sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Swingin' (in the rain) a artista e o cientista #5

continução daqui | início

Ambos responderam positivamente, ele apenas após a Yin ter perguntado se tinha lido o texto. Mas a verdade é que nunca chegaram a embarcar na viagem. Nós fomos mantendo contato, convidando para várias coisas, desde idas a clubes, caminhadas, jantares, saltos de pára-quedas… todos os convites foram recusados, sempre muito ocupados nos mais variados projetos que nunca nos incluíam. A Yin começou a ter um dejá vu de uma situação com outro casal (ainda antes chamarmos a isto de swing) em que não teve paciência para compreender a falta de disponibilidade da outra parte e desatinou. Desta vez não queria fazer isso e manteve-se quieta.

Passados uns meses, a Artista aborda-nos a perguntar se queríamos ir ao aniversário do Tal Clube que ia fechar para obras e que o Dono do Pedaço disse que nunca voltaria a abrir. Se até então o Yang se tinha mantido na dele, tentando pôr água na fervura sempre que a Yin se exaltava, desta vez achou muito má onda o convite dela, pois só poderiam entrar com outro casal que conhecesse o local e pareciam querer usar-nos para esse efeito. Acabou por lhes responder muito sincera e educadamente que não tínhamos interesse em ir a esse clube nesse dia, pois que estávamos a pensar em ir a outro e seriam muito bem-vindos se quisessem vir connosco. A Yin nem sequer se dignou a pronunciar-se. E é claro que eles não quiseram vir connosco.

A Yin andou a remoer esta história durante um ano, a tentar compreender o que os tinha levado a agir daquela forma, sempre achando que devíamos ter um defeito qualquer. Por que é que alguém diz que gostou, que quer repetir e depois não diz nada durante meses? Ficou mesmo a bater mal uns tempos, tentou esquecer o que se tinha passado e seguir em frente mas não conseguiu. Tinha aquela dúvida a martelar-lhe na mente. Chegámos a encontrar-nos acidentalmente, afinal de contas moramos em localidades próximas, cumprimentámo-nos e seguimos caminho. Numa dessas vezes, o Cientista estava sozinho. A Yin achou que a melhor forma de arrumar o assunto, para além de escrever sobre isto, seria fazer a tal pergunta que lhe andava a martelar o juízo: Por que não nos voltámos a encontrar?, pedindo que lhe respondessem com sinceridade. Ela respondeu prontamente que esteve doente e que o tempo não tinha sido muito. Lembramos que tinha passado um ano desde o nosso encontro sexual. Ele revelou que se tinham separado, mas que continuam bons amigos.

Que pena, eles pareciam mesmo feitos um para o outro. Um peso enorme saiu de cima da Yin. A separação deles explicava a ausência de contatos. Tudo levava a crer que o assunto estava arrumado. Mas o Cientista continuou o diálogo com a Yin. Queria continuar o que tinham começado, agora sem a Artista. Mas não nos pareceu que os nossos desejos estivessem em sintonia, e com alguma pena da Yin, declinámos o convite.


Mais tarde viemos a saber (o mundo é pequeno) que o Cientista afinal tem uma companheira de longa data que se "esqueceu" de mencionar e que pelos vistos, não costuma fazer parte das suas aventuras...

continua...

Sem comentários: