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domingo, 8 de maio de 2011

carpe somnium [3]


Faz-se noite num céu muito estrelado. O quarto crescente da Lua é uma hammock brilhante para onde voamos os dois. Sabe bem o frio da noite no corpo quente. Ele senta-se nela e começa a baloiçar. Ajoelho-me no chão do céu e paro-o por um instante, para salivar no seu menino e encaixá-lo nas minhas mamas.
Peço-lhe para continuar a baloiçar. Apetece-me embalá-lo, mas não é para o adormecer, antes para o pôr em ponto de rebuçado. Paro-o novamente e começo a explorar com a boca, para ver até onde posso ir com os dentes, onde é que tem cócegas, como prefere ser tocado.
A língua explora os arredores e penetra-o devagar, enquanto as minhas mãos rodopiam no corpo dele, sabe-se lá onde irão parar. Num gesto absolutamente felino, as minhas unhas encolhem, para não o magoar e os meus dedos esgueiram-se para dentro dele, enquanto a minha boca continua a explorar – parece estar a gostar.
Vem-se na minha boca e continuo a lambê-lo lentamente enquanto me vai explorando o corpo. Quando fica novamente em pé, salto-lhe para cima. A lua embala-nos, transformada que está na hammock brilhante, a banhar-nos com a sua luz prateada. Ele lambe e morde-me as mamas e todas as partes de corpo que consegue alcançar e assim ficamos até nos fartarmos. Descemos à terra ainda encaixados, a escorrer um no outro e aterramos nos lençóis de cetim branco a ouvir:
“so let go, jump in
oh well, whatcha waiting for
it's alright
'cause there's beauty in the breakdown
so let go, just get in

- Dlim-dlão – já sei quem é, limito-me a dizer:
- Trouxe companhia. Nem posso dizer que seja uma grande surpresa porque tu já deves suspeitar quem é.

continua aqui para a semana

segunda-feira, 2 de maio de 2011

carpe somnium [2]


Então se é assim, vou aproveitar!
Um belo banho de espuma e pétalas de rosa a ouvir sons da floresta. É, relaxam-me e eu estou mesmo a precisar, estou demasiado excitada. Claro que no meio da espuma não resisto a tocar-me e tento aliviar um pouco a minha tensão. Não consigo. Deixa cá ver… unhas vermelhas, lábios da mesma cor brilhantes mas não colantes e mamilos a condizer. Passo um lápis preto pelas pálpebras ao de leve, só para realçar a cor dos olhos. Lingerie preta transparente e umas meias da mesma cor pela coxa, muito simples. Para completar, apenas uma gabardina preta pelo joelho e uns sapatos pretos de salto razoável.
Espera, vou dar um jeito nesta celulite – belisco-me no rabo e o assunto está resolvido, que maravilha!
Deixa-me só ver o que consigo fazer contra a gravidade – tiro o soutien e as minhas mamas balançam mas não saem do sítio, fantástico! Estupendaça! Ahahahaah! Caramba, sinto-me uma feiticeira com poderes ilimitados. Usá-los assim parece batota. Mas raios, é o meu sonho, não estou a magoar ninguém, só me quero divertir, que mal tem?
Apetece-me dar uma de Leslie Gore, mas a aldrabar a letra toda e cantarolar: it's my dream and I do what I want to do, do what I want to do, doooo what I want to doooooo! you would do it too if it happened to you!
Vou a voar no bólide, tentando seguir o curso da auto-estrada para não me perder. O meu bad boy transforma-se numa carrinha Lancia Lybra azul céu e rasga confortavelmente as nuvens brancas a toda a brida. Vou a comer tangerinas, a ver se acalmo. Isso não me impede de sentir aquele calorzinho na barriga, que sobe por mim acima sempre que alguma coisa me excita a sério. Chego lá num instante, mal tendo tempo para curtir o carro e tenho lugar mesmo à porta. Pego no telemóvel e aviso:
- Cheguei.
- Então sobe. É no último piso, 69…
– Ahahahaha! Roger… - remato armada em agente secreta, a adivinhar-lhe o sorriso.
Apesar de não me lembrar de nenhum edifício tão alto em Aveiro (aquilo é tudo tão plano, se houvesse, via-se) subo ao 69º andar. Lá em cima, uma vista fabulosa sobre a ria dá-me as boas vindas. Esmerou-se. Ah, espera lá, eu é que me estou a esmerar!
Bato à porta.
- Entra. – Respiro fundo e entro em passo decidido, ansiosa por saber se reservei a mim própria mais alguma surpresa. É um espaço bastante claro e amplo, ele a ler recostado numa cama enorme, quadrada, com montes de almofadas. Zero 7 a pairar no ar como um perfume e ele, bonzaço como sempre. Tronco nu, calças de ganga, descalço. Levanta-se e vem na minha direcção. A minha pulsação acelera, tento disfarçar. Gaita, nem no meu sonho consigo controlar o meu corpo, sinto-me corar.
- Olá – diz a sorrir, a 1 metro de mim. Eu ponho o dedo em riste e disparo:
- Deixa-me só avisar, para o caso de não saberes, que não passas de uma personagem sonhada por mim.
Qualquer semelhança com a realidade não é coincidência, mas antes uma forma de eu fazer com que isto seja o mais real possível. No entanto, não te poderei imputar a responsabilidade dos teus actos enquanto estiveres no meu sonho. – Não sei o que me deu para dizer isto de uma assentada, mas parece-me ético fazê-lo. Principalmente para não me enganar a mim própria.
Chega-se a mim, agarra-me pelos ombros. Eu com os saltos e ele descalço, somos da mesma altura. Olho-o nos olhos e esboço um sorriso tímido. Estou a tremer. Olho para o chão de madeira clara, vejo os pés dele. São elegantes, reparo nos tendões desenhando sulcos sob a pele em movimento. Num impulso, dirijo-me à orelha, roçando suavemente a minha bochecha pela dele e sussurro:
- Tens uns pés giros. – Começa a rir, a encolher os ombros em curtas sacudidelas que me fazem lembrar o Mutley. Gosto mesmo do riso dele, caramba. Depois vira-se para a minha orelha e responde:
- Eu sou todo giro. – Pronto, já cá faltava a resposta do Mr. Ego. Mas para quê contestar quando é verdade? Limito-me a sorrir, é assim que me faço entender.
Tentei imaginar esta cena umas quantas vezes, lembro-me que até cheguei a sonhar com isto, mas nunca consegui esta clareza. Nunca me consegui aperceber do exacto momento em que as nossas defesas baixam a guarda. O momento em que a pele vence a distância que separa os dois corpos para dar lugar ao toque que solta o desejo: tocam-se os lábios. Não são muito polpudos, começo por beijá-los com cuidado, mas quando chego à língua… um rodopio de volúpia percorre-me o corpo todo e concentra-se na minha boca. Consigo sentir-lhe intensamente o sabor, a textura, a temperatura, a respiração, e isso deixa-me tonta, a querer enfiar-me mais dentro dele, a querer sorvê-lo para dentro de mim. Foda-se, já andava
há que tempos a esperar por isto!
- Sabes a tangerina – diz ofegante. Sorrio e não resisto a fazer aquele trajecto que há muito me apetece: percorro com a língua o pedaço de pele que vai do seu ombro à orelha e depois vou por aí abaixo, a beijar como quem morde, até ao arrepio. Absolutamente irresistível…
Abre-me a gabardinha. É fácil, é de molas.
- u-U! - Gosto do esgar que faz quando olha para o meu corpo… o soutien abre-se à frente, e as cuecas de lado. Afinal de contas, a lingerie é apenas um véu, quanto mais fácil de desviar, melhor. Mas ele ainda passeia as mãos por cima do tecido transparente por uns momentos, numa antecipação do gozo que é despir uma mulher.
Estou nua à frente dele, só com meias e sapatos. Tira-mos devagar, a percorrer as pernas de alto abaixo, a rir para os pêlos avermelhados da minha púbis.
- Cheiras a tangerina – diz a inspirar o aroma que se solta do coraçãozinho peludo.
- É, estive a comê-las e houve uma que me quis comer a mim… sabe bem tangerina com suco de menina… agora tu - e faço-me a ele, desapertando as calças. O menino dele espreita ansioso para sair das calças:
– Cheiras a… cão man – digo com os lábios encostados à glande. O sexo dele é curioso: moreno e ligeiramente curvado para cima, aparadinho, desafiante.
Agrada-me a ideia de não ter de me preocupar com doenças sexualmente transmissíveis e gravidezes indesejadas. O sexo dos sonhos é sempre 100% seguro!
Subo pelo corpo dele acima com a língua, até lhe morder o queixo, pego-lhe na mão e digo:
- Anda, quero mostrar-te uma coisa!

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terça-feira, 26 de abril de 2011

carpe somnium [1]

início

Sinto o telemóvel a vibrar. Cão Man? O que é que este gajo quer? Vou até à rua e atendo para satisfazer a minha ávida curiosidade:
- Tou?
- Olha lá, amanhã vou ter de ir a Aveiro, queres vir ter comigo?
Aveiro, amanhã, ter… CONTIGO?!?!!?? Ok, por esta é que eu não estava à espera. É que não estava mesmo nadinha à espera. Já tinha pensado como iria reagir numa situação destas, e invariavelmente sabia que me iria engasgar.
- Aaaaaaa, eh, pois… tenho de ver. Eu amanhã de manhã ligo-te ok?
- Ok, inté.
- Xau.
Deve estar a gozar comigo, deve ser isso. Amanhã vai mudar de ideias. Afinal de contas, quando nos encontrámos tinha dito que não estaria disponível e depois apareceu. E da outra vez disse que viria mas à última da hora, mudou de ideias. É. Amanhã vou ligar-lhe e dizer que não vou. Não vou? Carpe vitam, gaita! Queres aproveitar a vida ou deixar que ela te escorra pelos dedos? Caramba, caramba, caramba, tenho de ter uma conversa com o meu amor. Vou ter com ele ao sofá e entrelaço-me nele com se fosse um gato:
- O Cão ligou-me.
- Ai sim?
- Foi. Perguntou-me se quero ir ter com ele a Aveiro amanhã.
- Suponho que o convite seja só para ti.
- Pois…
- Queres ir, não queres?
- Quero.
- E não estás à espera que eu te impeça, pois não?
- Não, mas não sei se deva ir. Além disso o mais certo é amanhã ele dizer que mudou de planos. Não te quero magoar por causa de um capricho meu.
- Se eu não te conhecesse…
Sorrimos. É tudo quanto é preciso. Abraço-o e sussurro-lhe ao ouvido:
- Amo-te!
- Muito…
Continuei sem suspeitar da partida que a minha mente inconsciente me estava a pregar. Esperei até ao final da manhã para lhe deixar uma sms “conta comigo”. Noutra devolvia-me as coordenadas do local e a hora.

Ok, há qualquer coisa aqui que não bate certo, isto está a correr demasiado bem. Olho para as minhas unhas com uma ligeira esperança de as encontrar normais, e na verdade estão, ou melhor, começam a mudar lentamente, da raiz até à ponta, da cor natural para um vermelho escuro e crescem um pouco mais! Umas unhas absolutamente perfeitas! Isto para uma roedora inveterada de unhas em fase de abstinência é absolutamente fantástico! O já tradicional friozinho apodera-se da minha barriga após a confirmação: “Só posso estar a sonhar!”

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sábado, 28 de agosto de 2010

Magda XII

início | continuação daqui
texto por Bernardo Lupi

No caminho de regresso a casa, Henrique vai traçando os planos para o fim de semana seguinte.
- Magda, no próximo sábado iremos receber a visita de um casal de amigos. Ele chama-se António e é o Senhor da rapariga que virá com ele. Peço que os recebas respeitosamente e que vistas algo adequado à tua condição de escrava.
- Será um grande prazer conhecer os seus amigos e farei tudo o que me ordenar meu Senhor – responde ela.
Na manhã do sábado, Henrique mandou que Magda limpasse com esmero a sala e a cozinha, colocando tudo ordenado, polindo os vários bibelots, os porta-retratos e alinhando os livros das estantes.
Quando o serviço foi concluído, ele ordenou que ela tomasse banho e se perfumasse com algumas gotas de sândalo.
Em seguida entregou-lhe uma longa saia de tule de seda branca, extremamente delgada e cortada numa lateral. A saia, do tipo usado pelas odaliscas orientais, era tão transparente que, em vez que esconder suas formas, as realçava ainda mais.
Retirou as algemas, enquanto os pulsos e os braços foram enfeitados com largas pulseiras de cobre. Quanto ao cinturão de couro foi substituído por uma longa e fina corrente de ouro que dava três voltas em torno da fina cintura da escrava. A coleira e as correntes nos pés, não foram removidas.
Faltavam poucos minutos para as cinco horas da tarde, quando o telemóvel de Henrique tocou. Era o António a avisar que estava em frente ao portão da propriedade. O dono da casa, accionou o controlo remoto do portão, e um Volvo azul escuro, conduzido por um homem de cerca de quarenta anos de idade, entrou no pátio defronte do edifício principal.
Junto com o convidado, desceu também a namorada dele, uma mulher que aparentava ter mais ou menos a mesma idade de Magda, alta, de olhos azuis e longos cabelos loiros. Ela vestia uma elegante capa escarlate, fechado à altura do pescoço, que escondia totalmente o corpo. Apenas a ponta dos pés, descalços, era visível e, pela curta extensão de seus passos, era fácil intuir que eles estavam acorrentados.
Os dois, entraram no hall de entrada da casa, onde Henrique e Magda os aguardavam. Os cumprimentos foram calorosos entre os dois homens, enquanto a jovem loira apenas acenou com a cabeça murmurando "Boa tarde" em tom tão baixo que ninguém a ouviu.

Magda aproximou-se da desconhecida, e deu dois beijos no rosto dela que, como única resposta, baixou a cabeça e permaneceu silenciosa em pé ao lado do seu dono.
Magda intuiu imediatamente que a rapariga não estava a sentir-se à vontade naquela situação. Observando com mais atenção o manto que ela vestia, reparou que as duas pontas, embora bem encostadas, não se fechavam totalmente deixando assim entrever, por baixo, a pele nua da mulher. Reparou também a presença de um cinturão de couro e, enquanto se esforçava para olhar melhor, a sua atenção foi desviada pelas palavras de Henrique
- Este é o António, um dos meus melhores amigos e como tu podes constatar, também é um mestre dominador.
- Muito prazer, Senhor António - respondeu Magda com um sorriso.
- O prazer é todo meu. Esta bela jovem aqui ao meu lado chama-se Elisabete e é minha escrava há poucas semanas.
- Sorte de o Senhor ter uma escrava tão nova, bonita e ob…
- Obediente? -interrompeu António- Se é isso que você está a pensar, está redondamente enganada, pois ela é uma das submissas mais atrevidas e desobedientes que já encontrei na minha vida.
- A sério, Sr. António? -perguntou de novamente Magda - Ela tem um rosto tão sereno que...
- Não se deixe enganar pelas aparências -interrompeu novamente o visitante - ela tem um temperamento que pouco condiz com uma submissa. E estamos justamente aqui, na vossa casa, para que o seu dono, o meu amigo Henrique, ponha em prática a sua experiência de mestre para dar a justa punição à Elisabete.
- Mas por que deve ser o meu dono e não o Senhor a fazer isso? – arriscou Magda.
Mas, antes que ele pudesse satisfazer a curiosidade da mulher, Henrique já estava a tirar o manto da rapariga que ficou totalmente nua, exposta à vista de todos. As mãos estavam bem atadas atrás das costas e fixadas ao cinturão de couro que, pela circunstância, foi apertado o mais possível.
A pele da Elisabete era branca e fininha, os peitos fartos, e cada mamilo enfeitado por uma argola de ouro. Suas nádegas eram tão bonitas quanto as de Magda e as suas pernas, mais compridas que as da anfitriã, terminavam com dois belos pés, não muito pequenos, mas realmente graciosos.
O Sr. M., acenou para ela e disse:
- Vamos!
Os dois foram, lentamente, em direcção de uma repartição da casa onde havia o quarto em que Magda era conduzida todas as vezes que era castigada.
Enquanto Magda ficou sozinha na companhia de António, respondendo às perguntas dele, fazendo perguntas ou oferecendo bebidas, o Henrique tratava de punir rigorosamente a jovem rebelde, mas nem um grito abafado foi ouvido na sala, devido à parte interna da casa ter portas e paredes insonorizadas.
Naturalmente Magda não se importava se o seu dono castigava uma outra escrava, mas temia que ele, como qualquer dominador, estivesse a exercer o seu direito de interagir sexualmente com a rapariga.
Essa suspeita tornava-se mais forte e concreta com o passar do tempo. Ela sabia, por experiência, que uma sessão punitiva podia durar, no máximo, uma hora e meia, e já fazia mais de duas horas que eles não apareciam. A sua inquietação crescia à medida que o tempo passava. Essa sua apreensão contrastava, surpreendentemente, com a calma de António que demonstrava ser um conversador competente e discreto.
Ele, novamente instigado por Magda, afirmou que a punição de Elisabete cabia ao Henrique por dois motivos. Antes de tudo a rapariga fora-lhe apresentada por ele que, naquela oportunidade, responsabilizou-se perante o amigo garantindo tratar-se de uma escrava meiga e obediente. Em segundo lugar, ele estava completamente apaixonado por ela e, por se tratar de um castigo bem duro, preferia que fosse dado por outra pessoa de confiança.
Magda ficou cismada. Se o Henrique já conhecia a Elisabete, pensou, era evidente que ele já a tinha possuído e, portanto, com muita probabilidade agora estaria a desfrutar dos prazeres que uma mulher bonita podia oferecer a um Senhor temporariamente dono de seu corpo.

Uma profunda tristeza, misturada a um rancor crescente começou a corroer a mente da mulher que estava a sentir-se traída dentro do seu território, nos seus próprios aposentos.
Enfim após um tempo que pareceu interminável, os dois emergiram do interior da habitação.
A pele das coxas e das nádegas de Elisabete estava totalmente cheia de marcas violáceas, enquanto outras marcas roxas, deixadas por cordas bem apertadas, eram visíveis nos braços, nas pernas, nos tornozelos e nos pés.
O Henrique deu um beijo no rosto da escrava que, sentando-se ao lado de António, encostou a cabeça no ombro dele e, enquanto não parava de beijá-lo, murmurava em continuamente.
- Perdão meu Senhor, admito que o erro foi só meu e agradeço ao Senhor Henrique por me ter ensinado o imenso valor da submissão total e incondicional.
- Bem, -comentou Henrique - como parece que tudo foi resolvido, que tal experimentar aquele deliciosos robalos grelhados que nos esperam e abrir aquelas garrafas de vinho verde bem gelado?
- Resolvido uma ova! - pensou Magda, enquanto uma raiva surda tomava conta do seu sistema nervoso.
Os dois visitantes e o anfitrião acomodaram-se em torno de uma mesa quadrada. Elisabete teve algumas dificuldades para se sentar, devido ao forte ardor que sentia nas nádegas. Enquanto isso, Magda foi para cozinha para trazer o peixe que tinha sido preparado pela Rosa, a discreta empregada da casa, e um balde de gelo contendo uma primeira garrafa de vinho verde.
O jantar estava delicioso e todos comeram e beberam com satisfação. Apenas Magda beliscava no prato sem apetite mas, em compensação tomou mais vinho que todas as outras pessoas.
Para terminar foi servido um pudim abade de priscos e aberta uma garrafa de brandy.
Ao passo que os homens tomavam café, Elisabete e Magda ficaram encarregues de levar os pratos sujos de volta para a cozinha onde seriam colocados na máquina de lavar louça.
Subitamente Magda, que já tinha ingerido álcool em excesso, arremessou com força uma pesada bandeja de prata contra a máquina cujo selector de programas ficou completamente danificado.
Os homens chegaram imediatamente e encontraram Magda sentada no chão, que choramingava e escondia o rosto entre as mãos.
Henrique, em tom imperioso, perguntou o que tinha acontecido, mas Magda continuava a chorar sem responder. Foi Elisabete que contou tudo o que tinha visto.
Ele ordenou que Magda se levantasse e, olhando bem sério nos olhos dela, perguntou qual a razão de um comportamento tão inusitado.
- O Senhor traiu-me com a Elisabete! - respondeu ela quase histérica.
Henrique ficou vermelho de fúria perante a insolência da sua escrava. E, enquanto meditava qual devia ser o castigo oportuno, o António decidiu intervir.
- Querida amiga, o Henrique é a pessoa mais correcta e leal que já conheci. Ele nunca faria sexo com a sua afilhada...
- Afilhada? - murmurou Magda quase sem voz…
- Sim querida -interveio Elisabete- ele nunca te contou que logo após meu pai, que era director comercial de uma empresa do Henrique, ter falecido, assumiu o compromisso de pagar os meus estudos, e que além disso ele sustentou a casa da minha mãe durante alguns anos?
- Juro que eu nada sabia sobre isso. Mas então porque é que vocês demoraram tanto dentro do quarto?
- O Henrique castigou-me como eu merecia -narrou a jovem- mas depois passou um bom tempo comigo a tentar explicar-me como é que eu devia comportar-me com o António, ensinando-me o valor da lealdade e da confiança que sempre devemos às pessoas que nos amam. Por isso é que demoramos tanto tempo...
Ao ouvir estas palavras Magda ficou mais vermelha que um tomate e arrependeu-se de ter julgado e condenado moralmente o seu parceiro sem nem ter antes conversado com ele.
- Meu Senhor, peço perdão com humildade e, ao mesmo tempo, peço-lhe um castigo que me sirva de lição para o resto da vida, disse ela, cabisbaixa.
- Muito bem! Como tu estragaste a máquina, irás substituí-la, agora mesmo!
- Sim Senhor, vou lavar esta louça toda - murmurou Magda.
- Não falei em lavar prato algum, minha querida. Disse que irás substituir a máquina de lavar. Trata-se de algo totalmente diferente.

Realmente Magda não estava a entender a diferença semântica entre as duas orações, mas era evidente que Henrique já tinha decidido que ia ser daquela forma.
Com efeito, ele mandou que a jovem ficasse totalmente nua, a não ser por um simbólico e minúsculo avental cor de rosa que mal cobria o púbis. Tirou os adornos e recolocou o cinto de couro com uma corda entre os lábios vaginais. Atou as mãos com algemas compridas, segurou a argola dianteira do cinturão a outra argola no lava louças e pediu que Elisabete pusesse toda a louça suja à esquerda da Magda.
Dos dois tanques em frente à escrava, um foi preenchido com água quente e detergente, o outro ficou vazio, mas com a água a correr da torneira aberta.
Magda devia simplesmente pegar a louça que se encontrava à sua esquerda, mergulhá-la na água morna e passar uma esponja, enxaguá-la debaixo da torneira e, enfim, apoiá-la em cima de um escorredor de pratos.
O Henrique alertou-a que, caso uma só peça ficasse suja, ela teria que lavar novamente toda as louça e, em caso de danos materiais, ia receber dez chibatadas por cada peça danificada.
- Este serviço é muito fácil e rápido - raciocinou mentalmente Magda.
Mas, enquanto pensava nisso, Henrique colocou na cabeça dela o capuz de couro que a deixou completamente cega e, ao apertar a fivela do capuz em torno do pescoço de Magda, explicou:
- As máquinas de lavar louça não conseguem ver os pratos!

Agora ia ser realmente mais difícil e complicado executar a tarefa.
- Paciência - pensou novamente Magda - irei demorar mais tempo, mas a noite ainda está no início.
Agora que ela não podia ouvir mais nada, o anfitrião dirigiu-se a seus hóspedes com estas palavras:
- Eu disse que a Magda ia substituir a máquina, não que ia simplesmente lavar os pratos.
Os dois não entenderam muito bem o significado das palavras, mas ficaram curiosos para saber exactamente o que o Henrique queria dizer com suas enigmáticas palavras.
Ele entrou para a dispensa e voltou com um estranho objecto composto, fundamentalmente, por uma base quadrada de madeira, dividida em dois compartimentos bem separados, constituídos por duas placas de cobre. Levantou o pé direito de Magda e apoiou-o no compartimento da direita, passando um cinto de couro sobre o pé para garantir um bom contacto com o fundo de metal. Fez o mesmo com o pé esquerdo. Depois, com uma pequena corrente de ferro amarrou os tornozelos, mais em baixo que os grilhões, fixando a extremidade da corrente a uma segunda argola na parte baixa do lava louças. Agora Magda estava duplamente presa ao móvel da cozinha.
De uma gaveta extraiu um pequeno transformador, daqueles normalmente usados nas sessões de fisioterapia e ligou-o às duas chapas de cobre. Ligou um fio à tomada, regulou oportunamente a voltagem e anunciou:
- A máquina de lavar louça está oficialmente pronta para funcionar.
E, assim dizendo, apertou um interruptor e uma fraca corrente eléctrica alternada começou a fluir nos pés de Magda.
A jovem, que já tinha começado muito vagarosamente a lavar os pratos, acelerou rapidamente o que estava a fazer. Embora a corrente não fosse dolorosa, causava uma sensação desagradável.
Dentro de vinte minutos toda a louça estava no lado direito da pia, apoiada no escorredor de pratos.
Henrique desligou a electricidade e foi verificar o resultado. Não todas as peças estavam perfeitamente limpas e um pires, que tinha escorregado das mãos ensaboadas de Magda estava danificado.
Conforme o prometido, com a ajuda da Elisabete, todas as peças, mesmo que limpas, foram repostos no lado esquerdo do lava louças.
- Acho que usei um programa de lavagem muito fraco -comentou Henrique- enquanto aumentava a voltagem e ligava novamente o transformador.
Desta vez a corrente era mais intensa e a jovem apressava-se o mais possível para terminar o trabalho. Por outro lado, não podia deixar nada sujo, pois o seu dono iria reiniciar toda a operação aumentando ainda mais a corrente eléctrica nos seus pés. Uma situação realmente complicada de gerir.
Foram mais vinte minutos de sofrimento, mas enfim até o último talher foi perfeitamente limpo e posto no escorredor. Infelizmente mais dois copos ficaram danificados.
O anfitrião estendeu o chicote na direcção do António, pedindo a gentileza de ele aplicar trinta golpes na Magda, distribuídos entre as coxas e as nádegas. O amigo aceitou com prazer, satisfeito de poder retribuir o favor há pouco recebido.
- Apesar da louça partida- ironizou Henrique- foi tudo lavado com uma notável poupança de energia.
- Pois é, meu amigo, a Magda demonstrou ser um electrodoméstico bastante ecológico- gracejou o António - que, após ter novamente agradecido e cumprimentado o Henrique, retirou-se da casa, entrou no carro com a Elisabete e desapareceu rapidamente na estrada escura da serra.
Henrique voltou de imediato para a cozinha onde Magda ainda estava encapuçada e acorrentada ao lava louças. Acariciou as suas pernas e as costas, beijou-lhe as nádegas e os lábios vaginais que, devido à posição da jovem, dobrada para frente, se ofereciam ainda mais e, quando ela ficou bem molhada, afastou a corda que estava enfiada na sua vagina e penetrou-a com ardor. Apesar do capuz, os gritos de Magda foram tão altos que uns gatos, que estavam do lado de fora da cozinha à espera dos restos do peixe, fugiram apavorados entre as plantas do jardim do casarão.


imagem: Getty Images
continua...

sábado, 17 de julho de 2010

Magda XI

início | continuação daqui
texto por Bernardo Lupi
foto da praia por Imperator
foto melão gettyimages
foto Raspberry Grape por bon idee

A recuperação das pequenas feridas causadas pelos piercings decorria mais rapidamente do que Vanda tinha previsto. Três semanas depois da introdução dos adornos, a pele de Magda estava totalmente cicatrizada. Decorria a tarde de sábado e, Henrique resolveu de convidar Magda para passar a manhã de domingo na praia. Não poderia ser uma praia qualquer. Ele optou por escolher a Praia da Ursa, uma pequena língua de areia, escondida nas falésias perto do Cabo da Roca, onde muito poucas pessoas se aventuravam a ir devido aos seus difíceis acessos e por ser um local que não era vigiado.

Magda aceitou o convite com entusiasmo e um pouco de apreensão, pois ia ser a primeira vez que saía daquele ambiente aconchegante e protegido do casarão escondido na serra. Também era muito provável que Henrique quisesse levá-la para a praia na sua condição de escrava, portanto com toda a parafernália que usava habitualmente em casa. O que comentariam os outros banhistas? Insultariam o seu parceiro? Chamariam as autoridades policiais?

Conhecendo perfeitamente a personalidade do seu mestre, não conseguia imaginar como uma pessoa tão inteligente e prudente estivesse, propositadamente, a criar uma situação que o poderia expor a consequências bem desagradáveis.

Embora muito mais nova do que ele havia momentos em que a mulher visualizava coisas que ele não via.

Aquela noite o sono de Magda foi perturbado por pensamentos negativos que, de vez em quando, a faziam acordar preocupada.

No dia seguinte, por volta das nove horas, os dois já estavam de pé, prontos para irem à praia. Antes de sair, Henrique retirou as algemas, mas deixou a coleira e substituiu o cinturão de couro escuro por outro do mesmo material, mas de cor mais clara. Acrescentou, na parte mais alta das coxas, dois cintos de idêntica cor. Fixou o cabo de uma corda de seda à argola dianteira do cinturão, e a corda, passando dentro dos lábios vaginais, foi amarrada às duas argolinhas dos cintos nas virilhas.

Para completar, fechou os dois pares de anéis vaginais com dois pequenos cadeados de aço. Ambos tinham a forma de um coração.

Ele vestiu um pólo verde escuro, uns calções beges e calçou uns confortáveis sapatos de vela sem meias. A jovem estava totalmente nua, a sua pele coberta apenas pelos acessórios de couro e pelos grilhões nos tornozelos.

Devido aos maus acessos da praia, Henrique achou prudente fazer-se deslocar no seu Land Rover. Entraram no carro e, depois de uma breve viagem pelas sinuosas estradas da serra de Sintra, chegam ao cruzamento que dava acesso ao Cabo da Roca. Prosseguiram mais um pouco e lá na frente, viraram à direita e seguiram por um trilho de cascalho que ia em direcção das arribas. Embora a praia fosse, teoricamente, pública, a única via de era muito íngreme e perigosa. À excepção de alguns praticantes de escalada ou casais de namorados mais afoitos, aquela pequena praia estava quase sempre deserta. Era quase certo que ninguém os iria atrapalhar durante as próximas horas. Henrique estacionou o jipe a menos de trinta metros das escarpas e saíram para o exterior. Magda seguia-o, caminhando devagar tanto por causa da curta corrente quanto por causa dos pés descalços que, por serem pequenos e delicados, podiam-se magoar seriamente naquele estreito caminho de pedras soltas.

Quando por fim, alcançaram o estreito areal, Henrique estendeu uma toalha no chão e mandou que a ela se sentasse em cima. Logo em seguida amarrou firmemente as mãos de Magda atrás das costas, fixando-as à argola posterior do cinturão. Também atou-lhe os braços com uma corda que tinha quase da mesma cor da areia.

Henrique sacou de uma bolsa algumas meadas de uma corda fina.

Com um primeiro trecho imobilizou os tornozelos, ocultando totalmente os grilhões de ferro. Com um segundo amarrou os pés bem perto dos calcanhares e com um terceiro atou-os de novo, mais adiante, na proximidade das falanges. Enfim bloqueou os polegares com duas tirinhas de couro claro e um minúsculo cadeado de latão.

O trabalho foi feito com tanta perícia que um eventual observador teria pensado que Magda teria calçado um par de sandálias de modelo antiquado.

Ele adorava este tipo de disfarces, completou a sua obra vendando os olhos da escrava e escondendo a venda atrás de uns enormes óculos de sol. Enfim, pôs na cabeça dela um grande chapéu de palha que resguardava grande parte do seu corpo dos raios solares.

Agora, quem olhasse para ela lateralmente de uma distância superior a dez metros, juraria tratar-se de uma banhista qualquer, vestindo um par de curtas bermudas, acessórios para se proteger do sol, um par de sandálias à moda antiga e que, talvez, estivesse com os seios descobertos, mas isso já não surpreende ninguém nos tempos que correm.


Henrique sentou-se numa toalha ao lado de Magda, pegou num frasco de protector solar, que emanava um intenso aroma de coco, e começou a aplicar o líquido no corpo da jovem, partindo do pescoço e esfregando repetidamente os peitos. Frequentemente segurava os mamilos entre o indicador e o médio, apertando-os ligeiramente até ouvir um leve gemido da escrava. Efectivamente, a presença da barrinha de platina dentro dos bicos tornava-os mais sensíveis e o prazer de Magda era, ao ser tocada naquele ponto, bem maior do que antes.

Sucessivamente foi a vez das pernas. Subindo dos tornozelos para cima, as mãos masculinas espalhavam o protector com um movimento ritmado que se tornou mais insistente na parte interna das coxas. Quando os dedos de Henrique começaram a acariciar docemente os lábios e o clítoris, a jovem estremeceu e soltou um longo e suplicante gemido.

Finalmente toda a pele de Magda tinha absorvido os óleos essenciais do protector e brilhava como bronze exposto aos raios solares.

Henrique abriu uma bolsa térmica que trouxera consigo. Pegou numa fatia fresca e fina de melão e, segurando-a com os dentes, aproximou-a à boca de Magda. Ela sentiu a frescura da fruta encostada nos seus lábios, abriu a boca e começou beliscar a fatia até se deparar com a boca do seu amante que soltou um primeiro beijo.

Uma segunda fatia significou um segundo beijo, mais demorado que o primeiro.

Para não saciar logo a sede da dela e terminar antes do tempo esse jogo delicioso, Henrique passou a oferecer bagos de uva, dos mais doces e suculentos. Obviamente, devido o tamanho reduzido dessa fruta, Magda tinha que aproximar mais ainda sua boca à do seu Senhor o qual, para dificultar a acção, segurava os bagos com os dentes e como resultado que os lábios dos amantes ficavam colados por um tempo maior.

Henrique acende um cigarro e deixa-se em silêncio a observar o mar revolto. Quando termina, procura um pequeno pote de gelado no fundo da bolsa térmica. Ele abriu um pote e, com uma colher, depositava o creme gelado na ponta de sua língua. Logo depois, Magda chupava, ao mesmo tempo, o gelado e a língua de seu dono.

A dada altura, ele começou a colocar creme gelado nos mamilos dela e depois lambia-os e sugava puxando-os para dentro da sua boca e mordendo neles delicadamente. Magda ficou toda arrepiada e quase que tinha um orgasmo.

Deixaram-se ficar por ali, durante quase duas horas. Quando um pequeno barco pneumático se aproximou da praia com três mergulhadores a bordo, Henrique retirou as cordas de Magda, beijou-a intensamente e iniciaram a subida de regresso ao carro, que ficara estacionado no cimo da falésia.

continua...

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Madga X

início | continuação daqui
texto por Bernardo Lupi
Fotos de Mugshots e Imperator + carpe vitam!

Uma noite, após ter tirado o avental, exibindo assim o seu fabuloso corpo nu ao seu Senhor, Magda ouviu a seguinte pergunta:

- Tu gostas de piercings?

A jovem, apanhada de surpresa, não soube o que dizer pois, no conceito dela, tudo dependia de onde o piercing era colocado. Decerto não teria gostado de nada que lhe deformassem o nariz, uma bochecha ou, pior ainda, a ponta da língua. Diplomaticamente respondeu apenas:

- Gosto de tudo o que o meu Senhor gosta…

Henrique, que parecia ter sido iluminado por alguma ideia fulgurante, pegou no telemóvel e efectuou um breve telefonema, tão rápido que Magda entendeu apenas a frase final:

- Tudo bem. Ficarei à tua espera amanhã, ao princípio da noite.

No dia seguinte, às nove horas da noite em ponto, chegou um carro conduzido por uma mulher alta, magra e com cabelos pintados de vermelho.

O dono da casa cumprimentou-a calorosamente e mandou que Magda aparecesse na sala com o intuito de a apresentar aquela mulher de aspecto excêntrico. Ela obedeceu com uma certa relutância, pois essa era a primeira vez em que ia mostrar-se seminua e acorrentada perante uma pessoa estranha. Obviamente, quando Henrique recebia os amigos no varandim do jardim, ela ficava em casa e a uma certa distância do grupo. Embora visível, nunca se tinha aproximado até permitir que olhos alheios vissem certos detalhes do seu corpo.

- Magda, deixa que te apresente a minha amiga Vanda.

A mulher acenou com a cabeça, mas sem demonstrar algum interesse particular na sua figura, como se estivesse acostumada a ver belas mulheres nuas e submissas. E, sem dizer nada, apoiou uma pasta preta, de couro preto, sobre uma mesa, abriu-a e convidou o anfitrião para admirar o conteúdo.

Henrique, por sua vez, chamou Magda para que ela mesma visse os vários tipos de pequenos objectos, todos de ouro, prata ou platina, das mais variadas formas.

- Quero que escolhas o modelo que mais gostas para enfeitar os teus mamilos – disse ele.

Magda, admirada pela beleza dos adornos, examinou atentamente o mostruário e, depois de uns minutos, apontou para duas pequenas argolas de ouro amarelo-escuro. Ao mesmo tempo olhou para o seu dono esperando que ele aprovasse a escolha. Enquanto Henrique parecia ainda um pouco perplexo, Vanda, interveio com estas palavras:

- Permitam uma consideração. As argolas são peças bonitas, mas são mais apropriadas para mulheres um pouco mais maduras do que uma bela jovem. Ela tem os peitos ainda duros e pequenos. Pessoalmente gostaria de sugerir estas duas barras de platina...

E, assim dizendo, pegou os dois enfeites e aproximou-os aos peitos de Magda que ainda estavam parcialmente cobertos pelo avental de linho branco. Henrique desatou a fita que sustentava a parte alta da peça e a jovem ficou nua até à cintura. Instintivamente escondeu os seios com as mãos, mas bastou um severo olhar de relance do seu Senhor para que ela os descobrisse imediatamente.

As duas barrinhas, cujo comprimento era inferior a dois centímetros, e que terminavam com duas pequenas esferas, combinavam perfeitamente com os pequenos mamilos rosados da jovem, a qual concordou na escolha. Estranhou, porém, quando viu que Henrique agarrou três, e não duas dessas pequenas barras de platina.

- Meu caro amigo, falou a mulher, como você optou pela candura da platina, proponho que escolha também argolas do mesmo metal, e não muito grandes.

- Agradecido, Vanda. Você é mestre nesta arte, os seus adornos são os melhores do mercado. Então dê-me duas dessas, respondeu o dono da casa.

Embora Magda não entendesse bem qual a colocação das argolas pensou, justamente, que alguma parte de seu corpo ia ser perfurada para permitir a aplicação das peças.

Com efeito, Vanda abriu outro compartimento da maleta da qual retirou uma seringa com a agulha fina, uma ampola de lidocaína e uns instrumentos usados na cirurgia estética.

Mandaram que Magda se sentasse numa cadeira.

A especialista injectou uma gota de anestésico num dos mamilos, fez um furo quase invisível e, logo em seguida, introduziu a primeira barrinha da qual fora tirado uma das esferas que, enfim, foi novamente montada e lacrada. A mesma operação foi repetida no outro mamilo.

Com o auxílio de um espelho a escrava pôde admirar a beleza dos adornos e a perfeição do trabalho. Adorou e ficou muito orgulhosa dos adereços, principalmente por saber que eles, além de simbolizar fortemente a sua submissão, não podiam ser removidos com facilidade, nem dispondo do equipamento apropriado.

Quanto às argolas, Magda imaginou que seriam colocadas nas orelhas, e a terceira barrinha no umbigo, pois tinha visto várias amigas usar piercings naquelas partes do corpo. Mas estava enganada.

Vanda explicou ao Henrique que muitas mulheres ficavam impressionadas quando ela realizava a segunda parte do seu trabalho e isso representava um perigo potencial, sendo que o menor movimento podia resultar numa ferida profunda numa área de forte circulação sanguínea. Por isso sempre aconselhava que as clientes fossem bem imobilizadas antes de iniciar a operação. Consequentemente as mãos de Magda foram atadas junto com os tornozelos e uma vara de madeira enfiada entre o lado posterior dos joelhos e os antebraços. Também, para evitar que ela se assustasse ao ver instrumentos cirúrgicos ensanguentados, foi devidamente vendada.

Após a anestesia local, Vanda perfurou o clítoris de Magda e fixou a terceira barra de platina.

Henrique, que tinha experiência no campo da dominação, sabia que nada podia inundar mais de prazer uma mulher, do que um piercing naquela parte sensível do corpo.

Aquela pequena peça de metal, seja quando titilada pelos dedos do dono, seja quando apertada por uma corda ou, mais ainda, durante um relacionamento sexual, tinha o poder de amplificar as vibrações e a pressão exercida sobre o pequeno órgão e, portanto, de levar o prazer da mulher a limites inimagináveis.

A aplicação das argolas nos lábios vaginais foi um pouco mais trabalhosa, mas depois de um bom tempo também foi concluída. Henrique olhou satisfeito a vagina de Magda, que estava a ser readaptada à sua nova condição de escrava. A visão do corpo imobilizado naquela posição, que expunha as partes mais íntimas de Magda na presença de uma estranha, deixou-o bastante excitado.

Impulsivamente, pediu à Vanda que acrescentasse mais duas argolas aos lábios de Magda, coisa que foi executada tendo o cuidado de deixar uma distância apropriada entre os dois pares de argolas.

Assim, pensou correctamente Henrique, a vagina da sua escrava podia ser completamente fechada com dois cadeados ou, de modo alternativo, com um só cadeado que segurasse a parte terminal de uma barra em forma de T, a qual teria passado simultaneamente pelas quatro argolas. Sem contar com a possibilidade de introduzir um dildo, uma corda de seda, ou de combinar as várias possibilidades de acordo com o seu arbítrio.

Para completar o serviço, numa das argolas foi enganchada uma medalha, de ouro branco, com um monograma onde constavam as letras HCM.

Vanda recebeu mais uma vez os cumprimentos de Henrique, junto com um generoso pagamento.

Magda, que tinha ficado acordada durante toda a operação, nada sabia do que tinha sido feito com o seu corpo, mas imaginava onde as peças tinham sido colocadas pois, com o passar do tempo, o efeito da anestesia estava a atenuar-se e já sentia um ligeiro incómodo.

Sentiu o grande orgulho de estar a oferecer a essência da sua feminilidade para o maior deleite do seu dono o qual, mediante os piercings colocados, fazia do seu corpo um objecto ainda mais sensual e desejável.

Finalmente Henrique entrou em casa depois de se ter retirado por instantes para se despedir de Vanda e, imediatamente, foi olhar novamente a obra prima daquela mulher enigmática.

Instintivamente ele começou a beijar as coxas de Magda, descendo até às nádegas e voltando a subir de novo. Acariciou repetidamente os peitos que não eram muito acessíveis devido à maneira com que ela fora imobilizada.

Beijava e lambia os lábios vaginais e o clitóris, mas com muita delicadeza, para não comprometer o processo de cicatrização que ia durar cerca de um mês.

Protelava o momento de desatar a escrava, pois aquela visão tinha algo de sublime. O corpo da jovem estava nu, acorrentado, atado como um inocente cordeiro sacrifical e enfeitado com adornos metálicos que decorariam definitivamente suas carnes. Podia existir algo de mais representativo da submissão feminina completa e incondicional?

Mesmo assim, depois de ter contemplado essa obra de arte viva, pela primeira vez retirou as cordas, todas as correntes e levou a jovem, ainda um pouco tonta pelos efeitos do anestésico, para a cama carregando-a nos seus braços fortes. Queria mostrar para ela a sua capacidade de amá-la não somente como escrava, mas também como mulher.

Objectivamente, a Vanda tinha recomendado os dois a não terem sexo vaginal durante a fase crítica da cicatrização. Isso não foi motivo de lamentos nem para Magda e nem para o seu Senhor, pois os dois preferiam, e muito mais, o sexo anal, coito que foi repetido várias vezes durante aquela primeira noite em que a escrava teve o seu corpo modificado para sempre.


continua...

segunda-feira, 21 de junho de 2010

corpos suados (último)

continuação daqui
texto por
Toque
fotos por Imperator e Viages

Os corpos tombados no chão rodeados de marcas de suor deixavam transparecer os momentos intensos vividos há minutos atrás.
Um estranho silêncio invadiu a sala, depois dos gritos que ecoaram. Ela sabia que tinha de gerir a situação de forma correcta, afinal tinha sido ela a provocá-la.
Posou uma perna sobre as pernas do Carlos e inclinou ligeiramente a cabeça até que os seus lábios tocassem a orelha masculina.
- Tens razão. Vivemos momentos únicos enquanto estivemos juntos. Mas isso não foi suficiente para que a tua escolha fosse outra que não eu. Não te recrimino, apenas lamento que não tenhas falado comigo. Dificilmente te vou esquecer, mas vou seguir com a minha vida, como tu farás o mesmo com a tua. Hoje realizaste um sonho meu, obrigada.
Carlos ficou em silêncio olhando o rosto radiante de prazer daquela mulher que tão bem conhecia, neste momento não sabia se tinha feito a escolha certa, mas sabia também que voltar atrás era impossível.
-Nunca ninguém me fez sentir o que tu fizeste. O que se passou hoje foi estranho e confesso que nunca imaginei que pudesse acontecer-me, mas fizeste com que tivesse tido uma experiência única e que me deu bastante prazer, por isso eu é que tenho de te agradecer.
Pedro ouvia os sussurros dos dois antigos amantes. Não conseguia ouvir a conversa e sentia-se nervoso e ansioso, tentando adivinhar o que diziam.
Viu o seu rival levantar-se pegar nas roupas e dirigir-se ao quarto de banho. Ela fixou os olhos brilhantes nele.-Gostaste!Não era uma pergunta, apenas a constatação de algo.
- Não gosto de te dividir com ninguém! Conheço-te há tão pouco tempo, mas entraste de tal forma em mim que não concebo viver sem ti.
- Mas sentiste prazer e eu senti esse prazer contigo.- Sim. Aninhou-se nos braços dele no preciso momento em que Carlos regressava à sala.
Levou-o até à porta, onde um beijo demorado selou a despedida e voltou para os braços de Pedro que fechava os olhos prestes a adormecer.
Acordaram tarde e apenas tiveram tempo de um banho rápido, antes de se dirigirem aos respectivos empregos.
Passou a manhã distraída, absorvida pelos pensamentos do que tinha acontecido na noite anterior.
Queria agradecer ao Pedro ter entrado no jogo, apesar do desconforto inicial que sentiu da parte dele, mas não conseguia pensar em nada diferente.
À hora do almoço quando todos saíram ficou a ler distraída o jornal que estava pousado na sua secretária quando teve uma ideia que lhe iluminou a face com um sorriso.Avisou a secretária que não iria trabalhar de tarde, pois tinha assuntos para resolver.
Saiu com um passo decidido disposta a fazer rapidamente tudo o que tinha em mente.
Quando conseguiu, dirigiu-se ao parque de estacionamento onde tinha encontrado o Pedro pela primeira vez. Descobriu rapidamente o carro dele, colocou o papel que já trazia escrito no limpa vidros do lado do condutor e num impulso resolveu pegar no batom que tirou da carteira e desenhar as suas iniciais na porta do carro.
Enquanto esperava tentava imaginar a cara dele ao ver o bilhete que lhe tinha deixado.
Quando chegou ao carro estranhou o envelope preso ao limpa vidros, assim que o abriu uma chave pequena caiu-lhe aos pés.
Apanhou-a e leu o conteúdo do papel que estava dentro do envelope. Um amplo sorriso iluminou-lhe o rosto.
Dirigiu-se ao endereço que ela lhe propôs. A entrada do motel era recatada como se impunha, deixou o carro à porta do quarto que ela lhe indicou e empurrou a porta entreaberta.
Tentou descobrir a presença dela mas a penumbra que dominava o quarto não o deixou ver. Uma música dominava o ambiente e ele adivinhou uma silhueta ondulante no fundo do quarto. O corpo mexia-se de forma sensual e tentou adaptar-se à escuridão para ver aquela dança que convidava ao sexo.
-Não acendas a luz. Deixa-te seduzir pela música.
Ele obedeceu enquanto ela desaparecia.
Entretanto, o olhar pousou numa vela cuja luz cintilava. Mais uma vez um papel indicava-lhe o caminho a seguir.
"Apura o segundo sentido. Tens de o por a funcionar para me encontrares".
Um aroma conhecido chegou-lhe ao nariz e resolveu seguir o seu instinto e trilhar os passos até onde o perfume dela o levou. Entreabriu a porta de onde o cheiro vinha com mais intensidade e sentiu que um par de mãos macias lhe tapava os olhos, vendando-os depois com um lenço acetinado. Ela deu-lhe a mão para o guiar até ao próximo destino. Empurrou-o ligeiramente até algo que lhe pareceu uma cama e muito lentamente tirou-lhe todas as peças de roupa.
"Agora quero que apures o teu olhar, que consigas olhar sem ver".
Ele sentiu as mãos dela deslizarem sobre a sua pele, estavam oleosas e com uma aroma que o embriagava. Levemente ela começou a massajá-lo. Na nuca e nos ombros em primeiro lugar e depois um pouco por todo o corpo.De olhos tapados tentava adivinhar os movimentos seguintes dela, mas foi relaxando com aquele contacto. Por isso, estremeceu quando as mãos deixaram cair um pouco de óleo sobre o seu pénis e o começaram a acariciar de forma sensual. As mãos quentes moviam-se agora mais rapidamente, em movimentos circulares que o enlouqueciam - Queria agarrá-la e e dar-lhe o mesmo prazer, mas ela impedia-o de o fazer.
- Vês como me excitas?
Ele mal conseguia falar, mas ela pegou-lhe na mão e encaminhou-a até à sua vagina que escorria um líquido quente e ligeiramente espesso. Depois rodou o corpo 180 graus, por forma a que ele conseguisse chupá-la, enquanto ela acabava de o massajar, desta vez nos dedos dos pés.Sem contar com esta mudança ele lambia-a sofregamente, chupando o seu montinho e metendo a língua em movimentos rápidos no seu buraco.
Ela não o deixava tocar com nada mais do que a boca e a língua e isso estava a excitá-lo de forma intensa.
-Começaste a apurar o terceiro sentido... gostas do paladar?
-Tens um sabor divino, disse ele entre suspiros.
Ainda com os olhos tapados estranhou quando ela se afastou, tentou retirar a venda mas ela impediu-o. Voltou minutos depois trazendo com ela um cheiro adocicado. Aproximou os seus seios com os mamilos duros da sua boca, ele chupou-os com fome dela e foi surpreendido com o sabor do chocolate derretido.
A surpresa aumentou a vontade que tinha de a possuir.
-Sei que és guloso... por isso resolvi servir-me com chocolate. Delicia-te.
Chupou os dois seios, enquanto ela lhe mordiscava o pescoço e lhe dizia ao ouvido palavras de desejo.
Pequenas trincas de ambos os lados levavam a paixão de ambos até níveis que nenhum julgava possível.
Quando ele se preparava para a agarrar e a possuir com a violência do desejo que ela tinha atiçado, ouviu-a sussurrar.
-Tens a chave?
Surpreendido parou de a beijar pensando de que chave falaria ela.
-A que te deixei no envelope.
Claro que a tinha, mas naquele conjunto de emoções nunca mais se lembrou de tal coisa.
-Está no bolso do meu casaco.
Continuava de olhos tapados, mas isso não o impediu de ter a certeza que foi para lá que ela se dirigiu quando se afastou do seu corpo. Quando voltou tirou-lhe a venda e disse-lhe num murmúrio.
-O quinto sentido serás tu a proporcionar-me. A chave que te dei é de algo que está aos pés da cama. Encontra e faz o que quiseres com isso.Demorou algum tempo até se adaptar à parca luminosidade do quarto. Sentia-se inebriante de prazer, precisava de lhe retribuir todo o conjunto de emoções que ela lhe tinha proporcionado.
Levantou-se e rapidamente encontrou umas algemas no rebuliço dos lençóis de cetim.
Ela entregou-lhe as chaves e enquanto as apertava nos pulsos apenas disse:
-És fenomenal. Agora é a minha vez de te enlouquecer. Quero que sintas tudo o que me fizeste sentir.
O beijo com que lhe mordeu os lábios fizeram-na estremecer toda e foi apenas o início de um conjunto de carícias que começaram mornas, apenas com a ponta da língua a percorrer os trilhos de prazer do seu corpo, os rastos de saliva arrefeciam e faziam-na acelerar a respiração. Com os pulsos presos pelas algemas apenas podia mover o corpo para que ele a tocasse onde ela desejava. Ele ria-se com as tentativas dela e para a provocar fazia o oposto, deixando-a ainda mais ansiosa.
Os bicos dos seus seios ansiavam por sentir o calor da boca dele, mas ele apenas lhes tocou com a ponta da língua, enquanto com a mão percorria o interior das coxas dela. Quando sentiu que ela estava prestes a explodir de desejo, deixou que o dedo indicador a penetrasse, o corpo dela correspondeu e fez com que ele a penetrasse ainda mais fundo.
- Gostas de me sentir dentro de ti?
Ela acenou com a cabeça, porque achava que a voz não lhe sairia tal a avalanche de emoções.
-Queres mais?Acenou mais uma vez com a cabeça.
-Pede...-Mete todo dentro de mim.
-Ainda não, quero sentir esse teu líquido a escorrer, quero deixá-lo misturar com a minha saliva.
Ela sentia a boca nele na sua vagina. Com as pernas apertou a cabeça dele de encontro a si. Estremecia de cada vez que a língua dele a penetrava. Com o dedo penetrou-lhe o ânus e acelerou os movimentos.
Ela estava excitada ao máximo e ele começava a perder o controlo, de tal forma desejava penetrá-la.
-Mete, mete-te todo.
Ele deitou-se na cama e disse-lhe:
-Trepa para cima de mim e cavalga-me.
Apesar de ter os movimentos diminuidos pelas mãos presas ela sentou-se em cima do seu pénis e lentamente deixou-o entrar dentro dela. Saiu e ia recomeçar o movimento lento, quando ele a agarrou pela cintura deitou-a e possuiu-a com toda a vontade acumulada durante aquele jogo de prazer.
Ao fim de longos instantes de um sexo descontrolado, tal a paixão que os consumia, deixaram-se cair na cama saciados e satisfeitos.
Ao fim de alguns minutos ele abriu-lhe as algemas, colocando uma delas no seu pulso e mantendo outra no pulso dela.
Fechou novamente.
-Acho que nunca te vou deixar partir de dentro de mim.
Adormeceram exaustos. Afinal amanhã era um novo dia!

FIM

sábado, 12 de junho de 2010

Magda IX

início | continuação daqui
texto e foto do Redondo por Bernardo Lupi

fotografia por Imperator

Cerca de dois meses depois de ter sido capturada, Magda vivia sonho de amor que a grande maioria das pessoas teria considerado perfeito, tanto pela intensa reciprocidade dos sentimentos, quanto pelo lado puramente sexual.



Quase diariamente, Henrique homenageava-a com bombons de chocolate suíço ou belga, vinhos requintados e jantares deliciosos confeccionados por ele próprio.

E, como ainda não queria que ela saísse de casa, alugava os filmes que ela mais gostava e viam-nos ao princípio da noite. Sentados num sofá, as pernas de Magda em cima das dele, de modo que, durante o tempo todo ele lhe acariciava as coxas, os joelhos, as canelas e, em particular, os pés acorrentados da sua linda mulher.

Por vezes, quando Henrique estava no escritório lembrava-se de telefonar e perguntava-lhe se necessitava de algo. A resposta era sempre a mesma:

- Preciso que o Senhor volte o mais rápido possível, para me dar carinho e prazer.

Um dia, durante a hora de almoço, Henrique entrou numa florista, escolheu a mais bela orquídea que viu e perguntou se a entrega podia ser efectuada por uma mulher. Tendo obtido uma resposta afirmativa, deu à gerente a sua morada e escreveu num bilhete estas simples palavras:

"A mais bela flor para a mais bela das escravas. O teu Senhor"

No mesmo instante, ligou para Magda avisando-a para abrir a porta e receber uma certa encomenda.

Algum tempo depois, uma rapariga da florista desceu de uma scooter, tocou na campainha do portão da propriedade e foi-lhe aberto o portão. Quando Magda assomou à porta, a rapariga viu a coleira e as correntes. Ficou mais vermelha que uma papoila. Balbuciou alguma coisa incompreensível, enquanto Magda admirava a orquídea e saiu a toda velocidade a bordo da sua motocicleta.

Naturalmente ficou bastante satisfeita pelo presente inesperado.

Este costume de enviar flores pelo menos duas vezes por semana tornou-se um ritual constante, tanto é que várias floristas das redondezas já sabiam quem era a Magda e, após o primeiro impacto perturbador com o lado material da dominação, acabaram por se acostumar com a visão das correntes e da coleira. Maluquices de gente rica, pensavam algumas delas.

Provavelmente, várias delas até teriam desistido de sua condição de liberdade para se tornarem escravas de amor.

Tal pensamento era reforçado pela expressão com que Magda as recebia. Os seus olhos emanavam uma luz especial que, para qualquer mulher, tinha um significado inequívoco. Uma intensa paixão completamente retribuída.

No dia de aniversário de Magda, a encomenda não continha apenas uma rosa vermelha, mas também um anel de ouro com um rubi de rara pureza que pesava mais que um quilate.

Apesar de tudo correr lindamente, Henrique, que não era um homem insensível, notou que a Magda necessitaria, de vez em quando, da presença de outras pessoas e, portanto, perguntou se Magda estaria a sentir saudades de alguém em particular. Ela respondeu que fazia bastante tempo que não tinha notícias da tia Alice, uma solteirona de quase sessenta anos de idade que sempre tinha cuidado dela como uma filha. Principalmente a partir do momento em que o seu pai, viúvo, a deixou para ir trabalhar em Espanha e nunca mais dera notícias. Henrique, não apenas consentiu, como se prontificou para ir buscar a sua tia ao Redondo, vila alentejana, onde Magda crescera.

Todavia, surgiu imediatamente uma dificuldade. Era evidente que Magda não podia recebe-la acorrentada e vestindo apenas um avental. Por outro lado, ela não tinha a menor intenção de ser solta durante a estadia da sua tia.

Quanto a Henrique, era desejo dele que, durante a visita, ela carregasse alguma peça que lhe lembrasse a sua real condição de submissa. Estudaram juntos o problema e foi concordado que Magda iria vestir uma camisola bastante comprida e que tanto a coleira como as algemas teriam de ser removidas. Em compensação, ela manteria o cinturão de couro, invisível debaixo da camisola. Aperfeiçoando o sistema já experimentado durante as visitas dos amigos no jardim de casa, uma corda de seda, amarrada na argola dianteira do cinturão iria passar entre os lábios vaginais, prosseguindo pelo rego das nádegas até a argola posterior e segurando, dessa forma, dois dildos: um na vagina e o outro no ânus, ambos providos de uma pequena argola pela qual a corda passaria.

E as correntes nos pés?

Representavam o símbolo mais importante da escravidão de Magda. Por seu lado Henrique estava quase disposto a abrir mão dessa peça, pelo menos durante as horas da visita. Mas foi a insistência de Magda que o convenceu que não ia ser necessário:

- Peço apenas que o Senhor confie em mim.

- Estou confiante em ti - replicou ele - mas lembra-te que é a minha reputação que está em jogo.

No dia marcado para a visita, a tia Alice chegou no carro conduzido pelo Henrique.

A senhora foi acompanhada até uma repartição da sala principal onde a sobrinha a aguardava e grande foi a emoção do reencontro após tantos meses de separação. A dona Alice deu um abraço longo e apertado à bela sobrinha e sentou-se numa das duas poltronas separadas por uma mesinha baixa. Magda sentou-se na outra defronte da tia.

Como a tia tinha olhado só para o rosto da sobrinha, ainda não tinha visto as correntes e Magda, furtivamente, enfiou os pés descalços debaixo da mesinha. A sorte era que a senhora de meia idade era bastante míope e usava óculos de lentes muito grossas.

Para deixar as duas mais à vontade, Henrique sentou-se noutra parte da sala, com um livro nas mãos.

A conversa que se seguiu foi bastante banal.

Curiosamente, porém, a jovem não ficava quieta na sua poltrona por mais de trinta segundos. Passava continuamente a mão entre os cabelos, suspirava, respirava profundamente, fechava os olhos, coçava-se, mexia os quadris com tanta insistência que até a tia, que via com dificuldade, mas que não era cega, perguntou:

- Ó filha, estás com bichos carpinteiros no corpo?

Henrique fez um esforço tão intenso para segurar uma sonora gargalhada que quase sufocava.

Magda cujos dois consolos estavam a excitá-la sem precedentes e, não podendo alcançar o orgasmo diante da tia, levantou-se alegando que ia à cozinha preparar para todos um sumo de fruta.

Enquanto a máquina de sumos rodava a toda a velocidade, aproveitando-se do barulho ensurdecedor, Magda teve um orgasmo tão intenso que, inadvertidamente, soltou um grito abafado. A tia Alice perguntou preocupada:

- Magoaste-te, Magda?

- Não, tia, é que experimentei o sumo e estava bastante azedo.

Henrique, que ouvia tudo, mais uma vez quase sufocou pelo esforço de segurar o riso.

Magda não demorou a voltar da cozinha com uma bandeja onde tinha posto um jarro, três copos, açúcar e guardanapos e o apoiou sobre a mesa de apoio.

Dessa vez, porém, a tia viu os grilhões nos tornozelos da sobrinha e de imediato perguntou:

- Minha filha, o que é isso?

Obviamente não podia responder que se tratava de um novo tipo de adereço moderno pois a tia, mesmo com sua índole benévola e mansa, não era parva e merecia ser tratada com respeito e consideração. Henrique começou a sentir suores frios no corpo.

- Tia, são correntes, respondeu seriamente a jovem.

- E quem foi que prendeu os teus pés, replicou a tia lançando um olhar inquisitivo em direção de Henrique.

- Eu mesma, tia, disse Marta com simplicidade.

- Tu mesma fizeste isso... e por quê?

- Sabe, tia, a senhora talvez nem se lembre que eu tinha um namorado, uns anos atrás, um rapaz que de quem eu gostava muito…

- É mesmo? Eu não me lembro desse rapaz. Era lá do Redondo?

- A senhora não se lembra porque isso foi na época em que a senhora passava a maior parte do tempo em Vila Viçosa, na companhia do Dr. Mendes. Bem, esse rapaz que lhe falei, depois de se ter comprometido comigo, deixou-me de um dia para o outro e eu sofri bastante, sabia?

- Oh filha, avalio todo o teu sofrimento. Mas o que isso tem a ver com as correntes?

- A senhora não se terá se esquecido da igreja da nossa vila, pois não?

- Claro que não, tu sabes da minha devoção e sempre te levei lá desde nova para aprenderes os ensinamentos católicos.

- Pois é. Um dia em que estava muito abatida e desanimada, entrei naquela igreja, ajoelhei-me diante da imagem de Cristo e pedi que ele me ajudasse a encontrar um homem que me respeitasse. Não um idiota como aquele que me fez tanto mal, mas um senhor maduro, sensível, carinhoso e, principalmente, leal. E, para reforçar ainda mais o meu pedido, quis também fazer um voto. A senhora deve ter na mente o quadro, perto da pia baptismal, representando uma santa que está sendo levada ao martírio…

- Ah, sim, aquela jovem romana com as correntes nos pés…

- Isso mesmo! Muito sugestionada pelo quadro, fiz a promessa solene que, caso a minha súplica fosse atendida, ficaria, pelo menos dentro de casa, acorrentada por dois anos consecutivos. Por isso, quando a senhora chegou, não me atrevi a tirar as correntes, por temor de quebrar um voto, de menosprezar, por pura vaidade, uma promessa tão importante.

- E fizeste bem, uma promessa é um comprometimento sério, respondeu a tia com a voz embargada pela comoção. Mas me diz-me uma coisa... esse teu novo namorado, que parece ser uma pessoa tão séria e aprumada, não se incomoda com essas correntes?

- Bem, sinceramente… no começo ele reclamou um pouco, mas depois teve que aceitar e respeitar o meu lado religioso.

- Esse senhor foi muito compreensivo contigo, um verdadeiro cavalheiro.

E, de repente, levantou-se e foi cumprimentar Henrique com tanta sinceridade e espontaneidade que ele, que quase explodia tamanha a vontade de rir, ficou sério e pensativo, tendo até um pouco de remorsos por ter cooperado a enganar uma senhora que demonstrava aquela inocência e bondade.

Enfim, depois do sumo e de muitas outras conversas mais ou menos interessantes, a tia Alice foi levada de volta à sua residência no Alentejo. Apesar da insistência da sobrinha e do próprio Henrique, não quis ficar para dormir.

Henrique acabou por voltar a Sintra já depois da meia-noite. Mais tarde, na cama, relembrando os acontecimentos do dia, ele louvou a criatividade da sua parceira e, enquanto a beijava com renovado ardor, sussurrou nos seus ouvidos:

- Tu és mais inteligente e bonita que a famosa Sherazade!

E o amor que veio depois foi tão intenso e prazeroso que teria sido realmente digno de fazer parte dos contos mais eróticos do livro Mil e uma Noites.

continua...

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Magda VIII

início | continuação daqui

texto por Bernardo Lupi
imagens do catálogo da Exposição "Bruxaria: Objectos Insólitos e Criaturas Fantásticas" patente em Óbidos, 1998
(clicar em cima para aumentar)

foto da máquina consoladora surripiada daqui
fotografia por
Imperator

Henrique regressou a casa perto da meia-noite.
Sem proferir palavra alguma, acenou com um dedo para a farda que Magda vestia que, imediatamente, a despiu. Ele abriu uma porta que dava acesso a um recanto na parede, uma espécie de masmorra cujas medidas não permitiam que uma pessoa pudesse deitar-se. Prendeu os pulsos dela a uma corrente que descia do tecto do minúscula divisão e esticou o mais possível os braços de Magda acima da cabeça. Outra corrente, fixada ao piso, segurou os tornozelos da jovem nua e sentada no chão.

Não podia alongar as pernas por falta de espaço e passou a noite à procura de encontrar uma posição mais confortável, tentando apoiar os joelhos no chão, mas qualquer posição era terrivelmente incómoda e todos seus músculos ficaram doridos.

Magda experimentou o que tinham suportado milhares e milhares de prisioneiros na Idade Média.

A sua noite não foi das melhores. Mais que a posição desagradável, o que mais a atormentava era tentar adivinhar o que iria acontecer no dia seguinte.

Seria expulsa de casa ou apenas castigada? E, mesmo que ele a tivesse perdoado, iria manter os mesmos sentimentos de antes?
Perto do amanhecer, ela conseguiu dormir cerca de uma hora antes que o calor do dia, fazendo da masmorra um forno, não a acordasse definitivamente.
Permaneceu mais duas horas acorrentada na obscuridade daquele recanto, exausta e molhada de suor.

Henrique, já quase pronto para sair novamente de casa, abriu a porta, tirou os dois cadeados que a prendiam ao tecto e ao piso da cela e ordenou que ela tomasse um copo de leite e comesse um pão seco do dia anterior.

Magda obedeceu em silêncio, triste e temerosa.

Quando o seu dono ordenou que entrasse na casa de banho e lavasse bem os pés, pensou que ele lhe fosse devolver as roupas e os sapatos e de seguida a deixasse na estação ferroviária de Sintra, para que ela voltasse para o seu apartamento de Odivelas, sem ordem para o voltar a procurar.

Saiu da casa de banho cabisbaixa, certa de que dentro de poucos minutos tudo teria terminado. Mas, ao ouvir um som estranho, levantou um pouco a cabeça e viu, a poucos metros de distância, Henrique que puxava uma viga de madeira, triangular, apoiada sobre quatro pernas de ferro. Reconheceu o objecto por tê-lo visto em algumas fotografias que ele lhe mostrara. Efectivamente tratava-se de um cavalete - também chamado de potro -, um antigo instrumento de tortura, projectado para punir adúlteras, feiticeiras e, em geral, fêmeas tidas como insolentes.

Ele acorrentou os pulsos de Magda atrás das costas, fixando-os ao cinturão de couro. Com uma longa corda amarrou em dois pontos os braços da escrava e atou também as mãos. Logo em seguida ordenou que ela se sentasse bem no meio da viga. A cunha de aço que estava na parte superior do cavalete entrou nos lábios vaginais, afastando-os progressivamente. Instintivamente, ela levantou-se nas pontas dos pés para aliviar a sensação de incómodo.

Henrique enfiou uma corda na argola dianteira da coleira e segurou-a na extremidade dianteira do potro; analogamente fez com a argola posterior. Repetiu as mesmas manobras com as argolas do cinturão de couro, de forma que o corpo de Magda ficou perfeitamente vertical em cima do instrumento e não teria caído nem se ela tivesse desmaiado.

Com dois cintos de couro prendeu as coxas dela que, dessa forma, quase abraçavam o cavalete. Enfim um cadeado uniu os tornozelos que foram puxados para cima e fixados à parte inferior da viga, formando um L em relação às coxas. Agora o corpo de Magda apoiava-se unicamente sobre o triângulo de metal que, lentamente, dilatava a sua vagina e apertava o períneo.

A jovem estava a ser submetida a uma antiga tortura medieval mas, pelo menos, esse castigo podia significar que Henrique não se iria livrar dela. Todavia o facto de ter sido obrigada a lavar os pés, deixava-a perplexa e preocupada.

O mestre pôs na cabeça da jovem o capuz de couro que a deixava praticamente cega, surda e muda.

Logo em seguida, atou com bastante corda os tornozelos e prendeu os polegares dos pés com algemas de couro. Ela percebeu que Henrique queria imobilizar totalmente as suas extremidades inferiores, provavelmente para chicotear as plantas dos pés, mas ainda não entendia qual a função daquele preparo, porque quando ele a batia nessa parte do corpo, costumava dizer:

-Agora, querida, vou tirar a poeira das tuas solas.

Completamente nua, atada e sem poder ver nada, Magda não viu que ele estava a manipular um pequeno fogão eléctrico sobre o qual já estava a aquecer uma pequena panela cheia de óleo. Ele regulou o termostato para uma temperatura de 55°C. Quando uma luz vermelha se apagou, indicando que o líquido tinha alcançado a temperatura escolhida, mergulhou um pincel no óleo e iniciou, vagarosamente, a pincelar as solas dos pés de Magda, partindo dos calcanhares e descendo até aos dedos.

Experiente como sempre, Henrique estava a aplicar uma técnica que ia produzir uma dor não exagerada, comparável àquela de uma vela derretida, mas durável no tempo.Por isso mandou que ela lavasse bem os pés, para o líquido penetrar profundamente nos poros da pele.

Terminada a sessão e, antes de sair de casa para ir para o trabalho, puxou uma primeira alavanca debaixo da viga: uma protuberância de marfim, do tamanho de uma cenoura média, emergiu do cavalete e deslizou na vagina de Magda. Accionando uma segunda alavanca, um dildo bem lubrificado penetrou delicadamente no ânus da escrava.

Henrique trancou a porta e foi-se embora cantarolando.

Magda permaneceu muitas e muitas horas imobilizada naquela posição.

Inicialmente a dor prevaleceu, tanto aquela gerada pelo cavalete, como o incómodo que sentia nas solas dos pés.

Felizmente o potro era uma versão moderna do antigo aparelho de tortura e a dor, afinal das contas, foi diminuindo bastante na medida em que os músculos vaginais iam-se adaptando à solicitação mecânica do seu peso.

Quanto ao óleo, como tinha previsto o seu Senhor, a dor continuou constante, mas a intensidade era suportável.

Por outro lado, a mulher teve a enorme satisfação de saber que ainda iria continuar a ser propriedade de Henrique e que ele não tinha a menor intenção de mandá-la embora. O facto de estar nua em cima de um cavalete, completamente atada e encapuçada, era um acontecimento natural que condizia com a sua condição de escrava.

Rapidamente, ela começou-se sentir à vontade a cavalo do potro. Percebia o seu corpo como um maravilhoso objecto sexual, um brinquedo nas mãos de um dono com mau génio mas, ao mesmo tempo, carinhoso, leal e fiel. Isso era o mais importante.

E não demorou muito a sentir um certo bem estar, tanto físico quanto psicológico. Mexendo um pouco a bacia para a frente, recebia prazer da protuberância que penetrava a vagina e apertava o clítoris; deslocando-se de uns milímetros para trás, o brinquedo anal gerava ondas de prazer ainda mais intensas.

Não tendo a possibilidade de olhar para um relógio, e nem de ver a luz do dia, ela não tinha noção do tempo que ia decorrendo. O seu vaivém em cima do cavalete tornou-se rítmico, como uma dança sexual que proporcionava prazer infinito. Paradoxalmente, um instrumento projectado para torturar funcionava como uma máquina para gerar orgasmos. E desse ponto de vista, Magda era praticamente insaciável. Quanto mais se vinha, mais sentia o desejo de voltar a vir-se novamente.

As horas em cima do potro foram uma viagem numa dimensão sobre-humana, uma dimensão caracterizada por uma única e sublime variável. O prazer.
Quando, dez horas depois, Henrique voltou do escritório e tirou-a da viga, ela beijou-o languidamente e, com voz bastante enfraquecida, disse para ele:
-Muito obrigada, meu Senhor…

Henrique, após tê-la deixado quase desmaiada em cima da cama, foi para a cozinha onde lhe preparou um jantar reforçado.

continua aqui