terça-feira, 27 de março de 2018

swingin' (in the rain): os Músicos #4


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No meio de Agosto, depois de eles terem ido de férias, conseguimos encontrar um dia para nos encontrarmos novamente. Como seria durante a tarde, optámos por ir fazer Geocaching caminhando pela serra, depois de um almoço em nossa casa. Foi muito bom revê-los, soube bem o fresco da serra numa altura em que quase toda a gente opta por praia. Passaram pela nossa cabeça algumas ideias de nos despirmos e fazer sexo ao ar livre, ou simplesmente arejar partes mais privadas do corpo, mas comportámo-nos e divertimo-nos bastante. Eles iriam novamente de férias no dia seguinte, desta vez para o estrangeiro, pelo que teriam de tratar das malas e afins e não puderam ficar para a noite e nós ficámos a pensar se voltaríamos a estar sexualmente com eles e ultrapassar o nosso record das duas vezes. Mesmo que isso não viesse a acontecer, gostávamos de estar simplesmente com eles. Por isso os convidámos para um programa familiar em que podiam trazer o rebento dele. Foi a Dupla de Peso que nos falou de um peddy paper pela capital, e eles aceitaram prontamente. Correu muito bem, ficámos em terceiro lugar e o miúdo também apreciou. Fomos os sete almoçar a uma hamburgueria simpática com comida deliciosa. Os músicos tiveram de ir andando para os anos de um colega do filho e nós fomos para casa da Dupla.

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quinta-feira, 22 de março de 2018

Dança XXIII: enciclopédia do movimento corporal

Erik Satie's "Gymnopedie No. 1" by Fabio D'Andrea

Coreógrafa e bailarina: Teneisha Bonner


A Dança reflete a Música, num controlo perfeito do movimento do corpo, sincronizado com o som. Expressa emoções com linguagem própria, gramática e sintaxe, frases com conjugações verbais e motoras, numa composição harmónica e sotaque peculiar. Gostei!

segunda-feira, 19 de março de 2018

swingin' (in the rain) os Músicos #3

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Tínhamos sido convidados para a festa de aniversário da menina que toma conta do clube da casa com piscina, era festa branca. Aceitámos o convite e combinámos encontrar-nos novamente no Clube, desta vez ir de tarde e aproveitar a piscina. O Tal Casal também estava por cá e achou a ideia interessante, pelo que nos iríamos encontrar lá. A Tal estava com imensa vontade de piscina, estava um sol abrasador que fazia apetecer ainda mais atividades aquáticas. Eles foram mais cedo, e quando lá chegaram depararam-se com um clima diferente, de sol encoberto por nuvens que persistiam em não arredar dali tão cedo, para grande insatisfação da Tal. Ainda assim, decidimos ir, e como de costume, não nos arrependemos minimamente.
Ainda que o sol não desse o ar da sua graça, estava calor e acabámos à mesma nus na piscina. Há uns tempos tínhamos estado por ali com imenso calor, tanto calor que a Yin só se convenceu a ir porque a Dupla de Peso ofereceu boleia no seu carro com ar condicionado, tendo acabado a fazer yoga nua na relva, à beira da piscina. Depois acabámos por vir cedo porque havia quem tivesse de ir trabalhar no dia seguinte e nós tínhamos uma caminhada matinal. Mas foi uma tarde/início de noite muito bem passada. Desta vez ainda seria melhor. Os Músicos só apareceram no finalzinho da tarde, mas ainda a tempo para um mergulho. Aliás, o tempo melhorou quando eles decidiram aparecer e o sol também. Depois da piscina, fomos tomar banho. O duche é bastante espaçoso e coubemos os quatro sem problemas. Soube muito bem ensaboar corpos alheios, o Yang a tocar na Música, a Yin a tocar o instrumento do Músico nas suas costas, enquanto beijava o Yang… roubar beijos uns aos outros... uma delícia. Quando estávamos de saída da casa de banho, fomos surpreendidos pela aniversariante que estava a mostrar o espaço a mais um casal.
Fomos para um quarto e aproveitámos para fazer algumas fotos com a Música. Levámos uma túnica branca, de acordo com o tema da festa e ela prontificou-se a vesti-la. Tinha também lingerie branca sugestiva, com rendas transparentes. Ela tem um corpo elegante e é bastante fotogénica. Dá o corpo ao manifesto, acatando sugestões nossas e propondo outras, algumas fotos ficaram porreiras, ela gostou e nós também.
A sessão de fotos abriu-nos o apetite para uma sessão de sexo. Não tínhamos a certeza se eles estariam interessados em trocar de parceiro, mas em breve iríamos descobrir. A Yin despiu o Músico, que é bastante magro, e ficou surpreendida com o sexo dele quando desceu os boxers e ele ficou espetado, como se fosse um boneco das Caldas. “Não sei como não cais para a frente”, brincou ela. Não é que fosse descomunal, apenas parecia maior por ele ser magro. Daí a pouco haveria de perceber que sabia muito bem sentar-se em cima dele, enquanto o Yang canzanava a Música. Este casal musical foi uma bela surpresa, ela era mesmo muito dada, e ele muito curioso e simpático, gostámos muito de estar com eles assim e gostávamos de repetir.

Após o jantar bastante concorrido, tivemos oportunidade de rever os antigos Donos (do outro) Pedaço, o Dono tinha sido convidado para fazer um strip. O espaço estava bastante concorrido, e quando chegámos lá não dava para ver grande coisa. Já sabíamos que ele estava vestido de Polícia. A Yin tirou os sapatos e pôs-se em pé em cima das costas do sofá, mas mesmo assim não dava para ver grande coisa. A Tal aproveitou para se sentar a descansar, pois toda a gente estava em pé.

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sábado, 17 de março de 2018

na máquina de lavar há orgias de peúgas

original aqui

As minhas meias, de vez em quando, também swingam nos meus pés...


"A máquina de lavar tem um compartimento secreto que dá para Nárnia?"

"Meia esquerda: Meu bem, que se passa com você hoje, está com cara de borboto...
Meia direita: Pare de fingir que não sabe, seu cafajeste de poliéster, eu vi o que você estava fazendo com a vacarrona da fronha na máquina de lavar roupa!
Meia esquerda: Eu?!? Nunca!!!
Meia direita: Eu bem te vi roçares-te nela durante a centrifugação! Parecia uma festa da espuma no barril!
Meia esquerda: Mas aquilo não significou nada para mim! tu sabes como é na máquina de lavar roupa, eu tinha bebido muito amaciador com cheiro a bosque encantado...
Meia direita: Eu não aguento mais isto, na semana passada foi com o pano da loiça, que chegaste a casa ainda a cheirar a gambas à la Guilho! A minha mãe bem me disse que não devia confiar numa meia com raquetes, temos que nos separar!
Meia esquerda: Mas, eu e tu, um sem o outro não somos nada! Somos inúteis, desirmanados para acabar os nossos dias como paninhos da limpeza, a esfregar chichi de gato e óleo de bicicleta!
Meia direita: Tivesses pensado nisso antes! Adeus, até nunca! Vou enfiar-me debaixo do saco do ginásio, nunca mais me irão descobrir!"


Excertos de Macaquinhos no SótãoNovela das meias separadas por Susana Romana
Podcast integral aqui


quinta-feira, 15 de março de 2018

swingin' (in the rain): os Músicos #2


 continuação daqui início

Fomos jantar ao buffet de sushi onde já fomos várias vezes com casais, incluindo os Amantes. Gostamos de lá ir porque o preço é bastante acessível e tem imensa variedade, o que nos permite pagar o jantar aos nossos convidados. Eles gostaram e seguimos viagem até casa.
Como eles nunca tinham estado com outro casal, fizemos questão de ir devagar, mas a Música estava animada. Pusemos a tocar o CMusic na tv, com clássicos de piano e sugerimos massagens com óleo quente, coisa que a Música se prontificou a receber. Despiu-se completamente e ficou à mercê das mãos da Yin. Ela foi massajando sem pressas, o corpo todo, começando pelas costas, descendo até aos pés. Depois a Música virou-se e a Yin massajou-lhe o peito, a barriga, as virilhas, as pernas… depois pediu ajuda ao Músico e começaram a subir em simetria, pelas pernas acima, até aos seios… ela estava a gostar. Trocou alguns beijos com a Yin, enquanto o Músico lhe visitava o sexo com um dedo, logo seguido pela Yin. Entraram assim os dois nela, estimulando-lhe também o botãozinho do prazer, até ela gemer e assim continuaram.
Depois cada qual voltou ao seu par e brincámos assim lado a lado, a deixarmo-nos contagiar pelo tesão uns dos outros. Já era tarde e no dia seguinte a Yin era a única que teria de ir trabalhar, mas não se importou nada de dormir poucas horas. Foi para o trabalho com um sorriso de orelha a orelha.
 
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terça-feira, 13 de março de 2018

Animalidade



A sensualidade do excesso
do querer violento
Tão básica, visceral,
Instintiva.
A perversão da conquista
Tem de ser obsessiva?

Afinal de contas, somos apenas animais...
somos todos carne, e sangue e
consciência?


"Baby I'm preying on you tonight
Hunt you down eat you alive
Maybe you think that you can hide
I can smell your scent for miles
Just like animals
Animals
Like animals-mals"

segunda-feira, 12 de março de 2018

swingin' (in the rain): os Músicos #1

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Os Amantes queriam conhecer outros clubes para além do Venusa, por isso levámo-los ao Clube da vivenda com piscina descoberta no começo do verão.
Quando chegámos, outro carro seguia à nossa frente, mas não virou para a vivenda. Percebemos depois que também se dirigiam para o mesmo local e que devia ser a primeira vez que para lá se dirigiam. Na entrada, vieram connosco espreitar a piscina e depois no interior, o Yang ofereceu-se para lhes mostrar o espaço, já que o iríamos fazer para os Amantes. E foi com todo o prazer que o fizémos e assim ficámos a conhecer os Músicos. Era realmente a primeira vez que ali iam e para nós era a primeira vez que conhecíamos alguém naquela circunstância da coincidência e termos chegado ao mesmo tempo. Eles eram muito simpáticos, ficamos a noite toda à conversa com eles. Estavam a iniciar a atividade e tinham imensas questões e dúvidas, às quais nós fomos tentando responder honestamente.
Os Amantes sentiram-se um pouco desenquadrados no espaço, mas não deixaram de se divertir, apesar de ela comentar que não se fodia ali, aparentemente eles eram os únicos com esse intuito.
Acabámos por combinar encontrar-nos no dia seguinte. Já tínhamos combinado ir até à praia com a família da Yin, pais e primos emigrantes afastados e ela também tinha combinado com a comadre para exercer um pouco a “madrinhidade”, de modo que toda a gente aceitou o convite e vimo-nos com uma série de gente de diferentes proveniências para gerir. Estava imenso vento, por isso a comadre fez apenas uma visita rápida e os pais ainda não tinham chegado com os primos quando os Músicos chegaram. No final, deu para gerir tudo e a Yin ainda pôs o pai e a prima e os Músicos a experimentar a prancha. Foi uma tarde bem passada. Quando chegou ao fim, convidámo-los para jantar lá em casa. Dessa vez, foram os únicos convidados…

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quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

* Dança XXII: sensorial sevensome


Sense8, S01E06-Demons
Música: Fat Boy Slim Ft. Macy Gray, Demons

É uma dança, só pode. 
Uma orgia sensorial. 
Tão, tão... Uaaaaaau!
Quem me dera estar lá no meio... 
no entrelaçar dos corpos... 
sentir, sentir, sentir... 
cada corpo, todos os corpos.

Quero dançar assim, não precisa de ser com tanta estética, só tem de dar gozo a todos os intervenientes. 
E tresandar tesão...

"All of your demons will wither away
Ecstasy comes and they cannot stay
You'll understand when you come my way
Coz all of my demons have withered away"

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

swingin' (in the rain): casais interessantes com quem nunca fodemos


continuação daqui | início

Nunca recusámos um convite para conhecermos pessoalmente, apesar de já termos convidado alguns que depois se cortam ou se esquecem de nós. Não levamos a mal, afinal de contas, há todo um mercado de escolhas, é normal que encontrem opções mais adequadas às suas preferências e necessidades.
No meio de tudo isto, temos uma pequena coleção de casais com quem nos encontrámos para beber alguma coisa numa esplanada, ou jantar.

Com um desses casais que decidiu vir à nossa cidade conhecer-nos, decidimos ir jantar após conversa fluida num cafézinho acolhedor. Era inverno e a Yin voltou a pedir previamente ao Yang para não convidar ninguém para ir lá a casa. Sugerimos comida italiana, havia um restaurante que sempre que por lá passávamos, normalmente fora das horas de refeição, a Yin dizia que tínhamos de lá voltar. Mas ainda não haveria de ser desta vez, pois a fila de pessoas para entrar chegava à rua e estava demasiado frio para estar ali à espera. Optámos por outro restaurante italiano e foi bastante agradável. Eles eram bastante simpáticos e terra a terra, houve uma altura em que a Yin pensou que ele poderia ser um primo afastado, mas rapidamente percebeu que não. Voltámos a encontrar-nos na casa da Dupla de Peso, por convite do Yang (ele é mesmo descarado, não se coíbe de fazer estas coisas, já os tinha convidado outras vezes, desta aceitaram) com a desculpa de serem precisos voluntários para ajudar na construção de um puzzle de 4500 peças que estava a dar algum gozo à Yin. Passámos um bom bocado na galhofa, nunca mais nos vimos depois disso.

Conhecemos outro casal geograficamente próximo, mais velho mas como muito bom ar, especialmente ele, com uma onda bem diferente da nossa. Eles assumem-se como cuckhold. A Yin até era capaz de achar piada a ter uma série de homens de roda dela, a tentar tratar deles em simultâneo enquanto o Yang assistia, mas ele não vai muito na conversa. Este casal tem um blog onde vai descrevendo as suas aventuras e apesar de serem bastante pormenorizados em alguns aspetos, são descrições bastante gráficas e interessantes. Não fomos jantar com eles porque tinham outros compromissos, mas foi proveitoso conhecer uma forma de estar diferente.

Houve outro casal que se meteu connosco no site que pareceu muito boa onda. Também mais velhos, também com muito bom ar, principalmente ela, com uns olhos penetrantes, doces e picantes, está visto que a Yin gosta de mulheres maduras com olhos assim, de quem já viveu o bastante para aprender com os maus momentos e saber apreciar os bons. Fomos ao bar do costume, agora renovado, para o que eles chamaram de “sunset” qualquer coisa que nos escapou, mas o importante é que era ao pôr-do-sol. Eles falaram-nos das suas viagens swingers no estrangeiro e de como as coisas são diferentes lá fora, é outro “mindset”. Muito cosmopolitas, mas simultaneamente terra a terra e com inclinações esotéricas. Ele falou sobre umas massagens Yoni que deixaram a Yin com bastante curiosidade para experimentar. Fomos jantar a um buffet oriental onde já levámos vários casais. A Yin achou o sítio demasiado reles para eles, apesar de dizerem que gostaram. Mas foi um serão muito agradável.
Pouco tempo depois, enviaram-nos mensagem a perguntar sobre a nossa disponibilidade para um encontro sexual. Assim mesmo, educadamente sem rodeios. Ficámos a pensar no assunto, porque gostámos de estar com eles e temos com toda a certeza muito a aprender com sua postura. Mas na altura também tínhamos conhecido um outro casal com quem queríamos aprofundar conhecimentos e há que estabelecer prioridades.
A maior parte das vezes, não é preciso dizer explicitamente não, porque as pessoas conseguem percebê-lo indiretamente, mas por vezes é mesmo preciso dizê-lo, da forma mais simples e honesta possível, tentando não ferir suscetibilidades. E foi isso que a Yin tentou fazer via messenger:
“Cremos que n é o momento certo para nós 4
N sei se alguma vez será, mas n gostamos de fechar portas
Gostámos genuinamente de estar convosco e gostaríamos de continuar a trocar ideias
São um casal muito charmoso e resolvido
Vamos falando?”
Aproveitou também para elogiar os olhos doces e picantes da outra mulher, e ela muito simpaticamente agradeceu o piropo. E fomos falando. Convidaram-nos para um Festival Tântrico, mas a Yin teve de trabalhar nessa data e semanas antes as entradas já estavam esgotadas. Fomos trocando ideias sobre as massagens, a Yin encontrou uns tutoriais, fez uns contatos e encontrou vários locais onde fazem as ditas massagens, mas ainda não experimentámos e não nos voltámos a encontrar.


continua...

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Ata-me!

Foto: Craig Gum
Texto: Girassol

Tu pousas para as fotografias,  entre risinhos, como se a cruz fosse apenas um brinquedo para fantasiares. Os teus mamilos, espetados contra a malha rendilhada, gritam o quanto queres que essa fantasia se torne realidade.
O peso dos olhos obrigam-te a virar a cabeça. Como uma estátua observa-te do outro lado da sala. Os teus olhos percorrem o corpo dele, prendem-se nas cordas na sua mão. Imaginas o toque áspero a roçar-te na pele. O teu rosto trai-te, o estranho ganha vida e dirige-se para ti, olhas em redor. Não é tarde,  ainda podes escapar.  O teu fotógrafo está distraído e as tuas pernas recusam-se a mexer.
- Olá, como te chamas?  – pergunta o estranho.
- Vera.
- Queres experimentar as minhas cordas Vera?
Directo e incisivo, faz-te o coração disparar, como se tivesses feito uma festa na cabeça de um gato, piscasses os olhos e de repente estivesse um tigre à tua frente.
- O que queres tu fazer com essas cordas? – perguntas.
As palavras secam-te a garganta.
- Onde está a piada em te dizer? Deixa-me mostrar-te.
Tu sorris, o estranho aceita isso como um sim.  Avança para ti. Recuas até bateres com as costas na cruz, junto à parede. Entalada entre o calor dele e a madeira fria.
O rosto dele aproxima-se, os teus lábios abrem-se, mas ele para antes de te beijar.  Olha-te nos olhos e agarra-te no cotovelo. Uma corda começa a enrolar-se, descendo às voltas apertadas pelo teu antebraço. Os lábios dele procuram-te, dançam suaves contra os teus, envolvem-te enquanto as mãos com vida própria trabalham num pulso e depois no outro.
As cordas atadas nos teus braços são mais pesadas do que esperavas, mas ainda estás solta.
- Vira-te. – diz ele. Com as mãos nos teus ombros, começa a rodopiar-te.
Obedeces e giras, enfrentando a cruz. Ele levanta-te os braços, pressiona as tuas mãos contra os topos do X.  Ata as pontas soltas das cordas à cruz, agora não consegues escapar, apenas outra pessoa te pode salvar.
As mãos dele estão na tua cintura, o tronco dele colado às tuas costas. Duro contra o teu rabo. Espreitas sobre o ombro, olhando-o de soslaio. O canto da tua boca sorri, passas a língua pelos lábios, desafiando-o.
Ele puxa-te, fazendo as cordas morderem-te os antebraços, uma mão empurra o teu rosto, força-te a olhar mais para trás. A língua estranha invade-te a boca devagar, quente e húmida. Cerras os olhos e entregas-lhe a tua, ele fecha-a entre os lábios, saboreando-te. 
Corta o beijo cedo demais para ti, apanha-te a orelha entre os dentes, arfando ao teu ouvido, o peito dele expande e contrai nas tuas costas. As mãos dele viajaram para os teus seios, apertam-nos. Quando é que isso aconteceu? – perguntas a ti própria.
- Abre as pernas e empina o rabo. 
Tu respondes por instinto. Pressionas as pernas uma contra a outra, cerrando os joelhos.  Ele ri-se, escorrega por ti abaixo. Ajoelha-se atrás de ti. O teu vestido sobe pelas pernas, contorna o teu rabo, enrola-se até à tua cintura.
- Obedece. – diz-te ele.
A primeira palmada estala contra a nádega, bloqueando-te a respiração. A  violência do som rompe na tua cabeça antes do ardor penetrar na pele. A segunda bate na outra nádega, uma carícia, um eco da primeira. Uma. Duas. Três e quatro vezes  estalam-te sem pausas no rabo e nos ouvidos. As tuas nádegas ardem como brasas.  Tréguas por um momento, uma língua desliza pelas tuas nádegas doridas, deixando um rasto molhado como um caracol. Ele sopra, arrefecendo e contraindo a tua pele. Dois lábios pousam-te no rabo, antes da palma lá rebentar.
A mão dele morde-te, uma e outra vez, altera-te a respiração, força-te a empinar o rabo, pedindo para continuar. O ardor não chega, queres mais, diferente.
- Espera! – gritas, olhando para baixo. Afastas as pernas,  dobras as costas, oferecendo-lhe o que deseja.
Ele, ainda ajoelhado atrás de ti, passa os braços pelo meio das tuas pernas, agarra firme com as mãos onde a madeira se cruza no X.
- Vera,  paro quando disseres, “Por favor, fode-me”.
Os braços dele agarrados à cruz pressionam-te entre as coxas, empurram-te para cima, os teus pés levantam no ar, separando-te mais as pernas. O teu estômago dá um pulo, as mãos presas na cruz lutam para se agarrar a algo. Suspensa, escorregas pelos braços dele, o teu rabo desliza até junto à cara.
A língua quente e dura rompe a ferver entre os teus lábios, mergulha em ti, sai e pulsa esmagada contra o teu peso. Rouba-te um “Aí”,  toca-te naquele ponto que te tira a força aos braços.
Vais fazê-lo pagar antes de implorares, é o teu último pensamento coerente.