sábado, 12 de junho de 2010

Magda IX

início | continuação daqui
texto e foto do Redondo por Bernardo Lupi

fotografia por Imperator

Cerca de dois meses depois de ter sido capturada, Magda vivia sonho de amor que a grande maioria das pessoas teria considerado perfeito, tanto pela intensa reciprocidade dos sentimentos, quanto pelo lado puramente sexual.



Quase diariamente, Henrique homenageava-a com bombons de chocolate suíço ou belga, vinhos requintados e jantares deliciosos confeccionados por ele próprio.

E, como ainda não queria que ela saísse de casa, alugava os filmes que ela mais gostava e viam-nos ao princípio da noite. Sentados num sofá, as pernas de Magda em cima das dele, de modo que, durante o tempo todo ele lhe acariciava as coxas, os joelhos, as canelas e, em particular, os pés acorrentados da sua linda mulher.

Por vezes, quando Henrique estava no escritório lembrava-se de telefonar e perguntava-lhe se necessitava de algo. A resposta era sempre a mesma:

- Preciso que o Senhor volte o mais rápido possível, para me dar carinho e prazer.

Um dia, durante a hora de almoço, Henrique entrou numa florista, escolheu a mais bela orquídea que viu e perguntou se a entrega podia ser efectuada por uma mulher. Tendo obtido uma resposta afirmativa, deu à gerente a sua morada e escreveu num bilhete estas simples palavras:

"A mais bela flor para a mais bela das escravas. O teu Senhor"

No mesmo instante, ligou para Magda avisando-a para abrir a porta e receber uma certa encomenda.

Algum tempo depois, uma rapariga da florista desceu de uma scooter, tocou na campainha do portão da propriedade e foi-lhe aberto o portão. Quando Magda assomou à porta, a rapariga viu a coleira e as correntes. Ficou mais vermelha que uma papoila. Balbuciou alguma coisa incompreensível, enquanto Magda admirava a orquídea e saiu a toda velocidade a bordo da sua motocicleta.

Naturalmente ficou bastante satisfeita pelo presente inesperado.

Este costume de enviar flores pelo menos duas vezes por semana tornou-se um ritual constante, tanto é que várias floristas das redondezas já sabiam quem era a Magda e, após o primeiro impacto perturbador com o lado material da dominação, acabaram por se acostumar com a visão das correntes e da coleira. Maluquices de gente rica, pensavam algumas delas.

Provavelmente, várias delas até teriam desistido de sua condição de liberdade para se tornarem escravas de amor.

Tal pensamento era reforçado pela expressão com que Magda as recebia. Os seus olhos emanavam uma luz especial que, para qualquer mulher, tinha um significado inequívoco. Uma intensa paixão completamente retribuída.

No dia de aniversário de Magda, a encomenda não continha apenas uma rosa vermelha, mas também um anel de ouro com um rubi de rara pureza que pesava mais que um quilate.

Apesar de tudo correr lindamente, Henrique, que não era um homem insensível, notou que a Magda necessitaria, de vez em quando, da presença de outras pessoas e, portanto, perguntou se Magda estaria a sentir saudades de alguém em particular. Ela respondeu que fazia bastante tempo que não tinha notícias da tia Alice, uma solteirona de quase sessenta anos de idade que sempre tinha cuidado dela como uma filha. Principalmente a partir do momento em que o seu pai, viúvo, a deixou para ir trabalhar em Espanha e nunca mais dera notícias. Henrique, não apenas consentiu, como se prontificou para ir buscar a sua tia ao Redondo, vila alentejana, onde Magda crescera.

Todavia, surgiu imediatamente uma dificuldade. Era evidente que Magda não podia recebe-la acorrentada e vestindo apenas um avental. Por outro lado, ela não tinha a menor intenção de ser solta durante a estadia da sua tia.

Quanto a Henrique, era desejo dele que, durante a visita, ela carregasse alguma peça que lhe lembrasse a sua real condição de submissa. Estudaram juntos o problema e foi concordado que Magda iria vestir uma camisola bastante comprida e que tanto a coleira como as algemas teriam de ser removidas. Em compensação, ela manteria o cinturão de couro, invisível debaixo da camisola. Aperfeiçoando o sistema já experimentado durante as visitas dos amigos no jardim de casa, uma corda de seda, amarrada na argola dianteira do cinturão iria passar entre os lábios vaginais, prosseguindo pelo rego das nádegas até a argola posterior e segurando, dessa forma, dois dildos: um na vagina e o outro no ânus, ambos providos de uma pequena argola pela qual a corda passaria.

E as correntes nos pés?

Representavam o símbolo mais importante da escravidão de Magda. Por seu lado Henrique estava quase disposto a abrir mão dessa peça, pelo menos durante as horas da visita. Mas foi a insistência de Magda que o convenceu que não ia ser necessário:

- Peço apenas que o Senhor confie em mim.

- Estou confiante em ti - replicou ele - mas lembra-te que é a minha reputação que está em jogo.

No dia marcado para a visita, a tia Alice chegou no carro conduzido pelo Henrique.

A senhora foi acompanhada até uma repartição da sala principal onde a sobrinha a aguardava e grande foi a emoção do reencontro após tantos meses de separação. A dona Alice deu um abraço longo e apertado à bela sobrinha e sentou-se numa das duas poltronas separadas por uma mesinha baixa. Magda sentou-se na outra defronte da tia.

Como a tia tinha olhado só para o rosto da sobrinha, ainda não tinha visto as correntes e Magda, furtivamente, enfiou os pés descalços debaixo da mesinha. A sorte era que a senhora de meia idade era bastante míope e usava óculos de lentes muito grossas.

Para deixar as duas mais à vontade, Henrique sentou-se noutra parte da sala, com um livro nas mãos.

A conversa que se seguiu foi bastante banal.

Curiosamente, porém, a jovem não ficava quieta na sua poltrona por mais de trinta segundos. Passava continuamente a mão entre os cabelos, suspirava, respirava profundamente, fechava os olhos, coçava-se, mexia os quadris com tanta insistência que até a tia, que via com dificuldade, mas que não era cega, perguntou:

- Ó filha, estás com bichos carpinteiros no corpo?

Henrique fez um esforço tão intenso para segurar uma sonora gargalhada que quase sufocava.

Magda cujos dois consolos estavam a excitá-la sem precedentes e, não podendo alcançar o orgasmo diante da tia, levantou-se alegando que ia à cozinha preparar para todos um sumo de fruta.

Enquanto a máquina de sumos rodava a toda a velocidade, aproveitando-se do barulho ensurdecedor, Magda teve um orgasmo tão intenso que, inadvertidamente, soltou um grito abafado. A tia Alice perguntou preocupada:

- Magoaste-te, Magda?

- Não, tia, é que experimentei o sumo e estava bastante azedo.

Henrique, que ouvia tudo, mais uma vez quase sufocou pelo esforço de segurar o riso.

Magda não demorou a voltar da cozinha com uma bandeja onde tinha posto um jarro, três copos, açúcar e guardanapos e o apoiou sobre a mesa de apoio.

Dessa vez, porém, a tia viu os grilhões nos tornozelos da sobrinha e de imediato perguntou:

- Minha filha, o que é isso?

Obviamente não podia responder que se tratava de um novo tipo de adereço moderno pois a tia, mesmo com sua índole benévola e mansa, não era parva e merecia ser tratada com respeito e consideração. Henrique começou a sentir suores frios no corpo.

- Tia, são correntes, respondeu seriamente a jovem.

- E quem foi que prendeu os teus pés, replicou a tia lançando um olhar inquisitivo em direção de Henrique.

- Eu mesma, tia, disse Marta com simplicidade.

- Tu mesma fizeste isso... e por quê?

- Sabe, tia, a senhora talvez nem se lembre que eu tinha um namorado, uns anos atrás, um rapaz que de quem eu gostava muito…

- É mesmo? Eu não me lembro desse rapaz. Era lá do Redondo?

- A senhora não se lembra porque isso foi na época em que a senhora passava a maior parte do tempo em Vila Viçosa, na companhia do Dr. Mendes. Bem, esse rapaz que lhe falei, depois de se ter comprometido comigo, deixou-me de um dia para o outro e eu sofri bastante, sabia?

- Oh filha, avalio todo o teu sofrimento. Mas o que isso tem a ver com as correntes?

- A senhora não se terá se esquecido da igreja da nossa vila, pois não?

- Claro que não, tu sabes da minha devoção e sempre te levei lá desde nova para aprenderes os ensinamentos católicos.

- Pois é. Um dia em que estava muito abatida e desanimada, entrei naquela igreja, ajoelhei-me diante da imagem de Cristo e pedi que ele me ajudasse a encontrar um homem que me respeitasse. Não um idiota como aquele que me fez tanto mal, mas um senhor maduro, sensível, carinhoso e, principalmente, leal. E, para reforçar ainda mais o meu pedido, quis também fazer um voto. A senhora deve ter na mente o quadro, perto da pia baptismal, representando uma santa que está sendo levada ao martírio…

- Ah, sim, aquela jovem romana com as correntes nos pés…

- Isso mesmo! Muito sugestionada pelo quadro, fiz a promessa solene que, caso a minha súplica fosse atendida, ficaria, pelo menos dentro de casa, acorrentada por dois anos consecutivos. Por isso, quando a senhora chegou, não me atrevi a tirar as correntes, por temor de quebrar um voto, de menosprezar, por pura vaidade, uma promessa tão importante.

- E fizeste bem, uma promessa é um comprometimento sério, respondeu a tia com a voz embargada pela comoção. Mas me diz-me uma coisa... esse teu novo namorado, que parece ser uma pessoa tão séria e aprumada, não se incomoda com essas correntes?

- Bem, sinceramente… no começo ele reclamou um pouco, mas depois teve que aceitar e respeitar o meu lado religioso.

- Esse senhor foi muito compreensivo contigo, um verdadeiro cavalheiro.

E, de repente, levantou-se e foi cumprimentar Henrique com tanta sinceridade e espontaneidade que ele, que quase explodia tamanha a vontade de rir, ficou sério e pensativo, tendo até um pouco de remorsos por ter cooperado a enganar uma senhora que demonstrava aquela inocência e bondade.

Enfim, depois do sumo e de muitas outras conversas mais ou menos interessantes, a tia Alice foi levada de volta à sua residência no Alentejo. Apesar da insistência da sobrinha e do próprio Henrique, não quis ficar para dormir.

Henrique acabou por voltar a Sintra já depois da meia-noite. Mais tarde, na cama, relembrando os acontecimentos do dia, ele louvou a criatividade da sua parceira e, enquanto a beijava com renovado ardor, sussurrou nos seus ouvidos:

- Tu és mais inteligente e bonita que a famosa Sherazade!

E o amor que veio depois foi tão intenso e prazeroso que teria sido realmente digno de fazer parte dos contos mais eróticos do livro Mil e uma Noites.

continua...

terça-feira, 8 de junho de 2010

Alperces

foto: Getty Images



A fome aperta vai a manhã a meio.
é no que dá pedalar forte e feio!
Comi uma pêra, mas não me satisfez.
Fui à frutaria e comi 10 de uma vez!
Os primeiros do ano, que bem me souberam!
Ofereci aos meus colegas, mas não quiseram…

Pequenos, macios, doces, sumarentos…

Um aroma fresco e suave tal brisa de Verão
Sorvo de um trago a energia dos momentos
em que conforto o estômago e reforço a atenção!

Não sabem o que perderam!


Queres?

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Magda VIII

início | continuação daqui

texto por Bernardo Lupi
imagens do catálogo da Exposição "Bruxaria: Objectos Insólitos e Criaturas Fantásticas" patente em Óbidos, 1998
(clicar em cima para aumentar)

foto da máquina consoladora surripiada daqui
fotografia por
Imperator

Henrique regressou a casa perto da meia-noite.
Sem proferir palavra alguma, acenou com um dedo para a farda que Magda vestia que, imediatamente, a despiu. Ele abriu uma porta que dava acesso a um recanto na parede, uma espécie de masmorra cujas medidas não permitiam que uma pessoa pudesse deitar-se. Prendeu os pulsos dela a uma corrente que descia do tecto do minúscula divisão e esticou o mais possível os braços de Magda acima da cabeça. Outra corrente, fixada ao piso, segurou os tornozelos da jovem nua e sentada no chão.

Não podia alongar as pernas por falta de espaço e passou a noite à procura de encontrar uma posição mais confortável, tentando apoiar os joelhos no chão, mas qualquer posição era terrivelmente incómoda e todos seus músculos ficaram doridos.

Magda experimentou o que tinham suportado milhares e milhares de prisioneiros na Idade Média.

A sua noite não foi das melhores. Mais que a posição desagradável, o que mais a atormentava era tentar adivinhar o que iria acontecer no dia seguinte.

Seria expulsa de casa ou apenas castigada? E, mesmo que ele a tivesse perdoado, iria manter os mesmos sentimentos de antes?
Perto do amanhecer, ela conseguiu dormir cerca de uma hora antes que o calor do dia, fazendo da masmorra um forno, não a acordasse definitivamente.
Permaneceu mais duas horas acorrentada na obscuridade daquele recanto, exausta e molhada de suor.

Henrique, já quase pronto para sair novamente de casa, abriu a porta, tirou os dois cadeados que a prendiam ao tecto e ao piso da cela e ordenou que ela tomasse um copo de leite e comesse um pão seco do dia anterior.

Magda obedeceu em silêncio, triste e temerosa.

Quando o seu dono ordenou que entrasse na casa de banho e lavasse bem os pés, pensou que ele lhe fosse devolver as roupas e os sapatos e de seguida a deixasse na estação ferroviária de Sintra, para que ela voltasse para o seu apartamento de Odivelas, sem ordem para o voltar a procurar.

Saiu da casa de banho cabisbaixa, certa de que dentro de poucos minutos tudo teria terminado. Mas, ao ouvir um som estranho, levantou um pouco a cabeça e viu, a poucos metros de distância, Henrique que puxava uma viga de madeira, triangular, apoiada sobre quatro pernas de ferro. Reconheceu o objecto por tê-lo visto em algumas fotografias que ele lhe mostrara. Efectivamente tratava-se de um cavalete - também chamado de potro -, um antigo instrumento de tortura, projectado para punir adúlteras, feiticeiras e, em geral, fêmeas tidas como insolentes.

Ele acorrentou os pulsos de Magda atrás das costas, fixando-os ao cinturão de couro. Com uma longa corda amarrou em dois pontos os braços da escrava e atou também as mãos. Logo em seguida ordenou que ela se sentasse bem no meio da viga. A cunha de aço que estava na parte superior do cavalete entrou nos lábios vaginais, afastando-os progressivamente. Instintivamente, ela levantou-se nas pontas dos pés para aliviar a sensação de incómodo.

Henrique enfiou uma corda na argola dianteira da coleira e segurou-a na extremidade dianteira do potro; analogamente fez com a argola posterior. Repetiu as mesmas manobras com as argolas do cinturão de couro, de forma que o corpo de Magda ficou perfeitamente vertical em cima do instrumento e não teria caído nem se ela tivesse desmaiado.

Com dois cintos de couro prendeu as coxas dela que, dessa forma, quase abraçavam o cavalete. Enfim um cadeado uniu os tornozelos que foram puxados para cima e fixados à parte inferior da viga, formando um L em relação às coxas. Agora o corpo de Magda apoiava-se unicamente sobre o triângulo de metal que, lentamente, dilatava a sua vagina e apertava o períneo.

A jovem estava a ser submetida a uma antiga tortura medieval mas, pelo menos, esse castigo podia significar que Henrique não se iria livrar dela. Todavia o facto de ter sido obrigada a lavar os pés, deixava-a perplexa e preocupada.

O mestre pôs na cabeça da jovem o capuz de couro que a deixava praticamente cega, surda e muda.

Logo em seguida, atou com bastante corda os tornozelos e prendeu os polegares dos pés com algemas de couro. Ela percebeu que Henrique queria imobilizar totalmente as suas extremidades inferiores, provavelmente para chicotear as plantas dos pés, mas ainda não entendia qual a função daquele preparo, porque quando ele a batia nessa parte do corpo, costumava dizer:

-Agora, querida, vou tirar a poeira das tuas solas.

Completamente nua, atada e sem poder ver nada, Magda não viu que ele estava a manipular um pequeno fogão eléctrico sobre o qual já estava a aquecer uma pequena panela cheia de óleo. Ele regulou o termostato para uma temperatura de 55°C. Quando uma luz vermelha se apagou, indicando que o líquido tinha alcançado a temperatura escolhida, mergulhou um pincel no óleo e iniciou, vagarosamente, a pincelar as solas dos pés de Magda, partindo dos calcanhares e descendo até aos dedos.

Experiente como sempre, Henrique estava a aplicar uma técnica que ia produzir uma dor não exagerada, comparável àquela de uma vela derretida, mas durável no tempo.Por isso mandou que ela lavasse bem os pés, para o líquido penetrar profundamente nos poros da pele.

Terminada a sessão e, antes de sair de casa para ir para o trabalho, puxou uma primeira alavanca debaixo da viga: uma protuberância de marfim, do tamanho de uma cenoura média, emergiu do cavalete e deslizou na vagina de Magda. Accionando uma segunda alavanca, um dildo bem lubrificado penetrou delicadamente no ânus da escrava.

Henrique trancou a porta e foi-se embora cantarolando.

Magda permaneceu muitas e muitas horas imobilizada naquela posição.

Inicialmente a dor prevaleceu, tanto aquela gerada pelo cavalete, como o incómodo que sentia nas solas dos pés.

Felizmente o potro era uma versão moderna do antigo aparelho de tortura e a dor, afinal das contas, foi diminuindo bastante na medida em que os músculos vaginais iam-se adaptando à solicitação mecânica do seu peso.

Quanto ao óleo, como tinha previsto o seu Senhor, a dor continuou constante, mas a intensidade era suportável.

Por outro lado, a mulher teve a enorme satisfação de saber que ainda iria continuar a ser propriedade de Henrique e que ele não tinha a menor intenção de mandá-la embora. O facto de estar nua em cima de um cavalete, completamente atada e encapuçada, era um acontecimento natural que condizia com a sua condição de escrava.

Rapidamente, ela começou-se sentir à vontade a cavalo do potro. Percebia o seu corpo como um maravilhoso objecto sexual, um brinquedo nas mãos de um dono com mau génio mas, ao mesmo tempo, carinhoso, leal e fiel. Isso era o mais importante.

E não demorou muito a sentir um certo bem estar, tanto físico quanto psicológico. Mexendo um pouco a bacia para a frente, recebia prazer da protuberância que penetrava a vagina e apertava o clítoris; deslocando-se de uns milímetros para trás, o brinquedo anal gerava ondas de prazer ainda mais intensas.

Não tendo a possibilidade de olhar para um relógio, e nem de ver a luz do dia, ela não tinha noção do tempo que ia decorrendo. O seu vaivém em cima do cavalete tornou-se rítmico, como uma dança sexual que proporcionava prazer infinito. Paradoxalmente, um instrumento projectado para torturar funcionava como uma máquina para gerar orgasmos. E desse ponto de vista, Magda era praticamente insaciável. Quanto mais se vinha, mais sentia o desejo de voltar a vir-se novamente.

As horas em cima do potro foram uma viagem numa dimensão sobre-humana, uma dimensão caracterizada por uma única e sublime variável. O prazer.
Quando, dez horas depois, Henrique voltou do escritório e tirou-a da viga, ela beijou-o languidamente e, com voz bastante enfraquecida, disse para ele:
-Muito obrigada, meu Senhor…

Henrique, após tê-la deixado quase desmaiada em cima da cama, foi para a cozinha onde lhe preparou um jantar reforçado.

continua aqui

domingo, 30 de maio de 2010

arco-íris

PekeninaArco-Íris Aqui deixo um pequeno tributo às cores do arco-íris. E porque é SUNday* faço do amarelo a minha cor do dia!

E a vossa?

:)

* – Expressão por carpe vitam!

terça-feira, 25 de maio de 2010

segunda-feira, 17 de maio de 2010

corpos suados (5)

continuação daqui
texto por Toque
foto por V editada por carpe vitam!


Quando regressou à mesa os olhos ainda estavam raiados de um prazer que ela tinha partilhado.
Saíram rapidamente do restaurante e foram surpreendidos por uma chuva que os refrescou, mas que lhe colou o vestido de seda à pele.
-A chuva ainda te torna mais irresistível!
Ela sorriu e entrou para o carro, procurando o casaco que tinha deixado no banco de trás.
A viagem foi feita num silêncio que ambos partilharam sem constrangimentos. Quando estacionou o carro em frente à sua porta ela procurou despedir-se rapidamente. O olhar que ele lançava aos seus seios, cujos mamilos se tornavam proeminentes no tecido fino estavam a deixá-la excitada. Sentia um calor a percorrer-lhe o interior das coxas e um líquido espesso a molhar a cuequinha rendada.
Tocou-lhe os lábios grossos e vermelhos com a ponta da língua e disse-lhe um "obrigada" quase em surdina.
Ignorando a atitude dela, Pedro pegou-lhe no cotovelo e fez questão de a acompanhar. No elevador largou-lhe o cotovelo e deixou os dedos percorrerem o traçado dos mamilos. Sentiu-os endurecer ainda mais ao seu toque, o que o fez baixar-se e chupar um de cada vez sofregamente deixando uma marca de saliva no vestido molhado.
As bocas já se tinham encontrado e a respiração ofegante já deixava adivinhar o desejo que os consumia quando o elevador chegou ao andar onde ela vivia.
Ainda se estavam a recompor quando foram surpreendidos pela presença de Carlos, sentado na soleira da porta.
- Tu aqui novamente?
- Acho que devemos falar, afinal partilhamos momentos óptimos os dois e a nossa última noite foi um bom exemplo disso.
Ficou satisfeito por ver a reacção de descontentamento de Pedro.
Resolveu abrir a porta, pois não queria que aquele triângulo fosse partilhado pelos vizinhos. Os dois homens entraram rapidamente em casa dela procurando que a sua presença fosse mais marcante.
-Diz o que tens para me dizer - disse ela enquanto fechava a porta.
- Queria falar apenas contigo. Este senhor está a mais.
Pedro aproximou-se dela e abraçou-a de forma possessiva, deixando as mãos demorarem-se nos mamilos que tinha beijado no elevador. Ela sentiu o mesmo calor a tomar conta do seu corpo. Queria libertar-se do vestido molhado e deixar o corpo encostar-se ao peito do Pedro para se aquecer. Momentaneamente esqueceu-se da presença do Carlos e fechou os olhos para sentir o toque daqueles dedos que em poucas horas aprenderam a conhecer o seu corpo.
Assustou-se com o suspiro prolongado de Carlos e abriu os olhos encarando-o. Desejo foi o que encontrou no olhar com que Carlos a fixava. Um desejo misturado com uma raiva que ela desconhecia nele. Levantou a mão para lhe acariciar o rosto e ver desaparecer aquele sentimento tão forte e destrutivo. Ele virou o rosto e aprisionou os dedos femininos na sua boca chupando-os com vontade.
Pedro puxou o corpo dela de encontro a si, procurando afastar aquele contacto, mas ela estava a gostar de sentir a saliva quente dele nos seus dedos, estava a gostar do roçar da língua...mas estava também a adorar as mãos de Pedro nos seus seios.
Passou-lhe uma imagem louca pela cabeça. E limitou-se a dizer para si:
- Porque não? Seria uma óptima despedida para o Carlos e para mim seria o satisfazer de um sonho.
Não disse nada. O instinto dir-lhe-ia como agir.
Deixou os dedos penetrarem mais fundo na boca de Carlos tentando acompanhar o movimento da língua dele. Ele notou a atitude dela e sentiu-a como um incentivo. Por momentos esqueceu-se da presença de Pedro e aproximou o seu corpo do dela para lhe beijar os lábios. Sentia fome deles e nem reagiu quando sentiu o toque de Pedro que continuava a acariciar-lhe os seios.
Ela correspondeu ao beijo deixando um rasto de saliva na boca dele. Pedro soltou um grunhido, ainda não entendia o que se estava a passar, mas sentia-se incomodado com aquele beijo que ela partilhava com outro. Ela entendeu a reacção dele e pousou as mãos dela por cima das dele que entretanto estavam paradas nos seus seios. Movimentou-as convidando-o a fazer o mesmo. Depois pegou numa delas e levou-a até à sua vagina fazendo-o sentir o líquido quente que ela escorria. Com a sua mão acompanhou os movimentos que ele fazia e ao fim de uns minutos obrigou-o a retirar a mão e levou-a até à sua boca que Carlos continuava a beijar avidamente. Dois dedos de Pedro, molhados pelo desejo dela entraram nas duas bocas e aí depositaram o sabor dela.
Ela sentiu o desejo dos dois homens aumentar, bem como o volume dos seus pénis um de encontro à sua vagina e outro pressionando as suas nádegas.
Encostou-se mais ao Carlos, esperando que Pedro respondesse positivamente à sua provocação. Sabia que estava a correr um risco e que um dos homens poderia rapidamente afastar-se daquele jogo, mas queria tentar, principalmente agora que sentia o desejo de ambos e o seu tesão a crescer.
A sua mão procurou o pénis de Carlos, enquanto chupava, agora só ela os dedos de Pedro. Ouviu o gemido dos dois e virou ligeiramente a cabeça para beijar o Pedro.
Carlos abriu o fecho do vestido e deixou-o cair aos seus pés. Baixou-se para lhe retirar as cuequinhas e lamber o seu montinho com a sua língua faminta.
Pedro continuava a percorrer a sua pele com a língua e com os dentes.
Ela deitou-se no tapete da sala e Carlos foi o primeiro a acompanhá-la continuando a dar-lhe prazer. Depositou o seu corpo sobre o dela e deixou que o seu pénis erecto penetrasse a vagina húmida de desejo. Moveu-se lentamente à espera que o corpo dela correspondesse, o que rapidamente aconteceu.
Pedro olhava os dois corpos a mexerem-se cada vez mais rapidamente. Sentia-se excitado, embora não entendesse a situação em que estava envolvido. O corpo dela a movimentar-se de forma tão sensual atraia-o como se de um íman se tratasse.
Viu-a mudar de posição passando para cima do corpo do Carlos, ajoelhou-se no tapete e deixou que a sua língua falasse da vontade que o consumia. Desenhou nas costas femininas rastos de desejo e paixão com a saliva quente e sentiu que ela colava o corpo aos seus lábios. Meteu as mãos entre os dois corpos e procurou os seios dela apertando-os entre os dedos. Ouviu o gemido dela e deixou que o pénis duro procurasse a abertura entre as suas nádegas.
Duplamente penetrada sentia um prazer incalculável e adivinhava nos corpos masculinos um prazer semelhante.
Enquanto gemia e se mexia por forma a satisfazer os dois homens que a penetravam, pegou na mão de Pedro e levou-a até à sua vagina, onde o pénis de Carlos a penetrava profundamente. Sentiu uma primeira reacção de negação por parte dele, mas levantou ligeiramente o corpo e deixou a mão acariciar-lhe o clitóris. Virou o rosto para encontrar os seus lábios sôfregos. Os corpos cavalgaram numa ânsia desenfreada, as mãos confundiam-se na pele escaldante, gemidos ecoavam pela sala enquanto ela sentia a dureza dos membros masculinos dentro dela.
Encostou-se mais ao Carlos para que Pedro apertasse o seu corpo ao dela. Ele correspondeu e aumentou a velocidade com que a penetrava.
Gotas de suor misturavam-se no tapete e ela sentiu que era banhada por dois líquidos quentes no preciso momento em que soltou um grito de paixão incontida.
Ficaram largos minutos a controlar a respiração ofegante antes dos corpos se esticarem lânguidos no tapete da sala.
continua...

quarta-feira, 12 de maio de 2010

* Dança X: ritual de mudança

ATENÇÃO: Aconselho vivamente a quem ainda não viu o filme que o faça antes de ver esta cena:


corpos que se movem em sintonia... o ritual de passagem, a energia da massa sincronizada...


peço desculpa pela má qualidade do vídeo, ainda sou um bocado azelha na edição.
outras danças aqui

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Magda VII

início | continuação daqui
texto por
Bernardo Lupi
imagem da esquerda: Aubrey Beardsley (clicar em cima para amplicar)
imagem da direita: Bound by Lust by
crazynloveless


Foi assim que, com o decorrer dos dias, o dono e a sua escrava passaram a ter um relacionamento cada vez mais íntimo, desenvolvendo formas de cumplicidade que agradavam a ambos.

As noites eram de uma sensualidade intensa, de carinho, de uma doçura que transcendia um relacionamento puramente sexual, um sentimento que ia muito além da pura dominação e que, quase com certeza, podia ser definido de forte atracção recíproca, de paixão real e amor.

Efectivamente essa palavra nunca foi pronunciada explicitamente e, por outro lado, Henrique continuava a exercer a sua autoridade de dono inflexível; com efeito, ele não precisava inventar infracções imaginárias para castigar a companheira. As regras que regiam o status de Magda eram inúmeras, arbitrárias, mutáveis e contraditórias. Mesmo que se esforçasse, ela acabava por infringir diariamente um bom número delas. Como consequência, os castigos faziam parte do seu quotidiano. Chicote nas nádegas, nas coxas, nas solas dos pés...

Contudo, Magda já não conseguia sequer imaginar uma vida que não fosse a de escrava. Agora que tinha experimentado a submissão nunca mais seria capaz de aceitar um relacionamento "normal" que, para ela, já não fazia já não fazia sentido.

Instintivamente Magda estava a traduzir em actos diários as palavras de um famoso aforismo de Nietsche: "A felicidade do homem é: eu quero. A felicidade da mulher é: ELE quer".

Cada vez mais, acordava a meio da noite e, mesmo estando totalmente imobilizada e com a pele ainda a arder pelos golpes que lhe eram infligidos, entrevia, como no pior dos pesadelos, um futuro em que o seu Senhor a deixasse livre, sem cordas, cadeados, chicotes ou, pior ainda, a trocasse por outra mulher.

Se realmente isso tivesse acontecido, pensava, seria capaz de sobreviver um só dia…

Como viver longe do homem que amava mais que a sua própria vida? Como existir sem o dono que tomava conta dela, que dominava não apenas o seu corpo como também seus sentimentos, seus sonhos, que satisfazia seus desejos e suas vontades mais profundas?

E, embora ela ainda não tivesse ouvido explicitamente palavras de amor de Henrique, sabia perfeitamente que ele a amava com uma intensidade que raramente se observa entre os amantes mais apaixonados. Sabia que o amor dele tinha raízes mais fortes que todas as correntes e as cordas que a prendiam durante a noite.

Mesmo assim estava preocupada e, como a grande maioria das mulheres, começou a ficar possessiva e ciumenta.

Na semana seguinte, Henrique, que regra geral saía pouco de casa nos momentos de folga, começou a ausentar-se durante várias horas consecutivas. Obviamente sem dar explicação alguma - um mestre nunca se iria justificar perante a sua escrava-. Escolhia fatos elegantes, aprumava-se com rigor, perfumava-se e ia-se embora com passos rápidos e decididos.

Era enorme a angústia de Magda, a observar os ponteiros do relógio avançar até horas cada vez mais tardias sem que ele regressasse a casa.

Para piorar ainda mais o seu estado de aflição, notou uma certa frieza que ele nunca tinha demonstrado anteriormente. Agora parecia-lhe mais distante, sempre apressado e absorto em pensamentos que o transportavam para longe dela.

Foi assim durante três intermináveis dias.

Na manhã do quarto dia, Magda, após ter reflectido sobre a acção que estava perto de executar, pegou no telefone e começou, lentamente, a digitar o número do telemóvel de Henrique.

Sabia perfeitamente que, como escrava, nem podia aproximar-se de um telefone. Sabia que corria o risco de ser castigada duramente. Mas era uma tortura mil vezes pior ficar na dúvida de que ele estivesse nos braços de uma outra mulher.

É verdade que os Senhores tinham o direito de possuir mais de uma escrava mas ela, que aceitava com prazer qualquer punição, que se conformava em ser tratada como um objecto de prazer, nunca concordou com essa regra. Reconhecia ao seu Senhor o direito de tirar-lhe o sangue gota a gota, de lhe arrancar a pele com o chicote desde, porém, que fosse a única mulher dele.

Agora achava-se no direito de saber, de descobrir a verdade, pois a dúvida a devastava por dentro como uma doença mortal.

E se ele fosse inocente? E se as suas ausências fossem relacionadas a problemas de trabalho? Tinha visto no escritório de Henrique diversos documentos das empresas e relatórios de contas com algarismos sublinhados a cores fluorescentes. Ao tentar investigar a vida dele, poderia correr o risco de perder a confiança do seu parceiro para sempre.

Intuiu o risco terrível de perdê-lo para sempre, mas o seu instinto feminino prevaleceu e, ingenuamente, pensou que seria capaz de inventar uma desculpa para justificar um acto de insubordinação e de desconfiança tão infantil.

Quando o telefone começou a tocar, o coração de Magda quase parou de bater.

O telemóvel tocava, tocava, tocava e ele não atendia. Podia ser a confirmação que ele estaria na companhia de outra mulher.

Finalmente ela ouve a voz dele. Henrique ao ler no visor o número da sua casa, calculou imediatamente quem estaria a ligar.

- Fala… -disse ele, com voz de enfado.

Magda ouviu as vozes de várias pessoas que discutiam animadamente sobre questões financeiras e, numa fracção de segundo, deu-se conta que o seu Henrique estaria a participar numa reunião do conselho de administração das suas empresas.

Como que por artes mágicas caiu o véu que a cegava. Entendeu a atitude dele, a pressa de sair de casa, as demoras, as preocupações de quem mantém a responsabilidade do bom funcionamento de um grupo de empresas.

A felicidade de descobrir que ela continuava a ser a única parceira dele, fez com que não conseguisse improvisar uma explicação plausível para justificar o telefonema. Ficou muda e, sem nem pensar nas consequências, simplesmente desligou o telefone sem dizer nada e desrespeitando, dessa forma, a ordem do seu dono que aguardava uma resposta.

Henrique regressou a casa perto da meia-noite.

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