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quarta-feira, 24 de março de 2010

Floresta

texto por Nuno Miranda Ribeiro, originalmente publicado aqui
estereograma por carpe vitam! inspirado no trabalho de Serra Naturezas
instruções de visualização



os sons acolhendo-nos, os dois feitos animais com cio, as sombras das árvores colando-se à pele. o nosso hálito em crescendo misturando-se no vento quente. cada beijo uma semente a propiciar o prazer. sôfregos, adiamos ainda a colheita, o tempo já disperso como fragmentos de uma ampulheta perdidos pelo chão fértil. arrancamos as raízes para mergulhar na carne um do outro, chupamos os caules e bebemos a seiva. entro como um tronco em solo ávido, danças como ninfa em corrente de ardor. o nosso suor escorre como orvalho, a tua sede pede-me que plante uma fonte, o meu desejo sobe a corrente, rio acima, com a virilidade de um possuído em rota telúrica. os nossos corpos já se misturaram antes que o prazer desagúe no estuário da nossa união. o momento presente vai explodindo, sucessivamente exultado, as folhas nos ramos agitam-se com o vento de mil línguas de fogo, dançamos como os predadores caçam, a agilidade felina percorrendo veloz a irregularidade do terreno. quando um grito se solta como ave de rapina iniciando a vertigem da descida, uma boca morde um pescoço, unhas se cravam no flanco, ancas vincam um movimento abrupto. e a saliva, o sémen, o sangue fervendo nas artérias, o teu mel salgado inundando as tuas e as minhas coxas, toda a nossa seiva nos percorre como um relâmpago a um tronco milenar.


Existe um pequeno número de pessoas (cerca de 10%) que não conseguem mesmo ver estereogramas por questões fisiológicas (por exemplo, estrabismo). Um exemplo de estereograma mais simples aqui.

sábado, 4 de julho de 2009

Fruto-Rei


Olha para ele, iluminado, com toda aquela exuberância tropical, está mesmo a pedi-las!
Pega na faca grande de serrilha e começa por te livrar da coroa. Depois corta-lhe o pé.
Já se começa a sentir aquele cheirinho bom, adocicado. Corta a casca à volta, às tirinhas, o mais finas possível.
Já começa a escorrer o sumo? Mnham, mham, é de lamber os dedos.
Agora corta-o ao meio e depois em quatro. Tira-lhe o centro rijo, mas só se for mesmo muito rijo.
A luz sai lá de dentro e invade o olhar. Sol aos pedaços.
E está pronto a ser saboreado. Sabe mesmo bem aquecido no molho de uma carninha grelhada, mergulhado em chocolate de fondue ou comido assim mesmo, ao natural.
Ummmmm, doce e ácido, fibroso, fresquinho, sumarento, madurinho, mesmo bom!
E o cheirinho adocicado, intenso, caramelizado, perdura nos dedos e na memória...

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Olhar


“As vezes, é preciso parar e olhar para longe, para podermos enxergar o que está diante de nós.” (John Kennedy)

ilustração cão sarnento

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

um pequeno olhar

POST ELIMINADO PELO AUTOR

O ARTISTA QUE AQUI ESTAVA NÃO TEM DIGNIDADE PARA SER REFERENCIADO NESTE BLOG

quarta-feira, 14 de maio de 2008

switch off




Estava eu a navegar e passei por aqui e encontrei o vídeo do Mordillo

Será que é preciso estar às escuras para se poder perder a vergonha e dar uns beijinhos?

segunda-feira, 5 de maio de 2008


continuação daqui
Achas que a repressão sexual sobre as mulheres já não existe? Que já se libertaram há muito das amarras que as condenavam a viver uma vida sem prazer sexual? Mas em que mundo é que vives?

Esta mulher estava a dar-me luta. Apaixonei-me por ela, queria obcecadamente ajudá-la. Queria estar com ela, tentar dar-lhe esse prazer que ela tanto desejava e simultaneamente recusava a si própria. Mas sabia perfeitamente que isso não ia acontecer, que tinha de ser ela e apenas ela a consegui-lo.
Não trocámos mails durante uns tempos. Um belo dia, ela escreve-me:

Estava deitada, num estado onírico. Não sei bem se estava acordada ou a dormir. Estou no meio de um prado florido, com flores amarelas e roxas a pintalgar a paisagem. O céu é de um azul claro uniforme, com tufos de nuvens suaves. Estou dentro de uma banheira branca de metal, num banho morno de imersão em água de óleos perfumados e pétalas de rosa. Os pássaros chilreiam numa sinfonia de acasalamento. É Primavera, claro que é Primavera. Acaricio os meus cabelos, massajo o couro cabeludo e deixo as minhas mãos escorregarem para o pescoço. Cruzo-as para chegar aos ombros, ao interior dos meus braços. Olho para as minhas mãos molhadas e oleadas como se fosse a primeira vez e toco-me, mão na mão. São brilhantes as minhas mãos, os meus dedos deslizam facilmente. Toco no meu peito, aperto-o com as duas mãos, reclino-me e deixo-o assomar à superfície da água, com algumas pétalas de rosa agarradas. Rodeio os mamilos, estimulo-os até ficarem bem rijos. Dirijo-me com as duas mãos para baixo, até à cintura. Sigo depois pelo centro, até encontrar as minhas coxas submersas. Acaricio o interior até às virilhas, colocando as pernas para fora da banheira. Faço isto gentilmente, durante imenso tempo, devagar, até a minha vulva suplicar para lhe tocar. Toco-lhe até a minha vagina me pedir para entrar e continuo assim, a saborear a minha textura íntima, exercitando os músculos, contraindo e relaxando, sabe tão bem!
Vou aumentando o ritmo devagar, em movimentos circulares, desenhando oitos em cima do meu clítoris. Cada vez com mais calor, mais ardor, mais paixão.
Começo finalmente a sentir um pulsar ténue, algo que me impele a continuar a massajar o interior da carne, intensificando essa sensação que me consome, sentindo a tensão a faiscar, a electricidade a percorrer-me o corpo que me faz vibrar e latejar incontrolavelmente.
Ah É isto, é istoooooooooooo!
Não contenho um estranho grito de prazer libertador e uma lágrima escorre-me pela face. É bom demais! E sinto uma paz, uma calma, uma tranquilidade vitoriosa.
Rio às gargalhadas, despertando do estado de sonho em que me encontrava.

Sublime, absolutamente sublime!
Obrigada :-)


Este mail deu-me um tremendo tesão. Fiquei o dia inteiro com as palavras dela na cabeça, e quando finalmente me pude soltar, vim-me a pensar nela, dediquei-lhe o meu orgasmo.

Foi uma vitória suada, muito desejada e extremamente merecida. Agora, minha pérola, o mundo é verdadeiramente a tua ostra!


terça-feira, 11 de março de 2008

ó VERA, quando é que chegas?

Estou cheio de saudades tuas, do teu perfume, do teu calor...

Já te anunciaste, consigo sentir que vens a caminho, chegas quase sempre por esta altura.

Mas ainda não te vejo. Onde estás afinal?



Vou ficar enroladinho como um gato à tua espera.
E quando chegares, vou dar-te as boas-vindas com um tratamento especial...


Sempre ouvi dizer que quanto mais PRIMA, mais se lhe arrima! ;-)

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Olhar... (3)

(...) continuação daqui
rosto_
Encontramo-nos no restaurante combinado, calmo discreto, não romântico, mas há hora que era… a fome era mais que o romantismo… pela segunda vez beijaste-me… ainda bem, nunca saberia como te haveria de beijar, continuas a cheirar ao mesmo perfume, doce, suave…
O teu beijo foi tão bom como o primeiro, suave, quente, doce…
O jantar acabou por ser delicioso, pude olhar-te de frente, ver o teu olhar, ai o teu olhar… foi ele que me prendeu a ti, os teus olhos verdes têm qualquer coisa de muito próprio, o teu olhar meigo, doce, com um toque promíscuo misturado com um outro toque algo virado para o lascivo…
Os teus lábios brilham, o vinho tinto que bebemos era bom, relaxei, contemplo-te, a tua forma, tens uma forma perfeita, não tens as curvas nem as contracurvas impostas pela sociedade (tal como eu!) sinto bem junto de ti, dás-me segurança….
Decidimos sair do restaurante, pago eu, não pago eu, olha para não haver guerras pagamos os dois, metade para mim, metade para ti!
Para onde vamos? Onde queres ir? Eu… assim meio com vergonha, meio sem ela, disse: a minha casa não fica muito longe daqui… queres vir…
O que fui eu fazer…
(…)
Continua aqui

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008