segunda-feira, 28 de abril de 2008

suavemente duro...

Aborrecem-me os bares, os cafés, os chats, a conversa da treta, todos os pontos de engate banal. Já chega. Esgotei a minha paciência. Estarei a tornar-me anti-social?

Quero um homem que não se excite facilmente. Que me dê imensa luta. Quero conquistá-lo devagar e definitivamente. Será assim tão difícil? Não é qualquer um que me tira do sério, porque é que hei-de querer um que seja fácil?

E não vou procurá-lo, não vou atrás dele. Ele que me cative primeiro, sem se dar conta, depois logo verei se valerá a pena o esforço.

Porque não estou a ficar mais novo e quero assentar. Escolher um homem com quem ficar e dedicar-me a conquistá-lo todos os dias. Poder confiar nele, poder partilhar a minha vida. Quero um homem para amar.

...

Conheci-o no mestrado. Muito sóbrio e discreto, muito compenetrado. Eu costumava gostar deles mais vivaços, mas aquele era diferente e talvez por isso me intrigasse. Ia sempre acompanhado de uma bela mulher (amiga, colega, amante?) que ciúmes que ela me fazia, poder estar com ele assim tão perto... mais tarde percebi que era apenas uma colega bastante amiga, uma aliada na minha conquista.

O curso foi-se desenrolando, o meu interesse inicial foi-se transformando em admiração, em tesão. Gostava das intervenções dele, sempre muito pertinentes, com imensa paixão. Derretia-me completamente.
Eu, que costumo perceber logo se um homem demonstra algum interesse por mim, não estava a conseguir entender o que se passava com ele. Por um lado, olhava-me de uma forma intensa, não o via fazer isso com toda a gente, mas também fazia o mesmo com a amiga, o que me confundia.

Estava a ser difícil chegar a ele, nós não tínhamos tempo nenhum entre as sessões, era sempre tudo a correr. Até que chegou a oportunidade de fazer um trabalho de grupo e ele e a amiga convidaram-me para o fazer com eles. Bingo! Iria ter uma oportunidade para estar mais tempo com ele, e conhecê-lo melhor.

O primeiro trabalho de grupo correu lindamente, era fácil trabalhar com ele e a amiga também era bastante dinâmica e competente, fazíamos uma boa equipa. Como em equipa que ganha não se mexe, continuámos a fazer os trabalhos de grupo juntos. O meu encanto por ele aumentava, mal podia esperar pelo final da semana para poder estar ao pé dele. Tentava controlar o meu ímpeto, ele estava a revelar-se difícil, não entendia se o meu instinto estava certo quando me dizia para avançar, ele não parava de me enviar mensagens dúbias com o corpo, um pára e arranca difícil de interpretar.
Às vezes não era nada fácil. E isso dava-me um tesão enorme!

Depois de definirmos o tema de um trabalho, lembrei-me de um documentário que estava a passar no cinema que tinha tudo a ver e combinámos ir vê-lo. Já sabia que ele era recém-divorciado e tinha uma menina, nessa altura fiquei finalmente a saber que era completamente descomprometido! Como rejubilei! Mal podia esperar pela ida ao cinema…

Para tornar as coisas ainda mais interessantes, a nossa amiga ligou à última da hora a dizer que tinha surgido um imprevisto e tinha de ir trabalhar. Pensei imediatamente que ela estava a ajudar-me. Adoro a solidariedade feminina! Ele ainda tentou combinar para outra altura quando já estávamos à porta do cinema, mas ela insistiu para que fossemos os dois, que depois apanharia outra sessão.

Notei-lhe o nervosismo de estar só comigo, de se ir sentar ao meu lado e interpretei isso como um bom sinal. Sabia que tinha de ir devagar.

O filme começou, não estava muita gente no cinema, e a excitação de estar com ele no escurinho, lado a lado, a tocar-lhe no braço, a ter de lhe falar baixinho ao ouvido… ele estava a saborear um rebuçado e o aroma do morango soltava-se de cada vez que ele abria a boca. Estava a pedir para ser beijado. Eu já não via nada do filme, estava concentrado no perfil compenetrado dele, fixado no ecrã, que belo perfil que ele tinha, mas estava tenso. Na verdade, estava a dar-me muito mais luta do que eu alguma vez poderia imaginar. Nunca nenhum homem me tinha dado tanto trabalho a interpretar.

Até que voltou a cabeça para mim e notou que eu já estava a olhar para ele. O meu coração disparou. Tive a exacta noção de que aquele era o momento decisivo e não podia vacilar. Sabia que tinha de deixar espaço para ser ele a fazer o gesto seguinte. Ele olhou-me por uns segundos, senti-lhe a respiração acelerar, senti-lhe o desejo contido e a mão dele cravada na minha coxa com uma força incrível. Encostou a testa à minha, fechou os olhos e foi deslizando a mão até encontrar o meu sexo duro, ansioso por se libertar.

Sorri, beijei-lhe a cara, beijei-lhe os lábios, entrei na boca dele a saber a morango, com um travo disfarçado de tabaco, tentei conter o meu entusiasmo, a minha alegria, o meu tesão. Apetecia-me gritar, rir às gargalhadas, tínhamos de sair dali imediatamente…
continuação aqui


Madonna, Human Nature

terça-feira, 22 de abril de 2008

a-A-AAAAATCHIIIIIIIIIIIM!!!!!

Peço desculpa pelo duche, bas dão consigo evitar um disparo a 160 kb/h. Ainda dão foi desta que os biolos be saíram pelo dariz, bas já estive bais longe disso.
É a 1463ª vez que o faço desde antes de ontem, pulverizo tudo à binha volta com o beu vírus bortífero. Bem, dão é assim tão bortífero, bas que dá cabo de uba pessoa, lá isso dá.
Cobeça por ser uba impressão da garganta, depois um espirro e depois outro, e outro. Depois dói, sinto a garganta seca, arranhada, inchada, irritada, zangada cobigo. É que dão consigo respirar pelo dariz, e quando o faço pela boca, acontece sempre isto. Depois terbida tudo com uns belos ataques de tosse até ficar com uns abdobidais fatásticos.
Sou uba fábrica de ranho eficientíssiba. Pribeiro é líquido e escorre-be pelo dariz sem que o consiga conter. E o beu dariz chora, já sabe o que o espera. Depois tenho de arrancar o ranho à força de buita fungadela que deixa o beu dariz pronto para ser cobido com batatinhas, de tão assado que fica. Esgotei o stock de lenços que tinha em casa e do trabalho e depois passei para as abostras de pacotes de lenços, guardadapos e rolo de cozinha.

Em contrapartida, a binha voz está irreconhecível. Diria até que sexy de tão rouca, tipo voz de caba. Mas é claro que a troca dos edes (NN) pelos dês e dos ebes (MM) pelos bês deduncia o beu estado e estraga o encanto todo.

Ontem à doite, equanto tentava dorbir sem êxito do beio dos beus delírios absurdos, pus-be a pensar que isto das constipações tem um efeito parecido com o das paixões. Vêm de bansinho, batem forte e dão passam depressa. A paixão apura os sentidos, bas a constipação cabufla-os. Dão sinto cheiro, dão consigo saborear o que cobo, os olhos lacribejantes impedem-be de ver cobo deve ser e os espirros dão be deixam ouvir. O údico sentido que se batém bais ou bedos intacto é o tacto, só para be garantir que todo o corpo be dói.
E quando penso em sexo deste estado, acontece uba coisa estranhíssiba que é a binha cabeça querer e o beu corpo dorido dizer que dão. Duba qualquer outra situação, seria ao contrário ou os dois de acordo. Que raio de tortura. Felizbente a constipação costuba ser um pouco bais breve que a paixão!

Bas isto faz-be dar bais valor à importância de respirar. Dunca be lembraria disso se dão tivesse sentido falta de ar. Desta vez, dem o beu abigo Vicks be ajudou buito. Respirar é besbo daquelas coisas que dão se pode passar sem, dão há volta a dar. Bas é sempre assim, dós dunca dabos o devido valor às coisas que tebos cobo certas, pois dão?


actualização das 18:25
Ah! Já me esquecia: Esta é daquelas músicas que fazem arrepiar. Hoje é só os cabelos na nuca, deve ser da constip, não oiço bem. Deixo
aqui a letra que é divinal

sábado, 19 de abril de 2008




Impossível? Pois, calculei que fosses dizer isso, mas acredita que não é. E é muito mais comum do que pensas.
Deixa-me apresentar-ta:

Ela é normalíssima. Relativamente jovem, saudável, inteligente. É sensual, o tipo de mulher que se quiser, não deixa ninguém indiferente. Não é má amante, é imaginativa e não tem problemas em satisfazer os seus parceiros. Mas nunca teve um orgasmo.

Também não era coisa que a preocupasse muito. Aliás, ela nem sequer ligava muito ao sexo, passando por alguns períodos de absoluto celibato. Não era por isso que a sua vida era triste. Era bastante preenchida, e talvez por isso não desse grande importância ao facto.
Não se achava anormal, mas às vezes tinha alguma curiosidade em saber como seria…

Tinha tido alguns encontros sexuais com diferentes homens. Tinha prazer, bastante prazer com eles, principalmente quando estava apaixonada. Tem neste momento uma relação com um homem que ama, apesar de não estar apaixonada. É uma relação bastante estável. Aparentemente, tudo está bem.

Ela não finge orgasmos, nem finge o prazer que sente durante o sexo, mas ainda não falou com o companheiro sobre esta sua dificuldade. No fundo, não lhe quer dar muita importância, não deixa de ser feliz por causa disso. Acha que poderá acontecer quando menos esperar. E espera. E espera… até que se farta.

Ela quer mais, quer melhor. Ela compra livros. Ela pesquisa. Ela experimenta.
Nada parece resultar, mas quebra uma rotina na vida sexual que dá prazer aos dois. Tenta falar com o companheiro, mas não consegue, não quer que ele sinta uma culpa que não tem, não quer que ele se sinta obrigado a esforçar-se mais. Por que acha que ele é excelente, faz tudo o que ela pede e mais ainda.

No meio das suas navegações internéticas, encontra relatos pormenorizados de mulheres que têm magníficos, frequentíssimos, fortíssimos e prolongados orgasmos. As histórias excitam-na por um lado, mas por outro fazem-na questionar-se sobre se aquilo é realmente possível, se não será apenas uma realidade hiperbólica gerada por imaginações férteis com pequenas pitadas de realidade.
Decide por isso entrar em contacto com uma dessas mulheres, depois de lhe devorar o blog.

Como é que eu sei estas coisas? Simples, sou a mulher do blog.

Recebi um mail dela. O título suscitou-me logo a atenção: “a mulher que nunca teve um orgasmo”. Em poucas linhas, de forma sucinta, ela levanta as questões que a atormentam, sem se revelar demasiado. É claro que fiquei cheia de curiosidade, e pensei que seria interessante conhecê-la melhor.
Como morávamos longe, bastante longe mesmo, continuámos a trocar mails e a conversar através da net. Fizemos algumas videoconferências. Ainda não nos conhecemos pessoalmente.

Reproduzo aqui alguns excertos de mails que trocámos.

Ela: É verdade que nunca me preocupei muito com “ela”. De vez em quando dizia-lhe Olá, mas nunca olhando muito “lá para baixo”.

Eu: Tens de seduzir, tens de namorar, tens de saber amar a tua vagina. Olha para ela. Vê-a ao espelho, tira fotos, desenha-a, faz o que tiveres de fazer para a observar, para a conhecer melhor. Fala com ela. Depois sente-a. Sente os pêlos que guardam a entrada. Sente a maciez, a humidade exterior. Entra lá dentro, sente a textura. Sente o cheiro, saboreia-a.

Ela: Eu tenho imenso prazer, às vezes pergunto-me se o clímax que sinto é o orgasmo. Ou serei insaciável? Como é que eu vou saber se tive uma coisa que nunca senti?
Às vezes penso que essa coisa do orgasmo feminino é um mito.
Como é que eu sei o que é um orgasmo? Como é que o identifico?

Eu: Não sei. É diferente de mulher para mulher. Mas acredita, quando o sentires, não vais ter dúvidas.
É tudo uma questão de controlo, ou melhor, de perda de controlo, do deixar ir.

Ela: Gosto muito mais de experimentar o sexo com o meu homem, sozinha não me dá tanto gozo. Acho que a coisa funciona muito melhor quando existe amor.
Eu: Tens de ser tu a descobrir-te. Não estejas à espera que seja um homem a fazê-lo. Se tu não souberes o que te dá prazer, ele mas dificilmente o saberá.

O orgasmo é uma manifestação de amor-próprio, bastante individualista, mesmo quando experimentado em simultâneo. Não entendo por que algumas pessoas deliram com orgasmos simultâneos, eu acho um desperdício. Gosto de sentir plenamente quando alguém se vem. Quando me venho ao mesmo tempo que a outra pessoa, quase não dou por isso.

Ela: Toco-me com os dedos. Sabe bem. Olho-me ao espelho, gosto do meu corpo, excito-me. Mas não consigo libertar a pressão. Gozo, sinto uma enorme excitação, mas se insistir, se intensificar, acabo por secar, por me magoar.

Eu: Conhece o teu corpo. Há muito boa gente que acha que a uretra e a vagina são o mesmo canal. Pelo menos quando se usa tampões percebe-se logo que isso não é assim! Estás a ver, a anatomia feminina foi muito bem pensada!

Estás a ver o teu clítoris? Esse botão onde começam os pequenos lábios é apenas a pontinha. Toca na parte de cima, onde os grandes lábios se encontram. Pressiona. Consegues senti-lo? É um tecido sensível, cheio de nervos, tem o dobro das terminações nervosas do pénis, enterra-se no interior do corpo e vibra todo, irradiando essa sensação pelo corpo no momento do orgasmo.

Exercita o teu sexo. Fazes ideia dos músculos poderosos que tens? Ginástica genital, tens de experimentar. É uma arte oriental milenar. É tão fácil! Excelente para prevenir incontinência urinária, sabias? Estás a ver os músculos que usas para controlar a urina? Experimenta da próxima vez que fores à casa de banho contraí-los. Quando os conseguires dominar… quando tiveres consciência do poder que tens entre as pernas… the world is your oyster.

continua aqui


Alguns links interessantes:
Neonantra estatísticas
Estatísticas chinesas
Política do orgasmo
Mistérios da sexualidade feminina
Ponto G
Pompoar
Pompoarismo
- manual em pdf

Estudo a decorrer sobre sexualidade feminina em Portugal
Livro Fantasias eróticas: Segredos das mulheres portuguesas,
de Isabel Freire

terça-feira, 15 de abril de 2008

Sexo Seguro Sempre (versão indiana)

Em tempos aqui no nosso cantinho falamos sobre sexo seguro sempre

há dias estava eu a passear pelos blogues que tenho nos meus favoritos quando me deparei com algo original, na Índia também se realizam campanhas sobre sexo seguro, aqui fica o vídeo da campanha.



Encontrei o vídeo neste Blogue

É um pouco grande, mas vale a pena ver até ao fim.

domingo, 13 de abril de 2008

o escritor

Está o escritor a rabiscar o seu bloco de notas, a desenhar a sua história letra a letra, construindo as personagens, tecendo o enredo, quando de repente a sua mão deixa de lhe obedecer, e começa a escrever sozinha. O escritor, estupefacto, lê depois de escrever:
- Desculpa lá, mas quem é que tu pensas que és, Deus? Nem penses que eu vou fazer isso. Ao menos Deus ainda dá o livre arbítrio, agora tu… não passas de um ditadorzeco que não ouve o seu povo!
Ele olha, boquiaberto, para o que a sua mão acaba de escrever e pensa que não devia ter dormido tão pouco. Começa a riscar o que a sua mão escreveu, mas ela toma de novo o controlo:
- Olha, eu acho que estás a fazer tudo mal, tens de ouvir as personagens. Não sabes a trabalhadeira que é apoderar-me da tua mão para te poder dizer isto. Só porque não escutas. Tens uma data de personagens a gritar e não as consegues ouvir.
Ele agora está perplexo, a olhar para o que escreveu, sem se atrever a voltar a aproximar a mão do papel. Passado um bocado, tenta recompor-se, concentra-se e começa a ouvir uma multidão dentro da sua cabeça, todos a falar ao mesmo tempo.
- Calem-se! Assim não consigo pensar! – Grita ele.
- Ah! Ele ouve! – Responde um coro de vozes desorganizadas.
- Já que estamos todos aqui dentro, exigimos que os nossos direitos sejam respeitados, e um deles é sermos ouvidos!
- Queremos tomar o comando dos nossos destinos!
- E deste modo, ajudamos-te a deixar de ser um escritor da treta!
- Tens de cozinhar melhor as ideias e saborear as palavras, depois se te souber bem, podes partilhar, que é a melhor forma de multiplicar prazeres. Nem toda a gente vai gostar, porque é mesmo assim, nem toda a gente aprecia a mesma comida. Mas o que importa é que seja feita com amor. Apura os teus sentidos, dá-nos liberdade!

O escritor decide passar a ouvir as suas personagens e deixa de ter tantas insónias. Há quem diga que passou a escrever melhor. Há quem diga que é louco.

domingo, 6 de abril de 2008

feminilidade


Eve Ensler, reclaiming cunt
 
excerto de um vídeo da HBO sobre Os Monólogos da Vagina
«I call it cunt. I’ve reclaimed it, “cunt.” I really like it. “Cunt.” Listen to it: “Cunt.” C C, Ca Ca. Cavern, cackle, clit, cute, come—closed c—closed inside, inside ca—then u—then cu—then curvy, inviting shark skin u—uniform, under, up, urge, ugh, ugh, u—then n then cun—snug letters fitting perfectly together—n—nest, now, nexus, nice, nice, always depth, always round in uppercase, cun, cun—n a jagged wicked electrical pulse—n then soft n—warm n—cun, cun, then t—then sharp certain tangy t—texture, take, tent, tight, tantalizing, tensing, taste, tendrils, time, tactile, tell me, tell me “Cunt! cunt!” say it, tell me “Cuuunt.”“Cuuuuuunt.”»

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Inquietações do Corpo e da Alma- 4ª Parte

continuação daqui
Acordo com o telemóvel a tocar. Não quero abrir os olhos, dói-me demasiado a cabeça! Com muito custo estendo a mão para a mesinha de cabeceira mas não reconheço o espaço em que me encontro. Num flash de memória, acordo abruptamente para a realidade. Estou numa cama qualquer acompanhada pelo striper do qual não sei sequer o verdadeiro nome.

O telemóvel continua a chamar. É o Carlos, tenho que atender! A voz doce do outro lado da linha faz-me sentir a maior cabra do mundo!

Estou atordoada… se não estivesse neste quarto julgaria que tudo não tinha passado de um sonho. Ou pesadelo!

Deixei-me levar pelo desejo, pela ilusão do que aquele corpo prometia. Afinal era muito rastilho e pouca pólvora! A sedução terminou no palco. Depois disso tornou-se mecânico, desprovido de qualquer erotismo. Limitou-se a abrir-me as pernas e possuir-me selvaticamente sem sequer se importar se me dava ou não prazer.

Sinto-me frustrada, com um (falso?) sentimento de culpa. Se esta aventura se assemelhasse ao que tinha idealizado talvez não me incomodasse tanto ter traído o Carlos.

Saio da cama calmamente para não acordar o meu parceiro. Pego as minhas roupas que se encontram espalhadas pelo chão e visto-as. Quero sair daqui sem que ele dê por nada. Quero mergulhar no anonimato das ruas e fingir que esta noite nunca existiu!
continuação aqui

provocação gratuita 10

"Para curar um amor Platónico, nada melhor do que uma queca Homérica."

autor desconhecido

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Olhar... (4)

Continuação daqui
(…)
E agora?
Agora aguento-me à bronca! Por que é que decidi quebrar as minhas próprias regras! Tu aqui em minha casa… ainda vamos no nosso primeiro encontro…
Chegamos a casa, pouco mais de cinco minutos a pé. Soube-me bem o “passeio”, ajudou-me a pôr as ideias no lugar, a perceber o que é que podia acontecer naquela noite; tu acompanhavas-me ao meu lado, passo firme, decidido, até no teu andar sabias o que querias.
Entramos, as desculpas do costume pela não arrumação da casa, não te importaste, comentaste que em tua casa era a mesma coisa, é o que dá viver sem mais ninguém.
Levei-te para a sala, não era muito grande mas era espaçosa, não tenho muita decoração, o essencial para uma pessoa que vive só, e tem poucas visitas sociais. Sentaste-te no sofá, eu segui-te, estávamos agora pela primeira vez juntos, sozinhos, tu olhaste para mim, sempre com o teu olhar, profundo, penetrante, doce, meigo, eu olhei para ti, mas o meu coração batia a uma velocidade louca, a minha excitação era enorme, estávamos ali os dois tão próximos o desejo que brotava de mim era enorme, embora tentasse controlar, disfarçar, não queria que ficasses a pensar que…
Voltaste a beijar-me, da mesma forma intensa ternurenta, mas senti no teu beijo o teu desejo, sinto as tuas mãos percorrerem o meu corpo, dessa mesma forma, as minhas mãos tocaram no teu corpo, tocaram pela primeira vez, é intenso, sentir o teu corpo, a tua excitação sinto-a nas minhas mãos, sinto o teu coração a bater, tão acelerado como o meu, afinal não sou só eu que sinto este nervoso, esta excitação.
Finalmente os nossos corpos tocam-se, ainda que por cima da roupa, sinto o teu corpo junto do meu, continuamo-nos a beijar continuo a sentir as tuas mãos a percorrerem o meu corpo; percorrem-no como se quisessem o saborear, o meu corpo deixa-se ser saboreado…
Também eu saboreio o teu corpo, as tuas linhas, as minhas mãos sentem-te, tens um corpo magnífico para as minhas mãos.
Acalmamo-nos, as tuas mãos libertam o meu corpo, perguntas-me se tenho algo que se beba, claro que tenho, o que queres, pergunto eu. Tu pedes um simples copo de água, realmente a minha boca também está um pouco seca, a excitação seca-nos um pouco a boca.
Levanto-me, vou-te buscar o líquido pedido, aproveitando também para beber um pouco desse mesmo líquido.
Volto estás no mesmo sítio, olho para ti de lado, vejo-te de perfil, com o reflexo do candeeiro aceso, a luz é fraca, mas dá um brilho magnífico, voltas-te e olhas para mim, o teu olhar, esse olhar por que me perdi, essa olhar que me leva à loucura, que deixa o meu desejo louco.
Quero beijar-te, mas dou-te a água a beber, bebes com prazer. Pousas o copo, pegas na minha mão, sento-me junto de ti, voltamo-nos a beijar, desta vez, vais mais longe com as mãos, começas a despir-me.
Gaita! Nunca fui de sexo no primeiro encontro! Mas sinto-me capaz de o fazer, sinto confiança em ti, sei que nos podemos entregar.
Também eu começo a tirar a roupa, gosto de despir com calma, peça por peça, tirar prazer desse momento, beijar o corpo que se vai despindo.

Vejo que tu também o gostas de fazer…
Finamente ambos estamos nus frente a frente, o teu corpo é magnífico, muito melhor do que aquilo que imaginei.
(…)
continua aqui