Aconchego-me no sofá e fecho os olhos. Oiço uma música que fala de amor mas esse ser não habita em mim. Enfrento a dura constatação de não amar, de não sentir…Já amei um dia, um amor que me traiu. Já me apaixonei vezes sem conta para depois cair na desilusão e no desencanto.
Pobre coração mutilado que já não consegues voar sobre os vales dos sentidos… Estás preso, fechado em ti mesmo, acorrentado por laços de frustração e dor!
Entrego-me ao prazer do momento, procuro reconfortar-me nos braços de alguém mas a minha alma continua vazia.
Depois de amar, de me sentir plena de paixão, sentir-me privada dessa condição, conduz-me inevitavelmente à aniquilação de uma parte de mim. O meu ser consumiu-se no mesmo fogo em que arderam os meus amores. Resta a cinza que sufoca o meu coração, último vestígio do ser que fui outrora…!
Foto retirada de: http://osmanos.blogs.sapo.pt/arquivo/tristeza.jpg