terça-feira, 13 de novembro de 2007

* Dança I - ballet clássico


A dança é um poema de gestos que esculpem o espaço. Daniel Sibony

“L'étrangère” excerto do ballet de Roland Petit: Clavigo (1999), inspirado na peça de teatro homónima de Goethe. Música de Gabriel Yared

Clavigo é um homem dividido pelo seu coração e espírito contraditórios, sem saber muito bem se há-de procurar o verdadeiro amor ou ficar-se por uma vida de prazeres imediatos.

Gosto da forma como a Marie-Agnès Gillot faz desta dança uma provocação. Gosto do equilíbrio, da graciosidade, da elegância, da suavidade ousada. Isto é que é conquistar! Linda, não é?


Obrigado pelo vídeo, Corine

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Sorriso


O dia prometia. Ia ser quente, já a manhã acordou demasiado quente para Abril. Mas é mesmo assim, o tempo há muito que deixou de obedecer a algum tipo de regra, ora acorda com humores invernais intempestivos, ora se levanta com laivos de verão incandescente.
Tinha de ir ao Centro de Saúde, a minha artrose piorou e a bronquite não me largava, precisava de mais drogas para manter alguma sanidade.
Dirigi-me à paragem do autocarro (o maçarico do médico não me renovou a carta, mas eu já recorri) acompanhado pela minha terceira perna que desde que a artrose piorou não consigo largar. E fiquei à espera, a ver os carros passar, a olhar para as pessoas que passavam também. Seria eu capaz de subir para o autocarro? Se calhar devia ter chamado um táxi. Bem, decidi tentar.
Enquanto o autocarro não chegava, fui observando os meus companheiros de paragem, três estudantes de auscultadores nos ouvidos e telemóveis na mão, uma mulher de meia-idade com compras e a Alzira que acabava de chegar. Não posso com a Alzira, fala pelos cotovelos, só gosta de coscuvilhice. Depois de se lamentar do tempo, são as dores, as desgraças… eu também o sinto, mas não sou tão fatalista, não gosto de maçar os outros com isso.
Enfim, voltando ao que interessa, deixei-a a falar para o boneco assim que A vi aproximar-se. Um pecado de mulher. Vinha ao meu encontro, atravessando na passadeira. Um vestido floral muito leve e fresco, esvoaçante e colado à pele pelo movimento, não me deixava muito espaço para lhe adivinhar as formas que se mostravam atrevidamente apetitosas. Mulata altiva, com o cabelo negro solto em caracolinhos rebeldes, com um andar gingante numas sandálias altas de cunha e bolsinha ao ombro. Lembrou-me os meus tempos de juventude em que a conquista era o meu passatempo preferido e todas as mulheres achavam graça ao meu jeito. Lembrei-me daquela música do Tom Jobim e do Vinícius "Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça…" e de repente, consegui filtrar o momento em que só existia ela, eu, e a música: "ah, a beleza que existe…" Vinha a falar ao telemóvel, a sorrir para alguém do outro lado. Mas esse alguém não lhe podia ver o sorriso, eu sim. E que sorriso, Deus meu! Feito de lábios polpudos e dentes imaculadamente brancos. Ela vem quase direito a mim, sempre a sorrir, olha-me nos olhos e antes de virar para seguir o passeio, pisca-me o olho! Ou talvez tenha sido eu a delirar com a dor... O que é certo é que me deixou de doer no mesmo instante, durante largos minutos, nem me lembrei mais da artrose nem da bronquite, nem de mais nada.
"Ah, se ela soubesse que quando ela passa / O mundo inteirinho se enche de graça / E fica mais lindo / Por causa do amor"
Assim vale a pena os dias quentes, só pelo poder terapêutico de um sorriso fresco que aquece o coração!

domingo, 11 de novembro de 2007

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Noite de Aniversário



Amigos:
Produção - decote violeta e light blue
Jantar chinês
Prova, roda, prova, roda, prova, roda… licor
Risos, gargalhadas, animação
Esplanada nova, mesmo som
Alguma sofisticação
Cocktail de fruta
Despedida

Private:
Velas
Paixão
Colchão no chão
Óleo aromático, massagem
Línguaaaa… schhhh, baixinho!
Discrição, muita discrição
Vibrador presente
Sorrisos cúmplices
Lubrificação
Dupla penetração
Orgasmo anal
Óleo, muito óleo
Massagem
Mais sorrisos cúmplices
Vibrador nele
Penetração
Masturbação
Auto-penetração, orgasmo oral
Beijo
Abraço
Diálogo
Sexo, muito sexo, até arder
Sede
Água com gelo
Gelo!
Acalma, arrefece
Derrete, desaparece
Mágico! Delírio!
Mais gelo
Outra vez?
Entra-e-sai, entra-e-sai, entra-e-sai…
sms
Amor!
Ai, aaai…

Sou mesmo uma sacana sortuda e privilegiada!


PARABÉNS, meu amor! Vamos repetir, fazer melhor logo?

Quentes e Boas

Quentes e Boas...

Apregoava ela com os seus cabelos castanhos esvoaçando.

O pregão chegava-me aos ouvidos como uma melodia doce, nem sei bem porquê, mas sabia bem ouvi-la apregoar “quentes e boas”.

O apetite levou-me junto dela, era simples e bonita, cabelos castanhos curtos, olhos meigos e doces. Quanto é a dúzia menina perguntei eu, e ela lá me respondeu, o preço, bem não interessa, o apetite pelas castanhas quentes levou-me a comprar a dúzia.

A cara dela estava mascarrada numa mistura de carvão com fuligem da castanha, ficava-lhe bem aquele mascarrado.



Sinceramente não gosto muito de castanhas, gosto de comer umas assadas de vez em quando, mas gosto mais do sal que por ali fica, sabe bem melhor o sal do que a castanha…

Fui para o canto de onde tinha emergido e fiquei a admirar a vendedora de castanha, que lá ia apregoando o seu “Quentes e boas”...



Ela era bonita, nova, devia ter uns 28 anos (mais coisa menos coisa), olhava-a e via a sua perícia a enrolar as castanhas numa folha de papel de jornal e entregar aos clientes.

O seu corpo era delicado, dava para ver algumas curvas, discretas mas estavam lá, tinha um peito volumoso mas não demasiado, diria que encheria muito bem uma mão.

As castanhas estavam quentes, e com o sal estavam deliciosas, o meu apetite leva-me a ir devorando castanha a castanha, apreciado a vendedora de castanhas.

Irradiava doçura, e não sei bem porquê, olhava para ela e o meu desejo crescia, queria ir ali ter com ela e beija-la, sentir os lábios dela, devem ser quentes como as castanhas que vende.
Acabo por ficar a “dormir em pé” imaginando-me com ela, beijando-a, tomando-a para mim, beijar-lhe o peito, lambuzar-me nela, lambendo-a, imagino o seu sexo, rapadinho, imagino-me a beijá-la com a língua, a sentir o meu sexo dentro dela, senti-la vir-se num orgasmo, ter o meu orgasmo, ela deve ser quente como as castanhas que vende.

O raio do telefone toca, volto à realidade, ela lá está, com o seu sorriso doce e meigo a vender castanhas, apregoando....

“Quentes e Boas”…



ilustração: Carpe Vitam

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

ella, ella, eh, eh...




Rihanna, Umbrella


Vocês sabem (principalmente tu, QJ) que eu já andava há que tempos para postar o vídeo, mas depois do fim-de-semana passado, há precisamente uma semana, tem outro sabor, não tem? Agora deixo aqui a versão dela, para a próxima deixarei talvez a minha, quem sabe… acham que valerá a pena?...

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Purificação

Percorro cada canto de mim, revisito-me uma vez mais, neste prazer líquido e quente de espuma frutada.
Confronto-me. Confronto o corpo, preparo o espírito, sintonizo-os para chegar aonde quero. Encontro-me.
Afogo as dores e as mágoas na água e vejo-as escorrer pelo ralo entre os meus dedos dos pés. Purifico-me.
Com a mente e o corpo lavados, atinjo o bem-estar e dou as boas-vindas à noite que se aproxima.

Vanessa da Mata + Ben Harper: Boa Sorte / Good Luck

Será que me imaginas?



Vem com o seu ar de garanhão, deve pensar que lhe vou cair aos pés! Começa com indirectas, sei que me quer levar para a cama.

Eu: Isso é uma proposta?
Ele: Pode-se dizer que sim!
Eu: Mas o que tens para me oferecer que outro homem possa ainda não me ter dado?
Ele: Isso não te posso mostrar com palavras, apenas com actos.

Pergunto-me se ele saberá o que significa desejo. Ele acredita que me pode excitar mas será que consegue despertar o meu desejo? No alto da sua confiança diz-me que não é difícil agradar a uma mulher, que basta ser-se carinhoso e tocar nos pontos certos. Como se engana!

Eu: Não sinto qualquer atracção por ti, não vale a pena perdermos tempo.
Ele: Os teus olhos não me dizem isso!
Eu: O que te leva a crer que o meu olhar é sincero?! Eu gosto de brincar com o fogo mesmo sabendo que me posso queimar. Gosto deste jogo!
Ele: Queres jogar? Então deixa que te acompanhe a casa. Ou estás com medo de perder o jogo?!

Sei que me está a manipular mas não me importo! Vou testar-me a mim própria. Logo se vê no que dá!

Já no carro dele começa com falinhas mansas, com festinhas no cabelo, uns beijinhos no pescoço… Faz todos os mimos que uma mulher pode desejar mas eu não reajo. Tenta beijar-me os lábios mas eu recuo.

Eu: Vou-me embora, isto não faz sentido!

Pego na chave de casa mas ele toma-a na sua mão.

Ele: Um beijo em troca da chave! Não és tu que gostas de jogos?
Eu: Sim mas deixo as regras claras e paro quando eu quero. São as minhas regras, só entra no jogo quem quer!
Ele: Tens razão, eu aceitei as tuas regras. Toma a chave!

Ele abraça-me novamente. Confesso que o calor do corpo dele, a sua respiração no meu peito, me excita. Apesar disso não quero ceder ao instinto, ainda não o desejo.

Não sei bem como ele consegue dar-me um beijo nos lábios mas eu não me mexo. Ele ainda não está satisfeito, diz que aquilo não foi um beijo. Para mim também não mas ele assim o quis, foi um beijo roubado. Por mais que tentasse ele não conseguia chegar ao meu íntimo.

Tanta insistência já me estava a irritar. È então que o agarro no pescoço e lhe dou um beijo bruto, selvagem terminando com uma mordidela no lábio inferior.

Eu: Não imaginas quem eu sou…!

Saí do carro sem me despedir, apenas acenei pela janela um adeus. Não deixei contacto, tinha o dele mas não tencionava usá-lo.

Ainda deu para perceber o ar perplexo dele. Deveria estar a pensar se também isso seria parte do jogo!

terça-feira, 6 de novembro de 2007

MOTO


Acordo com imensa fome de sexo. O dia está a nascer, é estupidamente cedo. Ela dorme serenamente ao meu lado. Toco-lhe e ela geme qualquer coisa, não parece querer despertar. Percorro-lhe o corpo quente, excita-me ainda mais. Viro-a de barriga para mim, oiço-a gemer, adormecida. As minhas mãos encontram-lhe os seios e despertam os mamilos. A minha boca encontra-lhe o sexo e mergulha nele, sorvendo-o. Ela geme, protesta. Fecha as pernas, quer continuar a dormir e eu faço-lhe a vontade.

Levanto-me, tomo um duche rápido, bebo um iogurte.

Calças, blusão, luvas, via verde, capacete – vou levar a minha bad girl até à praia.
Sorri para mim assim que me vê, já sabe que vai passear. É pesada, possante e brilhante, depois de a ter conseguido dominar, mostra-se super fiável, é um prolongamento de mim, um instrumento que me faz andar mais rápido.

Faço-me à auto-estrada, sinto o frio a entrar-me pelos tornozelos, devia ter calçado as botas. Tenho a estrada quase toda só para mim. Fico com a sensação de que estou no mesmo sítio, é a estrada que se move, eu apenas tenho de me inclinar ligeiramente para curvar melhor.
Sinto-a vibrar no meu sexo pulsante e a minha fome aperta. Felizmente o destino está próximo. Nunca mais me atrevi a voar a alta velocidade desde “o acidente”. Ter-me esfolado completamente ficou bem marcado no meu corpo e serviu-me de lição – a partir daí sempre blusão e calças de protecção, e nada de distracções – máxima concentração na condução.
Chego finalmente ao meu lugar preferido, no cimo da arriba com o mar aos pés, rodeada de pinheiros. Estaciono-a virada para o mar, não lhe desligo o motor, quero senti-la a vibrar debaixo de mim, enquanto abro a braguilha e enfio sofregamente a mão no interior das calças, numa tentativa de pacificação com o fogo que me consome as entranhas.

Ligo o mp3, estou a ouvir Metallica, Ride the lightning. Dedilho-me ao som da música, como se fosse uma guitarra. Morro em cada orgasmo, mas não tenho medo porque sei que ressuscito a seguir. Hoje não é excepção. Ou talvez seja, porque embora já o tenha feito aqui neste preciso lugar várias vezes, hoje sinto-me melhor, consigo sentir-me melhor. Venho-me sem pudores, primeiro com uma vibração suave ajudada pela moto, depois estremecendo ao sabor das contracções que me invadem o corpo, percorrido por pequenos choques eléctricos.

A música termina e é então que eu oiço o som suave e preciso, característico de uma moto. Mas não é uma moto qualquer. Olho para o lado e está assustadoramente perto, paralela à minha – uma Honda VTX 1800 T, 106 cv, motor v-twin, preta, linda, a moto dos meus sonhos! – montado nela está um tipo grande, negro da cabeça aos pés, e também ele geme agarrado ao seu membro proporcional, extraordinariamente negro.

Ainda bem que não tirei o capacete! Mesmo assim, ele consegue ver-me os olhos porque a minha viseira é transparente, e consigo ver os dele porque levantou a viseira. São claros, cristalinos, que contradição curiosa!

Esta visão excita-me tremendamente e volto a enfiar a mão para me sentir a ferver. Com a outra mão disponível, abro o fecho do blusão e revelo-lhe o soutien preto que contrasta com a brancura da pele. Vejo-o aumentar o ritmo. Revelo-lhe os seios e os mamilos rosados entesam-se ainda mais em contacto com o frio matinal, num arrepio pós-orgásmico. Coincidência ou não, estou a ouvir Skunk Anansie baixinho, com os gemidos dele de fundo.

O cavaleiro negro vem-se para cima do depósito da Honda. Está satisfeito, tanto quanto me é dado a perceber pelo olhar e pela expressão corporal. Parece atrapalhado, à procura de qualquer coisa para limpar a moto. Saco de um lenço de papel da mochila e estendo-lho. Não nos chegamos a tocar. Enquanto ele procede à limpeza, eu manobro a moto e zarpo dali. Ele não tarda a seguir-me, e agora? Ele sabe a minha matrícula, eu vejo a dele pelo retrovisor. Quem será ele? Será que valerá a pena conhecê-lo melhor? Será que ele também tem alguém à espera na cama? A minha linda não vai acreditar… Despisto-o ou deixo-o seguir-me? Até onde vai o limite?


Foto: CORBIS editada por mim

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Brindemos



Transparente, ligeiramente rosado. Saltita da garrafa para a flute em alegres golfadas. Fshhh… efervesce. Tem um cheiro suave e espumoso. Rodo o copo por entre os dedos e levo-o aos lábios. É fresco. Faz cócegas, mistura-se com a saliva e dança com a língua numa celebração de alegria.
Escorrega agridocemente pela garganta, sinto a dormência por detrás das orelhas. Ahhh… sacia.
Brindemos a ti, Felicidade!


Foto: CORBIS editada por mim