segunda-feira, 21 de junho de 2010

corpos suados (último)

continuação daqui
texto por
Toque
fotos por Imperator e Viages

Os corpos tombados no chão rodeados de marcas de suor deixavam transparecer os momentos intensos vividos há minutos atrás.
Um estranho silêncio invadiu a sala, depois dos gritos que ecoaram. Ela sabia que tinha de gerir a situação de forma correcta, afinal tinha sido ela a provocá-la.
Posou uma perna sobre as pernas do Carlos e inclinou ligeiramente a cabeça até que os seus lábios tocassem a orelha masculina.
- Tens razão. Vivemos momentos únicos enquanto estivemos juntos. Mas isso não foi suficiente para que a tua escolha fosse outra que não eu. Não te recrimino, apenas lamento que não tenhas falado comigo. Dificilmente te vou esquecer, mas vou seguir com a minha vida, como tu farás o mesmo com a tua. Hoje realizaste um sonho meu, obrigada.
Carlos ficou em silêncio olhando o rosto radiante de prazer daquela mulher que tão bem conhecia, neste momento não sabia se tinha feito a escolha certa, mas sabia também que voltar atrás era impossível.
-Nunca ninguém me fez sentir o que tu fizeste. O que se passou hoje foi estranho e confesso que nunca imaginei que pudesse acontecer-me, mas fizeste com que tivesse tido uma experiência única e que me deu bastante prazer, por isso eu é que tenho de te agradecer.
Pedro ouvia os sussurros dos dois antigos amantes. Não conseguia ouvir a conversa e sentia-se nervoso e ansioso, tentando adivinhar o que diziam.
Viu o seu rival levantar-se pegar nas roupas e dirigir-se ao quarto de banho. Ela fixou os olhos brilhantes nele.-Gostaste!Não era uma pergunta, apenas a constatação de algo.
- Não gosto de te dividir com ninguém! Conheço-te há tão pouco tempo, mas entraste de tal forma em mim que não concebo viver sem ti.
- Mas sentiste prazer e eu senti esse prazer contigo.- Sim. Aninhou-se nos braços dele no preciso momento em que Carlos regressava à sala.
Levou-o até à porta, onde um beijo demorado selou a despedida e voltou para os braços de Pedro que fechava os olhos prestes a adormecer.
Acordaram tarde e apenas tiveram tempo de um banho rápido, antes de se dirigirem aos respectivos empregos.
Passou a manhã distraída, absorvida pelos pensamentos do que tinha acontecido na noite anterior.
Queria agradecer ao Pedro ter entrado no jogo, apesar do desconforto inicial que sentiu da parte dele, mas não conseguia pensar em nada diferente.
À hora do almoço quando todos saíram ficou a ler distraída o jornal que estava pousado na sua secretária quando teve uma ideia que lhe iluminou a face com um sorriso.Avisou a secretária que não iria trabalhar de tarde, pois tinha assuntos para resolver.
Saiu com um passo decidido disposta a fazer rapidamente tudo o que tinha em mente.
Quando conseguiu, dirigiu-se ao parque de estacionamento onde tinha encontrado o Pedro pela primeira vez. Descobriu rapidamente o carro dele, colocou o papel que já trazia escrito no limpa vidros do lado do condutor e num impulso resolveu pegar no batom que tirou da carteira e desenhar as suas iniciais na porta do carro.
Enquanto esperava tentava imaginar a cara dele ao ver o bilhete que lhe tinha deixado.
Quando chegou ao carro estranhou o envelope preso ao limpa vidros, assim que o abriu uma chave pequena caiu-lhe aos pés.
Apanhou-a e leu o conteúdo do papel que estava dentro do envelope. Um amplo sorriso iluminou-lhe o rosto.
Dirigiu-se ao endereço que ela lhe propôs. A entrada do motel era recatada como se impunha, deixou o carro à porta do quarto que ela lhe indicou e empurrou a porta entreaberta.
Tentou descobrir a presença dela mas a penumbra que dominava o quarto não o deixou ver. Uma música dominava o ambiente e ele adivinhou uma silhueta ondulante no fundo do quarto. O corpo mexia-se de forma sensual e tentou adaptar-se à escuridão para ver aquela dança que convidava ao sexo.
-Não acendas a luz. Deixa-te seduzir pela música.
Ele obedeceu enquanto ela desaparecia.
Entretanto, o olhar pousou numa vela cuja luz cintilava. Mais uma vez um papel indicava-lhe o caminho a seguir.
"Apura o segundo sentido. Tens de o por a funcionar para me encontrares".
Um aroma conhecido chegou-lhe ao nariz e resolveu seguir o seu instinto e trilhar os passos até onde o perfume dela o levou. Entreabriu a porta de onde o cheiro vinha com mais intensidade e sentiu que um par de mãos macias lhe tapava os olhos, vendando-os depois com um lenço acetinado. Ela deu-lhe a mão para o guiar até ao próximo destino. Empurrou-o ligeiramente até algo que lhe pareceu uma cama e muito lentamente tirou-lhe todas as peças de roupa.
"Agora quero que apures o teu olhar, que consigas olhar sem ver".
Ele sentiu as mãos dela deslizarem sobre a sua pele, estavam oleosas e com uma aroma que o embriagava. Levemente ela começou a massajá-lo. Na nuca e nos ombros em primeiro lugar e depois um pouco por todo o corpo.De olhos tapados tentava adivinhar os movimentos seguintes dela, mas foi relaxando com aquele contacto. Por isso, estremeceu quando as mãos deixaram cair um pouco de óleo sobre o seu pénis e o começaram a acariciar de forma sensual. As mãos quentes moviam-se agora mais rapidamente, em movimentos circulares que o enlouqueciam - Queria agarrá-la e e dar-lhe o mesmo prazer, mas ela impedia-o de o fazer.
- Vês como me excitas?
Ele mal conseguia falar, mas ela pegou-lhe na mão e encaminhou-a até à sua vagina que escorria um líquido quente e ligeiramente espesso. Depois rodou o corpo 180 graus, por forma a que ele conseguisse chupá-la, enquanto ela acabava de o massajar, desta vez nos dedos dos pés.Sem contar com esta mudança ele lambia-a sofregamente, chupando o seu montinho e metendo a língua em movimentos rápidos no seu buraco.
Ela não o deixava tocar com nada mais do que a boca e a língua e isso estava a excitá-lo de forma intensa.
-Começaste a apurar o terceiro sentido... gostas do paladar?
-Tens um sabor divino, disse ele entre suspiros.
Ainda com os olhos tapados estranhou quando ela se afastou, tentou retirar a venda mas ela impediu-o. Voltou minutos depois trazendo com ela um cheiro adocicado. Aproximou os seus seios com os mamilos duros da sua boca, ele chupou-os com fome dela e foi surpreendido com o sabor do chocolate derretido.
A surpresa aumentou a vontade que tinha de a possuir.
-Sei que és guloso... por isso resolvi servir-me com chocolate. Delicia-te.
Chupou os dois seios, enquanto ela lhe mordiscava o pescoço e lhe dizia ao ouvido palavras de desejo.
Pequenas trincas de ambos os lados levavam a paixão de ambos até níveis que nenhum julgava possível.
Quando ele se preparava para a agarrar e a possuir com a violência do desejo que ela tinha atiçado, ouviu-a sussurrar.
-Tens a chave?
Surpreendido parou de a beijar pensando de que chave falaria ela.
-A que te deixei no envelope.
Claro que a tinha, mas naquele conjunto de emoções nunca mais se lembrou de tal coisa.
-Está no bolso do meu casaco.
Continuava de olhos tapados, mas isso não o impediu de ter a certeza que foi para lá que ela se dirigiu quando se afastou do seu corpo. Quando voltou tirou-lhe a venda e disse-lhe num murmúrio.
-O quinto sentido serás tu a proporcionar-me. A chave que te dei é de algo que está aos pés da cama. Encontra e faz o que quiseres com isso.Demorou algum tempo até se adaptar à parca luminosidade do quarto. Sentia-se inebriante de prazer, precisava de lhe retribuir todo o conjunto de emoções que ela lhe tinha proporcionado.
Levantou-se e rapidamente encontrou umas algemas no rebuliço dos lençóis de cetim.
Ela entregou-lhe as chaves e enquanto as apertava nos pulsos apenas disse:
-És fenomenal. Agora é a minha vez de te enlouquecer. Quero que sintas tudo o que me fizeste sentir.
O beijo com que lhe mordeu os lábios fizeram-na estremecer toda e foi apenas o início de um conjunto de carícias que começaram mornas, apenas com a ponta da língua a percorrer os trilhos de prazer do seu corpo, os rastos de saliva arrefeciam e faziam-na acelerar a respiração. Com os pulsos presos pelas algemas apenas podia mover o corpo para que ele a tocasse onde ela desejava. Ele ria-se com as tentativas dela e para a provocar fazia o oposto, deixando-a ainda mais ansiosa.
Os bicos dos seus seios ansiavam por sentir o calor da boca dele, mas ele apenas lhes tocou com a ponta da língua, enquanto com a mão percorria o interior das coxas dela. Quando sentiu que ela estava prestes a explodir de desejo, deixou que o dedo indicador a penetrasse, o corpo dela correspondeu e fez com que ele a penetrasse ainda mais fundo.
- Gostas de me sentir dentro de ti?
Ela acenou com a cabeça, porque achava que a voz não lhe sairia tal a avalanche de emoções.
-Queres mais?Acenou mais uma vez com a cabeça.
-Pede...-Mete todo dentro de mim.
-Ainda não, quero sentir esse teu líquido a escorrer, quero deixá-lo misturar com a minha saliva.
Ela sentia a boca nele na sua vagina. Com as pernas apertou a cabeça dele de encontro a si. Estremecia de cada vez que a língua dele a penetrava. Com o dedo penetrou-lhe o ânus e acelerou os movimentos.
Ela estava excitada ao máximo e ele começava a perder o controlo, de tal forma desejava penetrá-la.
-Mete, mete-te todo.
Ele deitou-se na cama e disse-lhe:
-Trepa para cima de mim e cavalga-me.
Apesar de ter os movimentos diminuidos pelas mãos presas ela sentou-se em cima do seu pénis e lentamente deixou-o entrar dentro dela. Saiu e ia recomeçar o movimento lento, quando ele a agarrou pela cintura deitou-a e possuiu-a com toda a vontade acumulada durante aquele jogo de prazer.
Ao fim de longos instantes de um sexo descontrolado, tal a paixão que os consumia, deixaram-se cair na cama saciados e satisfeitos.
Ao fim de alguns minutos ele abriu-lhe as algemas, colocando uma delas no seu pulso e mantendo outra no pulso dela.
Fechou novamente.
-Acho que nunca te vou deixar partir de dentro de mim.
Adormeceram exaustos. Afinal amanhã era um novo dia!

FIM

13 comentários:

carpe vitam! disse...

Inspirador! Amar com os sentidos todos é sem dúvida uma arte. e escrever sobre isso também. Parabéns, está deliciosamente tesudo!

Nina disse...

Lá está um texto erótico que nada tem de reprovável.
Se me permites a observação, as imagens dispensavam-se. Não te parece que é bem mais aliciante ler e imaginar?;)
beijocas

Mar disse...

Belo texto. Gostei das histórias, e obrigado pela visita. Aparece mais vezes.
http://con-vivenciasa2.blogspot.com/

Alien David Sousa disse...

*****Estrelas. Como já aqui foi mencionado, é bom ler um texto ( conto, história) que não caia na vulgaridade.É muito fácil isso acontecer quando se trata de sexo.
Gostei!;)
Parabens ao Toque e a toda a equipa.
Saudações alienígenas

Vontade de disse...

Bonito texto... sensual, quente mas ainda mais provocador.

carpe vitam! disse...

Nina, o objectivo das imagens nunca foi limitar a imaginação, nem sequer mostrar o óbvio, são apenas um complemento gráfico, uma forma de interpretação do texto. não obstante, podem funcionar independentemente uma coisa da outra, entendes?

Anónimo disse...

Carpe
potenciar os sentidos na arte de amar é- sublime
beijo
Toque

Anónimo disse...

Nina
obrigada pela presença e pelas palavras. provavelmente tens alguma razão quanto às imagens, mas quem quiser olhar quem não quiser lê, ou então faz as duas coisas
beijo
Toque

Anónimo disse...

Mar
aparece também tu por aqui, as histórias são sempre agradáveis
beijo
Toque

Anónimo disse...

Alien
porquê vulgarizar algo que pode ser tão belo?
beijo e obrigada
Toque

Anónimo disse...

Carpe
estava a pensar em algo
um destes dias, podemos editar um texto e sugerir a todos que enviem ilustrações para o mesmo? Será que dá?
beijo
Toque

carpe vitam! disse...

Claro que dá! E ao contrário também. Essas interacções agradam-me bastante!

beijo tocado ;)

Nina disse...

:) Percebi, claro!
beijocas a todos;)