texto por Nuno Miranda Ribeiro, originalmente publicado aquiestereograma por carpe vitam! inspirado no trabalho de Serra Naturezas
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os sons acolhendo-nos, os dois feitos animais com cio, as sombras das árvores colando-se à pele. o nosso hálito em crescendo misturando-se no vento quente. cada beijo uma semente a propiciar o prazer. sôfregos, adiamos ainda a colheita, o tempo já disperso como fragmentos de uma ampulheta perdidos pelo chão fértil. arrancamos as raízes para mergulhar na carne um do outro, chupamos os caules e bebemos a seiva. entro como um tronco em solo ávido, danças como ninfa em corrente de ardor. o nosso suor escorre como orvalho, a tua sede pede-me que plante uma fonte, o meu desejo sobe a corrente, rio acima, com a virilidade de um possuído em rota telúrica. os nossos corpos já se misturaram antes que o prazer desagúe no estuário da nossa união. o momento presente vai explodindo, sucessivamente exultado, as folhas nos ramos agitam-se com o vento de mil línguas de fogo, dançamos como os predadores caçam, a agilidade felina percorrendo veloz a irregularidade do terreno. quando um grito se solta como ave de rapina iniciando a vertigem da descida, uma boca morde um pescoço, unhas se cravam no flanco, ancas vincam um movimento abrupto. e a saliva, o sémen, o sangue fervendo nas artérias, o teu mel salgado inundando as tuas e as minhas coxas, toda a nossa seiva nos percorre como um relâmpago a um tronco milenar.
Existe um pequeno número de pessoas (cerca de 10%) que não conseguem mesmo ver estereogramas por questões fisiológicas (por exemplo, estrabismo). Um exemplo de estereograma mais simples aqui.
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