sábado, 4 de fevereiro de 2012

Pelos tomates! - uma questão de bolas


Bolas, tintins, tomates, ovos, bagos, pendurezas, colhões, gónadas: venho falar de testículos, pois então, prestar-lhes a devida homenagem, já que são tão mal amados e incompreendidos. Eles maldizem o seu ponto fraco, elas (e eles também) menosprezam as suas potencialidades eróticas. Muito gostaria eu de saber o que tanto co(bi)çariam se não existissem…

Desempenham um papel vital na reprodução - afinal de contas, são o delicado vaso das sementes da vida, produzem a própria terra que as sustenta e transporta até à estufa! - isto tem qualquer coisa de poético, não? E o facto de serem a parte mais vulnerável do corpo masculino também acrescenta alguns pontos na minha consideração.
Curiosamente, a delicada membrana protectora dos testículos tem o irónico nome de túnica vaginal, e para além de produzirem esperma e testosterona, os tomates também são responsáveis pela produção de hormonas femininas. Existe todo um complexo e sofisticado sistema de climatização que os mantém sempre a cerca de 1º abaixo da temperatura do corpo, que os faz subir ou descer consoante a temperatura ambiente. Também recolhem perante o perigo e momentos antes do clímax - gosto particularmente quando estão juntinho ao corpo e a pele fica toda encolhida, qual casca de noz, cheia de pregas que os deixam muito apertadinhos:

Miolos, Imperator

Por outro lado, quando a pele distende, são um óptimo anti-stress para rolar entre os dedos, beliscar, beijar, morder, chupar… o prazer que é lamber e ser lambido!

Podem não ser esteticamente tão mainstream como as mamas, mas sem dúvida que têm a sua beleza, não penso que seja impossível fazer um arrojado e eficaz cartaz de alerta para o cancro testicular exibindo um belo par com muito charme e dignidade, carinhosamente protegido por uma mão firme e sensual - tudo depende da perspectiva e do quão bem depilados estão. Sim, porque a pilosidade poderá estragar a estética da coisa (ou não) mas o que é certo é que ninguém gosta de chupar e lamber pêlos. Bem sei que não é tarefa fácil depilar uma parte tão delicada da anatomia masculina, mas os lábios vaginais também não são pêra doce e as mulheres fazem-no. Mariquices à parte, seja com lâmina, creme depilatório ou cera, pode ser uma experiência inolvidável se for partilhada com alguém em quem se confia, tipo tu fazes o meu, eu faço o teu. Vale?

Ter tomates é sinónimo de masculinidade e coragem, mas pode ser usado para descrever uma mulher sem ofensa. Tê-los no sítio significa ter carácter, princípios, lealdade. Mas a minha preferida é mesmo agarrá-lo pelos tomates, que me vou escusar a explicar, prefiro deixar a foto falar:


Talvez não sejam as expressões mais política e cientificamente correctas, mas demonstram a importância e relevância do papel desempenhado por estes penduricalhos, amigos inseparáveis do venerável membro, preciosos brincos do caralho que eu tanto aprecio!

Gracias pelo mote, Hel ;)

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Curiosidade: o prazer de a saciar e matar

 foto: Corbis

Muito curiosa, esta Curiosidade, uma espécie de bicho altamente sedutor que gosta de roer as mentes que se questionam… Ela vem de mansinho, num andar felino, charme irresistível. Gosta muito que lhe façam todas as vontades. Caprichosa, vaidosa, persistente, mói o juízo a qualquer um que se questione sobre o que quer que seja.
E não fica satisfeita enquanto não for saciada. Não descansa, não pára de roer, noite e dia, a atazanar. Só desaparece quando finalmente lhe fazem a vontade.
Mas depois, quando menos se espera, volta, cheia de falinhas mansas, a azucrinar, a testar a paciência, mais uma vez, e outra, e outra. Claro que eu não lhe resisto. Eu bem tento, mas é tããão difícil…

Não me interpretes mal, eu não tenho a pretensão de querer saber tudo, só quero saber o que preciso – é nisso que consiste a Sabedoria, eliminar o excesso, saber o que é realmente útil. Mas a Curiosidade, ah, a puta da Curiosidade não me larga!

Sacio-a. Cozinho para ela todas as iguarias que me pede e deixo-a alambazar-se. Satisfaço do mesmo modo todas as suas perversões sexuais. E, confesso, dá-me um gozo tremendo fazê-lo. Cada vez que o faço, aprendo a ser mais eficaz. Faço-o com fervor, a espumar de raiva, enquanto planejo a vingança. Mania de desinquietar! Está uma pessoa sossegadita, na sua vidinha e é assaltada de repente, quando menos espera, por este monumento à inquietação!...

Penso em discipliná-la, castigá-la de todas as formas possíveis e imaginárias (mais imaginárias que possíveis) e quando ela menos esperar:

Passo o fio da lâmina languidamente pelo pescocinho branco imaculado, num golpe certeiro, abrindo a jugular e fazendo jorrar o sangue em golfadas ritmadas, a sentir-lhe a vida a pulsar esvaindo-se entre os meus dedos, a salpicar tudo à volta e a manchar-me o tapete… na, não é boa ideia.

Vejo-a a passar na passadeira e acelero prego a fundo, atropelando-a. Salta por cima do tejadilho do carro e com um sorriso sádico vejo-a rebolar de rojo no asfalto através do retrovisor.

Vou conversar com ela para o terraço e atiro-a do vigésimo andar. Vejo-a estatelar-se no chão como se fosse um ovo. Ploc!

Sirvo-lhe um chá, cumprindo o ritual do bule e da chávena, com bolachas recheadas de creme venenoso. Vejo-a engasgar-se, ficar aflita, sem ar, e assisto pacificamente, de poltrona, à sua queda.

Mas é astuta, a puta, dá luta!
Faço-me a ela e derrubo-a, sento-me em cima do peito dela e vou-lhe ao pescoço, estrafego-a!

MORRE, CABRA, MORRE! Ahahahaahahahahaha!

O prazer que me dá a sua morte é indescritível, mas ainda assim eu vou tentar. A adrenalina começa a dissipar-se na corrente sanguínea e dá lugar a hormonas mais pacíficas que me enchem de um bem-estar pós-orgásmico. Uma sensação de plena satisfação envolve-me e manifesta-se num sorriso safado. Sou exigente, mas não insaciável. Pelo menos durante uns momentos. Depois… depois há sempre uma altura em que ela volta, ressuscita com uma desculpa qualquer, qualquer coisa que é preciso saber.
Dizem que a curiosidade matou o gato, mas há que ter em conta a primeira parte da história: o gato pôs-se a jeito. E quem o faz, convém que saiba arcar com as consequências.

Gosto deste ciclo. Nem sempre consigo pôr-lhe um fim, nem sempre depende só de mim. Tento adiá-la, quando sei que não perde pela demora. Deixo-a a definhar, tento ignorar e ela desvanece-se. Não é coisa que me agrade, prefiro uma morte rápida e limpinha, de barriga cheia, quando está bem satisfeita, num golpe só. Mas sei que há curiosidades que só trazem chatices e tento evitá-las. No fundo, sei que sou eu quem tem que se disciplinar, sou eu que me sacio, sou eu que morro e renasço a cada dúvida, a cada pergunta, cada ponto de interrogação vencido.
Não me importo de estar à mercê da Curiosidade, porque me dá imenso prazer fazer-lhe o gostinho. E sei que ela volta. Volta sempre. E o ciclo repete-se. Infinitamente…

The Pink Panther Theme, Henry Mancini

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012