“so let go, jump in
oh well, whatcha waiting for
it's alright
'cause there's beauty in the breakdown
so let go, just get in
No caminho de regresso a casa, Henrique vai traçando os planos para o fim de semana seguinte.
- Magda, no próximo sábado iremos receber a visita de um casal de amigos. Ele chama-se António e é o Senhor da rapariga que virá com ele. Peço que os recebas respeitosamente e que vistas algo adequado à tua condição de escrava.
- Será um grande prazer conhecer os seus amigos e farei tudo o que me ordenar meu Senhor – responde ela.
Na manhã do sábado, Henrique mandou que Magda limpasse com esmero a sala e a cozinha, colocando tudo ordenado, polindo os vários bibelots, os porta-retratos e alinhando os livros das estantes.
Quando o serviço foi concluído, ele ordenou que ela tomasse banho e se perfumasse com algumas gotas de sândalo.
Em seguida entregou-lhe uma longa saia de tule de seda branca, extremamente delgada e cortada numa lateral. A saia, do tipo usado pelas odaliscas orientais, era tão transparente que, em vez que esconder suas formas, as realçava ainda mais.
Retirou as algemas, enquanto os pulsos e os braços foram enfeitados com largas pulseiras de cobre. Quanto ao cinturão de couro foi substituído por uma longa e fina corrente de ouro que dava três voltas em torno da fina cintura da escrava. A coleira e as correntes nos pés, não foram removidas.
Faltavam poucos minutos para as cinco horas da tarde, quando o telemóvel de Henrique tocou. Era o António a avisar que estava em frente ao portão da propriedade. O dono da casa, accionou o controlo remoto do portão, e um Volvo azul escuro, conduzido por um homem de cerca de quarenta anos de idade, entrou no pátio defronte do edifício principal.
Junto com o convidado, desceu também a namorada dele, uma mulher que aparentava ter mais ou menos a mesma idade de Magda, alta, de olhos azuis e longos cabelos loiros. Ela vestia uma elegante capa escarlate, fechado à altura do pescoço, que escondia totalmente o corpo. Apenas a ponta dos pés, descalços, era visível e, pela curta extensão de seus passos, era fácil intuir que eles estavam acorrentados.
Os dois, entraram no hall de entrada da casa, onde Henrique e Magda os aguardavam. Os cumprimentos foram calorosos entre os dois homens, enquanto a jovem loira apenas acenou com a cabeça murmurando "Boa tarde" em tom tão baixo que ninguém a ouviu.
Magda aproximou-se da desconhecida, e deu dois beijos no rosto dela que, como única resposta, baixou a cabeça e permaneceu silenciosa em pé ao lado do seu dono.
Magda intuiu imediatamente que a rapariga não estava a sentir-se à vontade naquela situação. Observando com mais atenção o manto que ela vestia, reparou que as duas pontas, embora bem encostadas, não se fechavam totalmente deixando assim entrever, por baixo, a pele nua da mulher. Reparou também a presença de um cinturão de couro e, enquanto se esforçava para olhar melhor, a sua atenção foi desviada pelas palavras de Henrique
- Este é o António, um dos meus melhores amigos e como tu podes constatar, também é um mestre dominador.
- Muito prazer, Senhor António - respondeu Magda com um sorriso.
- O prazer é todo meu. Esta bela jovem aqui ao meu lado chama-se Elisabete e é minha escrava há poucas semanas.
- Sorte de o Senhor ter uma escrava tão nova, bonita e ob…
- Obediente? -interrompeu António- Se é isso que você está a pensar, está redondamente enganada, pois ela é uma das submissas mais atrevidas e desobedientes que já encontrei na minha vida.
- A sério, Sr. António? -perguntou de novamente Magda - Ela tem um rosto tão sereno que...
- Não se deixe enganar pelas aparências -interrompeu novamente o visitante - ela tem um temperamento que pouco condiz com uma submissa. E estamos justamente aqui, na vossa casa, para que o seu dono, o meu amigo Henrique, ponha em prática a sua experiência de mestre para dar a justa punição à Elisabete.
- Mas por que deve ser o meu dono e não o Senhor a fazer isso? – arriscou Magda.
Mas, antes que ele pudesse satisfazer a curiosidade da mulher, Henrique já estava a tirar o manto da rapariga que ficou totalmente nua, exposta à vista de todos. As mãos estavam bem atadas atrás das costas e fixadas ao cinturão de couro que, pela circunstância, foi apertado o mais possível.
A pele da Elisabete era branca e fininha, os peitos fartos, e cada mamilo enfeitado por uma argola de ouro. Suas nádegas eram tão bonitas quanto as de Magda e as suas pernas, mais compridas que as da anfitriã, terminavam com dois belos pés, não muito pequenos, mas realmente graciosos.
O Sr. M., acenou para ela e disse:
- Vamos!
Os dois foram, lentamente, em direcção de uma repartição da casa onde havia o quarto em que Magda era conduzida todas as vezes que era castigada.
Enquanto Magda ficou sozinha na companhia de António, respondendo às perguntas dele, fazendo perguntas ou oferecendo bebidas, o Henrique tratava de punir rigorosamente a jovem rebelde, mas nem um grito abafado foi ouvido na sala, devido à parte interna da casa ter portas e paredes insonorizadas.
Naturalmente Magda não se importava se o seu dono castigava uma outra escrava, mas temia que ele, como qualquer dominador, estivesse a exercer o seu direito de interagir sexualmente com a rapariga.
Essa suspeita tornava-se mais forte e concreta com o passar do tempo. Ela sabia, por experiência, que uma sessão punitiva podia durar, no máximo, uma hora e meia, e já fazia mais de duas horas que eles não apareciam. A sua inquietação crescia à medida que o tempo passava. Essa sua apreensão contrastava, surpreendentemente, com a calma de António que demonstrava ser um conversador competente e discreto.
Ele, novamente instigado por Magda, afirmou que a punição de Elisabete cabia ao Henrique por dois motivos. Antes de tudo a rapariga fora-lhe apresentada por ele que, naquela oportunidade, responsabilizou-se perante o amigo garantindo tratar-se de uma escrava meiga e obediente. Em segundo lugar, ele estava completamente apaixonado por ela e, por se tratar de um castigo bem duro, preferia que fosse dado por outra pessoa de confiança.
Magda ficou cismada. Se o Henrique já conhecia a Elisabete, pensou, era evidente que ele já a tinha possuído e, portanto, com muita probabilidade agora estaria a desfrutar dos prazeres que uma mulher bonita podia oferecer a um Senhor temporariamente dono de seu corpo.
Uma profunda tristeza, misturada a um rancor crescente começou a corroer a mente da mulher que estava a sentir-se traída dentro do seu território, nos seus próprios aposentos.
Enfim após um tempo que pareceu interminável, os dois emergiram do interior da habitação.
A pele das coxas e das nádegas de Elisabete estava totalmente cheia de marcas violáceas, enquanto outras marcas roxas, deixadas por cordas bem apertadas, eram visíveis nos braços, nas pernas, nos tornozelos e nos pés.
O Henrique deu um beijo no rosto da escrava que, sentando-se ao lado de António, encostou a cabeça no ombro dele e, enquanto não parava de beijá-lo, murmurava em continuamente.
- Perdão meu Senhor, admito que o erro foi só meu e agradeço ao Senhor Henrique por me ter ensinado o imenso valor da submissão total e incondicional.
- Bem, -comentou Henrique - como parece que tudo foi resolvido, que tal experimentar aquele deliciosos robalos grelhados que nos esperam e abrir aquelas garrafas de vinho verde bem gelado?
- Resolvido uma ova! - pensou Magda, enquanto uma raiva surda tomava conta do seu sistema nervoso.
Os dois visitantes e o anfitrião acomodaram-se em torno de uma mesa quadrada. Elisabete teve algumas dificuldades para se sentar, devido ao forte ardor que sentia nas nádegas. Enquanto isso, Magda foi para cozinha para trazer o peixe que tinha sido preparado pela Rosa, a discreta empregada da casa, e um balde de gelo contendo uma primeira garrafa de vinho verde.
O jantar estava delicioso e todos comeram e beberam com satisfação. Apenas Magda beliscava no prato sem apetite mas, em compensação tomou mais vinho que todas as outras pessoas.
Para terminar foi servido um pudim abade de priscos e aberta uma garrafa de brandy.
Ao passo que os homens tomavam café, Elisabete e Magda ficaram encarregues de levar os pratos sujos de volta para a cozinha onde seriam colocados na máquina de lavar louça.
Subitamente Magda, que já tinha ingerido álcool em excesso, arremessou com força uma pesada bandeja de prata contra a máquina cujo selector de programas ficou completamente danificado.
Os homens chegaram imediatamente e encontraram Magda sentada no chão, que choramingava e escondia o rosto entre as mãos.
Henrique, em tom imperioso, perguntou o que tinha acontecido, mas Magda continuava a chorar sem responder. Foi Elisabete que contou tudo o que tinha visto.
Ele ordenou que Magda se levantasse e, olhando bem sério nos olhos dela, perguntou qual a razão de um comportamento tão inusitado.
- O Senhor traiu-me com a Elisabete! - respondeu ela quase histérica.
Henrique ficou vermelho de fúria perante a insolência da sua escrava. E, enquanto meditava qual devia ser o castigo oportuno, o António decidiu intervir.
- Querida amiga, o Henrique é a pessoa mais correcta e leal que já conheci. Ele nunca faria sexo com a sua afilhada...
- Afilhada? - murmurou Magda quase sem voz…
- Sim querida -interveio Elisabete- ele nunca te contou que logo após meu pai, que era director comercial de uma empresa do Henrique, ter falecido, assumiu o compromisso de pagar os meus estudos, e que além disso ele sustentou a casa da minha mãe durante alguns anos?
- Juro que eu nada sabia sobre isso. Mas então porque é que vocês demoraram tanto dentro do quarto?
- O Henrique castigou-me como eu merecia -narrou a jovem- mas depois passou um bom tempo comigo a tentar explicar-me como é que eu devia comportar-me com o António, ensinando-me o valor da lealdade e da confiança que sempre devemos às pessoas que nos amam. Por isso é que demoramos tanto tempo...
Ao ouvir estas palavras Magda ficou mais vermelha que um tomate e arrependeu-se de ter julgado e condenado moralmente o seu parceiro sem nem ter antes conversado com ele.
- Meu Senhor, peço perdão com humildade e, ao mesmo tempo, peço-lhe um castigo que me sirva de lição para o resto da vida, disse ela, cabisbaixa.
- Muito bem! Como tu estragaste a máquina, irás substituí-la, agora mesmo!
- Sim Senhor, vou lavar esta louça toda - murmurou Magda.
- Não falei em lavar prato algum, minha querida. Disse que irás substituir a máquina de lavar. Trata-se de algo totalmente diferente.
Realmente Magda não estava a entender a diferença semântica entre as duas orações, mas era evidente que Henrique já tinha decidido que ia ser daquela forma.
Com efeito, ele mandou que a jovem ficasse totalmente nua, a não ser por um simbólico e minúsculo avental cor de rosa que mal cobria o púbis. Tirou os adornos e recolocou o cinto de couro com uma corda entre os lábios vaginais. Atou as mãos com algemas compridas, segurou a argola dianteira do cinturão a outra argola no lava louças e pediu que Elisabete pusesse toda a louça suja à esquerda da Magda.
Dos dois tanques em frente à escrava, um foi preenchido com água quente e detergente, o outro ficou vazio, mas com a água a correr da torneira aberta.
Magda devia simplesmente pegar a louça que se encontrava à sua esquerda, mergulhá-la na água morna e passar uma esponja, enxaguá-la debaixo da torneira e, enfim, apoiá-la em cima de um escorredor de pratos.
O Henrique alertou-a que, caso uma só peça ficasse suja, ela teria que lavar novamente toda as louça e, em caso de danos materiais, ia receber dez chibatadas por cada peça danificada.
- Este serviço é muito fácil e rápido - raciocinou mentalmente Magda.
Mas, enquanto pensava nisso, Henrique colocou na cabeça dela o capuz de couro que a deixou completamente cega e, ao apertar a fivela do capuz em torno do pescoço de Magda, explicou:
- As máquinas de lavar louça não conseguem ver os pratos!
Agora ia ser realmente mais difícil e complicado executar a tarefa.
- Paciência - pensou novamente Magda - irei demorar mais tempo, mas a noite ainda está no início.
Agora que ela não podia ouvir mais nada, o anfitrião dirigiu-se a seus hóspedes com estas palavras:
- Eu disse que a Magda ia substituir a máquina, não que ia simplesmente lavar os pratos.
Os dois não entenderam muito bem o significado das palavras, mas ficaram curiosos para saber exactamente o que o Henrique queria dizer com suas enigmáticas palavras.
Ele entrou para a dispensa e voltou com um estranho objecto composto, fundamentalmente, por uma base quadrada de madeira, dividida em dois compartimentos bem separados, constituídos por duas placas de cobre. Levantou o pé direito de Magda e apoiou-o no compartimento da direita, passando um cinto de couro sobre o pé para garantir um bom contacto com o fundo de metal. Fez o mesmo com o pé esquerdo. Depois, com uma pequena corrente de ferro amarrou os tornozelos, mais em baixo que os grilhões, fixando a extremidade da corrente a uma segunda argola na parte baixa do lava louças. Agora Magda estava duplamente presa ao móvel da cozinha.
De uma gaveta extraiu um pequeno transformador, daqueles normalmente usados nas sessões de fisioterapia e ligou-o às duas chapas de cobre. Ligou um fio à tomada, regulou oportunamente a voltagem e anunciou:
- A máquina de lavar louça está oficialmente pronta para funcionar.
E, assim dizendo, apertou um interruptor e uma fraca corrente eléctrica alternada começou a fluir nos pés de Magda.
A jovem, que já tinha começado muito vagarosamente a lavar os pratos, acelerou rapidamente o que estava a fazer. Embora a corrente não fosse dolorosa, causava uma sensação desagradável.
Dentro de vinte minutos toda a louça estava no lado direito da pia, apoiada no escorredor de pratos.
Henrique desligou a electricidade e foi verificar o resultado. Não todas as peças estavam perfeitamente limpas e um pires, que tinha escorregado das mãos ensaboadas de Magda estava danificado.
Conforme o prometido, com a ajuda da Elisabete, todas as peças, mesmo que limpas, foram repostos no lado esquerdo do lava louças.
- Acho que usei um programa de lavagem muito fraco -comentou Henrique- enquanto aumentava a voltagem e ligava novamente o transformador.
Desta vez a corrente era mais intensa e a jovem apressava-se o mais possível para terminar o trabalho. Por outro lado, não podia deixar nada sujo, pois o seu dono iria reiniciar toda a operação aumentando ainda mais a corrente eléctrica nos seus pés. Uma situação realmente complicada de gerir.
Foram mais vinte minutos de sofrimento, mas enfim até o último talher foi perfeitamente limpo e posto no escorredor. Infelizmente mais dois copos ficaram danificados.
O anfitrião estendeu o chicote na direcção do António, pedindo a gentileza de ele aplicar trinta golpes na Magda, distribuídos entre as coxas e as nádegas. O amigo aceitou com prazer, satisfeito de poder retribuir o favor há pouco recebido.
- Apesar da louça partida- ironizou Henrique- foi tudo lavado com uma notável poupança de energia.
- Pois é, meu amigo, a Magda demonstrou ser um electrodoméstico bastante ecológico- gracejou o António - que, após ter novamente agradecido e cumprimentado o Henrique, retirou-se da casa, entrou no carro com a Elisabete e desapareceu rapidamente na estrada escura da serra.
Henrique voltou de imediato para a cozinha onde Magda ainda estava encapuçada e acorrentada ao lava louças. Acariciou as suas pernas e as costas, beijou-lhe as nádegas e os lábios vaginais que, devido à posição da jovem, dobrada para frente, se ofereciam ainda mais e, quando ela ficou bem molhada, afastou a corda que estava enfiada na sua vagina e penetrou-a com ardor. Apesar do capuz, os gritos de Magda foram tão altos que uns gatos, que estavam do lado de fora da cozinha à espera dos restos do peixe, fugiram apavorados entre as plantas do jardim do casarão.
Finalmente toda a pele de Magda tinha absorvido os óleos essenciais do protector e brilhava como bronze exposto aos raios solares.
Para não saciar logo a sede da dela e terminar antes do tempo esse jogo delicioso, Henrique passou a oferecer bagos de uva, dos mais doces e suculentos. Obviamente, devido o tamanho reduzido dessa fruta, Magda tinha que aproximar mais ainda sua boca à do seu Senhor o qual, para dificultar a acção, segurava os bagos com os dentes e como resultado que os lábios dos amantes ficavam colados por um tempo maior.
E, assim dizendo, pegou os dois enfeites e aproximou-os aos peitos de Magda que ainda estavam parcialmente cobertos pelo avental de linho branco. Henrique desatou a fita que sustentava a parte alta da peça e a jovem ficou nua até à cintura. Instintivamente escondeu os seios com as mãos, mas bastou um severo olhar de relance do seu Senhor para que ela os descobrisse imediatamente.
Mesmo assim, depois de ter contemplado essa obra de arte viva, pela primeira vez retirou as cordas, todas as correntes e levou a jovem, ainda um pouco tonta pelos efeitos do anestésico, para a cama carregando-a nos seus braços fortes. Queria mostrar para ela a sua capacidade de amá-la não somente como escrava, mas também como mulher.
- Vês como me excitas?
-Começaste a apurar o terceiro sentido... gostas do paladar?
Os bicos dos seus seios ansiavam por sentir o calor da boca dele, mas ele apenas lhes tocou com a ponta da língua, enquanto com a mão percorria o interior das coxas dela. Quando sentiu que ela estava prestes a explodir de desejo, deixou que o dedo indicador a penetrasse, o corpo dela correspondeu e fez com que ele a penetrasse ainda mais fundo.início | continuação daqui
texto e foto do Redondo por Bernardo Lupi
fotografia por Imperator
Cerca de dois meses depois de ter sido capturada, Magda vivia sonho de amor que a grande maioria das pessoas teria considerado perfeito, tanto pela intensa reciprocidade dos sentimentos, quanto pelo lado puramente sexual.
Quase diariamente, Henrique homenageava-a com bombons de chocolate suíço ou belga, vinhos requintados e jantares deliciosos confeccionados por ele próprio.
E, como ainda não queria que ela saísse de casa, alugava os filmes que ela mais gostava e viam-nos ao princípio da noite. Sentados num sofá, as pernas de Magda em cima das dele, de modo que, durante o tempo todo ele lhe acariciava as coxas, os joelhos, as canelas e, em particular, os pés acorrentados da sua linda mulher.
Por vezes, quando Henrique estava no escritório lembrava-se de telefonar e perguntava-lhe se necessitava de algo. A resposta era sempre a mesma:
- Preciso que o Senhor volte o mais rápido possível, para me dar carinho e prazer.
Um dia, durante a hora de almoço, Henrique entrou numa florista, escolheu a mais bela orquídea que viu e perguntou se a entrega podia ser efectuada por uma mulher. Tendo obtido uma resposta afirmativa, deu à gerente a sua morada e escreveu num bilhete estas simples palavras:
"A mais bela flor para a mais bela das escravas. O teu Senhor"
No mesmo instante, ligou para Magda avisando-a para abrir a porta e receber uma certa encomenda.
Algum tempo depois, uma rapariga da florista desceu de uma scooter, tocou na campainha do portão da propriedade e foi-lhe aberto o portão. Quando Magda assomou à porta, a rapariga viu a coleira e as correntes. Ficou mais vermelha que uma papoila. Balbuciou alguma coisa incompreensível, enquanto Magda admirava a orquídea e saiu a toda velocidade a bordo da sua motocicleta.
Naturalmente ficou bastante satisfeita pelo presente inesperado.
Este costume de enviar flores pelo menos duas vezes por semana tornou-se um ritual constante, tanto é que várias floristas das redondezas já sabiam quem era a Magda e, após o primeiro impacto perturbador com o lado material da dominação, acabaram por se acostumar com a visão das correntes e da coleira. Maluquices de gente rica, pensavam algumas delas.
Provavelmente, várias delas até teriam desistido de sua condição de liberdade para se tornarem escravas de amor.
Tal pensamento era reforçado pela expressão com que Magda as recebia. Os seus olhos emanavam uma luz especial que, para qualquer mulher, tinha um significado inequívoco. Uma intensa paixão completamente retribuída.
No dia de aniversário de Magda, a encomenda não continha apenas uma rosa vermelha, mas também um anel de ouro com um rubi de rara pureza que pesava mais que um quilate.
Apesar de tudo correr lindamente, Henrique, que não era um homem insensível, notou que a Magda necessitaria, de vez em quando, da presença de outras pessoas e, portanto, perguntou se Magda estaria a sentir saudades de alguém em particular. Ela respondeu que fazia bastante tempo que não tinha notícias da tia Alice, uma solteirona de quase sessenta anos de idade que sempre tinha cuidado dela como uma filha. Principalmente a partir do momento em que o seu pai, viúvo, a deixou para ir trabalhar em Espanha e nunca mais dera notícias. Henrique, não apenas consentiu, como se prontificou para ir buscar a sua tia ao Redondo, vila alentejana, onde Magda crescera.
Todavia, surgiu imediatamente uma dificuldade. Era evidente que Magda não podia recebe-la acorrentada e vestindo apenas um avental. Por outro lado, ela não tinha a menor intenção de ser solta durante a estadia da sua tia.
Quanto a Henrique, era desejo dele que, durante a visita, ela carregasse alguma peça que lhe lembrasse a sua real condição de submissa.
Estudaram juntos o problema e foi concordado que Magda iria vestir uma camisola bastante comprida e que tanto a coleira como as algemas teriam de ser removidas. Em compensação, ela manteria o cinturão de couro, invisível debaixo da camisola. Aperfeiçoando o sistema já experimentado durante as visitas dos amigos no jardim de casa, uma corda de seda, amarrada na argola dianteira do cinturão iria passar entre os lábios vaginais, prosseguindo pelo rego das nádegas até a argola posterior e segurando, dessa forma, dois dildos: um na vagina e o outro no ânus, ambos providos de uma pequena argola pela qual a corda passaria.
E as correntes nos pés?
Representavam o símbolo mais importante da escravidão de Magda. Por seu lado Henrique estava quase disposto a abrir mão dessa peça, pelo menos durante as horas da visita. Mas foi a insistência de Magda que o convenceu que não ia ser necessário:
- Peço apenas que o Senhor confie em mim.
- Estou confiante em ti - replicou ele - mas lembra-te que é a minha reputação que está em jogo.
No dia marcado para a visita, a tia Alice chegou no carro conduzido pelo Henrique.
A senhora foi acompanhada até uma repartição da sala principal onde a sobrinha a aguardava e grande foi a emoção do reencontro após tantos meses de separação. A dona Alice deu um abraço longo e apertado à bela sobrinha e sentou-se numa das duas poltronas separadas por uma mesinha baixa. Magda sentou-se na outra defronte da tia.
Como a tia tinha olhado só para o rosto da sobrinha, ainda não tinha visto as correntes e Magda, furtivamente, enfiou os pés descalços debaixo da mesinha. A sorte era que a senhora de meia idade era bastante míope e usava óculos de lentes muito grossas.
Para deixar as duas mais à vontade, Henrique sentou-se noutra parte da sala, com um livro nas mãos.
A conversa que se seguiu foi bastante banal.
Curiosamente, porém, a jovem não ficava quieta na sua poltrona por mais de trinta segundos. Passava continuamente a mão entre os cabelos, suspirava, respirava profundamente, fechava os olhos, coçava-se, mexia os quadris com tanta insistência que até a tia, que via com dificuldade, mas que não era cega, perguntou:
- Ó filha, estás com bichos carpinteiros no corpo?
Henrique fez um esforço tão intenso para segurar uma sonora gargalhada que quase sufocava.
Magda cujos dois consolos estavam a excitá-la sem precedentes e, não podendo alcançar o orgasmo diante da tia, levantou-se alegando que ia à cozinha preparar para todos um sumo de fruta.
Enquanto a máquina de sumos rodava a toda a velocidade, aproveitando-se do barulho ensurdecedor, Magda teve um orgasmo tão intenso que, inadvertidamente, soltou um grito abafado. A tia Alice perguntou preocupada:
- Magoaste-te, Magda?
- Não, tia, é que experimentei o sumo e estava bastante azedo.
Henrique, que ouvia tudo, mais uma vez quase sufocou pelo esforço de segurar o riso.
Magda não demorou a voltar da cozinha com uma bandeja onde tinha posto um jarro, três copos, açúcar e guardanapos e o apoiou sobre a mesa de apoio.
Dessa vez, porém, a tia viu os grilhões nos tornozelos da sobrinha e de imediato perguntou:
- Minha filha, o que é isso?
Obviamente não podia responder que se tratava de um novo tipo de adereço moderno pois a tia, mesmo com sua índole benévola e mansa, não era parva e merecia ser tratada com respeito e consideração. Henrique começou a sentir suores frios no corpo.
- Tia, são correntes, respondeu seriamente a jovem.
- E quem foi que prendeu os teus pés, replicou a tia lançando um olhar inquisitivo em direção de Henrique.
- Eu mesma, tia, disse Marta com simplicidade.
- Tu mesma fizeste isso... e por quê?
- Sabe, tia, a senhora talvez nem se lembre que eu tinha um namorado, uns anos atrás, um rapaz que de quem eu gostava muito…
- É mesmo? Eu não me lembro desse rapaz. Era lá do Redondo?
- A senhora não se lembra porque isso foi na época em que a senhora passava a maior parte do tempo em Vila Viçosa, na companhia do Dr. Mendes. Bem, esse rapaz que lhe falei, depois de se ter comprometido comigo, deixou-me de um dia para o outro e eu sofri bastante, sabia?
- Oh filha, avalio todo o teu sofrimento. Mas o que isso tem a ver com as correntes?
- A senhora não se terá se esquecido da igreja da nossa vila, pois não?
- Claro que não, tu sabes da minha devoção e sempre te levei lá desde nova para aprenderes os ensinamentos católicos.
- Pois é. Um dia em que estava muito abatida e desanimada, entrei naquela igreja, ajoelhei-me diante da imagem de Cristo e pedi que ele me ajudasse a encontrar um homem que me respeitasse. Não um idiota como aquele que me fez tanto mal, mas um senhor maduro, sensível, carinhoso e, principalmente, leal. E, para reforçar ainda mais o meu pedido, quis também fazer um voto. A senhora deve ter na mente o quadro, perto da pia baptismal, representando uma santa que está sendo levada ao martírio…
- Ah, sim, aquela jovem romana com as correntes nos pés…
- Isso mesmo! Muito sugestionada pelo quadro, fiz a promessa solene que, caso a minha súplica fosse atendida, ficaria, pelo menos dentro de casa, acorrentada por dois anos consecutivos. Por isso, quando a senhora chegou, não me atrevi a tirar as correntes, por temor de quebrar um voto, de menosprezar, por pura vaidade, uma promessa tão importante.
- E fizeste bem, uma promessa é um comprometimento sério, respondeu a tia com a voz embargada pela comoção. Mas me diz-me uma coisa... esse teu novo namorado, que parece ser uma pessoa tão séria e aprumada, não se incomoda com essas correntes?
- Bem, sinceramente… no começo ele reclamou um pouco, mas depois teve que aceitar e respeitar o meu lado religioso.
- Esse senhor foi muito compreensivo contigo, um verdadeiro cavalheiro.
E, de repente, levantou-se e foi cumprimentar Henrique com tanta sinceridade e espontaneidade que ele, que quase explodia tamanha a vontade de rir, ficou sério e pensativo, tendo até um pouco de remorsos por ter cooperado a enganar uma senhora que demonstrava aquela inocência e bondade.
Enfim, depois do sumo e de muitas outras conversas mais ou menos interessantes, a tia Alice foi levada de volta à sua residência no Alentejo. Apesar da insistência da sobrinha e do próprio Henrique, não quis ficar para dormir.
Henrique acabou por voltar a Sintra já depois da meia-noite. Mais tarde, na cama, relembrando os acontecimentos do dia, ele louvou a criatividade da sua parceira e, enquanto a beijava com renovado ardor, sussurrou nos seus ouvidos:
- Tu és mais inteligente e bonita que a famosa Sherazade!
E o amor que veio depois foi tão intenso e prazeroso que teria sido realmente digno de fazer parte dos contos mais eróticos do livro Mil e uma Noites.
continua...
texto por Bernardo Lupi
imagens do catálogo da Exposição "Bruxaria: Objectos Insólitos e Criaturas Fantásticas" patente em Óbidos, 1998 (clicar em cima para aumentar)
foto da máquina consoladora surripiada daqui
fotografia por Imperator
Henrique regressou a casa perto da meia-noite.
A jovem estava a ser submetida a uma antiga tortura medieval mas, pelo menos, esse castigo podia significar que Henrique não se iria livrar dela. Todavia o facto de ter sido obrigada a lavar os pés, deixava-a perplexa e preocupada.
Rapidamente, ela começou-se sentir à vontade a cavalo do potro. Percebia o seu corpo como um maravilhoso objecto sexual, um brinquedo nas mãos de um dono com mau génio mas, ao mesmo tempo, carinhoso, leal e fiel. Isso era o mais importante.
As horas em cima do potro foram uma viagem numa dimensão sobre-humana, uma dimensão caracterizada por uma única e sublime variável. O prazer.