sexta-feira, 4 de Abril de 2014

diálogos (m)prováveis XXIV

- Estive a treinar as braçadas com o pull buoy e é muito mais fácil de crawl que de costas porque...
- Pool boy?!
- Sim, é aquela coisa que se põe entre as pernas e...
- Coisa?!?!?
- Oh, aquele coiso de borracha, ou espuma, ou...
- Cala-te que só te enterras...





foto: Decathlon

quinta-feira, 13 de Março de 2014

swing: escala de dionísio

Parnaso, Andrea Mantegna

"Nível 1
O Casal tem prazer em partilhar a sua sexualidade à distância. Através do telefone, e-mail ou webcam. Geralmente, a linguagem é liberal e até mesmo obscena e muito focada no acto. Podem fazer trocas de fotos através de webcam ou podem exibir-se em cenas de sexo para outro casal ou single visualizar.

Nível 2
O casal envolve-se com um single, geralmente uma mulher. Os esposos podem consentir que haja penetração envolvendo o terceiro elemento, ou não. Muitas vezes é neste nível que a mulher experimenta a sua bissexualidade.

Nível 3
O casal gosta de presenciar e ver uma cena de sexo ou ser visto. Pode já partilhar o mesmo quarto ou a mesma cama com outro casal e ambos praticarem sexo um ao lado do outro, mas sem contacto físico entre casais, podendo no entanto, só acontecer o contacto entre elas.


Nível 4
O casal interage com outro casal ou single, tendo em conta um conjunto de regras e limites preestabelecidos que pode incluir tudo, excepto penetração. Normalmente acontece a bissexualidade feminina.

Nível 5
O casal faz troca completa de parceiros, incluindo penetração ou interage integralmente com um/a single. Pode, ou não, estabelecer um conjunto de regras e limites (para além do uso do preservativo). O casal está, normalmente, sempre junto e a partilha é equitativa. Neste nível, o sexo em grupo é normalmente aceite.

Nível 6 
O casal partilha totalmente a sua sexualidade com outro casal ou single sem quaisquer limites (para além do uso do preservativo). O casal pode nem sequer estar junto, as partilhas podem não ser equitativas ou ser apenas de um deles, mas acabam a noite dormindo juntos.

Nota para reflexão: À tentação de incluir um sétimo nível, em que os elementos do casal se envolvem sexualmente com outros parceiros independentemente, mas com conhecimento do elemento não presente, optei por não o fazer, porque, em minha opinião, desvirtua o conceito do swing e leva-o para o domínio do chamado "open marriage" em que são tolerados outros relacionamentos e até um envolvimento sentimental - e neste último caso falar-se-ia de "Polyamory".
É importante que se perceba que estes níveis não são estanques o que muitos casais podem encontrar-se entre níveis, ou num, mas tendo particularidades de outro. Também estes níveis não são necessariamente estágios de evolução. Podem ser e tendencialmente são; mas há casais que se mantêm num nível que lhes agrada e não sentem necessidade de passar para outro."

Swing, Júlio Morgado

terça-feira, 25 de Fevereiro de 2014

Swingin' (in the rain) reflexões em jeito de conclusões

continuação daqui | início

Já aqui tínhamos dito anteriormente que quando começámos a escrever isto, nunca pensámos demorar-nos tanto, mas a verdade é que já passou mais de um ano desde os primeiros relatos e pensamos que está mais que na altura de divulgar algumas considerações sobre o assunto, para arrumar e concluir.

sites
O primeiro onde nos inscrevemos depois de termos ido ao primeiro clube era uma comunidade pequena, com cerca de 300 membros, mas tendo em conta que a maior parte são casais, serão cerca de meio milhar de pessoas. A esmagadora maioria dos perfis são casais em que ela é bi e ele hetero, têm entre os 20 e muitos e quarenta e poucos anos, filhos pequenos. A Yin perguntou se não tinham sequer uma curiosidadezinha para experimentar da mesma fruta, mas ninguém respondeu. Aliás, são muito pouco participativos, houve um passatempo de contos eróticos que terminou antes de nos termos inscrito e só teve três ou quatro participações. Na nossa modesta opinião, o que ganhou não era nem de longe o melhor, simplesmente teve mais votos. Depois houve outro com fotos supostamente originais em que um dos casais plagiou a foto que tinha mais votos. A Yin quase se passou com tamanha falta de carácter, mas lá conseguiu ficar quietinha, até porque o passatempo teve a sua data adiada por falta de número mínimo de participações e ainda assim terminou sem prémio atribuído. Enviámos mensagens a toda a gente a apelar à participação, mas não conseguimos nem mais uma. Conseguimos com isto ter uma ideia muito abrangente da “fauna” existente. E concluir que a variedade não é assim tanta, e apesar de haver “verificação de género”, isso não significa que não haja falsos casais e muitas fotos descaradamente roubadas. Para além disso, existem alguns perfis privados que impossibilitam qualquer tipo de contacto que não seja iniciado pelos próprios. Isto leva-nos a pensar que estão ali para caçar quem lhes agrada, não para ser caçados. Não conseguimos provar esta ideia porque nunca fomos abordados por nenhum desses perfis.
Este site não durou muito tempo até se absorvido por outro maior, com mais abrangência, mas a funcionar muito mal, com um péssimo layout.

O segundo que experimentámos é mais antigo e tem por isso mais membros, mas é muito menos user friendly e tem muito mais lixo. Ainda assim, encontramos algum pessoal a partir daqui. Ganhámos o acesso ilimitado ao site durante uns tempos devido a um passatempo de fotos, mas a verdade é que pouco uso fizemos desse acesso, que basicamente nos permitia colocar mais fotos e tinha mais uma ou outra funcionalidade que normalmente é necessário pagar para ter. De notar que os singles pagam para ter acesso a esta espécie de circo.
Há um terceiro site mais amador cujo administrador conseguimos encontrar e dar-lhe a nossa opinião sobre o que devia mudar, mas a verdade é que pouco ou nada mudou. Esteve durante algum tempo um banner de acesso aqui no blog, mas da última vez que verificámos não estava a funcionar, por isso retirámos.
O Yang continua a inscrever-nos em quase todos os sites que aparecem, a Yin normalmente não os utiliza nem se mete com ninguém, o Yang é capaz de dar as suas voltas e comenta com ela quando encontra um perfil que lhe desperta a atenção. Aí sim, se lhe interessar, é capaz de se meter. Também não somos propriamente um casal muito assediado, falamos com toda a gente que nos aborda, mas a maioria não nos desperta atenção.

clubes 
Já visitámos uns 6 ou 7 espaços diferentes e estamos em vias de visitar mais dois, temos as nossas preferências e já aqui as explicámos.
Ainda não fomos ao sítio de referência do swing português, apesar de muitos dos casais com quem falamos continuarem a preferi-lo. O facto de não nos terem respondido quando os abordámos através do site e de pedirem "jóia" para entrar não nos agradou. E preferimos o conceito de festa em casa de amigos a discoteca adaptada.

Reparámos que as idades são bastante heterogéneas. Não há menores, há uma faixa etária mais velha, o Yang diz que alguns já morreram e ninguém lhes disse nada. Também há alguns cotas enxutos. Os mais velhos demonstram maior à vontade e pragmatismo, um cio mais evidente, como se tivessem que aproveitar ao máximo porque a vida já não volta para trás. Os mais novos têm mais pudor, são mais sonsos. Não vimos ninguém a escandalizar-se com nada e já tivemos oportunidade de ver bastante.

pessoas
A maior parte não nos diz nada. Mas as pessoas com quem nos interessa conviver vão surgindo, muito raramente aparece alguém com quem nos apeteça foder, e quando aparece, nem sempre a vontade é mútua. Mas vamos fazendo parte de um núcleo onde gostamos de estar.
Há muita gente mal educada, mal formada e desonesta, que não conhece as regras básicas da comunicação nem sequer se preocupa em ser coerente com as mentiras que inventa, principalmente online. Mas com o tempo, conseguimos localizá-los à distância e assim os manter. 
Mas às tantas, já conseguimos fazer parte de um grupo de parece uma família que se apoia, confidencia e por vezes se junta para fazer coisas que passam eventalmente pelo sexo.

conclusões
Acaba por ser um modo de estar, uma religião, também tem os seus dogmas. Nós não nos identificamos com o típico praticante, gostamos de manter o nosso posto de vigia, observar os outros. Se lhes incomoda sentir-se observados, temos pena, ninguém os obriga a exporem-se, se o fazem é porque querem, há que saber arcar com as consequências.
Não conseguimos estar mais do que uma vez com o mesmo casal, não por falta de vontade da nossa parte, cremos que andamos com desejos desencontrados. Não é fácil conjugar a vontade de quatro pessoas.
Mais do que concluir alguma coisa, fazemos perguntas, umas mais concretas que outras:
- Como encontrar consensos? Como gerir as emoções?
- Até que ponto podemos ceder?
- Uma pessoa bi terá de se envolver sexualmente com todos os membros? O envolvimento de todos terá de ser cancelado se algum/ns membro(s) não se quiser(em) envolver?

É preciso muito tacto e diplomacia... E paciência! Devia haver um manual de boas práticas! bem que podíamos criar um, depois de já termos experimentado e lido tanta parvoíce sobre o assunto.

Onde estamos agora? Definitivamente, há coisas no swing com as quais não nos identificamos. O preconceito, o ciúme, a posse, as regras parvas. Mas a parte da honestidade, da cumplicidade, interessa-nos bastante. Talvez estejamos algures entre swingers e poliamorosos, sem pertencer verdadeiramente a um ou outro grupo. Não que isso seja muito importante, desde que não nos arrependamos do que não fizemos, que se vá conseguindo entendimento, está tudo bem.

Isto provavelmente está a ser extremamente maçador e já ninguém tem paciência para ler, onde é que já se viu uma história sobre swing onde se swinga tão pouco? A Yin já se perguntou várias vezes se fará sentido continuar a publicar os nossos relatos aqui. A decisão tem vindo a ser adiada, mas torna-se agora definitiva. Continuaremos a escrever sobre o assunto, mas para registo pessoal apenas. Com ou sem leitores, com ou sem feed back,vamos swingando (ou tentando), à chuva, ao vento, ao sol, ao sabor do tempo e das vontades.