11]


Passo às ameixas. Estão maduríssimas e escorrem pela boca e pelas mãos, pingam na roupa.
Pergunto o que é que estão a fazer vestidos e sugiro que comecem por despir a menina. Ela também não está assim tão vestida, mas é divertido ver como os dois se amanham, à procura da ponta para a desembrulhar. Uma vez despida, e besuntada com fruta é lambida de alto abaixo. Ui… que maravilha! E é a vez dos meninos serem despidos. Como irão agora comportar-se os machos? Ok, ok, vou deixar-me de merdas e limitar-me a relatar no meu próprio estilo, mas é viciante. Primeiro o cão, o meu amor ajuda a despi-lo. Noto alguma falta de jeito que roça a má vontade. Logo a seguir o meu amor, e o cão age da mesma forma seca, o mais rapidamente possível, tocando o mínimo possível. E agora, como vai ser com a fruta? É que para tornar as coisas um pouco mais complicadas, eles têm pêlos… e para fruta com pêlos, chega os pêssegos.
- E se vos fizéssemos uma depilaçãozinha no peito, pode ser?
- Com cera? Nem penses – diz o cão.
- Então se for com lâmina? – depois de alguma hesitação, ambos concordam. A Ângela retira a venda para me assistir e vamos todos para a banheira. É uma banheira enorme, de hidromassagem.
Espalhamos o gel, eu no meu amor, ela no cão. Depois trocamos e com precisão e destreza, fazemos deslizar as lâminas. Contornamos os mamilos, fazemos um trabalhinho limpo e perfeito. Estão os dois lisinhos, prontos para ser besuntados com fruta. Corto o melão, pedaços de manga, papaia e abacaxi. Eu também me junto à festa, e também estou vendada. De facto, vejo muito melhor assim. Sinto a diferença de temperatura dos corpos, oiço os diferentes respirares, as vozes tornam-se mais distintas. Apesar de todos saberem a fruta, cada um empresta o seu sabor ao fruto que passa pelo seu corpo, tornando o paladar único e irrepetível. Cada dentada é uma degustação absolutamente sublime. Faço questão de lambuzar e amassar cada um até ficarmos todos bem pegajosos e a precisar de um banho, um belo banho de língua. Mordisco mamilos com morango, provo banana com menina. Sinto alguma fruta a querer entrar no meu sexo e provo para saber o que é. A textura, o cheiro e o sabor não enganam – é uva na vulva! Aproximo e lambuzo os pénis com melão e a seguir com saliva; roço-os um no outro e dou a provar à Ângela que só diz:
- Ummm, me gusta… - e ela trata de aviar os dois, com imenso apetite. Eu também dou uma mãozinha, claro. Nesta altura, retiramos as vendas, demoramos algum tempo a habituarmo-nos à claridade. Estamos porcos e ofegantes, na plenitude da nossa animalidade.

continua aqui no próximo sábado

sábado, 25 de junho de 2011

carpe somnium [10]


Mas a vontade é surpreender. E para o fazer, preciso de alguma margem de confiança. É por isso que vos peço a todos para aceitarem que vos vende os olhos. Privados desse sentido, os outros quatro ficam mais intensos, e se formos a ver bem, a visão acaba sempre por ser o menos importante na arte de amar.
Apesar do sonho ser meu, quero respeitar ao máximo a liberdade de cada um. Todos aceitam. Quero ver como interagem os três e sei muito bem como funcionam os machos hetero, ficam sempre envergonhados na presença um do outro. Por isso quero fazer esta experiência.
Depois de tanta acção, a fome já começava a fazer-se sentir, e o meu amor, que tem um certo dom de me adivinhar o pensamento, trouxe um cesto de fruta de todas as épocas que, imagine-se, estavam todas num pomar multifrutos que ele encontrou pelo caminho. Morangos, bananas, abacaxis, pêras, maçãs, ameixas, laranjas, tangerinas, uvas, alperces, pêssegos, melão, meloa, mangas, papaias, cerejas – todos os meus frutos preferidos com muito bom aspecto.
Peguei, trinquei e meti-te na cesta,
ris e dás-me a volta à cabeça
Vem cá tenho sede, quero o teu amor d'água fresca!
Tens na pele travo a laranja e no beijo três gomos de riso
Tanto mel, tanto sol, fruta, sumo, água fresca, provei e perdi o juízo…
Foi na manhã acesa em ti, abacate, abrunho
E a pêra francesa, romã, framboesa, kiwiiiiiiii!”


Pego nos morangos e vou passando pela boca de cada um, partilhando e beijando-lhes os lábios e a fruta.
Depois convido a Ângela para fazer o mesmo, tentando dar a mínima assistência possível, para que tropece bastante neles. Ela não se atrapalha. Passo-lhe umas uvas e cerejas para irem partilhando e observo as reacções. Os sabores, as texturas, o cheiro dos morangos misturados com os risos… estou a gostar. Ela aproveita para conhecer melhor o novo elemento e dá-me imenso tesão vê-los juntos. Os dois machos sabem perfeitamente onde cada um está, tentam delinear território, mas partilham a fruta e a fêmea de forma cordial. Impressão minha ou o meu discurso está a ficar demasiado parecido com o do David Attenbourough? Acho que isto era capaz de dar um bom estudo para o National Geographic.

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sábado, 11 de junho de 2011

carpe somnium [8]


Num piscar de olhos, estamos os três num camião TIR, a ser perseguidos por carros pretos, cercados por helicópteros muito mal encarados. Estamos quase nus e ele finge que conduz de costas para o volante, quando na verdade somos nós que estamos no comando das operações. Eu com o pé no acelerador, ela na embraiagem e no travão, uma com a mão na maçaneta das mudanças, outra no travão e as duas bocas no corpo dele.

- Espera aí, o que é que o teu sonho está a fazer dentro do meu? – pergunto-lhe. Encolhe os ombros. – O sonho é teu, como tu disseste, não tenho nada a ver com isto…
- O que será que este camião tem cá dentro?
- Heroína… - responde ele.
- Ah, boa, ao menos não é explosiva. – suspiro aliviada. I should've known better
- ...e C4 – remata ele, com uma expressão maquiavélica.
- ESTÁS DOIDO!?!?!?! – Dizemos as duas em coro. Agarro-o pelos ombros e abano-o:
- Que raio estamos a fazer dentro de um camião bomba? Queres matar-nos? Se morrer, acordo, caralho! Já para não dizer que ir pelos ares em mil bocadinhos de entranhas chamuscadas deve ser coisa para doer BASTANTE! Foda-se, recuso-me a acordar agora, ouviste? RECUSO-ME! – Continuo eu, histérica. Tento acalmar-me, é só um sonho. Oiço o som de tiros de rajada que me aceleram o coração ainda mais, parecem-me extremamente reais, mas concentro-me e relembro-me – é só um sonho.
Dou uma de Matrix ao puxar-nos aos três janela fora direito ao céu, em espiral. Três segundos depois, sente-se uma explosão brutal que nos catapulta ainda mais para cima e dá cabo dos helicópteros. Sinto o impulso no peito como se os meus pulmões quisessem sair cá de dentro e um estrondo que zumbe nos meus tímpanos. A Ângela só se ri desalmadamente agarrada a nós, coitada, está em choque. Não é para menos, tal como eu, veste apenas um reduzido bikini, todos chamuscados, a pairar no ar por cima de um cenário de guerra, só fogo, fumo e destruição. Só me apetece esmurrá-lo:
- ISTO É SUPOSTO SER UM SONHO ERÓTICO, CARALHO!
- Então, e que mal tem um pouco de acção? – Riposta ele. Dou-lhe um pontapé no rabo e faço-o voar aos trambolhões para longe. De repente, estamos vestidos com capas vermelhas, roupas justinhas e collants.
Ouve-se uma vagamente familiar. Eu não sei se hei-de rir, se hei-de fugir dele, que vem direito a mim com uma expressão de toiro enraivecido, a querer-me placar. Deito a língua de fora:
- Vem, vem se fores capaz! Não me apanhas!
Tento desviar-me no último segundo, mas ele arma-se em míssil e acerta-me em cheio no peito, tão em cheio que eu sinto o ar sair-me todo de uma só vez dos pulmões e rebolamos os dois descontroladamente céu abaixo, apenas recuperando o controlo a uns escassos metros do chão, quase sem fôlego.
- Tu andaste a treinar o voo noutros sonhos, não andaste? Safas-te bastante bem. Mas eu sabia que gostavas de usar roupas justas… lembras-te daquele sonho em que te apanhei de calças de Lycra? Logo vi…
Volta a olhar para mim com um ar ameaçador e começamos a ver a Ângela a vacilar, a perder a confiança e… a descer em queda-livre! O que me resta de adrenalina dispara e vamos os dois ao encontro dela. Mas ela está a cair muito rápido, e eu grito:
- Não olhes para baixo! Pensa em coisas boas, positivas! Tens de fazer como o Peter Pan!
Ela lá consegue controlar a queda antes de chegarmos ao pé dela. Eu devia saber que nem toda a gente costuma voar nos sonhos.
- Armados em super-heróis… armados mas é em parvos! – grita ela, com uma fatiota que faz lembrar a Sininho, cintilante e tilintante, muito mais alto do que o necessário para nós ouvirmos, ainda sob efeito da explosão. Pedimos-lhe desculpa e não lhe largamos mais a mão, por mais que ela diga que se safa muito bem sozinha.
Podíamos perfeitamente ter voltado ao quarto estalando os dedos, pois podíamos, mas achamos muito mais piada à ideia de voarmos os três de mãos dadas como o Peter Pan…

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sábado, 4 de junho de 2011

carpe somnium [7]

continuação daqui | início

Ele observa atentamente, visivelmente excitado, mas sem intervir. E o seu olhar é altamente estimulante.
Agrada-me a ideia de estarmos a ser observadas, se bem que quando me armo em voyeur, prefiro passar completamente despercebida.
Continuamos a aprender o corpo uma da outra, num embalo doce de quem tem todo o tempo do sonho.
Ela tem umas maminhas um pouco mais pequenas que as minhas, muito apetitosas, com mamilos pequenos e escurinhos. A menina é a cara dela, divertida e sorridente, os pequenos lábios desenham uma delicada borboleta escura, a condizer com os mamilos. Oh, ela é realmente magnífica, apaixonante!
Menina borboleta, moreninha, quase tão bonita como a minha! Bem polpuda, a excitação inflama-a, insufla-lhe os lábios molhados, que bem que sabe beijá-los! Toco-lhe à campainha e sinto-a vibrar… Macia, lisinha, ummmm, delícia!
- Sabes a hortelã-pimenta! – exclamo.
- É do lubrificante – responde ela. E eu começo a lamber, a sorver até sentir o seu verdadeiro sabor, sabor de menina excitada é uma coisa…
E nisto chega Beethoven com o seu Hino da Alegria.

Vou juntar o meu ao teu calor
Fazer do teu corpo o meu
Instrumento de prazer
Tocar-te
Fazer vibrar as tuas cordas
Soprar-te
Soltar o teu gemido
Percutir-te
Até à melodia

- Vem – dizemos-lhe em coro, e ele não se faz rogado.
Começamos as duas a beijá-lo, a percorrer-lhe o corpo todo. Conseguimos uma certa sincronia e os nossos movimentos tornam-se simétricos, ele não sabe para que lado se há-de virar. Dos pés à cabeça, não deixamos pedaço por mimar, dando especial atenção aos sítios onde já sabemos que vai delirar. Deixamo-lo naquela espécie de transe em que se sente o homem mais sortudo à face da terra. Ambas o bebemos e damos-lhe a beber o resultado do nosso prazer.

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sábado, 28 de maio de 2011

carpe somnium [6]

continuação daqui | início

Muda a música e desta vez é “Flight of the Bumblebee” tocado por um violino eléctrico, num ritmo incrivelmente frenético.
A Ângela vem direito a mim em zigue zague, de óculos protectores, bata branca e luvas cirúrgicas, com uma enorme seringa na mão a esguichar um líquido azul e uma expressão perversa na cara, digna de filme de terror. Antes que eu começasse a temer pela minha saúde, surge atrás de mim um aquário de peixes zebra cancerosos, moribundos, a nadar meio de lado. Eu desvio-me, ela enfia a seringa lá dentro, a tentar acertar nos peixes e quando consegue, eles mudam logo de cor, ganham um aspecto saudável e põem-se a nadar que nem uns doidos ao ritmo da música.
- Ena, conseguiste, encontraste a cura, parabéns! – digo eu super entusiasmada. Então agarro-me a ela, levanto-a do chão, abraço-a e beijo-a, agarramo-nos os três e ouve-se uma multidão de aplausos e muitos flashes disparados que quase me cegam.
O cenário muda novamente e eu sei de imediato que isto tem dedinho dela: o templo transforma-se num espaço muito clean, minimalista, com um belíssimo jogo de luz suave e assentos confortáveis e novamente o baixo da Bjork a fazer tremer os subwoofers da minha imaginação.
Estamos as duas completamente nuas, de joelhos, em frente uma da outra, sinto-a a tremelicar e estou surpreendentemente calma, como se estivesse a compensar para abraçar o equilíbrio. Começo a sentir algo a percorrer-me o corpo lentamente, uma coisa externa, olho e estão a nascer adornos nos nossos corpos, parece uma planta trepadeira a crescer pernas acima, a desabrochar flores, muito simples, geométricas… é um metal quente que eu não distingo, e as flores parecem pequenas pedras preciosas muito brilhantes! Mas toda a estrutura é flexível e adapta-se perfeitamente aos corpos… sobe sexo acima, barriga, umbigo, envolve-nos os seios, coroa os mamilos, segue para os braços, mãos, pescoço e termina nas orelhas. Eu fico a olhar completamente embasbacada, e ela diz:
- Gostas? É prata casada com cobre e diamantes.
- Oh, é lindo Ângela… alta joalharia! – ela sorri e eu dou-lhe um beijo terno na face, sinto o cheiro dela a inebriar-me. Dou-lhe um beijo na boca, ao de leve e ela agarra-se a mim, beberica-me os lábios com se fosse um beija-flor, tão bom…

All is full of love…


continua aqui no próximo sábado

sábado, 21 de maio de 2011

carpe somnium [5]


Começo a ouvir os sons que eles fazem. Até são discretos, mas o meu super ouvido onírico é capaz de escutar o roçar da pele como se fosse um avião a levantar voo. Claro que depressa me arrependo do meu ataque de estupidez aguda quando decidi deixá-los sozinhos. Paro de chuchar nas azedas e decido espreitá-los. É que nem sequer preciso de procurar um buraquinho, a minha visão penetra as várias camadas de matéria que nos separam e faço zoom ao que mais me interessa. Oiço a Bjork, numa daquelas músicas que me arrepiam, o que costuma ser um bom indício de qualidade:

You'll be given love
You'll be taken care of
You'll be given love
You have to trust it
Maybe not from the sources
You have poured yours
Maybe not from the directions
You are staring at
Trust your head around
It's all around you
All is full of love
All around you
All is full of love
You just ain't receiving
All is full of love
Your phone is off the hook
All is full of love
Your doors are all shut
All is full of love!
(...)
All is full of love
All is full of love…

Natural, sem corantes nem conservantes, simplesmente lindo e tremendamente excitante. Não resisto a juntar um molho de azedas esfregar-me nos caules. Eles estão mesmo compenetrados a curtir a cena que entretanto mudou de cenário – o quarto luminoso onde os deixei é agora um templo vermelho-alaranjado com cheiro de canela. Estou eu a preparar-me para me pirar e deixar o casalinho dar largas à luxúria, quando ela olha para cima e diz:
- Salta lá daí e vem cá.
- CATRAPUM! - Assustei-me com ela a olhar na minha direcção, com aquela expressão “foste apanhada no teu próprio sonho, não tens vergonha?” dei um pulo e vim cá parar abaixo, fazendo algum estrondo.
Felizmente, caí em cima de um monte de almofadas. Que palhaça, pá. Não sei como raio fiz aquilo, estava a pairar no meio da matéria, e quando ela me chamou, tornou-se instável.

sábado, 14 de maio de 2011

carpe somnium [4]

continuação daqui | início

E de facto, não o quero desapontar. Vou abrir-lhe a porta.
E lá está ela, Ângela McQueen, um pouco desconfiada, sem ainda perceber muito bem no que se está a meter, mas mortinha por descobrir. Nívea, graciosa, irradia uma aura luminosa à sua volta, um brilho infantil no olhar pelo qual eu não posso deixar de me sentir atraída. Uma sensualidade nata, sublime, que eu jamais consegui exalar e não precisa de mais nada para me deixar rendida e a ele também. Faz um ar incrédulo, como se apesar de tudo ainda duvidasse das minhas infalíveis capacidades de persuasão (pelo menos no meu sonho).
Estou com uma fominha de menina… mas contenho-me, não quero ir com demasiada sede ao pote, viro-me para ele e digo:
- Ela quer-te, é óbvio que te quer. Só que tem de ser quando ela quiser, como ela quiser. Mas não é sempre assim que funciona com as mulheres? Por que não fazer-lhe a vontade? Eu consegui resolver o quando, agora deixo para ti o como. – e dirijo-me à porta.
- Onde vais? – pergunta ela.
- Para o telhado - respondo já do lado de fora.

Estou aqui há um bocado, nua, a apreciar a paisagem. Se fumasse, certamente aproveitaria este intervalo para o fazer. Mas como não fumo, desencanto uma azeda para morder. Já agora, encho o telhado de trevos e azedas amarelas fresquinhas. Ui, que são mesmo azedas! Fazem-me tremelicar os olhos e formigueiro atrás das orelhas. Preciso de estar constantemente ligada, não posso vacilar, não posso permitir-me perder a lucidez, adormecer no sonho ou perder a consciência, não sei se o conseguiria retomar. O mais pequeno deslize e PUF!, esfuma-se tudo.

 continua aqui para a semana