domingo, 25 de setembro de 2011

Chanson d'automne



Les sanglots longs
Des violons
De l'automne
Blessent mon coeur
D'une langueur
Monotone.

Tout suffocant
Et blême, quand
Sonne l'heure,
Je me souviens
Des jours anciens
Et je pleure

Et je m'en vais
Au vent mauvais
Qui m'emporte
Deçà, delà,
Pareil à la
Feuille morte.

Paul Verlaine

terça-feira, 20 de setembro de 2011

"sonhaste comigo? (...) eu também sonhei contigo! (...) que sonhaste tu?"

sonhei que te rias. rias e rias e rias sem parar, de cabeça para trás. um riso laranja, cristalino.
e eu ria com gosto, por estares a rir. depois ficámos em silêncio, só para rebentar a rir a seguir. depois silêncio sério, a olhar-nos durante um grande bocado.
depois eu aproximei-me de ti beijei-te nos lábios, devagar.
tu coraste e devolveste-me o beijo, mas com gula, a abrir-me os lábios e a enfiar a língua como se eu fosse um doce que nunca tinhas provado e estavas a descobrir que gostavas. bastante.
e eu deixei-me ir para dentro da tua boca. toda intensa e inteira, a dançar tango com a tua língua, a sorvê-la, a mordê-la, a rodopiar com ela. lambi-te o queixo que escorria da gargalhada cítrica, doce e fresca.
já não sei se estava a sonhar ou acordada. estava... a sonhardada.
a minha língua ganhou vontade própria (que não era diferente da minha, apenas mais precisa) e começou a deslizar por ti abaixo. macia e quente, muito quente. e fresca e doce, doce e salgada. caminhei e perdi-me por montes e vales a sentir as curvas e texturas com a boca e as mãos e os olhos e o nariz e os ouvidos. tu rias e gemias, rias e gemias...
depois acordei. e perguntei-me se realmente querias. se realmente gostarias.



e tu, que sonhaste tu?

sábado, 10 de setembro de 2011

presentinho ;)

da Pink

4 anos, 50 pessoas


Este blog dá-me pessoas. Isso é o que de mais precioso ele faz. Aqui, ao contrário do espaço físico, conhece-se de dentro para fora, o que permite uma seleção muito mais inteligente e eficaz. Depois sabe bem satisfazer a curiosidade dos sentidos – apetece  conhecer o cheiro, o toque e, com alguma sorte, o sabor das pessoas - isto, por enquanto, ainda só se consegue presencialmente.
Por isso vou aproveitar esta ocasião de aniversário para agradecer a todos com quem já me cruzei por “culpa” deste espaço. Porque todos me ensinaram alguma coisa, mesmo as experiências menos boas. Por ordem mais ou menos cronológica, não referirei nomes nem blogs, creio que as pessoas em questão se reconhecerão sem problemas. Como a lista é extensa, optei por colocá-la aqui.
Se me esqueci de alguém, peço desde já desculpa.

Existe ainda muita gente que gostaria de conhecer pessoalmente mas que ainda não se proporcionou tal encontro. Sem dramas, sei que se tiver de acontecer, acontecerá e se não tiver, não acontece. Mais importante do que estar constantemente a encontrar novas pessoas é continuar a manter os bons encontros e regar as relações que foram surgindo. Gosto de relações duradouras e frutíferas.
Este blog tem 4 anos, e apesar de já ser uma longevidade considerável em termos blogosféricos, espero que continue por muitos mais. Para isso, precisa inevitavelmente de pessoas. Podem ser poucas, mas têm de ser boas!

4 anos a provocar!!!!

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Pintar Verão

É a estação do calor e apesar deste ano não haver aquelas noites quentes de outros verões, o calor faz-se sentir, principalmente durante o dia.
Estavam de férias e ela decidiu aproveitar para pintar o interior da casa. Uma inata falta de jeito para pinturas impeliu-o para outras tarefas no exterior. Estava mesmo calor e ela não tinha roupa adequada para as pinturas, por isso despiu-se. E após os preparativos necessários, pegou no rolo embebido na tinta e começou a rolá-lo pela parede. Minúsculos salpicos de tinta sarapintavam-lhe a pele, mas ela não se importava, sabia por experiências anteriores que um duche esfoliante trataria do assunto.
Ele chegou e foi agradavelmente surpreendido por ela, completamente nua, empoleirada no escadote. Inadvertidamente, ela tocou com o rabo numa das paredes ainda húmidas. Duas manchas de tinta, uma maior que a outra, marcavam-lhe os glúteos. Ele pegou na câmara fotográfica e começou a disparar para registar a cena, enquanto ela continuava, de rolo em riste, ameaçando pintá-lo todo se não a deixasse terminar. Claro que a ameaça não o impediu de a assediar e apalpar e lamber e até acabarem os dois no chão de mosaico refrescante, banhados em tinta.
Ele foi buscar o balde e a esfregona e quando chegou, deparou-se com ela de quatro a lavar energicamente o chão pintado e ali mesmo lhe deu com o seu rolo até a tintar toda!
Há quem prefira o Inverno ou uma estação mais amena, mas há certas coisas que só acontecem quando o calor aperta…

domingo, 4 de setembro de 2011

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

pêra rocha | parte 2


foto por TenderPuffies editada por mim

continuação daqui

Convidou-me para lanchar na casa dela num sábado e eu fui sem hesitar, todo contente e expectante. Tomei banho, perfumei-me com um after shave pavoroso, queria agradar-lhe, ultrapassar a minha timidez naturalmente desajeitada.
Cheguei mais cedo que a hora combinada, mas ela já tinha a mesa posta com uma pequena toalha aos quadrados vermelhos com toda a espécie de doces e bolachas e pão, leite, iogurte… e antes mesmo de comer alguma coisa, ela pergunta-me:
- Tens namorada?
- Não – respondi envergonhado.
- Já tiveste? – voltou ela, a mastigar bolacha com doce.
- Já – respondi prontamente, tendo dúvidas se por trocar cuspo no banco do trás de um autocarro com uma miúda lhe podia chamar isso. Ainda para mais quando no dia seguinte ela não me reconheceu.
- Fizeste sexo com ela?
- Não… - disse-lhe baixando os olhos.
- Queres fazer comigo? – disparou ela levantando-me o queixo e olhando-me nos olhos. Senti um calafrio espinha abaixo. Não estava a acreditar naquilo. Engoli em seco.
- Ag...ora?...
- Por que não, os meus pais não estão cá e apeteces-me tanto…
Vá-se lá perceber o que ela viu em mim que me tornou apetecível. A verdade é que também ela me apetecia. Muito. E assim juntámos as duas vontades que afinal eram só uma.
A boca era doce. Talvez fosse do doce de pêra com bolacha Maria, sabia bem. Ela fumava, mas não se notava o gosto do tabaco. As nossas roupas voaram rapidamente para fora dos corpos e quando ela viu os meus boxers brancos às cerejas, desatou a rir e exclamou:
- Let’s pop the cherry!
Ainda sinto os lábios à volta da cabecinha, a língua… depois os dentes, ui… mais devagar! Ela engolia-me com gosto e vigor e não demorou muito tempo até eu explodir-lhe na boca. Ia pedir desculpa, mas ela arrebatou-me com um beijo antes de eu abrir a boca. Já tinha provado o sabor daquilo e não tinha achado nada de especial, mas misturado com o dela, ganhava outro paladar.
Quis retribuir-lhe o gesto e fui descendo. Provei devagar aquelas pêras, aquelas duas firmes, redondas, sardentas e doces pêras que ela tinha no peito. Desci mais até ao triângulo de pêlos e aventurei-me entre eles de olhos fechados, sem saber muito bem como lhe poderia dar prazer, mas ela tratou de me ir indicando o caminho até a fazer gemer.
Toda ela me sabia a pêra, ao doce, ao fruto, já nem sei bem. Foi buscar preservativos. Colocou um com a boca. "Sabe a pêra", disse ela, e eu não fiquei surpreendido. Abraçou-me e deslizou sentada sobre mim. Deixou-se ficar assim um pouco imóvel enquanto me beijava e eu curtia aquele lugar quente, envolvente. Depois começou a mexer-se devagar. Delírio. Pensei que não fosse aguentar três segundos sem me vir outra vez. Mas aguentei. Não muito mais que isso, mas lá me fui aguentando. E depois de me vir, ela tirou o carapuço e voltou a lamber-me até eu estar pronto para outra. E passámos a tarde naquilo, a experimentar diferentes posições e formas de amar, até que se fez noite e tive de voltar para casa da minha avó e ouvir o típico “mas por onde é que tu andaste?”. Tinha-me esquecido completamente, no dia seguinte os meus pais voltariam para me buscar. Esperei que toda a gente estivesse deitada para ir ter com ela, mas não estava ninguém em casa ou ela não me ouviu, ou não quis abrir a porta... 

Nunca mais a vi. Foi estudar para longe e por lá ficou. Por esta altura, sempre que vejo uma pêra rocha, não deixo de sorrir. Mordo-a com força e saboreio-a com vontade, por entre lembranças daquele Verão.