domingo, 13 de agosto de 2017

Swingin' (in the rain) os Felizes do Norte #1

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Há uns anos conhecemos através da blogosfera uma curiosa moçoila do norte, dona de uma interessante mescla de sotaques da sua terra natal, da américa do sul e uma pontinha de british accent, herdada das suas andanças pelo mundo. Muito simpática e bonita, conhecemo-la pessoalmente num centro comercial do centro do país, com uma amiga divertida. Temos mantido o contato e soubemos que ela estava a namorar com um swinger. Ela contou-nos que quando começaram a relação, ele explicou-lhe o que fazia com a antiga companheira e que queria continuar a praticar com ela, ao que ela acedeu. No início, pensámos que ela tivesse de algum modo sido coagida a aceitar, ou era isso ou não havia namoro. Mas depois percebemos que não era bem assim. Gostámos bastante da visita deles, apesar de ter sido apenas de passagem, pareceram-nos genuinamente Felizes, muito boa onda e apetecíveis. A Yin teve imensa pena de ter de ir trabalhar logo após o almoço, gostava de ter passado a tarde com eles.


No final do verão, fomos retribuir a visita da Utopia e seu Camaleão para Norte e claro, passámos pela terra dos Felizes. Foi um final de tarde muito agradável, a falar sobre swing e o que mais nos apeteceu num barzinho simpático. Combinámos visitar um clube com eles no dia seguinte, para gáudio do Yang, que já tinha tentado visitar um clube nortenho, mas não tinha encontrado a mesma vontade por parte da Yin.

Não seria o preferido da Feliz, uma vez que eles já tinham combinado ir a uma festa de anos noutro clube. Seria uma espécie de “Tal Clube” à moda do Norte, tipologia de discoteca, mas com um ar mais recente. Conseguimos convencer a Utopia e o Camaleão a virem connosco e chegámos antes da meia-noite por ser mais barato. Um casal levou-nos a conhecer o espaço. Gostámos da sobriedade da pista e dos quatro quartos, dois deles comunicavam entre si através de uma janela de vidro e um outro era uma sala sado-maso, todos decorados com simplicidade e bom gosto. A música era interessante e não estava muito alta, mas foi aumentando à medida que foi chegando mais gente e consequentemente falando mais alto. Havia uma parte que estava fechada que só abre quando o clube enche. As pessoas eram da nossa idade e mais velhas, não vimos lá as  figuras tristes ou ridículas que por vezes vemos nos clubes do sul.
Os Felizes ainda não tinham chegado e nós fomos dançando e bebendo, até nos apetecer ir para um quarto. Escolhemos a sala sado-maso com a costumeira cruz de Santo André, cama redonda vermelha e correntes penduradas. Fizemos algumas fotos com a Yin de lingerie preta e meias de rede, parecia estar no seu habitat natural. Ela agarrou-se às correntes,  desprendeu uma do teto e não conseguiu voltar a colocá-la no sítio. O quarto estava limpo, ainda ninguém o tinha utilizado naquela noite, por isso decidimos ser os primeiros e dar uso à cama redonda vermelha. Pouco depois de voltarmos à pista ligeiramente ofegantes, chegaram os Felizes e dividiram atenções connosco e com o resto do grupo de amigos do aniversariante. O espaço foi-se compondo, as pessoas eram simpáticas e alegres, um casal fez-se ao varão ao som de Ring My Bells. Ele não tinha uma perna, mas rodopiava com ligeireza à volta da sua mulher, que não tinha corpo de modelo mas conseguia transmitir sensualidade e ambos davam bastante dignidade àquela cena, apreciámos a coragem e cumplicidade do casal que conquistou um merecido aplauso de todos os que assistiram.
A noite já ia avançada e os Felizes estavam a dançar ao pé de nós e dos nossos amigos. De repente, sem nada o fazer prever, a Feliz vira-se para a Yin e pergunta-lhe ao ouvido: ”Achas que os vossos amigos ficavam chateados se fossemos para um quarto?” - A Yin engoliu em seco e pensou se teria ouvido bem. Não estava à espera de tal convite àquela hora. Foi falar com o Yang, que se mostrou disponível. Claro que os nossos amigos não se importam, já os tínhamos avisado quando fomos visitar os quartos sozinhos e desta vez fomos acompanhados, até ao único quarto que estava vago naquela altura, o mesmo onde já tínhamos estado antes…


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terça-feira, 8 de agosto de 2017

Arqueologia do Desejo

Isto sou eu a tentar organizar os meus pensamentos num formato partilhável. Porque tal como o sexo, em boa companhia costuma ser melhor.


Não estava à espera, assim, tão de repente. Estava sossegada, no meu canto, sem procurar nada por não esperar nada de novo. Estava sem grande entusiasmo, e esta coisa da novidade é importante, porque é uma espécie de tempero da vida. A rotina, tal como a comida, só tem sabor de for bem temperada. E quanto mais se experimenta e vive, mais difícil descobrir coisas novas, inovar.


Mesmo quando nos encontrámos, não sabia o que iria acontecer, não pensei que fosse tão rápido. Senti-me desde logo inquieta, como alguém que dorme tranquilamente e cujo sono é perturbado. A minha libido estava adormecida, decidida a acordar apenas para viver algo que valesse a pena. E após a resmunguice inicial com que fico quando me acordam, deixei-me levar para um sítio bastante aprazível e por lá tenho estado desde então.


O fim-de-semana passado deu-me oportunidade de acalmar um pouco esta minha inquietude, refletir sobre os recentes acontecimentos e colecionar novas experiências. De manhã bem cedo, pela fresquinha, soube-me bem caminhar e desfrutar da calma paisagem alentejana, meditar à beira-mar, sentir a erva e o lodo e a areia debaixo dos pés descalços, arranhar-me toda a colher amoras cobertas de orvalho. Caminhar ajuda-me a pensar, meditar acalma-me e os arranhões são apenas uma prova de que estou viva e sinto e saro. E mesmo o ardor dos arranhões na água salgada me soube bem. A verdade é que isto me despertou os sentidos de uma forma como não acontecia há bastante tempo. A comida sabe melhor, as cores são mais vibrantes, sabe bem respirar fundo e encher os pulmões de ar, ouvir música e cantarolar e dançar... Sentir a pele, sentir a água morna a escorrer pelo corpo num simples duche (que coisa fantástica é o duche!) apreciar tudo, experimentar tudo como se fosse a primeira vez. Porque muitas vezes face à mesma situação, uma mudança de perspetiva torna tudo completamente diferente. Isto ajuda-me a prestar atenção às coisas simples que são essenciais e me fazem perceber como sou uma sortuda privilegiada do caneco.


Sei que tenho ainda muito para explorar, muito para aprender. Quero escavar bem fundo, ir descobrindo o que está enterrado à espera de ser encontrado e persistir até encontrar o início, a origem do Desejo. Quero encontrar novas formas de o trazer e manter à superfície. Quero compreender melhor a Dor, para melhor compreender o Prazer.
Não procuro apenas um estímulo corporal, mas sobretudo cerebral, sem dúvida o principal órgão do Prazer, é lá que começa o Desejo, é lá que devem estar as respostas. E eu tenho tantas perguntas...


Gostava de fazer esta viagem convosco. Querem embarcar comigo?
Yin

domingo, 6 de agosto de 2017

Swingin' (in the rain) a artista e o cientista #4

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Trocámos mensagens que diziam que tínhamos gostado e queríamos repetir. Todos concordaram, embora soubéssemos à partida que não seria tão cedo, pois o Cientista iria estar fora do país por uns tempos. Ainda assim, encontrámo-nos novamente com a Artista e ficámos a percebê-la um pouco melhor. A verdade é que não sabíamos grande coisa sobre eles, mas ficámos com imensa vontade de os desvendar, tanto um quanto o outro têm profissões e ocupações interessantes, ficámos com vontade de participar, de fazer coisas com eles que não tivessem de passar obrigatoriamente por sexo.


A Yin começou a descongelar e a criar expetativas. Tentava não fazer filmes, mas era difícil não o fazer. Até porque estava a ser estimulada. Num fim-de-semana, enquanto fazíamos a viagem de regresso a casa, o Cientista meteu-se com ela, a dizer que lhe apetecia estar a quatro naquele momento. Ela humedeceu instantaneamente. A conversa que se seguiu foi quente e deixou-a plena de desejo. Quando chegámos a casa, coisa que ainda demorou, pudemos finalmente satisfazer o desejo e soube muito bem. Mas não deixámos de reparar que ele só se meteu com a Yin, que lhe perguntou se ele tinha contado à Artista e mais tarde disse que apenas tinha falado, sem se referir ao teor da conversa. Isto não nos pareceu um bom caminho.


Ainda assim, a Yin decidiu escrever um texto, uma espécie de declaração de intenções com votos de reciprocidade.

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quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Swingin' (in the rain) a artista e o cientista #3

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A Yin demorou um pouco, hesitou em revelar-se. Não estava muito confiante. Passado algum tempo, muito mais do que necessitou para vestir a indumentária, apareceu tal como foi à festa, com a lingerie preta de renda e franjas que o Yang lhe havia oferecido e uma máscara veneziana, que lhe dava alguma proteção psicológica. Reparou no brilho dos olhos do cientista quando a viu, que não demorou muito a descobrir-lhe os seios que já assim, tinham muito pouco a cobri-los.
A Yin virou a sua atenção para a Artista e ignorou um pouco o Cientista, à espera que se acalmasse um pouco. Já tinhamos trocado fotos e percebido que a Artista não era muito abonada de peito. De fato, sai mesmo ao pai, muito lisinha, mas com uns mamilos apetitosos. Quando a Yin a despiu, fez um comentário parvo de quem constata o óbvio e logo se arrepende: “Tu não precisas de usar soutien!” Mais tarde haveria de lhe pedir desculpa, mas a Artista não pareceu ficar chateada com isso, e explicou -lhe que depois de dar de mamar a três crianças, ficou sem peito. A Yin achou incrível como poderiam ter saído três crias, todas já crescidas, de uma barriga tão pequena. Ela é mesmo pequenina, morena e cheirosa, com um sorriso luminoso, contagiante.
Não faltou muito para o Cientista reclamar a atenção da Yin, e ela ainda tentou que os dois homens se envolvessem, tinha alguma esperança, pois ele tinha referido ser bi (uma coisa que a entusiasmou um pouco) mas se é, não mostrou qualquer interesse no Yang, que não tardou a ser puxado para o “molho” e a envolver-se com a Artista.
Mais uma vez, foi tudo muito rápido, a Yin estava meio atordoada, já o cientista a tinha possuído e o Yang fazia o mesmo com a Artista. Estivemos ainda um pouco, cada um com o seu par, e depois as duas meninas, os três, uma grande misturada suculenta.


Pouco depois, foram embora, pois ele tinha de fazer as malas para viajar no dia seguinte.

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domingo, 30 de julho de 2017

Swingin' (in the rain) a artista e o cientista #2

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A Yin passou o dia em pulgas. Por um lado, queria conhecer melhor o casalinho, por outro já há muito que não se metia naquelas aventuras, estava a atravessar um longo inverno que durou até ao verão e tinha de descongelar rapidamente. O Yang estava entusiasmado, naquele entusiasmo comedido dele. Convidámo-los para jantar, mas não podiam. Então convidámo-los para a sobremesa que seria a bela mousse de chocolate do Yang e eles aceitaram.
Chegada a hora, eles ainda não tinham chegado e a Yin desejou que não aparecessem, pois isso provaria que a sua desilusão em relação ao swing era justificada e que não valia a pena fazer mais tentativas. E resmungou o seu mau humor para cima do Yang, que a aturou pacientemente. O casal homónimo avisou que vinha a caminho, mas já tinha passado tempo mais que suficiente para chegarem e nada. Perguntámos se se tinham perdido, ao que responderam que tinham estado a conversar.
A Yin achou aquilo estranho, pareceu-lhe um sintoma de que algo não estava bem, que talvez não estivessem de acordo em relação à vinda ou ao que viriam fazer. Mas nada mais a fazer a não ser esperar e a espera foi longa e enervante, apesar de eles não terem demorado assim tanto.

Quando chegaram sorridentes, provaram a mousse do Yang apenas para não lhe fazer a desfeita. Ele tinha ideias de usar a mousse para derreter o gelo, no corpo da Artista, mas não se proporcionou. O Cientista continuou na sua onda, bastante incisivo, enquanto a sua companheira parecia mais hesitante. A Yin sabia que tinha de começar por ela e refrear o entusiasmo dele, mas não sabia bem como. Claro que nestas alturas, as coisas simplesmente acontecem. Ou não. Mas proporcionaram-se quando o Yang falou da indumentária que levámos à última festa “Eyes wide Shut”. Pediu à Yin para lhes mostrar. Ela lá lhe fez a vontade, ligeiramente contrariada e tímida.



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terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Swingin' (in the rain): a artista e o cientista #1


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Após algum tempo sem acontecer nada de novo, a Yin continuava muito been there, done that. Porque o que ela quer não encontra. Ela quer a partilha total e equilibrada, com todos os membros envolvidos, na simetria da quadrangulação. Ou triangulação, qualquer forma que funcione na perfeição. Quer aprender o mais que puder. Quer repetir e fazer melhor. E não encontra quem queira o mesmo. Já é difícil encontrar quem queira alguma coisa connosco, quanto mais repetir, fazer melhor… aprender algo de novo, inesperado, uma forma diferente e apetecível de viver a sexualidade, seria pedir muito?
O Yang continuava à procura nos sites, de vez em quando chamava a atenção da Yin para algum casal, mas invariavelmente, não mexiam com ela, não lhe traziam nada de novo ou de minimamente interessante. Até que surgiu um casal da nossa área geográfica com quem mais uma vez o Yang encetou conversa.

Foi tudo muito rápido, eles perguntaram se nos podíamos encontrar num dia e no outro estávamos a trocar mensagens no whatsapp. Gostamos de utilizar esta app porque permite conversas em grupo com números de telefone válidos. Assim, antes de conhecermos pessoalmente as pessoas com quem estamos a falar, muitas vezes conseguimos encontrar-lhes as pegadas digitais.
Após o mais ou menos recente historial de falhanços e frustrações, a Yin estava mais interessada noutras atividades e não prestou atenção alguma à conversa que se foi desenrolando no telemóvel e que nos levou a um encontro nesse mesmo dia.

Ficámos a conhecer pessoalmente a Artista e o Cientista. Sorridentes, irradiavam a boa disposição de quem está de bem com a vida. A empatia foi imediata e acabámos por os levar para casa. Ficámos um pouco à conversa e deu para perceber que estavam (principalmente ele) bastante interessados em que acontecesse algo sexual, mas a Yin estava noutro comprimento de onda, bastante mais a leste. Ele foi bastante incisivo desde início, logo nas mensagens: “E se vivêssemos num mundo perfeito, que gostariam de fazer hoje?”. Mas nesse dia, quando se aperceberam que não passaríamos da conversa e porque tinham compromissos cedo no dia seguinte, foram embora, com encontro combinado para a noite seguinte.
O Yang estava na boa, como sempre, a Yin ficou apreensiva. Achava-os bastante interessantes, com muito em comum connosco, (até os nomes), pareciam feitos um para o outro, completamente sintonizados, pareciam-lhe demasiado bons para serem verdade. Ainda por cima com encontro marcado para o dia seguinte e ficando claro que não seria só para conversar…

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