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sábado, 10 de março de 2012

focus group

Voltando a pegar na temática já aqui explorada, resolvemos perguntar qual a vossa opinião sobre a melhor abordagem a uma campanha de sensibilização para o problema do cancro do testículo.
Propomos aqui dois conceitos distintos e gostaríamos de saber se algum vos diz alguma coisa, se consegue o objectivo pretendido e no fundo, qual prefeririam ver num outdoor por aí:


[clicar para ampliar]

Esta campanha é meramente ilustrativa e totalmente fictícia. A foto da primeira proposta é nossa e a outra é da Getty Images. A foto de rua foi sacada daqui e o logo da LPCC foi surripiado do respetivo sítio.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

diálogos (im)prováveis XVIII

Shameless, série 7, episódio 5

Why the fuck did you tell Carl?!
Because he loves her.
No, no, he doesn't! He just thinks he does!
He proposed to her!

What?
And he was gonna ask you to be the best man. You!
Oh, no, this can't be happening!
Just explain to him that it was all an accident.
How can I explain it to him when I don't even understand it myself?
Well, the damage is done.
So you better put a stop to the whole thing. It's for the best.
No.
But you can't like her. She doesn't... she doesn't even have a cock.
Maybe I just like people.
People with cocks.
Well, maybe I am confused and maybe me and Maxine are just mates... or maybe it's more than that.
How can it be?!
I don't know! I don't have all the fucking answers!
I just know... that when I'm with her, I'm not thinking man or woman... it's just... Maxine.
Maybe sexuality isn't one thing or another maybe it's something that's just shifting and moving. 
Fuck you!
What?! What? 
Fuck...you! I looked up to you. I thought you meant something. Because until I met you... I was a freak. I was disgusted with myself. But you showed me that I didn't have to be. You're a fucking traitor. 
It wasn't... It wasn't personal. I didn't mean to. 
But you did. And I loved you. And not in a "want to shag you all over the place" way. But just love! Just proper fucking love! But now I see you for what you are. A cunt.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Pelos tomates! - uma questão de bolas


Bolas, tintins, tomates, ovos, bagos, pendurezas, colhões, gónadas: venho falar de testículos, pois então, prestar-lhes a devida homenagem, já que são tão mal amados e incompreendidos. Eles maldizem o seu ponto fraco, elas (e eles também) menosprezam as suas potencialidades eróticas. Muito gostaria eu de saber o que tanto co(bi)çariam se não existissem…

Desempenham um papel vital na reprodução - afinal de contas, são o delicado vaso das sementes da vida, produzem a própria terra que as sustenta e transporta até à estufa! - isto tem qualquer coisa de poético, não? E o facto de serem a parte mais vulnerável do corpo masculino também acrescenta alguns pontos na minha consideração.
Curiosamente, a delicada membrana protectora dos testículos tem o irónico nome de túnica vaginal, e para além de produzirem esperma e testosterona, os tomates também são responsáveis pela produção de hormonas femininas. Existe todo um complexo e sofisticado sistema de climatização que os mantém sempre a cerca de 1º abaixo da temperatura do corpo, que os faz subir ou descer consoante a temperatura ambiente. Também recolhem perante o perigo e momentos antes do clímax - gosto particularmente quando estão juntinho ao corpo e a pele fica toda encolhida, qual casca de noz, cheia de pregas que os deixam muito apertadinhos:

Miolos, Imperator

Por outro lado, quando a pele distende, são um óptimo anti-stress para rolar entre os dedos, beliscar, beijar, morder, chupar… o prazer que é lamber e ser lambido!

Podem não ser esteticamente tão mainstream como as mamas, mas sem dúvida que têm a sua beleza, não penso que seja impossível fazer um arrojado e eficaz cartaz de alerta para o cancro testicular exibindo um belo par com muito charme e dignidade, carinhosamente protegido por uma mão firme e sensual - tudo depende da perspectiva e do quão bem depilados estão. Sim, porque a pilosidade poderá estragar a estética da coisa (ou não) mas o que é certo é que ninguém gosta de chupar e lamber pêlos. Bem sei que não é tarefa fácil depilar uma parte tão delicada da anatomia masculina, mas os lábios vaginais também não são pêra doce e as mulheres fazem-no. Mariquices à parte, seja com lâmina, creme depilatório ou cera, pode ser uma experiência inolvidável se for partilhada com alguém em quem se confia, tipo tu fazes o meu, eu faço o teu. Vale?

Ter tomates é sinónimo de masculinidade e coragem, mas pode ser usado para descrever uma mulher sem ofensa. Tê-los no sítio significa ter carácter, princípios, lealdade. Mas a minha preferida é mesmo agarrá-lo pelos tomates, que me vou escusar a explicar, prefiro deixar a foto falar:


Talvez não sejam as expressões mais política e cientificamente correctas, mas demonstram a importância e relevância do papel desempenhado por estes penduricalhos, amigos inseparáveis do venerável membro, preciosos brincos do caralho que eu tanto aprecio!

Gracias pelo mote, Hel ;)

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Será verdade?

“90 pessoas apanham a gripe Suína e toda a gente quer usar uma máscara.

Um milhão de pessoas tem SIDA e poucos querem usar um preservativo.”

Recebido por mail

sábado, 28 de março de 2009

por que é que uma pessoa corajosa "tem tomates"?

Quando os admiradores da Sra. Tatcher afirmavam que ela “tinha tomates”, não queriam dizer certamente que a dama de ferro era um travesti, mas antes que tinha “carácter”. “Pulso”. Por outras palavras, os testículos eram erguidos à categoria de símbolo. (...)
Contudo, esta relação entre coragem e testículos não é evidente a priori. Talvez os homens tenham reparado que, em situação de fraqueza devida ao frio ou ao medo, os testículos encolhem e se recolhem no corpo, a ponto de ser muito difícil castrar coelhos, porque os seus testículos desaparecem quando se tenta agarrá-los.

É verdade que a castração é conhecida desde a Antiguidade. Não sei quem foi o primeiro que teve a ideia de cortar os tomates de um touro ou de um homem. É possível que a descoberta tenha ocorrido por acaso, na sequência de um acidente que teria castrado a vitima. Seja como for, descobriu-se que um animal sem testículos era mais dócil, desenvolvia mais gordura e interessava-se menos pelo deboche, o que era prático, tanto para os animais de quinta como para os guardas de haréns.

Como é evidente, a endocrinologia não era conhecida. Serão necessários muitos séculos até a biologia demonstrar que os testículos produzem uma hormona masculina, a testosterona. Esta hormona actua sobre o corpo, contribuindo para produzir músculo, mas também sobre o cérebro e o pénis, por intermédio da sua acção na libido e na erecção. Estes efeitos são visíveis nos homens submetidos a castração por razões médicas: a libido diminui bruscamente devido à quebra da testosterona. Não obstante, este facto não permite deduzir a existência de uma relação simples entre a testosterona e a sexualidade.

É conhecido, por exemplo, o efeito de retroalimentação no circuito da testosterona: a testosterona aumenta a actividade sexual, mas também aumenta graças a esta última (os homens segregam mais testosterona enquanto vêem um filme porno). É por isso que é difícil dizer se os engatatões vão para a cama mais vezes porque têm mais testosterona, ou se têm mais testosterona porque vão para a cama mais vezes.

Além disso, a testosterona não é uma espécie de afrodisíaco que se possa ingurgitar em injecções ou em cápsulas para melhorar o desempenho. É necessário um mínimo para se ter uma libido honesta, mas esta não aumenta linearmente com a testosterona. Ao invés, a castração não suprime forçosamente toda a vida sexual. Por exemplo, se um animal já tinha copulado antes de ser operado, pode continuar a fazê-lo depois (sem testosteona, a erecção será menos fácil, mas não é totalmente impossível).

Regressemos, porém, a essa famosa força de carácter, pois é dela que se trata quando se utiliza a expressão “ter tomates”. A observação de animais sugere que há alguma verdade nisso. Sabe-se que, nos grupos de primatas, os machos dominantes segregam muitas vezes mais testosterona. Mas é difícil dizer que se possuem mais por serem dominantes, ou se são dominantes porque possuem mais. Na verdade, é por intermédio da sexualidade que a hormona actua. O mais bem dotado em testosterona não é forçosamente o macho dominante, mas é o mais activo no plano sexual. Embora um macho dominante posa ter mais hipóteses de segregar testosterona porque tem mais fêmeas à sua disposição, as fêmeas podem preferir um subalterno e, nesse caso, ainda que ele continue a ser dominante, a sua testosterona diminui.

Nos seres humanos, é ainda mais difícil relacionar hormonas e comportamento. Algumas investigações mostram que a testosterona induz uma certa forma de agressividade: aumentaria, por exemplo, imediatamente antes de uma competição desportiva. Mas não se deve perspectivar esse tipo de relação sem se ter em consideração factores sociais e culturais. E aí, as hormonas tornam-se secundárias. Por exemplo, os delinquentes, mesmo os sexuais, não segregam mais testosterona que qualquer outra pessoa, e daí a ineficácia de uma castração terapêutica. Os suíços castraram cerca de 10 000 delinquentes no século XX, e, tanto nos Estados Unidos como em certos países da Europa do norte, recorre-se amplamente à castração química de criminosos sexuais, apesar de a supressão da testosterona nunca ter abolido as pulsões que lhes são imputadas.

Portanto, se fizermos um balanço, quando dizemos que um indivíduo “tem tomates” referindo-se ao seu carácter, cometemos pelo menos três erros. O primeiro consiste em fazer da coragem uma característia relacionada com a testosterona. É verdade que esta aumenta a libido e, talvez, em certa medida, a agressividade, mas nada tem que ver com o carácter. Um indivíduo pode ser corajoso sem ser megalómano ou maníaco do sexo, e, inversamente, o cobarde agressivo e libidinoso é uma realidade.

Mesmo que a testosterona aumentasse a coragem, o segundo erro esta em transformá-lo numa característica exclusivamente masculina. Com efeito, as mulheres também produzem testosterona nos seus ovários – em menor quantidade que os homens nos seus testículos, mas produzem. Na mulher, de resto, é a subida da testosterona que aumenta o desejo quando a ovulação se aproxima.

E, em terceiro lugar, o poder da testosterona deve ser relativizado. Como demonstram algumas investigações, a testosterona, para actuar, transforma-se, em certas situações, numa hormona feminina – o estradiol. Esta transformação faz-se por intermédio de uma enzima chamada aromatase, presente no cérebro e também nas gorduras. Em suma, a hormona masculina transforma-se em hormona feminina para actuar! E o pior é o que se passa nos testículos: as células de Sertoli, que alimentam os espermatozóides no fundo dos testículos, funcionam apenas graças a estrogénios. Estão a ouvir, machões? Nas profundezas dos vossos tomates, quem se esfalfa a trabalhar são as hormonas femininas!

Acabámos de apresentar boas razões para repor no seu devido lugar o velho mito que situa as virtudes masculinas nos penduricalhos. Homens e mulheres possuem hormonas masculinas e femininas simultaneamente, e é tempo de acabar com esse mito de uma dualidade psicológica baseada nas hormonas. O mito gerou muitos absurdos, como o de alimentar a ideia de uma “força de carácter” instalada nos testículos. Apesar da sua popularidade, a expressão “ter tomates” é machista e infundada.

ilustração: Charb

quarta-feira, 28 de maio de 2008

para que serve o adultério?

ilustração: Charb



“Era bela como a mulher do outro.” Esta citação (que alguns atribuem ao anti-semita Paul Morand e outros ao judeu Groucho Marx, mas não é isso que se discute aqui…) resume bem a ambivalência humana. Pelo menos essa contradição que consiste em querer ao mesmo tempo uma só mulher… e um monte delas.

As sociedades polígamas (várias mulheres para um homem) oferecem uma forma (discutível) de resposta. Estima-se que representem cerca de 44% das sociedades humanas, contra 55% que são monógamas e menos de 1% poliândricas (vários homens para uma mulher, como acontece em África na índia ou no Tibete).

Polígamos há muitos. Mas, além disso, é preciso observar de perto os monógamos. Em primeiro lugar, os monógamos perfeitos, um só parceiro durante a vida, são raros: segundo inquéritos, os homens admitem ter tido 11 parceiras durante a vida, em comparação com 3,3 para as mulheres. Logo, as pessoas são, na sua maioria, monógamas num determinado momento, mas podem ser qualificadas de polígamas em série. E sobretudo, há o adultério. 20% dos homens e 11% das mulheres declaram ter cometido uma infidelidade nos cinco anos anteriores à data do questionário (será que as pessoas se enganavam menos antes de 1975, quando a lei francesa considerava o adultério como um delito passível de prisão?). Há pior. Os testes genéticos efectuados em vários milhares de pessoas revelam um número incrível de filhos cujo ADN difere do do pai legal: segundo os estudos, a percentagem de filhos adulterinos varia entre 1 a 10 % (por exemplo, 5,9% num inquérito inglês). De resto, as dúvidas quanto à paternidade à roda dos berços: não é por acaso que os psicólogos demonstraram que os comentários sobre o recém-nascido dizem sobretudo respeito às semelhanças com o Pai!

Woody Allen dizia que as únicas espécies fiéis eram os católicos e as pombas. Na verdade, há muitas outras (sim, eu sei, os católicos não constituem nenhuma espécie…). Pensa-se que existem cerca de 10% de aspécies monógamas – na sua maioria, aves (90% são-no) mas também 3% de mamíferos (gibões, chacais, etc.). Em contrapartida, a poliandria não tem muito êxito: 0,4% entre aves e os mamíferos.

O aspecto mais interessante é que, mesmo nas espécies que se pensava serem monógamas, se evidenciaram recentemente práticas adúlteras. Por exemplo, acreditou-se durante muito tempo que os canários eram monógamos e fiéis, até que um biólogo teve a ideia de realizar testes de paternidade. Ao comparar, numa mesma ninhada, o ADN das avezinhas com o do chefe da família, descobriu que, em média, 20 a 30% dos pequenos possuíam os genes de um macho vizinho! O espantoso é que os investigadores nunca tinham visto a fêmea a dar uma escapadela. Foi necessário segui-la o tempo todo para descobrir que se deixava inseminar discretamente pelos vizinhos, durante cópulas furtivas que tinha o cuidado de esconder do companheiro. Estas investigações torcem o pescoço à impostura que consistia em fazer de um ninho aconchegado a alegoria da harmonia familiar, e da avezinha que choca o emblema do “instinto” maternal. Conquanto desagrade aos românticos, a infidelidade parece desempenhar um papel na Natureza.

Do ponto de vista evolutivo, os biólogos explicam bem esta sexualidade de porta de cocheira. A monogamia “perfeita” permite à fêmea dispor de um macho que cuida dela, dela e das crias. Mas o inconveniente reside no facto de, ao limitar-se a um só macho, correr o risco de ficar com esperma de segunda escolha. A fêmea adúltera recupera as duas vantagens: por um lado, o macho que a protege, e, por outro, a multiplicação de probabilidades de recolher “bons genes”. A sobrevivência da espécie sairia a ganhar. Formularam-se outras hipóteses: as relancear os olhos pelos vizinhos, o borrachinho poderia forçar o “legítimo” a consagrar-lhe mais atenção. Acresce que o “bovarismo” também existe entre os animais. As fêmeas de canário são costureirinhas que se apaixonam por bons cantores. Um macho que lhes dê segurança, tudo bem, mas é difícil resistir ao encanto de um maestro de passagem.

Isto não nos deve fazer esquecer que os mais infiéis são, geralmente, os machos. Podemos explicá-lo afirmando que um macho aumenta as suas hipóteses de reprodução se multiplicar as cópulas, mas que uma fêmea não ganha nada em ter parceiros uns atrás dos outros. O que explica que este tipo de comportamento – macho engatatão, fêmea caseira – tenha sido conservado pela selecção natural.

Seja como for, não é o aumento das suas probabilidades reprodutivas que leva um indivíduo, homem ou animal, a dar facadas no matrimónio. O proveito é certamente mais imediato e agradável. É a necessidade de novidade, confessarão os Don Juans. O espantoso é que isso também exista entre os animais!

Com efeito, sabe-se que um rato fechado na companhia de uma fêmea copula como um tarado no início e, depois, cada vez menos… até acabar por se cansar. Mude-se a parceira ou, apenas, a cor da gaiola, e a libido volta. Os biólogos chamam-lhe “efeito Coolidge”, apelido de um presidente americano dos anos 20. Um dia, ao visitar uma quinta, Coolidge viu um galo a cobrir uma galinha, tendo-se desenrolado o seguinte diálogo. Presidente: “Ele faz isto muitas vezes?” Director da quinta: “Umas dez vezes por dia.” Presidente: “Com a mesma fêmea?” Director: “Não, sempre com uma fêmea diferente.” Presidente (cuja esposa se mantinha um pouco afastada): “Há-de dizer isso à minha mulher…” Alguns investigadores chegam a explicar a moda no vestuário pelo efeito Coolidge, porque proporcionaria um meio de satisfazer a necessidade de novidade!

É possível que o efeito Coolidge contribua para explicar o adultério humano (embora poucas esposas se contentassem com uma explicação tipo: “Desculpa, querida, mas é o efeito Coolidge, não há nada a fazer.”). Em todo o caso, alguns indícios sugerem que o adultério está profundamente enraizado. Sabe-se, por exemplo, que as espécies polígamas se caracterizam geralmente por um dimorfismo sexual: os machos são fisicamente muito diferentes das fêmeas. Em contrapartida, nas espécies monógamas (tanto entre aves como entre mamíferos), os dois sexos têm mais tendência a parecer-se um com o outro. Ora os seres humanos estão mais sujeitos ao dimorfismo… O que os aproximaria mais das espécies polígamas e não das monógamas!

De resto, alguns investigadores chamaram a atenção para a existência desta relação entre dimorfismo sexual e poligamia no interior das próprias sociedades humanas. As mais polígamas acentuariam o dimorfismo sexual: por exemplo, as sociedades muçulmanas, obcecadas pela barba nos homens e o véu nas mulheres. Inversamente, as sociedades ocidentais, onde a monogamia é a regra oficial, são as que mais atenuam o dimorfismo sexual: queixo rapado para os homens e calças para as mulheres.

Porém, convirá não esquecer que a poligamia subsiste, embora escondida, nas sociedades monógamas. Enquanto o chefe de clã somali possui um número de esposas proporcional ao seu prestígio, o empresário ocidental sustenta um número de amantes proporcional à sua conta bancária.

Acresce que, recentemente, a poligamia ocidental assumiu uma forma menos críptica, por meio da troca de parceiros. Esta prática, marginalíssima nos anos 90, explodiu subitamente, provocando uma proliferação de clubes em todas as grandes cidades. Ora, depois de demoradas investigações, o sociólogo Daniel Welzer-Lang, da Universidade de Toulouse, interpreta a troca de parceiros (cujo número de adeptos em França rondará os 400 000, segundo as suas estimativas) como uma forma de poligamia que ainda exprime o domínio dos homens, pois são eles que regulamentam as modalidades do comércio sexual.

Em resumo, o homem possui certamente um fundo polígamo, cuja origem biológica ou cultural não decidiremos aqui… E, ao mesmo tempo, um desejo monógamo, a propósito do qual podemos dizer o mesmo. Logo, o homem seria um monógamo infiel ou um polígamo que cria laços… Seja como for, alguém que nunca está tranquilo (tal como a mulher, consequentemente).


FISCHETTI, António: A Angústia do Chato antes do Coito – 36 perguntas sobre sexo que nunca fez a si próprio; Ed. Bizâncio, 1ª edição, Out. 2003.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Por que é que o riso conquista as mulheres?

ilustração: Charb

“Mulher que ri, meio caminho para a cama”, diz o provérbio. Rir é um prazer, admitamo-lo… Mas daí a transformá-lo num bilhete de acesso a outras formas de prazer, ainda vai um bocado. Contudo, é sabido que um homem aumenta as suas probabilidades de seduzir uma mulher se a fizer rir. O riso é, pois, um instrumento de sedução masculina, e os sociólogos demonstraram-no: são sobretudo os homens que fazem rir as mulheres. Decerto não é por acaso… Tão-pouco é por acaso que os homens ciumentos detestam ver a sua mulher rir na companhia de outro homem. Não há dúvida: há sexo no riso.

Não nos vamos lançar numa análise das teorias do humor, que exigiria um livro inteiro. Para Bergson, o riso explica-se pelo “maquinal aplicado sobre o vivo”, para Kant, “o riso provém de uma expectativa que, de repente, se converte em nada” e, para outros, o riso nasce da incongruência de uma situação, ou da transgressão de regras…

Seja como for, existe um ponto comum entre todas as formas de riso: de uma maneira ou de outra, troça-se de um terceiro. De uma pessoa real, de uma situação… Ou da pessoa virtual que poderíamos ser: imaginamo-la então a cair numa armadilha (no domínio da linguagem ou dos códigos sociais, por exemplo), e rimos por ter escapado subitamente a ela. Em suma, existe troça nessa mímica sonora que consiste em exibir os dentes, emitindo uma espécie de grito triunfal. O riso é a expressão de uma superioridade relativamente ao objecto de que rimos. E, no momento de uma piada ou de uma graça, a pessoa que provoca o riso adquire o poder.

Então, a mulher, numa situação dessas… Uma coisa é certa: uma mulher deve rir com um homem, e não dele. A mulher que ri torna-se cúmplice de quem desencadeou o riso. O que é uma forma de aliança com um dominante… um pouco como entre os primatas, em que as macacas se aliam aos machos “alfa” para lucrarem do ponto de vista alimentar.

Porém, quando nos rimos, não é só isso que fazemos. Todos nós mobilizamos, ao longo do dia, uma grande quantidade de energia psíquica para controlar os tabus sociais, esforço esse que acaba por cansar. O riso actua, pois, como uma válvula que permite a libertação brutal dessa energia repressiva. E daí o prazer.

Decerto que a mulher sente reconhecimento por quem lhe permitiu esse prazer… Abandona-se psicologicamente, e, ao mesmo tempo, fisicamente. Com efeito, o riso é uma expressão sonora não controlada. Não pronunciamos “Ah-ah-ah” deliberadamente, como quando falamos, mas entregamo-nos a salvas vocais que nos escapam. No inconsciente da mulher que ri, pode haver um raciocínio deste tipo: se este homem é capaz de desencadear em mim uma reacção destas, talvez possa proporcionar-me outras formas de abandono. Aliás, se se analisar o aspecto sonoro, será que o riso não evoca uma espécie de orgasmo? Uma mulher que reage com um “Ah-ah-ah” a uma piada de um homem, anuncia que pode emitir “Ah-ah-ah” de outra maneira. Rir é ter algum prazer.

O riso evoca o sexo… Mas o sexo também evoca o riso. Peça a um amigo para lhe contar uma anedota e são grandes as hipóteses de ele se sair com uma sobre sexo. Psicólogos americanos comprovaram-no. Pediram a 14 500 pessoas que classificassem cerca de trinta anedotas por ordem de preferência. Como não podia deixar de ser, são as anedotas sexuais que surgem à cabeça, e muito distanciadas das outras. É lógico. O sexo é o tabu que exige mais energia repressiva. Também é um ditador que está sempre a dominar-nos. Além de permitir a libertação da energia recalcada, a piada sexual proporciona a breve ilusão de ser mais forte que o sexo, “rebaixando-o” por meio do riso.

Quanto maior o mal-estar recalcado, mais divertido é. Inversamente, dir-se-ia que quanto menor é a frustração, menos rimos. Por exemplo, quando fazemos amor, já não estamos inibidos… enfim, estamos menos do que o costume. E, nesse caso, o sexo e muito menos divertido. Imagine que o seu parceiro se escangalha a rir enquanto você se afunda nos limbos do prazer. Dá cabo da atmosfera, não é? Esta incompatibilidade também se exprime nos filmes: é impossível fazer um filme ao mesmo tempo erótico e divertido.

Durante a fase de sedução, o riso aproxima os dois seres que se lhe entregam. Durante o acto sexual, porém, afasta-os. Talvez porque una os dois seres à custa de um terceiro. No amor, estamos sós, a dois. No humor, somos três: há um “objecto”, perante o qual nos encontramos em posição de voyeurs porque troçamos dele. Em primeiro lugar, isso distrai-nos do acto sexual. Além disso, o terceiro de que nos rimos corre o risco de ser a nossa própria pessoa. E isso não é bom, mesmo nada bom. Em suma, ao provérbio “Mulher que ri, meio caminho andado para a tua cama”, convém acrescentar o corolário “Mulher que ri na tua cama é mau sinal”.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Biologia vs Razão



Por que razão é que nos excitamos pelo simples facto de olhar para alguém com um aspecto interessante?
Por que razão é que uma pessoa intelectualmente excitante, pode perfeitamente não interessar sexualmente?
Não há razão, não pode haver. A não ser o raio da Biologia. Mas isso será Razão?
Folheio uma revista e o meu olhar fica preso a uma impressão de alguém com uns olhos magnéticos. Fico ali a olhar para aqueles olhos durante uns segundos, a percorrer com os meus o corpo que os transporta, antes de reparar na parvoíce que isso é.
Conheço na net alguém que partilha os mesmos interesses que eu, que me excita intelectualmente e depois quando nos encontramos pessoalmente não há química nenhuma.
Mas o que é isto?! Parece que o meu corpo anda a gozar comigo. Ó MONTE DE CÉLULAS, ORGANIZA-TE!!
É uma coisa que me intriga, deveras. Que raio de selecção é esta que eu faço? Que tipo de pessoas me interessam como parceiros sexuais? Têm de ter o que eu acho que é "compatibilidade física". Têm de ter o que eu acho que é "compatibilidade intelectual". Não será isto exigência a mais? Mas que parvoíce de selectividade é esta, alguém me explica?!
Eu já percebi que as coisas não resultam quando vou lá só porque a pessoa em questão é fisicamente interessante. Também já percebi não resultam quando a pessoa é "apenas" intelectualmente interessante. E também já percebi que às vezes demora algum tempo, mas uma pessoa que à partida me empolgava, depois de revelar o que lhe vai lá dentro apaga-me o tesão; e também já aconteceu uma pessoa que não me dizia nada fisicamente, depois de se revelar um pouco mais intelectualmente, dá-me um tesão desgraçado. Custa-me aceitar isto. Não aceito. Acho que devia ter o direito de me entusiasmar por quem eu quisesse e as coisas resultarem. Mas sinto que não tenho. É claro que são precisas (pelo menos) duas pessoas para dançar tango, e eu não sou inteiramente responsável por as coisas não resultarem, mas até que ponto é que eu devo ceder? Até que ponto posso tolerar comportamentos que não me agradam?
O sexo atrapalha a vida…
imagem: feromonas

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

limiar de excitação



Li neste livro que estuda o comportamento sexual animal e aborda principalmente os humanos, que os machos têm geralmente um limiar de excitação mais baixo que as fêmeas, ou seja, excitam-se mais fácil e rapidamente. Segundo os autores, isto deve-se ao facto de o seu contributo para geração de prole (o esperma) ser muito menor que o da fêmea (ovo ou óvulo). A fêmea geralmente aposta na qualidade e é mais selectiva na escolha do(s) parceiro(s) para gerar a melhor prole. O macho por sua vez, aposta na quantidade, já que não precisa de despender tanta energia para gerar descendência, a estratégia é quantos mais, melhor.

Uma mulher demora cerca de 28 dias a preparar um óvulo para fertilização. Um homem expele cerca de 250 milhões de espermatozóides em cada ejaculação.
Isto leva-me a pensar até que ponto a biologia está enraizada nos nossos comportamentos.
Claro que a contracepção separa definitivamente o sexo da reprodução, e há mulheres que se excitam muito facilmente e homens que demoram mais. Na sociedade actual encontram-se todo o tipo de variantes.

Mas isto parece ser uma boa explicação para certos comportamentos, não achas? Sexo fácil ou luta renhida, hã?

imagem: Egon Schiele

sábado, 17 de novembro de 2007

a Arte de Expressar Prazer

Pêras em Chocolate
Gostávamos de saber quais são as tuas manifestações de prazer predilectas. Seja no cinema, literatura, pintura, fotografia, música, dança, teatro, culinária... qualquer tipo de arte.
Cita, cria, envia-nos. Para o mail ou para o blog.
Ficamos à espera...
foto: CORBIS

terça-feira, 30 de outubro de 2007

pequenos prazeres

O Fabuloso Destino de Amélie Poulain

E os teus pequenos prazeres, quais são?

tradução:
Amelie não tem nenhum homem: experimentou uma ou duas vezes, mas o resultado ficou aquém da expectativa. Em vez disso, ela cultiva um gosto especial pelos pequenos prazeres - mergulhar a mão em sacas de grão, partir o queimado do leite-creme com a ponta da colher e fazer ricochetes na água do Canal de Saint Martin.

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Fala-me de Orgasmos



Que é bom, já sabemos. Gostávamos de saber o que te dá prazer, te faz chegar ao êxtase total. Como gostas de provocar um orgasmo a quem que está contigo? No que é que pensas? O que vês? O que ouves? O que cheiras? O que saboreias? Onde tocas? Dor? Vibração? Contracção? Alívio? Transe? Onde, como, quando, porquê?