quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Olhar... (5)

continuação... daqui
Não sei como fui deixar as coisas chegar a este ponto. Pouco me importa. Aqui e agora, quero-te. Não vou pensar no amanhã... vou-me antes centrar nos teus olhos. Sinto-te percorrer o meu corpo com o olhar. Em silêncio, passeias os teus olhos pelas minhas pernas. Sinto-me enrubescer... ao mesmo tempo a ideia excita-me. Em jeito de desafio, cravo o meu olhar no teu. Percebo alguma surpresa da tua parte... óptimo. "Olha-me", peço-te. "Quero que conheças cada milímetro de mim". A voz sai-me rouca, excitada. Sorris em jeito de compreensão daquele jogo só nosso. Deito-me para trás, encosto-me de forma relaxada no braço do sofá. Sinto os teus dedos na ponta dos meus pés. As tuas mãos avançam com firmeza pelas minhas pernas. Num gesto involuntário, abro-as. Exponho-me perante ti. O desejo é visível nos teus olhos. Ajoelhas-te no chão. Beijas-me o pescoço enquanto me ajudas a deitar no sofá, contigo entre as minhas pernas. Lambes-me o interior das coxas. Uma mistura de cócegas e prazer deliciosa. O corpo começa a exigir mais, num acto irreflectido aproximo o meu sexo da tua boca. Ouço-te rir, como se gostasses de me ver assim vulnerável.
Sinto a tua língua no meu corpo. Só agora percebo o quão quente estava o meu sexo. Sabe bem... A tua língua desenha círculos em mim... chupas-me... lambes-me. Coloco as minhas mãos nos teus ombros para te mostrar qual o ritmo que quero. Obedeces na perfeição... Sinto as pernas enfraquecer, espasmos percorrem-me o corpo. Venho-me. Na tua boca, sem pedir licença. Levantas-te e inclinas-te sobre mim. Beijas-me. Sinto o meu sabor na tua boca e apodera-se de mim uma enorme vontade de ti. Murmuras qualquer coisa que não consigo perceber, olhas-me e a tua boca volta a invadir a minha. Os nossos corpos finalmente encaixam. Sinto-me desfalecer. A dança dos corpos começa lenta... Gosto de te olhar enquanto me dás prazer. Ver o teu rosto, conhecer a forma como reages ao prazer. Não resisto e gemo. Gemo muito e alto... Abraças-me de forma intensa à medida que o ritmo de torna mais frenético. Percebo que esperas por mim, queres vir-te ao mesmo tempo que eu. Relaxo, deixo-te ter as rédeas e espero pelo momento em que uma descarga eléctrica me invade o corpo. Sorris. Sorris com os lábios... Sorris com os olhos. Mordo-te suavemente o ombro. Há coisas que têm de acontecer. Nós somos uma delas.


FIM

continuação do conto do Imperator por Vontade de


7 comentários:

Engonha McQueen disse...

Bem, eu vou é parar de comer chocolate e vir mais vezes aqui. É o que vou fazer...
;)

carpe vitam! disse...

Podes sempre vir aqui a comer chocolate, venhas como vieres, serás sempre bem-vinda! ;)

Jaime Piedade Valente disse...

"Há coisas que têm de acontecer. Nós somos uma delas" O velho Platão dizia que no amor os amantes se tentam tornar um, mas por muito intenso que seja o sentimento e o sexo o "nós" nunca é "uma", mas sempre duas. E assim é que é bom.

carpe vitam! disse...

é, já vi que "eros" não tem papas na língua, não deixa é fazer comentários...

Flor disse...

Adorei o texto.
beijos

Vontade de disse...

Jaime, são duas pessoas mas acredito que, com a prática, a intimidade seja tanta que pareçam um só.

Obrigada.

O Rapaz! disse...

Adoro sorrir numa altura dessas. Não sei porquê toda a gente pergunta-me se passa alguma coisa.
Penetrar um homem pela frente e ver a sua cara de prazer é uma razão muito boa para sorrir.