sábado, 11 de abril de 2015

provocação gratuita 103

"- A mulher europeia - continuou o coronel -, está para a africana como o frango cozido em água e sal está para o churrasco. Falta-lhe a cor, o perfume, o sabor e o calor. Falta-lhe o gindunguzinho, meu caro."

José Eduardo Agualusa, Nação Crioula

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Sugestões de leitura com alguma música à mistura

Conhecemos o autor na Blogosfera e depois pessoalmente em três memoráveis concertos. Ele escreve, ele toca, ele canta, enfim, é um artista completo! Um humor e sentido crítico apurados, com toques de erotismo - é a forma que arranjamos para definir a sua obra. E já conta com 5 títulos:

Lilith

Miguel Lages é um escritor isolado numa casa de praia em plena crise criativa e a um mês da entrega do seu romance seguinte, para o qual não tem ainda, sequer, um título.
Inesperadamente recebe a visita de uma jovem de extraordinário porte e beleza que afirma chamar-se Lilith e que lhe dará a história da sua vida. Insta-o a procurar informação acerca dela e Miguel, com a sua curiosidade espicaçada, vem a descobrir as referências à primeira mulher de Adão, que se rebelou e saiu do paraíso, mas também descobre uma figura transversal a quase todas as antigas civilizações.
Incrédulo, Miguel dá-lhe uma hipótese de contar a sua história e acaba arrebatado por um misto de lendas e das realidades que estiveram na origem das mesmas. Mas se a principio tem apenas uma curiosidade académica, acaba por dar por si a respeitar e amar aquela mulher, embora tenha uma enorme dificuldade em percebê-la.
Mas ao mesmo tempo Lilith, sem que ele se dê conta, leva-o numa viagem de auto-conhecimento… 
WookFnac

Conscientização

Apesar de muitos afirmarem que as pessoas não mudam, haverá um momento em que ganhamos plena consciência de quem somos e do que nos rodeia, alterando permanentemente a nossa visão do mundo?

E se esse momento existir, seremos capazes de o reconhecer?


Fnac | Wook 





Chuva

E se alguém completamente à margem da sociedade, com desprezo pela humanidade e por si próprio por ser humano, descobrisse mensagens de eventos futuros ocultas na chuva?

Amazon (versão impressa e versão digital)
Treta de cabos, volumes 1 e 2

As aventuras e desventuras de um grupo de músicos à solta na tugalândia.
"Durante duas horas os Undercover desfilaram os sucessos mais recentes de bandas antigas e os temas mais antigos de bandas recentes num sítio que tinha uma lotação para umas quarenta pessoas mas onde estavam seguramente mais de duzentas, onde toda a gente falava de tal maneira aos gritos para se ouvirem por cima da música que era tocada que acabavam por a abafar."
Ambos os livros contêm CD com música dos XXL Blues
Wook | Fnac | Amazon (versão impressa e versão digital)

Amanhã às 15:30, haverá apresentação do livro Treta de Cabos na Livraria Lua de Marfim, Av. Conde Castro de Guimarães, 22 A, 2720-059 Amadora. Apareçam por lá!

C N Gil Blog  | Goodreads || XXL Blues Facebook

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Pele



É uma questão de pele. Que arrepia. Que um simples toque faz estremecer. Que uma mão na mão, ou um braço no outro, faz queimar. Que inebria involuntariamente.


É uma questão de pele. Ou arrepia, ou não. É uma questão de química. E de misturar fluídos com sentimentos. De queimar. De querer. De precisar.

A minha pele e a tua. A minha pele na tua. A tua pele em mim:

É pele. É paixão. É entrega. É arrepio. É nós!


Texto Rita Leston


sábado, 20 de dezembro de 2014

provocação gratuita 101

Aquele olhar de felicidade cúmplice que se troca quando assistimos ao casamento de um casal com quem partilhámos intimidades que nenhum dos convidados imagina...

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

7 anos...



Pois é, 7 anos... e isto tem andado paradito ultimamente. Talvez seja velhice, talvez seja apenas falta de vontade, a verdade é que este blog perdeu o viço que vem da energia e da vontade das pessoas que nele participam. E sem pessoas a participar, morre. Mas isso não é drama nenhum, porque os blogs (e provavelmente as pessoas) podem renascer a qualquer momento. Haja vontade. Não sei se essa vontade existe, mas este aniversário é uma oportunidade para pensar nisso. 

Aproveito também para agradecer a todas as pessoas que fizeram este sítio nascer e crescer. Morrer será apenas uma consequência natural. Tudo o que tem começo, tem fim. Mas pode sempre renascer, recomeçar. E a mim, palpita-me, ainda há muito para vir.

Até mais, e sobretudo, melhor!

quinta-feira, 24 de julho de 2014

o Pazer de Meditar

foto: Supconnect

«Quando a mente sabe, chamamos a isso conhecimento.
Quando o coração sabe, chamamos a isso amor.
E quando o ser sabe, chamamos a isso meditação.»
Osho

Para mim, meditar é encontrar Paz cá dentro, por mais tumultuoso que possa estar lá fora. Fazer pausa no mundo exterior para tocar melhor o interior. 

Do latim “meditare”, que significa “voltar para o centro”, ponderar ou cultivar. Gosto bastante desta ideia de cultivo de conceitos, muitas vezes quando sinto falta de algo, imagino-me a semeá-lo. Seja paciência, energia, criatividade, qualquer coisa de que precise. Lavro a terra fértil da minha mente e lanço a semente. Depois tento regar, adubar amiúde e colher. Isto ajuda-me a interiorizar os conceitos e a desenvolver competências.

A meditação é uma prática ancestral, existem registos milenares no Oriente (China e Índia) mas é provável que muito antes, desde que o ser humano tem consciência, que tem a capacidade de alterar o seu estado através da meditação. Hoje em dia é praticada por todo o globo, transversal a culturas e religiões.
Experimentei inicialmente a meditação através da ginástica (no final das aulas, fazíamos meditação e massagens que ajudavam bastante no relaxamento mental e muscular) e de um workshop sobre sonos e sonhos (parte deste curso consistia em adormecer utilizando uma técnica em que nos mantínhamos imóveis e percorríamos mentalmente vários pontos do corpo. Algumas pessoas que ressonavam diziam que não tinham dormido nada). Achava extremamente difícil manter o corpo imóvel, as comichões apareciam sempre nas alturas e sítios mais impróprios, as pernas não paravam quietas, não sabia o que fazer com a saliva, tudo atrapalhava as minhas tentativas de imobilidade e concentração. Com treino, fui conseguindo o relaxamento necessário, controlando a respiração, sentindo-me confortável, coisa essencial à prática meditativa.
Percebi que não é preciso sentar na posição de lótus, nem sequer é preciso sentar, nem permanecer imóvel. A imobilidade é uma ilusão, se tivermos em conta que a Terra se desloca em órbita, à estonteante velocidade média de 108 mil km/h. O que é preciso é concentração, encontrar conforto numa posição qualquer, até pode ser a caminhar ou a andar de bicicleta, ou a nadar. Uma das minhas posições preferidas é flutuar na água. Depois de umas vigorosas braçadas em que não me concentro em mais nada a não ser nos movimentos e na respiração, sabe mesmo bem virar de costas, fechar os olhos e deslizar ou ficar simplesmente a boiar na água, de olhos fechados, a sentir o sol nas pálpebras. Na piscina de água doce é mais difícil flutuar sem o sal, mas abordo a borda como se fosse sair e elevo as pernas, fazendo-as passar entre os braços, erguendo os pés e pousando as pernas até aos joelhos, fazendo um ângulo de 90º com as coxas, que fazem outro ângulo de 90º com o tronco, a flutuar na água. Eu faço um desenho:



Depois mergulhar de costas devagar e ver a luz filtrada através da água... Poder fazê-lo sem roupa, a fruir um pôr-do-sol ou numa noite quente, a olhar as estrelas, fechar os olhos e continuar a vê-las… ficar assim, uma ilha flutuante, é um regresso ao útero, com ligação direta ao sentir do universo!

“Deves meditar vinte minutos por dia. A não ser que não possas. Nesse caso, deves meditar uma hora”
provérbio zen
Não ter tempo não é desculpa, a meditação pode ser feita ao acordar ou ao adormecer, na cama, no duche, no autocarro. O que não falta são situações e sítios onde se pode fazer, basta usar um pouco de criatividade.
Existem vários tipos de meditação e estou longe de os ter experimentado todos. Também não quero estar aqui a explicar as diferenças, antes convidar quem quiser a explorar o que lhe interessar. A informação está disponível, existem grupos e organizações por todo o lado, basta querer e procurar. Para tal, deixo algumas ligações no final. Há muitos sítios e aplicações de telemóvel gratuitas onde é possível fazer meditação guiada, com música de fundo e temporizador que facilitam bastante a tarefa. A música, normalmente com sons da natureza, ajuda bastante a criar a atmosfera necessária.
Do que já experimentei, o que mais gostei foi sem dúvida de Mindfullness. Um conceito que abrange a meditação, mas que vai para além disso. Pode ser traduzido por “atenção plena”, sentir o aqui e agora focado, com todos os sentidos, processar a informação que chega do exterior e do próprio corpo, sem julgar, apenas observar e contemplar, em comunhão com a Natureza.
Com concentração e contemplação, dou por mim a apreciar e valorizar coisas nas quais não reparava por as dar como garantidas. O ar que respiro, a luz, a comida, a paisagem… tudo coisas banais que me sabem extraordinariamente bem e que eu saboreio com imenso apetite. A meditação apura os sentidos: o cheiro, o toque, o som, o paladar, a visão, tudo parece mais definido e intenso, consigo focar melhor os estímulos exteriores que interessam para o meu equilíbrio.
Os benefícios são muitos e estão amplamente estudados e documentados: baixa o ritmo cardíaco e a pressão sanguínea, reforça o sistema imunológico, diminui o stress, aumenta a concentração, a resiliência e a inteligência emocional. é indicada para todas as idades, incluindo crianças. "Se ensinássemos meditação a todas as crianças de 8 anos, eliminaríamos a violência em uma geração.", diz o Dalai Lama. Não custa tentar!
Tenho tido algumas experiências positivas de meditação para alívio da dor. Não deixa de doer, nem substitui todos os medicamentos, mas a percepção com que fico da dor é diferente. Existem estudos que demonstram que a meditação muda a forma como o cérebro processa a dor.
Gosto muito de me sentar numa cadeira de pano suspensa, cruzar as pernas e ficar naquele casulo, num suave baloiçar que parece flutuar, a ouvir os pássaros chilrear uma melodia que soa sempre bem, independentemente da quantidade de intervenientes alados, conseguem estar sempre afinados e em sintonia.
A parte mais difícil para mim é o “esvaziar da mente”. Parece-me impossível estar consciente e deixar de pensar, ou melhor, deixar de divagar pelos pensamentos. É-me impossível não pensar, por isso, foco o pensamento concentro-me na respiração, na pulsação, no sentir do corpo e quando começo a divagar (porque acabo sempre por fazê-lo) noto simplesmente que isso está a acontecer e trago-me de volta, sem stress. Por vezes consigo sentir o corpo sem peso, como se pudesse sair dele e voar por aí, desincorporar-me. E é uma sensação bastante agradável.
Estou ainda a aflorar esta forma de estar e sentir, mas não deixo de me fascinar com os resultados. A prática de meditação regular, aliada ao exercício físico, acalma-me, faz-me olhar para as minhas inquietações noutra perspetiva vista de cima, e daqui parecem mais pequenas e fáceis de resolver e controlar.
Convido-te a experimentar!