quinta-feira, 3 de julho de 2014

o Prazer de Caminhar!

Quero partilhar contigo o meu entusiasmo pela caminhada. Nem sempre gosto de andar, especialmente se não tiver calçado adequado à distância a percorrer e detesto fazê-lo sob pressão para chegar mais depressa. Mas descobrir novos caminhos caminhando está a ser um enorme prazer. Se tiver companhia (uma pessoa, um cão), tanto melhor, se não tiver, um leitor de música e uns auscultadores também servem. Gosto de conversar enquanto caminho, de levar o cão e soltá-lo nos trilhos ou na praia para correr à vontade. Dá gozo ver como aproveita essa liberdade: corre como se não houvesse amanhã e depois volta e fica parado de língua de fora, à espera da companhia para depois continuar. Por novos caminhos ou já conhecidos, porque o mesmo percurso nunca é igual dependendo da hora do dia e da estação do ano, caminhar permite desfrutar da paisagem a um ritmo moderado, sentir a viagem com todos os sentidos.

Na minha zona existem uma série de percursos pedestres devidamente mapeados e assinalados que tenho vindo a percorrer. Aliás, acontece um pouco por todo o país. Passam por locais de interesse histórico, arribas de larga beleza que permitem fruir paisagens junto ao mar, montes e vales de vinhedos, campos de trigo e pomares; florestas frescas de verdes luxuriantes alimentadas por cursos de água que escorrem melodias de calma ao humedecer da terra; simples flores silvestres que pincelam a paisagem de cores vibrantes… É curioso como se descobrem pormenores, pequenos recantos - tantos! - plenos de encantos... Participo também em caminhadas organizadas por grupos que partilham deste prazer: já contornei rios verdes, lagoas azuis e barragens castanhas; fui ao rabisco da fruta entre pomares e quintas, segui a rota das vinhas no S. Martinho que terminou numa exposição de pintura e magusto numa adega; fiz o percurso de batalhas épicas, revivi a História; vi o sol nascer na praia, a clarear devagar, numa indecisão de lusco-fusco que mesmo depois de iluminar o céu, demora-se a surgir no horizonte. As nuvens pintam o céu com a luz alaranjada do acordar do sol que se levanta, num espreguiçar lento de raios de luz e calor, cada vez menos oblíquos. Como sabe bem sentir a areia molhada debaixo dos pés e refrescá-los na beira-mar!; Vi moinhos velhos e novoscom 360º de paisagens do mar à montanha. Descubro trilhos e arribas de locais distantes e outros bem perto que desconhecia, vejo os caminhos que já conheço de outros ângulos, caminho regularmente na cidade à noite, sempre por percursos diferentes, com centenas de caminhantes, um mar de gente que invade as ruas e faz parar o trânsito, para algum espanto dos moradores, condutores e outros transeuntes.

Caminhar é um desporto barato, bom calçado, roupa confortável, uma garrafa de água e eventualmente alguma coisa para comer se a caminhada for mais longa, é quanto basta. Por vezes nem isso é preciso, se for na relva ou na praia. “Só somos felizes quando já não sentimos os sapatos nos pés.” Ou quando andamos descalços, acrescento. Para desfrutar da Natureza não é preciso pagar mensalidade nem equipamentos dispendiosos, mesmo as caminhadas organizadas costumam ser gratuitas ou então o valor da inscrição é para ajudar alguma causa relevante.

Nem sempre está bom tempo para a prática, é verdade, e de Inverno não apetece tanto sair de casa e cortar o frio. Já fiz 12 km debaixo de chuva e por mais agradável que fosse a paisagem, tinha de olhar mais para onde punha os pés para não escorregar na lama. Mas é sempre uma aventura. E como sabe bem ter um miminho doce à espera no final e vestir roupa seca! Ironia das ironias, a chuva a parar e o sol a espreitar uns minutos depois… caminhar é chamar o bom tempo!

Não gosto de correr, fico sem fôlego rapidamente, mesmo que seja uma corrida moderada, mas não me importo de subir e descer pelos trilhos mais íngremes, devagar, a apreciar a paisagem, até chegar ao topo do monte e ganhar como prémio uma paisagem de cortar a respiração! A caminhada é um exercício de baixo impacto nas articulações, pode ser praticada por pessoas de todas as idades, contribui para a manutenção geral do corpo, melhora a circulação e a respiração, combate doenças cárdio-vasculares, osteoporose, depressão, diabetes, ajuda a regular o peso, o sono e o apetite, aumenta a sensação de bem-estar físico e mental.

Caminhar ajuda-me a pensar melhor. Existe uma relação entre o movimento do corpo e da mente que está comprovada cientificamente. Conhecer sítios diferentes ativa-me a criatividade, gosto de fotografar pormenores dos lugares por onde passo para mais tarde recordar-me e inspirar-me.

Por tudo isto, acredita, vale a pena caminhar e fruir uma incrível sensação de bem-estar, paz e liberdade em comunhão com a Natureza!

 
foto cabeçalho: JM [pormenor] | fotos rodapé: carpe vitam, JM, Trilhos do Mar e CMTV

sexta-feira, 9 de maio de 2014

quarta-feira, 16 de abril de 2014

sexta-feira, 4 de abril de 2014

diálogos (im)prováveis XXIV

- Estive a treinar as braçadas com o pull buoy e é muito mais fácil de crawl que de costas porque...
- Pool boy?!
- Sim, é aquela coisa que se põe entre as pernas e...
- Coisa?!?!?
- Oh, aquele coiso de borracha, ou espuma, ou...
- Cala-te que só te enterras...





foto: Decathlon

quinta-feira, 13 de março de 2014

swing: escala de dionísio

Parnaso, Andrea Mantegna

"Nível 1
O Casal tem prazer em partilhar a sua sexualidade à distância. Através do telefone, e-mail ou webcam. Geralmente, a linguagem é liberal e até mesmo obscena e muito focada no acto. Podem fazer trocas de fotos através de webcam ou podem exibir-se em cenas de sexo para outro casal ou single visualizar.

Nível 2
O casal envolve-se com um single, geralmente uma mulher. Os esposos podem consentir que haja penetração envolvendo o terceiro elemento, ou não. Muitas vezes é neste nível que a mulher experimenta a sua bissexualidade.

Nível 3
O casal gosta de presenciar e ver uma cena de sexo ou ser visto. Pode já partilhar o mesmo quarto ou a mesma cama com outro casal e ambos praticarem sexo um ao lado do outro, mas sem contacto físico entre casais, podendo no entanto, só acontecer o contacto entre elas.


Nível 4
O casal interage com outro casal ou single, tendo em conta um conjunto de regras e limites preestabelecidos que pode incluir tudo, excepto penetração. Normalmente acontece a bissexualidade feminina.

Nível 5
O casal faz troca completa de parceiros, incluindo penetração ou interage integralmente com um/a single. Pode, ou não, estabelecer um conjunto de regras e limites (para além do uso do preservativo). O casal está, normalmente, sempre junto e a partilha é equitativa. Neste nível, o sexo em grupo é normalmente aceite.

Nível 6 
O casal partilha totalmente a sua sexualidade com outro casal ou single sem quaisquer limites (para além do uso do preservativo). O casal pode nem sequer estar junto, as partilhas podem não ser equitativas ou ser apenas de um deles, mas acabam a noite dormindo juntos.

Nota para reflexão: À tentação de incluir um sétimo nível, em que os elementos do casal se envolvem sexualmente com outros parceiros independentemente, mas com conhecimento do elemento não presente, optei por não o fazer, porque, em minha opinião, desvirtua o conceito do swing e leva-o para o domínio do chamado "open marriage" em que são tolerados outros relacionamentos e até um envolvimento sentimental - e neste último caso falar-se-ia de "Polyamory".
É importante que se perceba que estes níveis não são estanques o que muitos casais podem encontrar-se entre níveis, ou num, mas tendo particularidades de outro. Também estes níveis não são necessariamente estágios de evolução. Podem ser e tendencialmente são; mas há casais que se mantêm num nível que lhes agrada e não sentem necessidade de passar para outro."

Swing, Júlio Morgado