Mostrar mensagens com a etiqueta humor. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta humor. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Dá-las: a micronovela marota do canal Q



Dá-las, episódio1
"Enquanto a personal trainer Francisca vai procurando o amor em tudo quanto é homem, António sai da clínica de reabilitação sem acreditar que está curado do vício do sexo e dirige-se ao ginásio para queimar energias mal canalizadas."

Hoje às 23:00, nA Costeleta de Adão, não percam o episódio duplo final desta refrescante saga que me tem divertido um bocadinho. Todos os episódios aqui.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

provocação gratuita 47

“A beleza é exterior: não é interior. Não só não importa o que está no interior, como provavelmente ajuda. O carácter tem uma certa tendência para arruinar a aparência.”

gracias, Fabulástico

sexta-feira, 27 de junho de 2008

provocação gratuita 22

"Não sei porque é que os homens têm vergonha em assumir que têm um lado feminino. Eu não só assumo como digo que esse lado tem 1,61, 54 quilos e costuma andar aqui por casa."

quarta-feira, 28 de maio de 2008

para que serve o adultério?

ilustração: Charb



“Era bela como a mulher do outro.” Esta citação (que alguns atribuem ao anti-semita Paul Morand e outros ao judeu Groucho Marx, mas não é isso que se discute aqui…) resume bem a ambivalência humana. Pelo menos essa contradição que consiste em querer ao mesmo tempo uma só mulher… e um monte delas.

As sociedades polígamas (várias mulheres para um homem) oferecem uma forma (discutível) de resposta. Estima-se que representem cerca de 44% das sociedades humanas, contra 55% que são monógamas e menos de 1% poliândricas (vários homens para uma mulher, como acontece em África na índia ou no Tibete).

Polígamos há muitos. Mas, além disso, é preciso observar de perto os monógamos. Em primeiro lugar, os monógamos perfeitos, um só parceiro durante a vida, são raros: segundo inquéritos, os homens admitem ter tido 11 parceiras durante a vida, em comparação com 3,3 para as mulheres. Logo, as pessoas são, na sua maioria, monógamas num determinado momento, mas podem ser qualificadas de polígamas em série. E sobretudo, há o adultério. 20% dos homens e 11% das mulheres declaram ter cometido uma infidelidade nos cinco anos anteriores à data do questionário (será que as pessoas se enganavam menos antes de 1975, quando a lei francesa considerava o adultério como um delito passível de prisão?). Há pior. Os testes genéticos efectuados em vários milhares de pessoas revelam um número incrível de filhos cujo ADN difere do do pai legal: segundo os estudos, a percentagem de filhos adulterinos varia entre 1 a 10 % (por exemplo, 5,9% num inquérito inglês). De resto, as dúvidas quanto à paternidade à roda dos berços: não é por acaso que os psicólogos demonstraram que os comentários sobre o recém-nascido dizem sobretudo respeito às semelhanças com o Pai!

Woody Allen dizia que as únicas espécies fiéis eram os católicos e as pombas. Na verdade, há muitas outras (sim, eu sei, os católicos não constituem nenhuma espécie…). Pensa-se que existem cerca de 10% de aspécies monógamas – na sua maioria, aves (90% são-no) mas também 3% de mamíferos (gibões, chacais, etc.). Em contrapartida, a poliandria não tem muito êxito: 0,4% entre aves e os mamíferos.

O aspecto mais interessante é que, mesmo nas espécies que se pensava serem monógamas, se evidenciaram recentemente práticas adúlteras. Por exemplo, acreditou-se durante muito tempo que os canários eram monógamos e fiéis, até que um biólogo teve a ideia de realizar testes de paternidade. Ao comparar, numa mesma ninhada, o ADN das avezinhas com o do chefe da família, descobriu que, em média, 20 a 30% dos pequenos possuíam os genes de um macho vizinho! O espantoso é que os investigadores nunca tinham visto a fêmea a dar uma escapadela. Foi necessário segui-la o tempo todo para descobrir que se deixava inseminar discretamente pelos vizinhos, durante cópulas furtivas que tinha o cuidado de esconder do companheiro. Estas investigações torcem o pescoço à impostura que consistia em fazer de um ninho aconchegado a alegoria da harmonia familiar, e da avezinha que choca o emblema do “instinto” maternal. Conquanto desagrade aos românticos, a infidelidade parece desempenhar um papel na Natureza.

Do ponto de vista evolutivo, os biólogos explicam bem esta sexualidade de porta de cocheira. A monogamia “perfeita” permite à fêmea dispor de um macho que cuida dela, dela e das crias. Mas o inconveniente reside no facto de, ao limitar-se a um só macho, correr o risco de ficar com esperma de segunda escolha. A fêmea adúltera recupera as duas vantagens: por um lado, o macho que a protege, e, por outro, a multiplicação de probabilidades de recolher “bons genes”. A sobrevivência da espécie sairia a ganhar. Formularam-se outras hipóteses: as relancear os olhos pelos vizinhos, o borrachinho poderia forçar o “legítimo” a consagrar-lhe mais atenção. Acresce que o “bovarismo” também existe entre os animais. As fêmeas de canário são costureirinhas que se apaixonam por bons cantores. Um macho que lhes dê segurança, tudo bem, mas é difícil resistir ao encanto de um maestro de passagem.

Isto não nos deve fazer esquecer que os mais infiéis são, geralmente, os machos. Podemos explicá-lo afirmando que um macho aumenta as suas hipóteses de reprodução se multiplicar as cópulas, mas que uma fêmea não ganha nada em ter parceiros uns atrás dos outros. O que explica que este tipo de comportamento – macho engatatão, fêmea caseira – tenha sido conservado pela selecção natural.

Seja como for, não é o aumento das suas probabilidades reprodutivas que leva um indivíduo, homem ou animal, a dar facadas no matrimónio. O proveito é certamente mais imediato e agradável. É a necessidade de novidade, confessarão os Don Juans. O espantoso é que isso também exista entre os animais!

Com efeito, sabe-se que um rato fechado na companhia de uma fêmea copula como um tarado no início e, depois, cada vez menos… até acabar por se cansar. Mude-se a parceira ou, apenas, a cor da gaiola, e a libido volta. Os biólogos chamam-lhe “efeito Coolidge”, apelido de um presidente americano dos anos 20. Um dia, ao visitar uma quinta, Coolidge viu um galo a cobrir uma galinha, tendo-se desenrolado o seguinte diálogo. Presidente: “Ele faz isto muitas vezes?” Director da quinta: “Umas dez vezes por dia.” Presidente: “Com a mesma fêmea?” Director: “Não, sempre com uma fêmea diferente.” Presidente (cuja esposa se mantinha um pouco afastada): “Há-de dizer isso à minha mulher…” Alguns investigadores chegam a explicar a moda no vestuário pelo efeito Coolidge, porque proporcionaria um meio de satisfazer a necessidade de novidade!

É possível que o efeito Coolidge contribua para explicar o adultério humano (embora poucas esposas se contentassem com uma explicação tipo: “Desculpa, querida, mas é o efeito Coolidge, não há nada a fazer.”). Em todo o caso, alguns indícios sugerem que o adultério está profundamente enraizado. Sabe-se, por exemplo, que as espécies polígamas se caracterizam geralmente por um dimorfismo sexual: os machos são fisicamente muito diferentes das fêmeas. Em contrapartida, nas espécies monógamas (tanto entre aves como entre mamíferos), os dois sexos têm mais tendência a parecer-se um com o outro. Ora os seres humanos estão mais sujeitos ao dimorfismo… O que os aproximaria mais das espécies polígamas e não das monógamas!

De resto, alguns investigadores chamaram a atenção para a existência desta relação entre dimorfismo sexual e poligamia no interior das próprias sociedades humanas. As mais polígamas acentuariam o dimorfismo sexual: por exemplo, as sociedades muçulmanas, obcecadas pela barba nos homens e o véu nas mulheres. Inversamente, as sociedades ocidentais, onde a monogamia é a regra oficial, são as que mais atenuam o dimorfismo sexual: queixo rapado para os homens e calças para as mulheres.

Porém, convirá não esquecer que a poligamia subsiste, embora escondida, nas sociedades monógamas. Enquanto o chefe de clã somali possui um número de esposas proporcional ao seu prestígio, o empresário ocidental sustenta um número de amantes proporcional à sua conta bancária.

Acresce que, recentemente, a poligamia ocidental assumiu uma forma menos críptica, por meio da troca de parceiros. Esta prática, marginalíssima nos anos 90, explodiu subitamente, provocando uma proliferação de clubes em todas as grandes cidades. Ora, depois de demoradas investigações, o sociólogo Daniel Welzer-Lang, da Universidade de Toulouse, interpreta a troca de parceiros (cujo número de adeptos em França rondará os 400 000, segundo as suas estimativas) como uma forma de poligamia que ainda exprime o domínio dos homens, pois são eles que regulamentam as modalidades do comércio sexual.

Em resumo, o homem possui certamente um fundo polígamo, cuja origem biológica ou cultural não decidiremos aqui… E, ao mesmo tempo, um desejo monógamo, a propósito do qual podemos dizer o mesmo. Logo, o homem seria um monógamo infiel ou um polígamo que cria laços… Seja como for, alguém que nunca está tranquilo (tal como a mulher, consequentemente).


FISCHETTI, António: A Angústia do Chato antes do Coito – 36 perguntas sobre sexo que nunca fez a si próprio; Ed. Bizâncio, 1ª edição, Out. 2003.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

switch off




Estava eu a navegar e passei por aqui e encontrei o vídeo do Mordillo

Será que é preciso estar às escuras para se poder perder a vergonha e dar uns beijinhos?

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Por que é que o riso conquista as mulheres?

ilustração: Charb

“Mulher que ri, meio caminho para a cama”, diz o provérbio. Rir é um prazer, admitamo-lo… Mas daí a transformá-lo num bilhete de acesso a outras formas de prazer, ainda vai um bocado. Contudo, é sabido que um homem aumenta as suas probabilidades de seduzir uma mulher se a fizer rir. O riso é, pois, um instrumento de sedução masculina, e os sociólogos demonstraram-no: são sobretudo os homens que fazem rir as mulheres. Decerto não é por acaso… Tão-pouco é por acaso que os homens ciumentos detestam ver a sua mulher rir na companhia de outro homem. Não há dúvida: há sexo no riso.

Não nos vamos lançar numa análise das teorias do humor, que exigiria um livro inteiro. Para Bergson, o riso explica-se pelo “maquinal aplicado sobre o vivo”, para Kant, “o riso provém de uma expectativa que, de repente, se converte em nada” e, para outros, o riso nasce da incongruência de uma situação, ou da transgressão de regras…

Seja como for, existe um ponto comum entre todas as formas de riso: de uma maneira ou de outra, troça-se de um terceiro. De uma pessoa real, de uma situação… Ou da pessoa virtual que poderíamos ser: imaginamo-la então a cair numa armadilha (no domínio da linguagem ou dos códigos sociais, por exemplo), e rimos por ter escapado subitamente a ela. Em suma, existe troça nessa mímica sonora que consiste em exibir os dentes, emitindo uma espécie de grito triunfal. O riso é a expressão de uma superioridade relativamente ao objecto de que rimos. E, no momento de uma piada ou de uma graça, a pessoa que provoca o riso adquire o poder.

Então, a mulher, numa situação dessas… Uma coisa é certa: uma mulher deve rir com um homem, e não dele. A mulher que ri torna-se cúmplice de quem desencadeou o riso. O que é uma forma de aliança com um dominante… um pouco como entre os primatas, em que as macacas se aliam aos machos “alfa” para lucrarem do ponto de vista alimentar.

Porém, quando nos rimos, não é só isso que fazemos. Todos nós mobilizamos, ao longo do dia, uma grande quantidade de energia psíquica para controlar os tabus sociais, esforço esse que acaba por cansar. O riso actua, pois, como uma válvula que permite a libertação brutal dessa energia repressiva. E daí o prazer.

Decerto que a mulher sente reconhecimento por quem lhe permitiu esse prazer… Abandona-se psicologicamente, e, ao mesmo tempo, fisicamente. Com efeito, o riso é uma expressão sonora não controlada. Não pronunciamos “Ah-ah-ah” deliberadamente, como quando falamos, mas entregamo-nos a salvas vocais que nos escapam. No inconsciente da mulher que ri, pode haver um raciocínio deste tipo: se este homem é capaz de desencadear em mim uma reacção destas, talvez possa proporcionar-me outras formas de abandono. Aliás, se se analisar o aspecto sonoro, será que o riso não evoca uma espécie de orgasmo? Uma mulher que reage com um “Ah-ah-ah” a uma piada de um homem, anuncia que pode emitir “Ah-ah-ah” de outra maneira. Rir é ter algum prazer.

O riso evoca o sexo… Mas o sexo também evoca o riso. Peça a um amigo para lhe contar uma anedota e são grandes as hipóteses de ele se sair com uma sobre sexo. Psicólogos americanos comprovaram-no. Pediram a 14 500 pessoas que classificassem cerca de trinta anedotas por ordem de preferência. Como não podia deixar de ser, são as anedotas sexuais que surgem à cabeça, e muito distanciadas das outras. É lógico. O sexo é o tabu que exige mais energia repressiva. Também é um ditador que está sempre a dominar-nos. Além de permitir a libertação da energia recalcada, a piada sexual proporciona a breve ilusão de ser mais forte que o sexo, “rebaixando-o” por meio do riso.

Quanto maior o mal-estar recalcado, mais divertido é. Inversamente, dir-se-ia que quanto menor é a frustração, menos rimos. Por exemplo, quando fazemos amor, já não estamos inibidos… enfim, estamos menos do que o costume. E, nesse caso, o sexo e muito menos divertido. Imagine que o seu parceiro se escangalha a rir enquanto você se afunda nos limbos do prazer. Dá cabo da atmosfera, não é? Esta incompatibilidade também se exprime nos filmes: é impossível fazer um filme ao mesmo tempo erótico e divertido.

Durante a fase de sedução, o riso aproxima os dois seres que se lhe entregam. Durante o acto sexual, porém, afasta-os. Talvez porque una os dois seres à custa de um terceiro. No amor, estamos sós, a dois. No humor, somos três: há um “objecto”, perante o qual nos encontramos em posição de voyeurs porque troçamos dele. Em primeiro lugar, isso distrai-nos do acto sexual. Além disso, o terceiro de que nos rimos corre o risco de ser a nossa própria pessoa. E isso não é bom, mesmo nada bom. Em suma, ao provérbio “Mulher que ri, meio caminho andado para a tua cama”, convém acrescentar o corolário “Mulher que ri na tua cama é mau sinal”.