sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Swingin' (in the rain) os enxutos #2

continuação daqui | início


Encontrámos um casal charmoso e simpático, com mais de uma década que nós, com melhor aspeto que nós e uma atitude condizente, boa onda. São pessoas que fazem desporto e que se cuidam. O Yang cumpriu a sua promessa, e apesar de a esplanada ser aquecida e haver música ao vivo que nos impedia de falar normalmente, ficámos ali até à hora de fecho e não os convidámos para ir a casa. Despedimo-nos com ideias de nos voltarmos a encontrar.
Apesar de serem pessoas bastante ocupadas com compromissos familiares complexos, conseguimos combinar um sábado para passear à beira-mar. Desta vez o Yang, um pouco à revelia da Yin, fez-lhes o convite para dormirem em nossa casa. Ela de início ficou danada, com a paranóia da casa ter de ser limpa e arrumada, e não estava nada inclinada para aventuras sexuais. O casal já tinha percebido as hesitações da Yin e enviou uma mensagem muito sincera a perguntar se ela queria que eles ficassem, não tinha de acontecer nada de sexual se não fosse a vontade de todos. Ela meditou sobre o assunto enquanto esfregava a casa de banho. Chegou à conclusão que gostava da companhia deles e não fazia sentido recusar-se, por isso também foi sincera quando lhes respondeu falando da sua falta de vontade sexual. Eles disseram que não tinham problemas com isso.
Acabámos assim por passar um fim-de-semana bastante agradável, eles dormiram em nossa casa e não houve sexo. A Yin sentiu-se um bocado desmancha-prazeres, já que por vontade dos outros três, teria havido. Não que ela se opusesse a que eles se envolvessem, mas eles não o queriam fazer sem ela. Trocaram apenas ideias, carícias, massagens, beijos e abraços.
A partir daí, a Yin decidiu pôr-se em forma para os receber, apesar de eles dizerem que ela estava bem como estava, queria fazer aquilo por si própria.

continua aqui

domingo, 24 de setembro de 2017

Swingin' (in the rain): os enxutos # 1


continuação daqui | início

O Yang continua a visitar sites da comunidade swinger, gosta de se distrair com as fotos de mamas durante as reuniões chatas. As mamas são para ele uma espécie de terapia que lhe permite aturar clientes loucos. Mas no fundo, no fundo, tem alguma esperança de encontrar algum casal interessante.
A Yin não tem paciência para os sites. Com os seus discursos do costume, fotos demasiado amadoras, sem o mínimo de brio ou descaradamente plagiadas. Admite que no meio de tudo isto poderá existir um ou outro perfil interessante, mas não se dá ao trabalho de procurar.
Numa destas andanças, já não sabemos quem se meteu com quem, o Yang comentou com a Yin um casal de cotas com muito bom ar. A Yin não poderia estar mais a leste, mas achou piada, porque o Yang é um pouco preconceituoso com as idades e admite-o, mas por algum motivo, este casal despertou-lhe a atenção acabou por convencer a Yin em encontrá-los no sítio do costume, a esplanada aquecida num parque da cidade onde vivemos. Não foi fácil convencer a Yin, estávamos em pleno inverno, um frio que convidava a um filme visto debaixo de mantas quentes, e a libido da Yin costuma hibernar por estas alturas. Mas o Yang lá a convenceu e a única condição que ela impôs foi não os convidar para ir lá a casa, que estava super desarrumada. E foi assim que lá fomos, mais uma vez, conhecer mais um casal…

continua aqui


domingo, 17 de setembro de 2017

Teoria...

"[O swing] é o caminho mais à mão para se tentar uma reinclusão rapidinha na tal cena primária (papai traçando mamãe). O sujeito leva a patroa pro swing porque deseja inconscientemente reproduzir as relações afetivo-sexuais da qual foi excluído pelo pai, pleiteando, dessa vez com êxito, sua inclusão tardia. Nem precisa explicar que, nesse esquema, a patroa vira a mãe no inconsciente traquinas do swingueiro. Agora ele poderá ver sua mãelher sendo desfrutada com alegre despudor por outro homem sem tomar um chega pra lá do desfrutador. Se calhar, até entra na dança também, já que há sempre algum orifício sobrando nessas situações. Sem falar na chance de faturar na boa a mulher do próximo, sendo que o próximo pode ser justamente o sujeito que está sendo agraciado naquele mesmo instante por um boquete da parte da sua, com todo respeito, excelentíssima senhora. Num clube de swing não há terceiros excluídos. Trata-se de uma rebelião contra a lei excludente do pai e a favor do incesto praticado com a mãe. E você ainda pode tomar cerveja e uísque à vonts durante a cerimônia de inclusão."

Reinaldo Moraes, artigo completo aqui.

domingo, 10 de setembro de 2017

10!



O tempo passa... em termos de longevidade blogosférica, este sítio é jurássico! Estive a dar uma volta pelo arquivo, a abrir gavetas de memórias, desde o entusiasmo efervescente dos primeiros tempos até à serenidade dos últimos, passando por alguma indiferença e abandono. Deixámos crescer algumas ervas daninhas neste jardim, a tecnologia mudou, com a morte do flash, muitas ligações desapareceram ou mudaram de sítio e existem ainda muitos conteúdos que não foram adaptados, mas irei tratar disso. As redes sociais tiraram muita clientela à blogosfera, mas creio que acabou por servir de filtro e quem por aqui anda agora, fá-lo num ritmo mais lento, mais saboreado.

Este blog foi uma grande paixão que agora abraço com imenso carinho, após ter estado algum tempo a negligenciar. É certo que isto é só um blog, não se queixa nem sente falta, mas um blog é um meio, um veículo, uma forma de comunicar com pessoas.

Pessoas... há as que vêm e vão, as que ficam, as que se gostam, as que se detestam, as que nos são indiferentes. Mas no fundo, por muito que algumas possam desiludir, fica sempre a esperança de encontrar outras nos surpreendam. Ou por vezes as mesmas que desiludem surpreendem também positivamente... 

É a isso que se deve a longevidade deste espaço: enquanto existirem Colaboradores, Comentadores e Leitores, este blog não morrerá.

E é por causa de quem o criou - JCAparceiro de tantas aventuras, embarcas muitas vezes nas minhas maluquices, sei que posso sempre contar com a tua cumplicidade; quem nele colaborou ativamente - Quimerafoste a primeira, o mote desta aventura inicialmente triangular... agora tão distante, tão diferente, mas muito presente na minha mente; Pekeninatu és grande! Nunca duvidei que chegasses longe! E dez anos depois de nos termos encontrado, tanta coisa aconteceu... és uma promessa cumprida, tenho imenso orgulho em ti!; e toda a longa lista de colaboradores ocasionais (que terei de atualizar, eu sei, peço desde já desculpa a quem não foi incluído, pode aproveitar para se queixar): mil agradecimentos que não cabem em palavras. Agradeço mesmo muito terem embarcado nesta coisa!

Para os comentadores que ajudaram a acrescentar algum valor, prestígio e dignidade a este estaminé, fica também aqui um agradecimento muito especial. Foram muitos ao longo destes anos, alguns bastante assíduos. Conhecemos muitos pessoalmente, alguns tornaram-se amantes, outros amigos que ainda perduram.

​Guardo as últimas palavras para os leitores não comentadores. É que eu continuo a ter fé nas pessoas. Apesar de ser cada vez mais difícil, acredito que anda por aí gente capaz de dizer e fazer coisas que nos acrescentam e fazem crescer e amadurecer. Sim, tu que não conheço mas sei que estás aí a ler e não dizes nada, se tens alguma coisa para dizer, esta é a altura certa para o fazeres. Não precisa de ser um comentário público, também temos e-mail à disposição. Vá, prova-me que a minha fé não é vã!


Gosto mesmo deste recanto internético e quero continuar a alimentá-lo. Mas isto é muito mais divertido com companhia...

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Swingin' (in the rain) outros carnavais e um clube diabólico

continução daqui | início

O Carnaval costuma ser uma época animada nos clubes de swing, as máscaras costumam ajudar as pessoas a soltar-se. Houve um ano em que fomos ao nosso clube favorito quando já não era no sítio original, a Yin mascarou-se de cupido, com asinhas brancas, uma boina vermelha de crochet trés française, um poncho também de crochet muito esburacado branco que deixava ver um soutiã vermelho. Improvisou um pequeno arco e flecha e andava a flechar o pessoal aleatoriamente. O Yang não se quis mascarar nesse ano.


Houve outro carnaval em que o Yang se mascarou com o corpete da Duquesa e deixou a Yin colocar-lhe unhas postiças e pintá-las, o que lhe deu imenso gozo. Comprou uma mini-saia elástica, vestiu umas meias de liga que esburacou logo que lhes pôs os dedos manicurados em cima. Completou o look com uma cabeleira loira encaracolada e maquilhagem carregada que não disfarçava a barba a despontar. Ficou com um ar de puta reles transgender que dava tesão e divertia a Yin -  estava uma verdadeira matrafona!
A Yin vestiu um negligé oferecido pela Duquesa, nos mesmos tons preto e vermelho do corpete do Yang com tanga e máscara a condizer. Após um animado jantar na casa da Duquesa, lá fomos com o Tal Casal conhecer um novo clube.
O Tal estava todo cafeinado e quando bebe café, tudo pode acontecer. Depois de muita indecisão em relação ao traje, acabou por se decidir por uma cabeleira punk cor-de-laranja que fazia vagamente lembrar o Rod Stewart. A Tal estava muito elegante no seu corpete, que lhe acentuava a cintura fina e decote generoso, ligeiramente burlesca com um toque de loucos anos 20.
O espaço era do tipo “Tal Clube”, um armazém num local insuspeito mas muito acessível, cremos já ter ido àquela rua visitar uma loja de móveis, mesmo ao lado. No interior, um hall acolhedor dava-nos as boas-vindas. Estava frio lá fora, mas lá dentro tirámos os casacos e assumimos as nossas novas identidades.


Já conhecíamos os donos deste sítio, tinham sido sócios dos Donos do Pedaço. Apresentaram-nos o local, não era muito grande, tinha uma pequena pista, um balcão com varão onde dava para dançar, uma zona de quartos e um labirinto que começava após os quartos e dava a volta para a pista.


O espaço estava bem composto, com bastante fumo, a música era uma treta, por isso ficámos no sítio do bar a conversar. Depois o Tal foi dançar para a pista e deu um espetáculo que nos deixou bastante bem humorados. Fomos até um quarto, tirámos umas fotos e demos a trancada inaugural deste clube a carnavalar.

continua aqui

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Swingin' (in the rain) a artista e o cientista #5

continução daqui | início

Ambos responderam positivamente, ele apenas após a Yin ter perguntado se tinha lido o texto. Mas a verdade é que nunca chegaram a embarcar na viagem. Nós fomos mantendo contato, convidando para várias coisas, desde idas a clubes, caminhadas, jantares, saltos de pára-quedas… todos os convites foram recusados, sempre muito ocupados nos mais variados projetos que nunca nos incluíam. A Yin começou a ter um dejá vu de uma situação com outro casal (ainda antes chamarmos a isto de swing) em que não teve paciência para compreender a falta de disponibilidade da outra parte e desatinou. Desta vez não queria fazer isso e manteve-se quieta.

Passados uns meses, a Artista aborda-nos a perguntar se queríamos ir ao aniversário do Tal Clube que ia fechar para obras e que o Dono do Pedaço disse que nunca voltaria a abrir. Se até então o Yang se tinha mantido na dele, tentando pôr água na fervura sempre que a Yin se exaltava, desta vez achou muito má onda o convite dela, pois só poderiam entrar com outro casal que conhecesse o local e pareciam querer usar-nos para esse efeito. Acabou por lhes responder muito sincera e educadamente que não tínhamos interesse em ir a esse clube nesse dia, pois que estávamos a pensar em ir a outro e seriam muito bem-vindos se quisessem vir connosco. A Yin nem sequer se dignou a pronunciar-se. E é claro que eles não quiseram vir connosco.

A Yin andou a remoer esta história durante um ano, a tentar compreender o que os tinha levado a agir daquela forma, sempre achando que devíamos ter um defeito qualquer. Por que é que alguém diz que gostou, que quer repetir e depois não diz nada durante meses? Ficou mesmo a bater mal uns tempos, tentou esquecer o que se tinha passado e seguir em frente mas não conseguiu. Tinha aquela dúvida a martelar-lhe na mente. Chegámos a encontrar-nos acidentalmente, afinal de contas moramos em localidades próximas, cumprimentámo-nos e seguimos caminho. Numa dessas vezes, o Cientista estava sozinho. A Yin achou que a melhor forma de arrumar o assunto, para além de escrever sobre isto, seria fazer a tal pergunta que lhe andava a martelar o juízo: Por que não nos voltámos a encontrar?, pedindo que lhe respondessem com sinceridade. Ela respondeu prontamente que esteve doente e que o tempo não tinha sido muito. Lembramos que tinha passado um ano desde o nosso encontro sexual. Ele revelou que se tinham separado, mas que continuam bons amigos.

Que pena, eles pareciam mesmo feitos um para o outro. Um peso enorme saiu de cima da Yin. A separação deles explicava a ausência de contatos. Tudo levava a crer que o assunto estava arrumado. Mas o Cientista continuou o diálogo com a Yin. Queria continuar o que tinham começado, agora sem a Artista. Mas não nos pareceu que os nossos desejos estivessem em sintonia, e com alguma pena da Yin, declinámos o convite.


Mais tarde viemos a saber (o mundo é pequeno) que o Cientista afinal tem uma companheira de longa data que se "esqueceu" de mencionar e que pelos vistos, não costuma fazer parte das suas aventuras...

continua aqui