sábado, 12 de junho de 2010

Magda IX

início | continuação daqui
texto e foto do Redondo por Bernardo Lupi

fotografia por Imperator

Cerca de dois meses depois de ter sido capturada, Magda vivia sonho de amor que a grande maioria das pessoas teria considerado perfeito, tanto pela intensa reciprocidade dos sentimentos, quanto pelo lado puramente sexual.



Quase diariamente, Henrique homenageava-a com bombons de chocolate suíço ou belga, vinhos requintados e jantares deliciosos confeccionados por ele próprio.

E, como ainda não queria que ela saísse de casa, alugava os filmes que ela mais gostava e viam-nos ao princípio da noite. Sentados num sofá, as pernas de Magda em cima das dele, de modo que, durante o tempo todo ele lhe acariciava as coxas, os joelhos, as canelas e, em particular, os pés acorrentados da sua linda mulher.

Por vezes, quando Henrique estava no escritório lembrava-se de telefonar e perguntava-lhe se necessitava de algo. A resposta era sempre a mesma:

- Preciso que o Senhor volte o mais rápido possível, para me dar carinho e prazer.

Um dia, durante a hora de almoço, Henrique entrou numa florista, escolheu a mais bela orquídea que viu e perguntou se a entrega podia ser efectuada por uma mulher. Tendo obtido uma resposta afirmativa, deu à gerente a sua morada e escreveu num bilhete estas simples palavras:

"A mais bela flor para a mais bela das escravas. O teu Senhor"

No mesmo instante, ligou para Magda avisando-a para abrir a porta e receber uma certa encomenda.

Algum tempo depois, uma rapariga da florista desceu de uma scooter, tocou na campainha do portão da propriedade e foi-lhe aberto o portão. Quando Magda assomou à porta, a rapariga viu a coleira e as correntes. Ficou mais vermelha que uma papoila. Balbuciou alguma coisa incompreensível, enquanto Magda admirava a orquídea e saiu a toda velocidade a bordo da sua motocicleta.

Naturalmente ficou bastante satisfeita pelo presente inesperado.

Este costume de enviar flores pelo menos duas vezes por semana tornou-se um ritual constante, tanto é que várias floristas das redondezas já sabiam quem era a Magda e, após o primeiro impacto perturbador com o lado material da dominação, acabaram por se acostumar com a visão das correntes e da coleira. Maluquices de gente rica, pensavam algumas delas.

Provavelmente, várias delas até teriam desistido de sua condição de liberdade para se tornarem escravas de amor.

Tal pensamento era reforçado pela expressão com que Magda as recebia. Os seus olhos emanavam uma luz especial que, para qualquer mulher, tinha um significado inequívoco. Uma intensa paixão completamente retribuída.

No dia de aniversário de Magda, a encomenda não continha apenas uma rosa vermelha, mas também um anel de ouro com um rubi de rara pureza que pesava mais que um quilate.

Apesar de tudo correr lindamente, Henrique, que não era um homem insensível, notou que a Magda necessitaria, de vez em quando, da presença de outras pessoas e, portanto, perguntou se Magda estaria a sentir saudades de alguém em particular. Ela respondeu que fazia bastante tempo que não tinha notícias da tia Alice, uma solteirona de quase sessenta anos de idade que sempre tinha cuidado dela como uma filha. Principalmente a partir do momento em que o seu pai, viúvo, a deixou para ir trabalhar em Espanha e nunca mais dera notícias. Henrique, não apenas consentiu, como se prontificou para ir buscar a sua tia ao Redondo, vila alentejana, onde Magda crescera.

Todavia, surgiu imediatamente uma dificuldade. Era evidente que Magda não podia recebe-la acorrentada e vestindo apenas um avental. Por outro lado, ela não tinha a menor intenção de ser solta durante a estadia da sua tia.

Quanto a Henrique, era desejo dele que, durante a visita, ela carregasse alguma peça que lhe lembrasse a sua real condição de submissa. Estudaram juntos o problema e foi concordado que Magda iria vestir uma camisola bastante comprida e que tanto a coleira como as algemas teriam de ser removidas. Em compensação, ela manteria o cinturão de couro, invisível debaixo da camisola. Aperfeiçoando o sistema já experimentado durante as visitas dos amigos no jardim de casa, uma corda de seda, amarrada na argola dianteira do cinturão iria passar entre os lábios vaginais, prosseguindo pelo rego das nádegas até a argola posterior e segurando, dessa forma, dois dildos: um na vagina e o outro no ânus, ambos providos de uma pequena argola pela qual a corda passaria.

E as correntes nos pés?

Representavam o símbolo mais importante da escravidão de Magda. Por seu lado Henrique estava quase disposto a abrir mão dessa peça, pelo menos durante as horas da visita. Mas foi a insistência de Magda que o convenceu que não ia ser necessário:

- Peço apenas que o Senhor confie em mim.

- Estou confiante em ti - replicou ele - mas lembra-te que é a minha reputação que está em jogo.

No dia marcado para a visita, a tia Alice chegou no carro conduzido pelo Henrique.

A senhora foi acompanhada até uma repartição da sala principal onde a sobrinha a aguardava e grande foi a emoção do reencontro após tantos meses de separação. A dona Alice deu um abraço longo e apertado à bela sobrinha e sentou-se numa das duas poltronas separadas por uma mesinha baixa. Magda sentou-se na outra defronte da tia.

Como a tia tinha olhado só para o rosto da sobrinha, ainda não tinha visto as correntes e Magda, furtivamente, enfiou os pés descalços debaixo da mesinha. A sorte era que a senhora de meia idade era bastante míope e usava óculos de lentes muito grossas.

Para deixar as duas mais à vontade, Henrique sentou-se noutra parte da sala, com um livro nas mãos.

A conversa que se seguiu foi bastante banal.

Curiosamente, porém, a jovem não ficava quieta na sua poltrona por mais de trinta segundos. Passava continuamente a mão entre os cabelos, suspirava, respirava profundamente, fechava os olhos, coçava-se, mexia os quadris com tanta insistência que até a tia, que via com dificuldade, mas que não era cega, perguntou:

- Ó filha, estás com bichos carpinteiros no corpo?

Henrique fez um esforço tão intenso para segurar uma sonora gargalhada que quase sufocava.

Magda cujos dois consolos estavam a excitá-la sem precedentes e, não podendo alcançar o orgasmo diante da tia, levantou-se alegando que ia à cozinha preparar para todos um sumo de fruta.

Enquanto a máquina de sumos rodava a toda a velocidade, aproveitando-se do barulho ensurdecedor, Magda teve um orgasmo tão intenso que, inadvertidamente, soltou um grito abafado. A tia Alice perguntou preocupada:

- Magoaste-te, Magda?

- Não, tia, é que experimentei o sumo e estava bastante azedo.

Henrique, que ouvia tudo, mais uma vez quase sufocou pelo esforço de segurar o riso.

Magda não demorou a voltar da cozinha com uma bandeja onde tinha posto um jarro, três copos, açúcar e guardanapos e o apoiou sobre a mesa de apoio.

Dessa vez, porém, a tia viu os grilhões nos tornozelos da sobrinha e de imediato perguntou:

- Minha filha, o que é isso?

Obviamente não podia responder que se tratava de um novo tipo de adereço moderno pois a tia, mesmo com sua índole benévola e mansa, não era parva e merecia ser tratada com respeito e consideração. Henrique começou a sentir suores frios no corpo.

- Tia, são correntes, respondeu seriamente a jovem.

- E quem foi que prendeu os teus pés, replicou a tia lançando um olhar inquisitivo em direção de Henrique.

- Eu mesma, tia, disse Marta com simplicidade.

- Tu mesma fizeste isso... e por quê?

- Sabe, tia, a senhora talvez nem se lembre que eu tinha um namorado, uns anos atrás, um rapaz que de quem eu gostava muito…

- É mesmo? Eu não me lembro desse rapaz. Era lá do Redondo?

- A senhora não se lembra porque isso foi na época em que a senhora passava a maior parte do tempo em Vila Viçosa, na companhia do Dr. Mendes. Bem, esse rapaz que lhe falei, depois de se ter comprometido comigo, deixou-me de um dia para o outro e eu sofri bastante, sabia?

- Oh filha, avalio todo o teu sofrimento. Mas o que isso tem a ver com as correntes?

- A senhora não se terá se esquecido da igreja da nossa vila, pois não?

- Claro que não, tu sabes da minha devoção e sempre te levei lá desde nova para aprenderes os ensinamentos católicos.

- Pois é. Um dia em que estava muito abatida e desanimada, entrei naquela igreja, ajoelhei-me diante da imagem de Cristo e pedi que ele me ajudasse a encontrar um homem que me respeitasse. Não um idiota como aquele que me fez tanto mal, mas um senhor maduro, sensível, carinhoso e, principalmente, leal. E, para reforçar ainda mais o meu pedido, quis também fazer um voto. A senhora deve ter na mente o quadro, perto da pia baptismal, representando uma santa que está sendo levada ao martírio…

- Ah, sim, aquela jovem romana com as correntes nos pés…

- Isso mesmo! Muito sugestionada pelo quadro, fiz a promessa solene que, caso a minha súplica fosse atendida, ficaria, pelo menos dentro de casa, acorrentada por dois anos consecutivos. Por isso, quando a senhora chegou, não me atrevi a tirar as correntes, por temor de quebrar um voto, de menosprezar, por pura vaidade, uma promessa tão importante.

- E fizeste bem, uma promessa é um comprometimento sério, respondeu a tia com a voz embargada pela comoção. Mas me diz-me uma coisa... esse teu novo namorado, que parece ser uma pessoa tão séria e aprumada, não se incomoda com essas correntes?

- Bem, sinceramente… no começo ele reclamou um pouco, mas depois teve que aceitar e respeitar o meu lado religioso.

- Esse senhor foi muito compreensivo contigo, um verdadeiro cavalheiro.

E, de repente, levantou-se e foi cumprimentar Henrique com tanta sinceridade e espontaneidade que ele, que quase explodia tamanha a vontade de rir, ficou sério e pensativo, tendo até um pouco de remorsos por ter cooperado a enganar uma senhora que demonstrava aquela inocência e bondade.

Enfim, depois do sumo e de muitas outras conversas mais ou menos interessantes, a tia Alice foi levada de volta à sua residência no Alentejo. Apesar da insistência da sobrinha e do próprio Henrique, não quis ficar para dormir.

Henrique acabou por voltar a Sintra já depois da meia-noite. Mais tarde, na cama, relembrando os acontecimentos do dia, ele louvou a criatividade da sua parceira e, enquanto a beijava com renovado ardor, sussurrou nos seus ouvidos:

- Tu és mais inteligente e bonita que a famosa Sherazade!

E o amor que veio depois foi tão intenso e prazeroso que teria sido realmente digno de fazer parte dos contos mais eróticos do livro Mil e uma Noites.

continua...

10 comentários:

Waldorfa disse...

Teve que ser bem imaginativa a Magda, que desculpa tão colorida, lol

Kruzes Kanhoto disse...

E viveram felizes para sempre num qualquer manicómio...

goti disse...

Para além de ser míope.....agora fiquei confusa.....este capítulo não é o fim , pois não???!!

Beijo doce

Vontade de disse...

Isto anda a ficar romanceado... gosto. :)

carpe vitam! disse...

goti, lapso nosso, faltava a palavrinha "continua" no final do texto :)

Anónimo disse...

Já Cá venho à algum tempo e tenho de te contar uma novidade em primeira mão, depois de descobrir este blog, consegui finalmente realizar um dos meus maiores desejo sexuais, ter sexo com outra mulher e um homem a assistir, foi fantástico!!!!... quero repetir e vou continuar a passar por cá para ganhar algumas ideias, excelente blog continua... sei que não falei sobre o ultimo post, perdoem-me para a próxima.
Abraços excitantes :)

Fã anónima :)

carpe vitam! disse...

Como sabe bem realizar desejos! ainda para mais quando tudo corre bem! E é muito bom também saber que as pessoas que nos lêem têm coisas para dizer. Que tal escrever sobre essa fantástica aventura? Talvez até a pudéssemos publicar por aqui, o que achas? Seja como for, fico contente por saber da novidade :D

Anónimo disse...

Terei imenso prazer em descrever cada momento desde que o anonimato seja a palavra de ordem!!
Em breve envio-te o mail.
Abraço excitante e um beijo molhado.

Fã Anónima!!

carpe vitam! disse...

Cara "Fã Anónima", nós respeitamos sempre a privacidade e a vontade das pessoas, nunca publicamos nada sobre terceiros sem o seu consentimento, podes ficar descansada. Mas antes disso, o mais importante parece-me ser esse prazer que terás ao reviver através da escrita o que se passou.

"Sem o momento, não existiriam nem a antecipação nem a lembrança, mas como os dois são melhores que o momento!"
João Ubaldo Ribeiro, A Casa dos Budas Ditosos

Tens o nosso mail (provocados@gmail.com) à disposição para futuros contactos.

beijo provocante!

Alien David Sousa disse...

Até aqui, ADOREI. Apesar de não ser fã das relações Sado.
Alien kisses