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quarta-feira, 11 de abril de 2018

provocação gratuita 104

"Arder con deseo y mantenerlo en secreto es el mayor castigo que podemos traer a nosotros mismos."

Frederico Garcia Lorca
gracias Girassol :D

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Arqueologia do Desejo

Isto sou eu a tentar organizar os meus pensamentos num formato partilhável. Porque tal como o sexo, em boa companhia costuma ser melhor.


Não estava à espera, assim, tão de repente. Estava sossegada, no meu canto, sem procurar nada por não esperar nada de novo. Estava sem grande entusiasmo, e esta coisa da novidade é importante, porque é uma espécie de tempero da vida. A rotina, tal como a comida, só tem sabor de for bem temperada. E quanto mais se experimenta e vive, mais difícil descobrir coisas novas, inovar.


Mesmo quando nos encontrámos, não sabia o que iria acontecer, não pensei que fosse tão rápido. Senti-me desde logo inquieta, como alguém que dorme tranquilamente e cujo sono é perturbado. A minha libido estava adormecida, decidida a acordar apenas para viver algo que valesse a pena. E após a resmunguice inicial com que fico quando me acordam, deixei-me levar para um sítio bastante aprazível e por lá tenho estado desde então.


O fim-de-semana passado deu-me oportunidade de acalmar um pouco esta minha inquietude, refletir sobre os recentes acontecimentos e colecionar novas experiências. De manhã bem cedo, pela fresquinha, soube-me bem caminhar e desfrutar da calma paisagem alentejana, meditar à beira-mar, sentir a erva e o lodo e a areia debaixo dos pés descalços, arranhar-me toda a colher amoras cobertas de orvalho. Caminhar ajuda-me a pensar, meditar acalma-me e os arranhões são apenas uma prova de que estou viva e sinto e saro. E mesmo o ardor dos arranhões na água salgada me soube bem. A verdade é que isto me despertou os sentidos de uma forma como não acontecia há bastante tempo. A comida sabe melhor, as cores são mais vibrantes, sabe bem respirar fundo e encher os pulmões de ar, ouvir música e cantarolar e dançar... Sentir a pele, sentir a água morna a escorrer pelo corpo num simples duche (que coisa fantástica é o duche!) apreciar tudo, experimentar tudo como se fosse a primeira vez. Porque muitas vezes face à mesma situação, uma mudança de perspetiva torna tudo completamente diferente. Isto ajuda-me a prestar atenção às coisas simples que são essenciais e me fazem perceber como sou uma sortuda privilegiada do caneco.


Sei que tenho ainda muito para explorar, muito para aprender. Quero escavar bem fundo, ir descobrindo o que está enterrado à espera de ser encontrado e persistir até encontrar o início, a origem do Desejo. Quero encontrar novas formas de o trazer e manter à superfície. Quero compreender melhor a Dor, para melhor compreender o Prazer.
Não procuro apenas um estímulo corporal, mas sobretudo cerebral, sem dúvida o principal órgão do Prazer, é lá que começa o Desejo, é lá que devem estar as respostas. E eu tenho tantas perguntas...


Gostava de fazer esta viagem convosco. Querem embarcar comigo?
Yin

domingo, 4 de setembro de 2011

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

pequenos prazeres II - a menina da fruta e o rapaz das encomendas


A menina da Fruta
“Limão com Açúcar” é a frutaria mesmo aqui ao lado, ao atravessar da rua. Já se chamou outras coisas, já teve outras gerências, nada parecia durar naquele espaço de renda elevada por muito tempo, até que eles chegaram e têm-se aguentado. É uma empresa familiar, pai reformado, mãe dona de casa e filha, típica loja de bairro num espaço recente, bem arejado e arranjado, com paredes pintadas de branco e amarelo e uns girassóis de papel a decorar.
Respira-se simpatia naquela frutaria, bem como os aromas da fruta da época, misturados, às cinco da tarde, com o cheirinho do pão com chouriço e dos croissants acabadinhos de sair do forno. Há também sopa à hora de almoço e biscoitos da confeitaria da Ajuda a toda a hora.
Mas o que me interessa mais naquela loja é a menina da fruta. Loirinha, pequena, bem feitinha, transpira simpatia por todos os poros. Está sempre a sorrir e atende-me sempre com uma calma segura sem se demorar demasiado, apenas o suficiente para poder apreciar a companhia.
Já me passou pela cabeça entregar-lhe um bilhetinho a perguntar se quer ir tomar café um dia destes, mas depois caio na realidade e livro-me a tempo do ridículo. Ela tem uma aliança no anelar esquerdo e os pais estão sempre por lá a guardá-la, por isso deixo-me ficar no meu cantinho para não arranjar sarilhos. Até porque segundo pude apurar, o pai era polícia.
Nunca trocamos muitas palavras, mas na verdade não me interessa falar muito com ela, basta-me apenas ver o seu sorriso para alegrar o meu dia.

O rapaz das encomendas
Dei com ele uma vez quando fui entregar correspondência à mais pacata estação dos CTT da cidade, logo de manhã cedo. A partir daí, esforcei-me para ir sempre à mesma hora. Nem sempre o encontro, mas quando acontece, sabe-me bem observá-lo discretamente enquanto distribui a correspondência pelos apartados e se prepara para mais um giro. Um dia bateu-me à porta e estendeu-me um embrulho de estranhas dimensões: “Bom dia, é só para entregar”. Agradeci com o maior sorriso que consegui e desejei-lhe também um bom dia. Deduzi que faz as entregas de objectos não normalizados e apeteceu-me mandar vir mais amostras de estranhos tamanhos só para ter o prazer de o ter à porta a dizer “Bom dia, é só para entregar”. Mas nunca o fiz, limito-me a passar pela estação sempre que tenho uma desculpa plausível para poder ficar a olhar para ele.
Não é que me sorria ou sequer repare em mim, é só mesmo porque gosto de olhar para ele enquanto aguardo na fila ou espero que o colega da caixa me sele as cartas todas. Não é que ele seja um ícone de beleza, é baixinho, tem uma barba rala engraçada, um olhar compenetrado, demasiado ocupado para reparar em mim, mas eu gosto mesmo de olhar para ele.
Um dia destes vi-o a passear pela cidade com uma criança pela mão e uma mulher ao lado. Uma família feliz em tempo de férias. Ainda bem.
Hoje fui lá entregar meia dúzia de cartas e uma encomenda, mas nem sinal dele ou da carrinha vermelha que conduz. Amanhã passo por lá outra vez.

sábado, 17 de janeiro de 2009

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Conto de Natal

Chegas-te junto de mim, sussurras-me ao ouvido, de forma doce e quente:

- Desejo-te!

O meu corpo estremece com as tuas palavras, sim com as tuas palavras, não são banais, são sentidas de desejo.

Beijas-me o pescoço enquanto eu tento voltar a mim, o meu eu, já pula de excitação.

Mas temo-nos de nos conter, ter paciência, ter calma, ainda não é a altura, estão demasiadas pessoas a olhar, a ver, esse teu beijo provocante deixou alguns olhos em nosso redor meio acesos.


Temos de sair daqui, temos que encontrar um canto resguardado para acalmar o nosso desejo ávido de prazer.

Encontramos ali bem perto, um pequeno cantinho resguardado, temos de ter cuidado, estamos na rua, as pessoas passam, nunca se sabe muito bem quando é que podemos ser apanhados.

Os nossos corpos encontram-se quentes de desejo, sedentos de prazer, roçamo-nos um do outro, as nossas roupas discretamente desapertadas, mostram pedaços dos nossos corpos seminus, finalmente os nossos sexos se encontram, unimo-nos, temos de ser rápidos, nunca se sabe quem pode passar mais perto e ver-nos assim nestas tórridas andanças, a aventuramo-nos nos nossos prazeres escaldantes em locais menos privados.

A nossa excitação aumenta à medida que a nossa união aumenta de intensidade, a nossa respiração vai acelerando cada vez mais os nossos corações batem, ritmadamente cada vez mais depressa, finalmente chegou, rápido mas intenso, arrebatador, misturado com a excitação de não sermos apanhados.

Tentamos acalmar a nossa respiração, acalmar o resto do nosso espírito, pois a gula por agora está satisfeita.

Por fim, voltamos para junto de todos os nossos colegas que animadamente se divertiam na festa de Natal…

Feliz e delicioso Natal…................. Provocante!

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

apetece-me!

Sinto um desejo tremendo de te beijar, de te ter aqui junto de mim, tenho saudades do teu corpo, do teu respirar arfante de desejo, do… quero! Dá-me!

Mas hoje estou só, mas o meu corpo pede, estive a ler uns textos excelentes, de conteúdo inebriante e escaldante, tenho de dar os parabéns ao autor, estão muito bem escritos.

Mas o meu tesão aumenta, com certos textos criei as respectivas imagens, preciso de me acalmar, tenho de me aliviar, de relaxar o meu corpo e o meu espírito.

Amanhã estaremos juntos os nosso corpos vão-se novamente encontrar, iremos percorrer as linhas do nosso corpo já tão bem conhecidas, como de novas estradas fossem, gosto de percorrer o teu corpo, cada viagem, é como se fosse uma viajem ao desconhecido, à aventura, gosto de te ver reagir ao modo como te toco, os arrepios, o estremecer, o teu corpo reage, também eu reajo quando te toco, o meu tesão aumenta e também reajo quando me tocas, me deixas completamente a arder de desejo.

Mas hoje estou só, e apetece-me… aliviar o tesão que sinto, acabo por usar a velha técnica da mão amiga...



Satisfaço-me, alivio-me, expurgo-me, fico em pulgas à tua espera amanhã!

domingo, 24 de agosto de 2008

DESEJO puro e duro

Sou acordada a meio da noite pelo zumbido da melga que me mordeu ontem o corpo todo. Ela diz que me enviaste imagens. Digo para não me chatear, mas ela insiste, tento matá-la com a mão, mas a única coisa que consigo é bater-me a mim própria duas vezes.

Não resisto, é claro, quero ver. Ela mostra-me as imagens mentais que tem para mim. Estou ainda meia a dormir, mas as imagens pulsam-me no cérebro e despertam-me.. começo a ter dificuldade em respirar, inspiro e expiro entrecortadamente, e mexo-me imenso, deslizando por entre os lençóis brancos na cama ainda fresca, feita de lavado.
São três imagens: a primeira é de uma boca a morder um mamilo; a segunda é de uma boca a mordiscar uma glande e a terceira é de um menino à entrada de um anusito. Não sei de quem são as imagens e tento esquecê-las, apagá-las da memória, mas não consigo. Começo lentamente a perceber o estado de excitação em que me encontro, mas não me toco. As imagens pulsam alternadamente na minha cabeça ao mesmo ritmo estonteante do sangue, e mexem-se, ganham vida. E eu sinto a boca no mamilo, sinto a glande na minha boca, sinto o menino a pressionar-me o anusito. E a respiração cada vez mais entrecortada. Agora estou completamente desperta e apetece-me tocar-me. Penso que talvez me consiga acalmar assim. Sinto um fogo enorme na barriga, passo a mão por lá e vou subindo até aos seios que estão ainda adormecidos. Os mamilos são preguiçosos e eu toco nas grandes auréolas macias e arrepio-me, e sinto a textura a enrugar e as auréolas a diminuir e os mamilos a despertar finalmente, a sentirem-se mimados e os seios redondos nas minhas mãos... e tremo, contorço-me, desço até à menina e sinto alguma humidade, penso em aliviar esta minha tensão, mas não quero o meu amiguinho vibrante outra vez, quero…
As imagens não me saem da cabeça. Vão passando alternadamente cada vez mais depressa, quase sem me dar tempo de as saborear e eu mexo-me sem conseguir parar.

Vou novamente ter com a minha menina, está completamente encharcada e isso excita-me por demais, começo a sentir o corpo todo a latejar, o sangue a galopar-me nas artérias, a respiração… já nem sei como respiro… levo a mão à boca para me provar… estou agridoce… cheiro a refogado de margarina e cebola com uma pitada de açúcar… continuo a tocar-me na esperança de que passe, de conseguir esgotar a humidade que escorre de mim, deixo a mão ficar quieta e mexo as ancas ao encontro dela, mas a humidade não passa, espalho-a pela barriga, pelas coxas, pelo anusito e não passa…

São 4:00 e não consigo dormir… resolvi escrever isto numa tentativa de me apaziguar, mas não passa. Esfrego as coxas contraindo-me e sinto a inundação que vai em mim… QUERO-TE!

É desejo puro e duro. Com muita imaginação à mistura. Apenas isso. Já passa, há-de passar.
Suspiro profundo para oxigenar mais o cérebro. Agora já consigo respirar melhor...

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

provocação gratuita 30

“Ter o Diabo no corpo não é só arder com a vontade de foder! (…) É a vontade de sermos verdadeiros com aquilo que queremos para nós e dos outros!”

cão sarnento, especialmente dedicada a esta Diaba

domingo, 17 de agosto de 2008

gelo escaldante

Mais um fim-de-semana de trabalho intensivo. Já faltou mais para terminar o curso e desaparecer de vez... O laço aperta-me o pescoço, incomoda-me hoje mais do que o costume, é um eufemismo para forca. O calor é insuportável, o ar condicionado no máximo não dá conta do recado. Vou enchendo o balde de gelo com vontade de me enfiar na arca, enquanto a chefe me grita ao ouvido que o gelo já devia estar no copo do senhor da mesa 9 há 3 minutos. Pego na toalha, respiro fundo e preparo-me para aturar mais um cliente insatisfeito pronto a descarregar o seu mau humor de pessoa frustrada em cima de mim. Mas não foi isso que aconteceu. Assim que saí a porta de serviço, ela estava a levantar-se da mesa. Não era muito alta, mesmo com os saltos, mas sobressaía no seu vestido vermelho escuro simples, colado ao corpo, onde transpareciam algumas curvas apetitosas. A melhor parte deste trabalho é isto: poder servi-las, aspirando os seus perfumes e espreitando os seus decotes. Estamos sempre a competir por mesas destas e deixamos as mulheres servir as mesas dos homens que elas acham piada. Isto quando a chefe nos deixa fazer esta gestão, claro, e não estão homens e mulheres interessantes na mesma mesa, caso em que temos de tirar à sorte ou tentamos servi-los à vez.
Mas esta mulher de vermelho... pele clara, cabelo escuro, curto, impecavelmente penteado e brilhante, colado ao crânio. Uns lábios vermelhos de cereja e uns olhos... ela olha directamente para mim enquanto me aproximo e o calor aperta. Ela diz "Que calor!" com uma voz tão quente que eu sinto o gelo a derreter mais depressa. Nisto, desata um laço na parte detrás do pescoço e o vestido desliza rapidamente, descobrindo-lhe o corpo por completo, caindo aos seus pés e revelando a sua total nudez. Tem a atitude das ninfas do Manara e algumas curvas da Druuna do Serpieri, um pouco menos sumptuosa, mas equilibrada. Eu paralizo, e perante o meu espanto, ela aproxima-se mais, olhando para o balde que trago nas mãos, e retira lá de dentro dois cilindros. Sorri, e com a outra mão disponível, faz-me subir o queixo que entretanto tinha caído, e pisca-me o olho, voltando costas. Começo a ver as nádegas dela a bambolear lentamente enquanto se afasta um pouco e vai passando o gelo pela face, pelo pescoço, pelas axilas e depois pára. Encosta-se à parede e faz o gelo deslizar pelo peito, endurecendo-o, despertando os mamilos. Vai arredondando as arestas dos cilindros gelados, que passam do estado sólido a líquido ao contacto com a pele escaldante, deixando um rasto de pequenas gotas que vão escorrendo e pingando. Desce pelo centro até ao umbigo, e por lá se detém um pouco, a arrefecer o ventre. Sinto o sangue a descer vertiginosamente, reparo que estou completamente em pé, e isso nota-se bem nas minhas calças, mas nem vale a pena disfarçar porque ninguém está a olhar para mim, está tudo de boca aberta a olhar para ela, a tapar os olhos às criancinhas. Sinto o suor a escorrer e só me apetece enfiar o balde de gelo pela cabeça abaixo. Ela desce as mãos pelo corpo, esfrega o gelo pelo interior das coxas, pelas virilhas e pelo rego das nádegas, e em gestos coordenados e simultâneos, faz desaparecer o gelo dentro dela. Aquilo deve ter-lhe provocado imenso prazer, porque pouco depois o seu corpo estremece todo por entre gemidos, o peito sobre e desce rapidamente devido à respiração acelerada, ela fecha os olhos e abre a boca, soltando um grito desalmado e o som ecoa na minha cabeça e faz-me querer ainda mais penetrá-la e ajudá-la a derreter o gelo.

Escorre-lhe algum líquido por entre as pernas, o único vestígio da água que já foi gelada e agora é quente.




Acordo encharcado em suor e esperma. Foda-se, devia ter percebido que era bom demais para ser verdade... mas mesmo assim, foi bastante real!

imagem: getty images

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

"já sei que hei-de arder na tua fogueira"

É inevitável, sabe-lo tão bem quanto eu. É uma combinação explosiva que testa os limites da sanidade mental. Deixa-te de merdas e goza…

Já devias saber que quanto mais esperneias, mais presa ficas.

Pensas que me assustas com a tua sinceridade bruta. "Vais ter que te esforçar mais, muito mais"…

Ainda tens dúvidas, mas eu tenho a certeza de que nos vamos dar bem. Se não jogasses tão à defesa, tinhas percebido logo isso.

Quero roçar-me em ti, quero ser a foda da tua vida.

Quero a tua cona quente e suculenta, sim, não consigo deixar de pensar nela a sorver-me o caralho pulsante a entrar bem fundo, preenchendo-te completamente. Quero dançar esse tango até à exaustão e depois recomeçar.

À tua maneira, seja, não é assim tão diferente da minha.

E depois, que importa de quem é a fogueira, não ardemos tão bem juntos?

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

"já sei que hei-de arder na tua fogueira"




Devia ser proibido. Ele tira-me do sério, é tão bom que até irrita. Está farto de o saber e sabe usá-lo para ter o que quer. Neste caso, eu. E a minha passarinha começa a piar. "Está quietinha" digo-lhe eu. "Deixa-me tratar disto. Pois é, já não vês pássaro há algum tempo, eu sei, mas tem lá calma." O meu corpo todo começa a trair-me - não consigo evitar sorrir-lhe, caramba. Ele chega-se para mim, toca-me ao de leve, até parece inocente, olha-me nos olhos e o meu coração dispara. "Também tu?" A biologia trai-me à força toda. Que tolice! Vou para a cama com ele, saciamos a nossa sede momentânea, amanhã cada um vai para seu lado ou se a coisa correr bem, damos mais umas voltinhas. Serei apenas mais uma para ele, e vou ficar a remoê-lo durante uns tempos. Valerá a pena? "Tu não tens dúvidas que sim, não é minha pássara desasada?"

"Vais ter de te esforçar mais do que isso. Muito mais." Digo-lhe. Gosto de me fazer de difícil. Eles não entendem que se não estivesse interessada, não me prestava a estes jogos. Acham que dominam a situação…

A verdade é que não me acontece tantas vezes como isso, esta predisposição. Sinto um fogo no ventre cada vez que penso nele, quando ele me toca, o fogo sobe por mim acima, incendeia-me descontroladamente, arrebatadoramente. Se não estivesse a tomar a pílula, estaria a ovular de certeza. E não estou a ficar mais nova... Raisparta a biologia!

Dei-me a conhecer demasiado, ele já sabe os pontos por onde pegar, faz de mim o que quiser, se quiser. E quer... mas este chove-não-molha dá-me uma pica desgraçada. Ele está a cantar-me a cantiguinha do costume, mas hoje quem quer cantar sou eu. Vou deixar-me de merdas, e dizer-lhe claramente o que quero e como quero. A ver se ele se assusta. Não, não se assustou. Contra-atacou. Ummm, que bom! Podemos ficar horas nisto. A aquecer, a preparar a grande fogueira onde vamos arder.

E agora, quem é que arde na fogueira de quem?

sábado, 26 de julho de 2008

cornetto

Não comia um cornetto desde o milénio passado, mesmo antes de ser destronado pelo Magnum. Mas desta vez, era o que havia em casa. E foi o melhor cornetto que comi até hoje.

Comecei por lamber a parte de cima e dei uma dentada generosa que fez o chocolate estalar sob a pressão dos meus dentes, a cremosidade da nata contrastava com a dureza do chocolate a derreter mas ambos se fundiram na minha boca dançando com a língua. Doce, doce, doce…
Um dos motivos pelos quais eu deixei de comer cornettos foi o cone. Gostava mais dele seco, e com a variedade de sabores que existem actualmente no mercado, não faz sentido limitar-me aos sabores dos cornettos.
Mesmo assim, a baunilha húmida soube-me bem. Comecei por dar pequenas dentadas no rebordo do cone estaladiço, lambendo o coração macio de nata, comendo a baunilha e vendo o cone afunilar-se. Tinha-me esquecido de como o interior é forrado a chocolate, o que se tornou numa agradável recordação. Quando estava perto do fim, enfiei a língua no interior do que restava do cone para derreter o chocolate até chegar bem lá no fundo, e sorvi-o com os lábios fresquinhos.
Delícia!

Pequeno detalhe: tecnicamente, nem sequer era um Cornetto da Olá, mas sim uma dessas marcas do Jumbo, tão bom ou melhor que o original, mas por uma fracção do preço, ahahah.

O que estava a ouvir enquanto comia o gelado:



INXS, Taste it

"Sweet, sweet, sweet
Could you taste it?"

quarta-feira, 9 de julho de 2008

doce tortura - parte 4

continuação daqui

Ela levanta-se, e com toda a calma faz as calças e as cuecas deslizarem para baixo dos joelhos. Senta-se no rebordo da cadeira e abre as pernas.
Ele levanta-se e debruça-se sobre a secretária. Parece um miúdo a observar o sexo oposto pela primeira vez. Mas a verdade é que tem uma visão magnífica à sua frente. Já tinha visto muitas fotos de vulvas depiladas, mas aquela estava ali, ao pé dele, a respirar o mesmo ar. Sorria para ele, com os grandes lábios inchados, mostrando o interior cor-de-rosa húmido, como uma flor orvalhada que se adivinhava quente e aconchegante.
Depois vira-se de costas, põe um joelho na cadeira e revela as nádegas. Inclina-se um pouco sobre a cadeira mostrando outra perspectiva do seu íntimo.
Ele engole em seco. O seu pénis papita por debaixo da roupa. Se aquela secretária não estivesse no caminho, teria resistido à tentação de lhe tocar? O sexo estava tão teso que lhe doía.
Ela puxa as calças num impulso. O olhar dele queima. Ela sente dificuldade em respirar, sente que foi longe demais.
O telefone toca e alivia a tensão que se acumulou na sala. Ele aproveita para sair dali com um "volto já". Vai direito à casa de banho, aliviar com urgência a tesão provocada por aquele vislumbre. Já tinha visto e tocado e saboreado a sua mulher assim. Mas o inusitado da situação deixou-o completamente louco.
Ela caiu em si e não sabia se havia de rir ou chorar. O que é que lhe teria passado pela cabeça? Tinha de lhe pedir desculpas.
Passado algum tempo, ele volta à sala. Ela desmancha-se em desculpas, que foi uma enorme falta de profissionalismo, que não sabe o que lhe deu, que vai pedir a uma colega que a substitua na consulta. Ele permaneceu calado a ouvi-la. Quando ela ia pegar no telefone para chamar a colega, ele não deixou.
- Não é necessário. Eu confio no seu trabalho. Vou ter de ir agora, mas depois telefono a marcar, ok?
Ela assentiu. Realmente não se estava a sentir com coragem para lhe tocar. Mesmo assim, ele voltou a dar-lhe dois beijos, um pouco mais demorados que da última vez.
Durante algum tempo, ele não conseguiu tirar aquela cena da cabeça. Fechava os olhos e ela aparecia. Decidiu que tinha de se disciplinar, ocupar a cabeça com algo mais produtivo e embrenhou-se nos manuais técnicos que tinha de supervisionar.
Ela não era tão disciplinada, e demorou muito mais tempo a conseguir concentrar-se no trabalho. À noite, quando chegou a casa, devorou literalmente o companheiro, com uma fome insaciável. Até acalmar. Andou pensativa uns dias, até decidir contar ao parceiro o que se passou. Ele mostra-se indignado no início, depois ri-se.
- Isso parece coisa de putos!
Ela fica envergonhada, mas confessa que o cliente lhe deu imenso tesão, que ela se encarregou de descarregar nele e pede-lhe desculpa. Ele fica com vontade de o conhecer.
- Não queres convidá-lo para vir cá a casa um dia destes? – A pergunta deixa-a espantada.
- Não, claro que não. Ele não aceitaria, não depois do que se passou. Além disso, ele é casado.
- Então, convida também a mulher. Ele sabe que és comprometida? – Ela continua surpresa com a atitude do companheiro. Por um lado, quer manter uma relação estritamente profissional com o cliente, por outro, sabe que já ultrapassou essa fase.
- Não, não o vou convidar. Confesso que tenho alguma vontade de o fazer, mas não me parece que ele o queira.
- Aposto que viria se eu não existisse.
- Eu não teria tanta certeza assim.
Nada melhor para combater divergências do que dialogar com o corpo todo. Estes dois dedicam uma boa parte do tempo que estão juntos a fazê-lo. E conseguem sempre chegar a um consenso…
Já Alberto é muito mais reservado. Nada do que se passou na clínica é discutido com alguém, muito menos com a sua esposa. Se ela fizesse ideia do que se tinha passado, sabe-se lá o que faria. Os dois entendem-se bem a todos os níveis, têm uma excelente relação, não será qualquer vulva que abalará isso.
O tempo vai passando e Alberto embrenha-se cada vez mais no trabalho, nuns quantos projectos pessoais, na família e deixa de aparecer na clínica. Sente algum carinho e simpatia pela rapariga e quer ao máximo evitar confusões. Carla bem que gostava de falar com ele, mas começa a mentalizar-se que é melhor assim, sabe-se lá o que é que poderia acontecer da próxima vez que estivesse com ele. Agora sorri quando se lembra do que se passou e suspira. Vai custar a passar aquele entusiasmo, aquela saudade, mas é mesmo assim. A vida continua…

foto: androcur

quarta-feira, 2 de julho de 2008

doce tortura - parte 3

continuação daqui

Quando chega a casa, Carla fala ao companheiro sobre a depilação que fez e telefona a marcar a depilação das pernas. Carla fica contente quando o vê, gosta da ideia dele se tornar um cliente habitual.
Para quem já depilou o corpo todo, as pernas não custam nada. Conseguem assim ter uma conversa muito agradável e descontraída. "ele tem umas pernas bem feitas, quase tão bem feitas como as do meu homem", pensa ela. Falam sobre massagens. Ela tem formação em shiatsu. Ele revela-lhe o desejo de aprender a fazer massagens… sensuais. Ela acha piada ao tipo de linguagem que ele usa, sempre muito correcto, algo envergonhado. Sugere-lhe um centro onde pode aprender algumas técnicas.
Ele agradece todo o trabalho e todas as horas passadas a trabalhar nele e despede-se com dois beijinhos, permitindo a ambos aspirarem um pouco o perfume que se desprende dos seus corpos, o que lhes provoca algum desconcerto.
Ela sente-se bem por gostarem do seu trabalho, sente-se ainda melhor por ser ele a dizê-lo.
Algo está a mudar nela. Começa a achar-se mais bonita. Nada mudou fisicamente, mas a forma como ela se vê é completamente diferente. O seu apetite sexual é devorador, o companheiro até estranha, mas gosta. Ela dedica-se a satisfazê-lo com um fogo nunca visto e tem mais prazer que nunca. Começa a ansiar pelo regresso daquele homem que, sem saber, despertou o instinto sexual dela.
Alberto volta algum tempo depois à clínica. Diz que a esposa adorou e ele também, mas que não se quer submeter todos os meses àquela tortura. Vem com a ideia de fazer depilação definitiva nos genitais, e enfraquecer um pouco os pêlos no resto do corpo.
Na consulta, ele pergunta-lhe se ela alguma vez fez aquele tipo de depilação.
- Sim, tenho habilitações para o fazer – diz ela.
- Pergunto se a fez pessoalmente... se recomenda...
- Em mim? - Sentiu-se corar. Os olhos dele olhavam dentro dos seus e aquela conversa estava a perturbá-la.
- Sim. Fica impecável e nunca mais dá trabalho nenhum… Quer ver?
Não pensou. As palavras saíram-lhe da boca como se tivessem sido proferidas por outra pessoa e agora estava num impasse. O que iria ele pensar? O tempo que ele levou a reagir pareceu uma eternidade.
Estava completamente siderado com a possibilidade que se tinha permitido imaginar, mas que poderia agora concretizar-se. Respondeu com um aceno lento afirmativo, mais com os olhos que com a cabeça. Não queria acreditar naquela cena surreal.


Há pessoas que conseguem o que querem sem ter de o pedir. Puro charme. Seria ele capaz?

continua (e termina?) aqui

história inspirada neste texto no blog Verbo Erótico

terça-feira, 1 de julho de 2008

de onde veio o peixinho...

"A tua beleza submerge-me, submerge o mais fundo de mim. E quando a tua beleza me queima, dissolvo-me como nunca, perante um homem, me dissolvera. De entre os homens eu era a diferente, era eu própria, mas em ti vejo a parte de mim que és tu. Sinto-te em mim. Sinto a minha própria voz tornar-se mais grave como se te tivesse bebido, como se cada parcela da nossa semelhança estivesse soldada pelo fogo e a fissura não fosse detectável."
Anaïs Nin, A Casa do Incesto

Este é o meu excerto preferido do texto que inspirou a cereja aqui

Download do texto completo e outras obras da mesma autora aqui

quarta-feira, 25 de junho de 2008

doce tortura - parte 2

continuação daqui


E não é que ele acedeu à sugestão? Para surpresa de Carla, duas semanas depois, recebe uma marcação de Alberto. O seu torso continua sem pêlos. Ele revela que a esposa adorou a surpresa e ele gostou muito da forma como ela o demonstrou. Tem sentido de humor, este Alberto. Dá umas gargalhadas engraçadas. Desta vez voltou com ideias de fazer depilação nos genitais, mas tinha algumas dúvidas, queria experimentar, mas não se sentia muito à vontade com isso. Ela esclareceu-lhe as dúvidas, deixou-o completamente à vontade, disse que tinham pessoas formadas, de ambos os sexos.
Ele perguntou se poderia ser ela a fazê-lo, ao que ela respondeu afirmativamente. E ele acabou por aceitar.
A experiência que ela tinha na depilação do sexo masculino era ainda pouca, decorrente do estágio que tinha feito no instituto e dois ou três clientes. Mas sempre tinha corrido bem, com o maior dos profissionalismos. Este caso não seria diferente.
Carla gosta de falar com os clientes. Tem clientes fiéis que lhe contam a vida toda. As suas preocupações, as suas alegrias, os seus pecados... Ela ouve. Ela sabe ouvir e sabe que pode tirar partido disso. Retomou os estudos de psicologia e fala sobre isso com o seu cliente, enquanto prepara a cera. É uma cera cor-de-rosa, morna. Ela higieniza a pele com um tónico, põe pó de talco, barra cuidadosamente a parte de cima do escroto, enquanto pede para ele segurar o pénis. Ele começa a sentir o pénis crescer-lhe na mão, num misto surpresa e pavor. Ela tranquiliza-o, diz que é normal, que assim que ela começar a "tortura", ele volta a acalmar. E é verdade. Ela estica-lhe a pele, aplica a cera e quando puxa, parece que estão a esfolá-lo vivo. Ele dá um grito de dor agudo e as lágrimas vêm-lhe aos olhos.
Ela tem qualquer coisa de sado-maso. Sabe que a dor intensifica o prazer. Goza com as expressões que produz nos seus clientes, fá-lo para dentro, pois por fora mantém a sua postura profissional. Sabe o prazer que uma depilação bem feita oferece a quem a faz e a quem pode gozar dessa maciez, da carne tenra que desliza e fica mais sensível ao toque.
Usa gelo para acalmar a pele sensibilizada, e espera o tempo que for preciso até ele estar preparado antes de aplicar outra camada de cera ao lado. Ele tem um pénis bonito, quase tão bonito como do seu companheiro, repara ela. "A mulher dele tem sorte, se o souber desfrutar bem, deve ser maravilhoso", pensa ela, e começa a sentir-se corar. Ela pede desculpa pelo calor que está na sala, o ar condicionado avariou-se e apenas uma ventoinha arrefece o ambiente. Ele repara no corpo dela. Que má altura para reparar nisso. Ela é pequena, tem curvas interessantes. Veste apenas uma bata branca de manga à cava traçada à frente. Quando ela se inclina sobre ele, consegue ver-lhe os seios a quererem saltar fora do soutien e isso causa-lhe outra erecção. A parte mais difícil já está, ela pergunta-lhe se ele quer fazer as virilhas e as nádegas. Ele assusta-se um pouco com a ideia. Mais uma vez, ela fala-lhe das vantagens. Ele começa a imaginar a língua da sua mulher a passear-se pelos seus recantos mais escondidos e a ideia agrada-lhe. Ela diz-lhe que o que custa mais já está e ele acede. Mas não é fácil suportar a dor. Ele grita e ela vai dando palmadinhas na pele, passando gelo e creme hidratante de chocolate nas partes mais sensíveis.
Começa a surgir entre eles uma grande intimidade, devido àquela exposição dele, devido às palavras que vão sendo ditas por ela que expõem os seus pensamentos, a sua maneira de ser. Ela tenta falar de assuntos agradáveis, tenta desviar-lhe a atenção para coisas boas.
- Então e a sua esposa, faz depilação nos genitais? – Pergunta ela. Ele diz que sim, mas nunca lhe perguntou onde ou como. Ela encara a resposta como uma forma de evitar o assunto. Se calhar não quer que a mulher conheça quem lhe conhece tão bem o corpo. Ele imagina um homem a depilar a sua mulher e não acha piada, prefere mesmo não saber quem o faz. Ela imagina encontrar-se com a esposa dele. Começa a pensar que gostava de a conhecer, gostava de a depilar. Gostava de a ouvir gritar. Não só de dor como também de prazer. Gostava de poder observar como se comportariam os dois, quando fossem descobrir o corpo dele depilado. E estes pensamentos fazem-na humedecer. Nunca tinha tido este tipo de pensamentos com mais nenhum cliente. Os seus clientes eram quase todos jovens, atléticos, com corpos bonitos, musculados. No entanto, era um sujeito absolutamente comum que a excitava. Talvez fosse porque apesar de toda aquela exposição física, ele continuava a ser um mistério para ela. Não se expunha mais do que o necessário, não falava sobre a sua vida como os outros, sugeria apenas e isso deixava-lhe espaço para imaginar. Talvez fosse por isso.
- Bem, agora só faltava mesmo depilar as pernas. – Diz ela. Ele faz um ar de susto que a enternece.
- Enquanto não me vir sem pêlo nenhum não descansa, não é? – Diz ele já com um sorriso.
- Não, cabelo, sobrancelhas e pestanas gosto de ver e fazem falta! – Remata ela. - Também podemos deixar para outro dia, mas logo quando chegar ao pé da sua esposa com as pernas por depilar, vai parecer que não fiz o meu trabalho como deve ser.
- A minha mulher não está cá esta semana, por isso vou aproveitar para fazer isto com calma, por hoje chega.
Alberto vai para casa e não deixa de apreciar no duche a sua pele ainda dorida, mas completamente lisa e macia. O gel escorrega, faz menos espuma, mas sabe bem nas mãos. Ele acaricia as virilhas, o escroto depilado, as nádegas e pensa na sua mulher, no gozo que foi sentir o toque dela, a língua e os dentes no seu peito, as espirais de prazer de volta do seu umbigo, sensações que nunca tinha tido daquela forma. Pensa também na rapariga da clínica, no seu belo par de seios, como gostava de os sentir em redor do seu mastro… as duas a beijarem-se e a beijarem o seu sexo com avidez, a lamberem-lhe o escroto macio… até se vir numa sucessão de espasmos. O sémen mistura-se com a espuma do gel duche e ele acorda do sonho.
imagem: Getty Images editada por mim

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