quarta-feira, 29 de abril de 2009

~ 1

A festa. Destesto a merda destas festas, a única coisa boa é poder galar gajas todas bem vestidas. Adorava fazer uma reportagem só com decotes, e depois eleger o melhor. Mas ok, a Catarina merece que eu vá, afinal de contas, é o prémio dela, e se ela faz questão de o receber, eu só tenho de tar lá a apoiá-la.


Tudo começou com a entrega de prémios. Não que me estivesse a apetecer muito ir a mais uma festa, preferia ficar sozinho com ela no dolce fare niente, aproveitar bem os últimos dias que faltavam para me despedir à grande. Mas tudo bem, era o trabalho dela, lá fomos.

A Catarina conhece toda a gente e eu detesto ter de cumprimentar o mundo inteiro, aquela conversa chata de circunstância… Já me tou a resignar a apanhar uma seca tremenda com uns quantos gin tónicos, quando ELA começa a cantar. Linda, cor de chocolate, umas pernas incríveis, mamas generosas, uma voz… mistura de Sade com Missy Elliott e Norah Jones. Fico de boca aberta a olhar para ela. O meu coração dispara e o instinto predador prepara-se para a caçada.

Pessoas simpáticas, bom gosto, bom ambiente, afinal estava-se bem ali.

Afasto-me um pouco da multidão com o meu copo, o suficiente para poder olhar para ela sem ser indiscreta. Pelos vistos, não é o suficiente.

Era desconcertante. Cabelo curto, escuro, meticulosamente desalinhado, maquilhagem perfeita, sorriso incrível…. Casaco e gravata sem camisa, muito chic. Era a única mulher de calças e de ténis na festa. Vestia-se como um homem, mas de uma forma feminina, provocante. Gostei da body language. Olhava fixamente para a Alice. Quem seria aquela personagem?

Oiço alguém dizer por trás de mim: “Linda, não é?”, “Sim, lindíssima” e acrescento entre dentes “vai ser minha”. Não sei se ele se apercebeu, tou tão concentrada nela que só depois reparo com quem tou a falar, e mesmo assim não o conheço. Ele apresenta-se, trocamos cartões, não presto atenção nenhuma ao nome dele, é um cromo qualquer armado em desportista, personal trainer de algumas celebridades em Londres, a pensar em expandir o negócio em Portugal. Tem um ligeiro sotaque bife típico de imigrante bimbo a atirar para o snob que me irrita. Mas porque é que eu tenho de aturar isto?

O que foi que ela disse? “Há-de ser minha”?! Tinha de tirar esta história a limpo. Ela era gay? E estava a querer fazer-se à minha namorada?!?! Era demais! Very exciting! Nádia… repórter de imagem freelancer que pratica artes marciais é tudo quanto consigo arrancar dela. Não está minimamente interessada em conversar comigo. Decidi não insistir… for the moment.


Por azar, a Catarina não conhece a minha próxima conquista. Por sorte, ela vem cumprimentá-la, dar-lhe os parabéns pelo prémio merecido, tão querida. Então ela apresenta-nos. Alice, cantora com bastante sucesso em Inglaterra, começa agora a dar nas vistas em Portugal. Tem ascendência angolana, por isso fala relativamente bem português. Reparo no gajo que está com ela, o mesmo com quem tinha falado há pouco. Tenho de saber muito bem qual o papel dele no meio desta história. Ela é mesmo deslumbrante, tem uns olhos claros enormes, deixa-me a tremer por aqueles lábios… ummm.

Isto prometia! Pena ter passagem marcada, talvez conseguisse prolongar a estadia por mais uma semana ou duas…

A Catarina já me topou. Como de costume, vem ter comigo e diz-me para ter cuidado, que o gajo pode não achar piada, que os fotógrafos estão a pau, blá, blá, blá. Ela conhece-me mesmo bem. É o meu anjo da guarda. Nunca houve nada de sexual entre nós, é uma espécie de amor platónico. Ela é hetero. O gajo não larga o osso. Ele e mais 345 melgas. Eu não queria sair daqui sem pelo menos lhe dar um beijo bem dado. A ida dela à casa de banho foi a minha deixa…


Ela estava a demorar uma eternidade na casa de banho. Já estava a pensar que ela tinha ido alimentar o vício…

Tenho a nítida impressão de que ela acabou de snifar coca. Não é que me surpreenda, mas eu não curto drogas pesadas. Uma broazita de vez em quando, ainda vá que não vá. Penso em usar isso a meu favor, ainda para mais, ela já entornou uns copos… Convido-a para ir dar uma volta lá fora. Tá uma noite demasiado quente para finais de Abril, toda estrelada, mesmo boa para uma queca ao ar livre, mas eu tenho de ir devagar… o meu objectivo para esta noite é um beijo inesquecível, daqueles de humedecer qualquer mulher e um convite a algo mais…


“Viste a Alice?” “Não”. “Sabes onde foi a Alice?” “Eu vi-a a sair da casa de banho, com uma tipa estranha”. Estava com a Nádia!? Onde é que elas se teriam metido? “Não estará lá fora?” Dirigi-me para a saída, mas a amiga da Nádia barrou-me literalmente a passagem. “Champanhe?” “Não, obrigada, estou à procura da Alice, não a viu?” Ela disse-me que podia ajudar-me a procurá-la, se eu aceitasse o champanhe. Eu só queria que ela saísse da frente.


O sítio é super discreto, e dá para ver o luar por entre as árvores. Por mais longe que as tele-objectivas alcancem, os flashes dos fotógrafos não chegam até aqui e a luz não é suficiente para uma foto. Ela não é tão fácil como eu gostaria. Do “estás a gostar de Portugal?” até lhe conseguir tocar, demora uma eternidade, ela faz questão de me contar a vida toda, já estou a desesperar. Convida-me para a ver actuar novamente, no Casino. Um ponto! Eu faço-me de difícil, a dizer que já tenho planos, mas que vou tentar.

Caramba, a mulher era muito chata! Estava a ver que não me livrava dela. Pensei que o prémio devia ter-lhe subido à cabeça ou então o álcool. I can't believe it! Percebo finalmente a insistência da amiga, the little bastards… Ela foi rápida… e eficaz. Isto deixou-me em pé, cheio de vontade de me juntar a elas!...

Finalmente consigo atascar-lhe um chocho. Ela não oferece grande resistência, por isso eu continuo, mas ela afasta-me um bocado assustada. Cheira tão bem! É muito doce, sabe a abacaxi… que delícia! Começo a pensar em salada de frutas e nós duas, à beira duma piscina… Passado um instante, aparece o empata fodas.

“Alice! There you are! Muito bem acompanhada, estou a ver”. Olhei para a Nádia com um olhar desafiador. Tinha de conseguir falar com ela a sós. A Alice estava embaraçada, disse-me que estava a convidar a Nádia para assistir ao próximo espectáculo dela, em Lisboa. Pois, pois… Iríamos ter muito que falar sobre esse convite.

A Catarina farta-se de mandar vir comigo, a dizer que não sabia o que havia de fazer para empatar o homem, e que ele deve ter julgado que ela era maluca. Que o tipo até era jeitoso e ela não se importava de lhe dar uma trancada, mas depois da figura de parva que fez, não vai ter hipótese nenhuma… aquelas coisas dela do costume. Eu fico com a ideia de que ele se apercebeu de qualquer coisa, pela forma com olha para mim.

início | to be continued...

5 comentários:

marujo92@sapo.pt disse...

só de ler já estou com vontade de morder as duas durante horas a fio por vezes penso que sou uma maquina de sexo mas pelos vistos tem mais seres humanos com o mesmo grau. aguardo a continuação vigorasamente bj

Otário disse...

Boas! vim deixar um abraço e tal.

kiss!

Bernardo Lupi disse...

Muito interessante...aguardo a continuação.

Jorge Bastos disse...

Não me pareceu grande chamariz este texto.

Pensamentos...quase, quase...profundos! disse...

Gostei...:) ligeiro e descontraido, no entanto deu para criar alguma curiosidade. Espero pelo resto da historia.

um beijo
manefta