Despe-se devagar, sem pressa nenhuma, câmara lenta, pedaço a pedaço,
separando a casca dos gomos, libertando um pouco do suco energético
contido nas minúsculas cápsulas cítricas, despreocupadamente
disparado para qualquer lugar. Depois separam-se os gomos, um a um, com a
mesma lentidão ou mais alguma. Ele já lá está à espera, quente, a
derreter, polvilhado com canela. É uma combinação de salgado macio com
doce fundente e aroma quente da especiaria. Só por si, já seria
delicioso, mas nunca se perde quando se junta algo que lhe dá um toque
único, um sabor extra, também doce, mas fresco, citrino, intensamente
perfumado. Muito, mas mesmo muito devagar, num gesto delicado,
plenamente sensual, a Tangerina mergulha no molho e arrasta-o consigo, e
escorre, e pinga na língua... um após o outro, todos os gomos mergulham
e fundem-se com o chocolate na boca, alternados com o crepe. Ummm,
delícia é pouco. É um prazer especial, divinal!
Foto: 123FR


