segunda-feira, 2 de maio de 2011

carpe somnium [2]


Então se é assim, vou aproveitar!
Um belo banho de espuma e pétalas de rosa a ouvir sons da floresta. É, relaxam-me e eu estou mesmo a precisar, estou demasiado excitada. Claro que no meio da espuma não resisto a tocar-me e tento aliviar um pouco a minha tensão. Não consigo. Deixa cá ver… unhas vermelhas, lábios da mesma cor brilhantes mas não colantes e mamilos a condizer. Passo um lápis preto pelas pálpebras ao de leve, só para realçar a cor dos olhos. Lingerie preta transparente e umas meias da mesma cor pela coxa, muito simples. Para completar, apenas uma gabardina preta pelo joelho e uns sapatos pretos de salto razoável.
Espera, vou dar um jeito nesta celulite – belisco-me no rabo e o assunto está resolvido, que maravilha!
Deixa-me só ver o que consigo fazer contra a gravidade – tiro o soutien e as minhas mamas balançam mas não saem do sítio, fantástico! Estupendaça! Ahahahaah! Caramba, sinto-me uma feiticeira com poderes ilimitados. Usá-los assim parece batota. Mas raios, é o meu sonho, não estou a magoar ninguém, só me quero divertir, que mal tem?
Apetece-me dar uma de Leslie Gore, mas a aldrabar a letra toda e cantarolar: it's my dream and I do what I want to do, do what I want to do, doooo what I want to doooooo! you would do it too if it happened to you!
Vou a voar no bólide, tentando seguir o curso da auto-estrada para não me perder. O meu bad boy transforma-se numa carrinha Lancia Lybra azul céu e rasga confortavelmente as nuvens brancas a toda a brida. Vou a comer tangerinas, a ver se acalmo. Isso não me impede de sentir aquele calorzinho na barriga, que sobe por mim acima sempre que alguma coisa me excita a sério. Chego lá num instante, mal tendo tempo para curtir o carro e tenho lugar mesmo à porta. Pego no telemóvel e aviso:
- Cheguei.
- Então sobe. É no último piso, 69…
– Ahahahaha! Roger… - remato armada em agente secreta, a adivinhar-lhe o sorriso.
Apesar de não me lembrar de nenhum edifício tão alto em Aveiro (aquilo é tudo tão plano, se houvesse, via-se) subo ao 69º andar. Lá em cima, uma vista fabulosa sobre a ria dá-me as boas vindas. Esmerou-se. Ah, espera lá, eu é que me estou a esmerar!
Bato à porta.
- Entra. – Respiro fundo e entro em passo decidido, ansiosa por saber se reservei a mim própria mais alguma surpresa. É um espaço bastante claro e amplo, ele a ler recostado numa cama enorme, quadrada, com montes de almofadas. Zero 7 a pairar no ar como um perfume e ele, bonzaço como sempre. Tronco nu, calças de ganga, descalço. Levanta-se e vem na minha direcção. A minha pulsação acelera, tento disfarçar. Gaita, nem no meu sonho consigo controlar o meu corpo, sinto-me corar.
- Olá – diz a sorrir, a 1 metro de mim. Eu ponho o dedo em riste e disparo:
- Deixa-me só avisar, para o caso de não saberes, que não passas de uma personagem sonhada por mim.
Qualquer semelhança com a realidade não é coincidência, mas antes uma forma de eu fazer com que isto seja o mais real possível. No entanto, não te poderei imputar a responsabilidade dos teus actos enquanto estiveres no meu sonho. – Não sei o que me deu para dizer isto de uma assentada, mas parece-me ético fazê-lo. Principalmente para não me enganar a mim própria.
Chega-se a mim, agarra-me pelos ombros. Eu com os saltos e ele descalço, somos da mesma altura. Olho-o nos olhos e esboço um sorriso tímido. Estou a tremer. Olho para o chão de madeira clara, vejo os pés dele. São elegantes, reparo nos tendões desenhando sulcos sob a pele em movimento. Num impulso, dirijo-me à orelha, roçando suavemente a minha bochecha pela dele e sussurro:
- Tens uns pés giros. – Começa a rir, a encolher os ombros em curtas sacudidelas que me fazem lembrar o Mutley. Gosto mesmo do riso dele, caramba. Depois vira-se para a minha orelha e responde:
- Eu sou todo giro. – Pronto, já cá faltava a resposta do Mr. Ego. Mas para quê contestar quando é verdade? Limito-me a sorrir, é assim que me faço entender.
Tentei imaginar esta cena umas quantas vezes, lembro-me que até cheguei a sonhar com isto, mas nunca consegui esta clareza. Nunca me consegui aperceber do exacto momento em que as nossas defesas baixam a guarda. O momento em que a pele vence a distância que separa os dois corpos para dar lugar ao toque que solta o desejo: tocam-se os lábios. Não são muito polpudos, começo por beijá-los com cuidado, mas quando chego à língua… um rodopio de volúpia percorre-me o corpo todo e concentra-se na minha boca. Consigo sentir-lhe intensamente o sabor, a textura, a temperatura, a respiração, e isso deixa-me tonta, a querer enfiar-me mais dentro dele, a querer sorvê-lo para dentro de mim. Foda-se, já andava
há que tempos a esperar por isto!
- Sabes a tangerina – diz ofegante. Sorrio e não resisto a fazer aquele trajecto que há muito me apetece: percorro com a língua o pedaço de pele que vai do seu ombro à orelha e depois vou por aí abaixo, a beijar como quem morde, até ao arrepio. Absolutamente irresistível…
Abre-me a gabardinha. É fácil, é de molas.
- u-U! - Gosto do esgar que faz quando olha para o meu corpo… o soutien abre-se à frente, e as cuecas de lado. Afinal de contas, a lingerie é apenas um véu, quanto mais fácil de desviar, melhor. Mas ele ainda passeia as mãos por cima do tecido transparente por uns momentos, numa antecipação do gozo que é despir uma mulher.
Estou nua à frente dele, só com meias e sapatos. Tira-mos devagar, a percorrer as pernas de alto abaixo, a rir para os pêlos avermelhados da minha púbis.
- Cheiras a tangerina – diz a inspirar o aroma que se solta do coraçãozinho peludo.
- É, estive a comê-las e houve uma que me quis comer a mim… sabe bem tangerina com suco de menina… agora tu - e faço-me a ele, desapertando as calças. O menino dele espreita ansioso para sair das calças:
– Cheiras a… cão man – digo com os lábios encostados à glande. O sexo dele é curioso: moreno e ligeiramente curvado para cima, aparadinho, desafiante.
Agrada-me a ideia de não ter de me preocupar com doenças sexualmente transmissíveis e gravidezes indesejadas. O sexo dos sonhos é sempre 100% seguro!
Subo pelo corpo dele acima com a língua, até lhe morder o queixo, pego-lhe na mão e digo:
- Anda, quero mostrar-te uma coisa!

continua aqui para a semana

15 comentários:

Pekenina disse...

Inquieta para ler o resto... Gosto muito da forma como escreves, mas disso sabes tu.
Fica o cheiro a tangerina no entretanto :)

Beijo

carpe vitam! disse...

Oh, tu já sabes como vai ser o resto, já conheces devidamente a "peça" ;)
sim, o cheiro a tangerina misturado com imaginação é coisa para se entranhar e perdurar bastante!

RedLightSpecial disse...

Fantástico. Fico à espera de mais... :)
Beijos frutados para as gentes da casa.

carpe vitam! disse...

Gracias Luz, para a semana há mais ;)
beijos (com muita fruta) para ti também! :D

Cacarol disse...

Ahah...Sei de quem falas!Qual ficção qual quê...Lol!Porra que eu sou mesmo muito esperta...Inté,ou melhor,até ao próximo comentário*

carpe vitam! disse...

Ó caracoleta espertinha, a ficção está na história, nunca disse que as personagens não são inspiradas em pessoas que existem na realidade ;) Eventualmente uma outra parte da história poderá de facto ter acontecido, mas o que me dá gozo é misturar tudo até não se perceber onde começa uma coisa e termina a outra ;D

Cacarol disse...

Então eu sei quem foi a pessoa que te inspirou...Inté*

Cacarol disse...

Pah com quem te meteste...Hi!

carpe vitam! disse...

Não foi a única pessoa que me inspirou, mas eu já sabia que tu sabias antes de saberes que sabias ;) (é, também tenho a minha costela espertinha ;P

Petra disse...

Uii escreve lá o resto!

carpe vitam! disse...

já está escrito, publicarei para a semana ;)

pink poison disse...

Estou em mode expectation...

carpe vitam! disse...

Pink, gosto desse modo, espero superar as tuas expectativas ;)

pink poison disse...

TAMBÉM EU!!!

Cacarol disse...

Ah boa...Gaja!