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segunda-feira, 10 de setembro de 2018

11!

É uma idade respeitável para um blog. Ou talvez seja ridículo ainda existir. Seja como for, está aqui. Há onze anos. E, se não acontecer nenhum imprevisto, continuará a existir enquanto for cumprindo o seu propósito: inquietar pessoas. Provocá-las. Mesmo que seja só uma, uma vez por ano. Tem valido a pena. Mesmo!

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Tortura de Prazer - final

início | continuação daqui

          Ele ignora a arma, pega nela ao colo e beija-a no pescoço, aperta-a com força a sorver-lhe o cheiro frutado e o calor que o deixa doido, desvia alguns objetos em cima da secretária e senta-a. O frio da superfície metálica sabe-lhe bem no rabo a ferver mas rapidamente fica quente. Ele continua a beijá-la e acaricia-lhe o corpo, detendo-se nos seios e no rabo, fazendo o caminho mais longo até chegar ao sexo. Deita-a e estimula-a, empenhando-se em cumprir a promessa que lhe fizera há pouco: pressiona-lhe o clitóris devagar, penetra-a com dois dedos, entrando e saindo a sentir-lhe a humidade quente, a pele suave a intumescer, a contrair-se e a expandir-se. Usa essa humidade para lubrificar-lhe o ânus e vai testando a resistência à sua entrada lentamente, até não sentir nenhuma. Continua a trabalhar com os outros dois dedos no interior dela, a chamá-la, a tocar-lhe naquele ponto que a leva a entrar em erupção até a lava escaldar a pele. Desta vez é ela que pede:
          - Fode-me! - ele não se faz rogado, pega noutro preservativo e penetra-a suavemente, até ela pedir com mais força. Ele acede ao pedido até ela se vir com estrondo e depois abranda um pouco, não quer vir-se já, sai de dentro dela e pede-lhe para se virar. Ela cede e ele volta a entrar por trás, a sentir o rabo bem torneado dela contra a sua pélvis, novamente até à vertigem.
          Depois de saciados os apetites de ambos, começam a pensar em conjunto como sair daquela situação absurda. Nenhum dos dois consegue racionalizar o que se está a passar, até porque a situação é completamente irracional, mas precisam urgentemente de encontrar uma solução.
          Ela quer usá-lo como escudo para sair dali. Ele sabe que vai ser arriscado, que vai ter problemas, mas decide ajudá-la. Precisa que ela o ajude também, precisa que ela partilhe informação. Depois da experiência que viveram e da cumplicidade gerada, conseguem chegar a acordo. O conflito que os separa foi também o que os uniu e isso dá-lhes outra perspetiva sobre o ridículo da situação. “Make love, not war”, a foder é que nos entendemos, eles compreendiam agora. Mas o mundo à volta quer lá saber da compreensão deles... E é essa compreensão que os faz sair daquela sala, com a perfeita consciência de que podem muito bem não voltar a ver a luz do dia. Mesmo assim, será um dia memorável.


Agradecimentos especiais a Pole Man e Girassol pela consultoria técnica ;)


Madonna, Die Another Day

quinta-feira, 12 de julho de 2018

Tortura de Prazer - parte 4

início | continuação daqui

Ela resolve guardar a faca no bolso do casaco e volta a sentar-se ao colo dele, desta vez pele com pele. Ela está seca e quente, ele frio e molhado. Mas aquele contacto produz inesperadamente um efeito intumescente no sexo dele e um calor abrasador no dela. Chega-se um pouco mais perto, passa-lhe as mãos algemadas para trás do pescoço até o rosto dele ficar entre as suas mamas. Ele fica a respirar aceleradamente o calor da pele dela e deseja ardentemente não ter a boca tapada para poder morder-lhe os seios. Esse pensamento, juntamente com a incandescência do sexo dela, provocam-lhe uma forte erecção, que lhe intensifica a dor nos testículos e o faz gemer. Ela olha para o sexo dele junto do seu. Respira fundo. Pensam ambos em uníssono: "o que é que me está a acontecer?!"

Claramente, aquilo tinha ido longe demais. Ambos sabiam que não era boa ideia misturar aquele tipo de trabalho com prazer. Mas se tinham chegado até ali, também não seria agora que iria parar. Ela olha fundo nos olhos dele, de dedo na boca, pensativa:

- Se eu te tirar a fita, portas-te bem? - ele acena positivamente. Ela arranca suavemente a fita da boca dele. Ele tosse e recompõe a respiração. Ela passa-lhe o polegar pelos lábios, mantendo-lhe a faca junto ao rosto, mas ele apenas lhe roça ao de leve os seios com os lábios. Ela sente um arrepio, e desta vez é dos bons. Chega-se mais perto, sente o sexo dele duro contra o seu, doido para entrar nela, enquanto ele lhe mordisca os seios. Como é que alguém capaz de tanto terror consegue provocar tanto tesão? É inexplicável, incompreensível, uma questão de pele, talvez. Química aplicada.

- Fazes-me isso aqui em baixo? - pergunta-lhe ela, apontando para o sexo.

- Libertas-me? - tenta ele. Ela ri-se. Pega numa toalha e estende-a no chão húmido. Segura nas costas da cadeira e inclina-a devagar até chegar ao chão. Ajoelha-se e senta-se em cima da boca dele. Ele trabalha com afinco, apesar do desconforto da posição, primeiro nas virilhas e nos lábios, depois no clítoris, a seguir morde-a devagar e penetra-a ritmadamente, enquanto ela se mexe e contorce e dedilha de cócoras, até se vir uma e outra vez. Depois vira-se e retribui-lhe o gesto sem pressas, enquanto ele continua a lambê-la. Beija-lhe os testículos avermelhados e alivia-lhe a dor que provocou há pouco. Abocanha-o e engole-o até à base, sente-o estremecer todo até ele lhe suplicar:

- Fode-me. - Ela demora-se um pouco mais, provocando-lhe uma doce mistura de dor e prazer. Tenta voltar a subir a cadeira, mas é demasiado pesada. Pega numa corda, amarra-a às costas da cadeira, fá-la passar pelo gancho pendurado e usa todo o seu peso para a erguer. Vai buscar o preservativo caído no chão, colocando-o no devido sítio e enterrando o membro duro dentro de si, numa lentidão torturante, enquanto ele continua a mordiscar-lhe os seios. O encaixe é perfeito, têm ambos a noção de que aquilo não é normal, é bom demais, o clichê absoluto, parece que foram feitos um para o outro. “Que loucura…”, pensam, enquanto gemem extasiados até ele se vir.

Torturar com prazer... aquilo só podia ser de génio, ou então o maior erro de sempre. A segunda hipótese parecia mais plausível.

- Se me libertares, vou fazer-te escorrer de uma maneira que nunca mais te vais esquecer. - Tenta ele novamente. Muito tentador, mas ela não cede. Sorri e beija-o levemente na boca.

- Ajuda-me a sair daqui viva e eu retribuo-te o prazer… Onde estão as chaves destas algemas?

- As chaves destas abrem essas.

Ela abre as suas algemas e atira-lhe a chave para abrir as dele, que aproveita para vestir as calças molhadas e desamarrar as pernas, sob o olhar atento dela e da arma que continua a empunhar. Ela veste finalmente o casaco e arregaça as mangas enormes, o casaco dá-lhe pelo meio das coxas, fica cómico, mas ela deixa-o provocadoramente aberto. Ele levanta-se e detém-se uns segundos a olhá-la. Depois dirige-se para ela com uma urgência que a assusta. Será que acabou de cometer um erro fatal?


continua aqui

terça-feira, 3 de julho de 2018

Trocas e Baldrocas...



"Ninguém pode se intrometer na intimidade de um casal. Entre quatro paredes vale tudo, se houver consentimento das quatro pessoas." Haja entendimento!

quarta-feira, 6 de junho de 2018

pontaria humorística





" Se eu vou escarrar para aquilo, nem amanhã de manhã eu posso acertar! "
Épica.
Beatriz Gosta de arrasar!
"Loukitcha"...


terça-feira, 15 de maio de 2018

Tortura de Prazer parte 3

início | continuação daqui




- Ahahaha! Boa tentativa. - Afasta-se, pousa a faca na secretária e traz um preservativo. É a oportunidade que ela estava à espera. Quando ele avança distraído a abrir o invólucro, ela usa o impulso do ponto fixo entre as mãos, salta e pontapeia-o com toda a força, acertando-lhe no peito, o que o faz cair para trás. Solta o mosquetão que lhe prende as algemas em cima e solta a venda. Ambos voam para a arma em cima da mesa, mas ela ganha a corrida e aponta-a na direção dele, que é bem maior do que ela supunha:
- Não tentes fazer nenhuma parvoíce, se fizeres um gesto que eu não ordene, levas um tiro no pé e por cada disparate, vou subindo. - Ela vira o bico ao prego e devolve-lhe exatamente o mesmo discurso que ouviu. Vai usá-lo para sair dali, mas antes, quer pagar-lhe da mesma moeda.
- És uma mulher morta. - diz ele calmamente, obedecendo-lhe.
- Não me subestimes. - Ela procura um par de algemas e encontra-o numa gaveta, bem como um rolo de fita cola. 
- Vais amarrar - diz ela num tom de voz firme que ele ainda não conhecia, a apontar-lhe a arma: - os pés a esta cadeira!
- Vais arrepender-te, puta - ela arremessa o rolo de fita-cola que lhe acerta nos testículos, fazendo-o encolher-se de dor. 
- Para a próxima é um tiro. Tira as meias e manda-as para aqui! - Ele não está a gostar nada do rumo daquilo, mas decide obedecer antes que ela se lembre de atirar alguma coisa mais destrutiva. Ela descalça as botas, tira as meias húmidas, revelando as unhas pintadas de vermelho. Cheira-as e faz uma careta com a língua de fora. Cheira as dele, faz uma careta sem língua de fora e calça as dele, quentes e secas.
- Usa a fita para amarrar os pés à cadeira e é bom que o faças bem feito. Ele tenta não dar muitas voltas, mas ela está a inspecionar o trabalho dele:
- Mais uma volta, e outra, mais outra… - até dar o trabalho por bem concluído. A seguir, atira-lhe as algemas: 
- Algema-te! Prende os braços atrás das costas da cadeira! - ele segue as instruções sem piar. Ela aproxima-se de arma em riste para inspecionar o trabalho de perto. Parece estar tudo bem. Agarra na fita-cola e tapa a boca dele. Cobre-se com o casaco dele que estava nas costas da cadeira, mas curiosamente, já não tem frio. 
Guarda a arma no bolso do casaco e vai buscar a faca. - Agora é a minha vez. - Ela sorri pela primeira vez desde que ali está. É um sorriso desafiante, extremamente sedutor e maquiavélico. Passa-lhe a faca por cima da fita cola e desce pelo queixo até ao pescoço, fazendo pressão na jugular, deixando um pequeno corte superficial. Facas não são o seu forte, e com as mãos algemadas, ainda menos.
- Ups. Desconfortável, não é? - Dirige a faca para o peito e começa a cortar-lhe a camisola. Não é tão fácil como parecia, ainda mais com as mãos presas, mas ela lá consegue desvendar-lhe o torso e os ombros. Na verdade o Major não é jovem, mas também não é velho. Está em forma, os músculos têm alguma firmeza e definição. Ela diverte-se a deslizar a lâmina entre os pêlos do peito dele e observa atentamente a marca vermelha que as suas botas ali deixaram. Sorri e olha-o nos olhos, a curtíssima distância. Ele tem olhos claros e cativantes, quem diria que eram olhos de um torturador? Mas os dela também não parecem olhos de má pessoa, são muito vivos e expressivos, e no entanto ali está, completamente extasiada com aquele poder. 
Dirige-se com a faca para a braguilha. Ele ainda a tem aberta e o cinto está desapertado, mas o sexo já não está duro. Continua dorido do rolo da fita. Um objeto insignificante, mas levar com aquilo nos testículos quando se está intumescido, dói que se farta. Ela sai de cima dele, desaperta-lhe o botão das calças e ordena-lhe:
- Levanta o cu! - enquanto ele o faz, ela puxa-lhe as calças e os boxers para baixo. Pega na mangueira e dá-lhe um banho com a pressão no máximo, insistindo no sexo. Entra-lhe água pelo nariz, engasga-se e tosse. Ela pega novamente na faca e dirige-se para ele. Para o sexo dele. Começa a passar ao de leve, como ele lhe fez e sente-o encolher-se. Sorri, ao sentir a respiração dele acelerar. Continua mole. 
- Não é nada entesoante estar desse lado, pois não, meu cabrão?


continua aqui

quarta-feira, 25 de abril de 2018

Dança XXIV: apneia subaquática



"Elle ne filme que sous l'eau. Julie Gautier, réalisatrice immergée, signe un nouveau film, "Ama", dédié à toutes les femmes : "J’ai voulu mettre dans ce film ma plus grande douleur en ce monde. Pour qu’elle ne soit pas trop crue je l’ai enrobée de grâce. Pour qu’elle ne soit pas trop lourde je l’ai plongée dans l’eau." Découvrez un extrait de deux minutes dans cette vidéo, et retrouvez le film en intégralité sur sa chaîne Viméo "Les films engloutis".

A Água permite uma diferente gramática do movimento. A dança é quase um voo, um poema fluído.
Sublime.

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Tortura de Prazer - parte 2

continuação daqui

A adrenalina dispara-lhe no sangue e a bexiga cheia está prestes a rebentar. Tem de se aliviar com urgência, como se estivesse mijadinha de medo. Uma humidade quente começa a escorrer-lhe pelas pernas abaixo ensopando as calças e as meias. Sabe-lhe maravilhosamente bem aquele alívio, mas não o quer demonstrar. Baixa a cabeça, morde o lábio e começa a choramingar:
- Não sei, não sei, por favor, eu não sei de nada! - Ele ri-se. Ela consegue ouvir-lhe a respiração calma, sentir um cheiro intenso, almiscarado do corpo dele, com rumores de after shave. Quase afável. Chega-se ao ouvido dela e sussurra:
- Fraquinha… - um arrepio percorre-lhe a espinha e fá-la estremecer. Ela parece realmente pequena e extremamente vulnerável. Ele ri-se para dentro e pensa “eu vou gostar disto”:
- Mijaste as calças, vou ter de te castigar…
Ele começa a desapertar-lhe o cinto e ela debate-se. Ele saca de uma faca, encosta-a ao pescoço dela e fá-la gelar. Tem os braços dormentes, já não sente o desconforto das algemas e continua sedenta, mas intacta.
- Vamos lá ver, estou a perder a paciência, e quando eu perco a paciência fico bastante violento. - Começa a cortar-lhe as calças e a camisola com a faca, demonstrando uma precisão cirúrgica deixando-a de botas e roupa interior, sem um único arranhão. Ela está em forma, tem um corpo bem feito e curiosamente, parece menos frágil sem roupa. Ele volta a sussurrar-lhe ao ouvido:
- Se não falas, vou ter de estragar este teu corpinho… - toca-lhe com o dorso da lâmina na jugular. Consegue ver-lhe a pulsação acelerada a palpitar a artéria e começa a descer para o ombro, cortando uma alça do sutiã, depois a outra, depois desce pelo centro do peito e com um gesto rápido, descobre-lhe as mamas, mostrando o quão afiada está a faca. “Magníficas mamas, pequena mas bem dotada”, pensa ele. Afasta-se um pouco para a contemplar e recuperar o fôlego, aquela visão excita-o e precisa manter a postura. Volta ao ataque, percorrendo-lhe os seios com a lâmina, até parar num mamilo espetado pelo frio:
- Vai ser uma pena ficares sem este mamilo... -  A respiração dela acelera, faz o peito subir e descer e tenta controlar-se para não ser ferida pela faca. - Depois se continuares a não colaborar, a mama toda... - Tortura 101, um clássico. Mais uma vez, lembra-se do treino, da parte psicológica. As lágrimas começam a ensopar-lhe a venda e a escorrer-lhe pela face. Mas continua intacta. A ponta da lâmina percorre-lhe o corpo, como uma carícia quase imperceptível, não fosse tão gelada. Ele usa as costas do fio para fazer mais pressão sem a cortar.

- Vamos lá livrar-nos dessas cuecas mijadas - com dois simples cortes e um puxão, ela está nua à sua frente, apenas conserva as botas. Ele cola-se às suas costas e ela consegue sentir-lhe a erecção contra o rabo, por baixo das calças. Ele vai descendo com a faca do peito para o ventre, percorre o monte de vénus e pára à entrada da fenda:
- Não queres que te mutile aqui, pois não? - Ela percebe que ele está a brincar com ela, a testá-la. Sabe que tem de lhe dar qualquer coisa para ganhar tempo, se quer sair dali com vida:
- Por favor, por favor, eu não sei de coordenadas nenhumas, eu só ouvi um rumor, alguém dizer que não era um lugar geográfico, era um endereço, num servidor qualquer, mas eu não sei o que é, juro! - ela tinha de inventar alguma coisa para ganhar tempo e ele sorri triunfante, parece que vão a chegar a algum lado agora. Liga o rádio e pede:
- Faz-me uma busca por servidores nossos que possam ser suspeitos, escuto.
- Que tipo de suspeição? Escuto.
- Ainda não sei, tudo o que parecer estar fora do sítio. Escuto.
- Isso pode demorar umas horas. Escuto.
- Diverte-te e volta a ligar quando tiveres alguma coisa. Over.
- Posso beber água, por favor? - ele ri-se com a ousadia dela.
- Vais dizer-me mais concretamente que servidor é esse que tu não sabes?
- Se eu soubesse… mas eu não sei de nada, por favor...
- Claro, vou dar-te de beber, os teus desejos são ordens - diz ele num tom claramente jocoso e irado. Pega numa mangueira e rega-a toda. A água está glaciar, congela-lhe a pele de galinha arrepiada, mas consegue beber alguma.
- Pronto, assim também ficas lavadinha e pronta para me contares mais pormenores sobre esse servidor. - a água escorre na pele dela formando pequenos rios que percorrem os montes e vales do seu corpo. Alguns perdem-se em pingos nas extremidades, outros rumam para sul, na busca de uma foz. Ela ouve o som  do fecho das calças dele a abrir devagar…

- Eu não sei mais nada, eu juro, por favor… não me faça mal, eu sou sero-positiva!- Grita ela. Contra-tortura 101. Ele pára de desapertar as calças por um segundo.

continua aqui

quarta-feira, 11 de abril de 2018

provocação gratuita 104

"Arder con deseo y mantenerlo en secreto es el mayor castigo que podemos traer a nosotros mismos."

Frederico Garcia Lorca
gracias Girassol :D

domingo, 1 de abril de 2018

Tortura de Prazer - parte 1


Um subterrâneo, numa base militar secreta. Numa sala ampla, escura, com uma mesa e cadeiras metálicas, um ralo no chão e várias correntes penduradas no tecto, um Major ordena aos seus subalternos via rádio:
- Tragam-na.
Entram dois guardas com a prisioneira algemada, vendada e encapuzada.
-  Sentem-na. - A voz do Major é clara e firme, quase radiofónica. Ela não consegue perceber-lhe a idade. Não tem voz de velho, mas também não parece muito jovem. - Deixem-nos sozinhos. - Ele levanta-se muito calmamente, tranca a porta e volta a sentar-se. Ela não trazia identificação quando foi capturada, mas identifica-se e eles confirmam a identificação falsa que foi criada para a operação em curso. Está a esforçar-se por manter a calma e memorizar todas as voltas que deu para ali chegar.
Treme de frio dentro da camisola sem mangas. A sua bexiga é um depósito com indicador de cheio ligado há umas horas e a boca está mais seca que areia do deserto ao meio dia.
Tem trinta anos, é pequena e bonitinha. Treinada para situações daquelas, embora nunca tenha passado por nenhuma na realidade. Alerta e expectante.
O Major tira-lhe o capuz devagar, com a delicadeza de quem despe a amada, mas ela continua sem ver nada porque está vendada. Começa a tentar elaborar um plano de fuga, não vai ser fácil com o que tem. Depois de algum tempo que pareceu uma eternidade em que a esteve a estudar, o Major começou a falar:
- Isto pode demorar muito tempo e ser bastante doloroso. Ou pode ser bastante rápido e indolor. Só depende de ti, da tua disposição para colaborar.
- Eu colaboro, tenho pavor à dor. - Ela quer claramente a tentar passar uma imagem frágil de vítima indefesa, o que não é difícil na posição em que se encontra…
- Só precisas de nos dizer as coordenadas.
- Quais coordenadas?
- Assim começamos mal. Não te faças de desentendida, sabes muito bem do que estou a falar.
- Juro que não sei de nada, sou só um sargento, não tenho acesso a informação privilegiada, eu já disse aos outros, não sei por que me capturaram e…
- Deixa-te de merdas - corta ele aumentando o tom de voz. - O teu contacto denunciou-te, estavas no sítio certo à hora certa, por isso é melhor começares a falar.
- Qual contacto? Não sei do que estão a falar, por favor, isto é tudo um mal entendido, eu sou uma simples operadora de comunicações, eu já expliquei o que estava lá a fazer!... - choraminga ela, a fingir aflição. Será que apanharam mesmo o seu contacto ou é apenas bluff? Se sim, o que terá ele dito? Isso agora não interessava, o importante era sobreviver. Na sua cabeça, revê a informação para a fuga.
- CHEGA! - grita o Major, dando um murro na mesa com a agressividade de um felino assanhado, prestes a atacar, que a faz saltar da cadeira: - Assim vai ser mais difícil para ti, mas se é assim que queres… - sorri, levanta-se e aproxima-se dela. Se ela não falar logo, aquilo vai dar-lhe algum gozo:
- Levanta-te e não tentes fazer nenhuma parvoíce, se fizeres um gesto que eu não ordene, levas um tiro no pé e por cada disparate, vou subindo. Ela obedece sem hesitar. Lembra-se do treino, tem de ser maleável, tem de colaborar, tem de os fazer acreditar que não sabe grande coisa. Lembra-se de como fazer para desmaiar quando precisar, mas tenta manter a calma por dentro, enquanto tenta parecer perturbada por fora.
Ele encosta-lhe o cano da arma à cabeça e destrava-a. Ela sente o metal duro e frio contra a têmpora, mas sabe que ele não vai disparar. Não já, não sem antes obter alguma coisa. Mesmo assim, a sua pulsação acelera. Precisa que ele cometa algum erro para sair dali.
- Levanta os braços - ela obedece de imediato e enquanto o faz, desloca ligeiramente a venda, o suficiente para deixar entrar um pouco de luz mas de forma imperceptível para o seu interlocutor. Ele pega na corrente das algemas e encaixa num mosquetão preso noutra corrente, por cima da cabeça dela. Ela começa a vislumbrar o espaço, o mosquetão e a posição dele. A vontade de urinar está a sobrepor-se ao pensamento, está a reter a urina há tanto tempo que começa a sentir contrações na bexiga e nos músculos pélvicos, que até são bastante agradáveis durante uns segundos para logo a seguir intensificarem o martírio.
- Só vou perguntar mais uma vez antes de te começar a magoar: as coordenadas?


continua aqui

quinta-feira, 22 de março de 2018

Dança XXIII: enciclopédia do movimento corporal

Erik Satie's "Gymnopedie No. 1" by Fabio D'Andrea

Coreógrafa e bailarina: Teneisha Bonner


A Dança reflete a Música, num controlo perfeito do movimento do corpo, sincronizado com o som. Expressa emoções com linguagem própria, gramática e sintaxe, frases com conjugações verbais e motoras, numa composição harmónica e sotaque peculiar. Gostei!

sábado, 17 de março de 2018

na máquina de lavar há orgias de peúgas

original aqui

As minhas meias, de vez em quando, também swingam nos meus pés...


"A máquina de lavar tem um compartimento secreto que dá para Nárnia?"

"Meia esquerda: Meu bem, que se passa com você hoje, está com cara de borboto...
Meia direita: Pare de fingir que não sabe, seu cafajeste de poliéster, eu vi o que você estava fazendo com a vacarrona da fronha na máquina de lavar roupa!
Meia esquerda: Eu?!? Nunca!!!
Meia direita: Eu bem te vi roçares-te nela durante a centrifugação! Parecia uma festa da espuma no barril!
Meia esquerda: Mas aquilo não significou nada para mim! tu sabes como é na máquina de lavar roupa, eu tinha bebido muito amaciador com cheiro a bosque encantado...
Meia direita: Eu não aguento mais isto, na semana passada foi com o pano da loiça, que chegaste a casa ainda a cheirar a gambas à la Guilho! A minha mãe bem me disse que não devia confiar numa meia com raquetes, temos que nos separar!
Meia esquerda: Mas, eu e tu, um sem o outro não somos nada! Somos inúteis, desirmanados para acabar os nossos dias como paninhos da limpeza, a esfregar chichi de gato e óleo de bicicleta!
Meia direita: Tivesses pensado nisso antes! Adeus, até nunca! Vou enfiar-me debaixo do saco do ginásio, nunca mais me irão descobrir!"


Excertos de Macaquinhos no SótãoNovela das meias separadas por Susana Romana
Podcast integral aqui


terça-feira, 13 de março de 2018

Animalidade



A sensualidade do excesso
do querer violento
Tão básica, visceral,
Instintiva.
A perversão da conquista
Tem de ser obsessiva?

Afinal de contas, somos apenas animais...
somos todos carne, e sangue e
consciência?


"Baby I'm preying on you tonight
Hunt you down eat you alive
Maybe you think that you can hide
I can smell your scent for miles
Just like animals
Animals
Like animals-mals"

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

* Dança XXII: sensorial sevensome


Sense8, S01E06-Demons
Música: Fat Boy Slim Ft. Macy Gray, Demons

É uma dança, só pode. 
Uma orgia sensorial. 
Tão, tão... Uaaaaaau!
Quem me dera estar lá no meio... 
no entrelaçar dos corpos... 
sentir, sentir, sentir... 
cada corpo, todos os corpos.

Quero dançar assim, não precisa de ser com tanta estética, só tem de dar gozo a todos os intervenientes. 
E tresandar tesão...

"All of your demons will wither away
Ecstasy comes and they cannot stay
You'll understand when you come my way
Coz all of my demons have withered away"

sábado, 11 de novembro de 2017

Assédio invertido



"Homem é foda. O cara passa quase o tempo todo livre malhando, só publica foto em festa, pega qualquer uma, anda por aí de regata ou sem camiseta e depois vem reclamar que é uma vítima. Depois esses cínicos ficam se fazendo de indignados e reclamando. Mas também, eles só sabem fazer isso: vadiar e reclamar. Ele tem que aprender o devido lugar dele e que tem coisa que não se pode fazer. Aí, não arranja uma esposa e não sabe o por quê!"