“We’re swingin’ in the rain
just swingin' in the rain
what a glorious feeling
We’re happy again”
just swingin' in the rain
what a glorious feeling
We’re happy again”
Após mais de uma década de cumplicidades e experiências partilhadas, procuramos sempre renovar, provocar, temperar as emoções que nos unem. Foi isto que nos levou a um bar swing, numa tentativa de ultrapassar um preconceito que diz que esses sítios são uma espécie de mercado da carne de gente machista e preconceituosa com a mania que é muito para a frente.
Chamemos Yin à nossa parte feminina e Yang à masculina. Yang propôs que fôssemos no dia de aniversário da Yin e depois de um dia bem passado em família e um jantar japonês que muito nos agradou, fizemos uma agradável caminhada pelo parque e lá fomos todos aperaltados.
Temos de dizer que não é fácil dar com estes sítios, são muito discretos e é necessário conhecer alguém do meio que nos dê os contactos, caso contrário é muito difícil. Tentámos inscrever-nos no clube mais conhecido e recomendado mas ninguém nos respondeu. Foram uns amigos que nos indicaram um sítio disposto a receber-nos.
Deparámo-nos com uma vivenda, tocámos à campainha e uma mulher simpática abriu-nos a portas e fez as honras da casa. Ao cumprimentá-la, a Yin disse-lhe “muito prazer”, ao que ela responde “Não é prazer, é muito gosto, neste meio diz-se muito gosto”. O Yang gostou da mini-saia dela, a Yin achou-a vulgar. Fomos apresentados aos vários casais, dizendo-nos os nomes que logo a seguir esquecemos. Fizemos uma visita guiada pela casa, que não era muito grande, algumas divisões labirínticas com colchões e sofás semi-privados a convidar ao voyeurismo, muitas cortinas e as escadas para um sótão que não espreitámos. Fez-nos lembrar uma casa de putas às escuras.
Pedimos bebidas e procurámos uma mesa. O Yang pediu uma água tónica e a seguir trancou-se no whisky, a Yin experimentou “Pussy”, uma bebida energética que lhe deu um certo gozo pedir e depois um creme de whisky. Comentámos os casais, claro, supondo que eles também nos estariam a comentar, mas com alguma discrição. Havia uma faixa etária mais velha e alguns casais da nossa idade, dos quais destacámos um, com muito bom aspecto, a menina tinha uma combinação engraçada de calções de ganga curtinhos e sapatos de salto clássicos que lhe ficava a matar, apesar da Yin dizer que jamais sairia assim vestida, gostou de a ver. O elemento masculino do casal também não tinha mau aspecto. Entretanto chegaram mais casais e um em particular, chamou-nos a atenção.
A primeira coisa que reparámos foi num reduzido top branco que reflectia a luz ultravioleta, iluminando um par de mamas intimidante para a Yin. Ela era alta, e a Yin, mesmo de saltos, ficava à altura das suas mamas. E que mamas! Daquelas redondas cuja gravidade não afecta. Nós não temos preconceitos em relação a estas coisas, a Yin gosta de mamas firmes, redondas, de bicos espetados, sem exagero de tamanho. De facto, prefere-las pequenas e firmes a grandes e flácidas. Não que alguma vez tenha saboreado algumas das últimas, mas não lhe apelam muito aos sentidos. O Yang não é tão criterioso e, basicamente, é mamodependente, gosta de as usar como anti-stress. Corpo escultural, pernas longas enfiadas numas calças justas, corpo bem feito, bom demais para ser verdade. Depois ele - careca com estilo, como a Yin gosta, à altura do seu par. "Way out of our league", foi o que pensou a Yin. Curiosamente, a mestre de cerimónias apresentou-nos toda a gente menos este casal, nem sequer lhes mostrou a casa. Devem ser habitués com objectivos específicos, pensou Yin, ou então são profissionais e vieram animar o pessoal. Longe da Yin ousar meter conversa, a sua auto-confiança estava algures em parte incerta, e depois, que haveria aquele casal modelo de querer com uma gaja baixinha quase careca e um gajo careca barrigudo e pitosga? Por mais dedicação que tivéssemos posto nos nossos trajes, nunca poderíamos estar à altura deles. Depois de algum tempo em que já estávamos a ficar fartos da música e das irritantes luzinhas laser a rasgar o escuro, surgiu oportunidade de meter conversa com um casal e o Yang não a desperdiçou. Eles estavam perdidos, a olhar para todo o lado à procura de mesa e ele ofereceu a nossa, o que nos salvou a noite e a partir daí absorveram toda a nossa atenção. Ficámos a saber que moravam perto de nós e tínhamos alguns interesses em comum. A rapariga era tímida, ficou encostada ao marido e quase não falava mas a conversa fluiu e só voltámos a reparar no casal modelo quando nos vínhamos embora. A Yin estranhou ainda lá estarem, pensou que não deveriam ter encontrado casal à altura. Não deve ser fácil. Não voltámos a ver o casalinho da menina com as pernas bonitas. Quando A Yin foi com o elemento masculino do casalinho conterrâneo buscar os casacos, ouviram uma deliciosa melodia que vinha do andar de cima. Alguém estava a aproveitar bem a noite. Decidimos sair juntos com o outro casal, a mestre-de-cerimónias falou-nos no registo num site e pediu-nos o nosso e-mail para o fazer, ao que acedemos e seguimos viagem para casa atrás do casalinho.
Há quem diga que “quem anda à chuva molha-se”, mas nós temos impermeáveis, agora só falta mesmo a chuva…
continua aqui




