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quinta-feira, 14 de março de 2013

uma noite erótica (parte II)


texto por PinhalMancontinuação daqui

O enorme quarto tinha uma ténue iluminação, em tons de vermelho, oriunda principalmente das mesas-de-cabeceira. Espalhadas pelo chão do quarto, haviam também bastantes velas, que emanavam um suave mas interessante odor a cereja. Ainda no chão, e desde o ponto onde ela se encontrava, tinha sido colocado um encantador trilho de pétalas vermelhas, que seguiam um trajecto ondulante até uma cadeira no centro do quarto, e desde aí até à enorme cama. Aqui, sobre os lençóis brancos, estava desenhado um grande coração, preenchido também com pétalas vermelhas, e no seu centro, um outro mais pequeno, com pétalas de um tom mais claro. Cor-de-rosa suave talvez, ou mesmo brancas. 
Na cadeira, provocadoramente despido de roupas à excepção de uma pouco inocente gravata, mas numa pose pouco reveladora, encontrava-se Miguel, expectante pela reacção da jovem beldade ao cenário por si montado.
Carla seguiu pelo trilho de pétalas, pisando-as cuidadosamente com os sensuais sapatos de salto stiletto, até chegar bem perto da cadeira. As notas e o ritmo da música enchiam o ambiente, como que a convidando descaradamente a presentear Miguel com um sensual Striptease. Era sem dúvida uma jogada arriscada da parte deste, pois é sabido que deve partir da Mulher a iniciativa de querer brindar o seu parceiro com uma actuação tão ousada. Mas Carla adorava ser desafiada… E Miguel já tinha percebido isso… 
Num acto romântico, ele revelou uma rosa vermelha, que ofereceu a Carla. Esta aceitou-a, com um sorriso, e perguntou-lhe: 
- O que é que tu queres?... 
- O que tu me quiseres dar. Nada mais do que isso… 
- Olha que depois tens que te aguentar à bronca! 
- E eu aguento… 
- Tens a certeza? 
- Tenho… – Arriscou ele. 
Naquele curto momento de impasse, a música desapareceu num fadeout… 
De repente, a doce voz de Michael Bublé surgiu por entre um fundo de cordas, soltando 
as palavras “Birds flying high, you know how I feel”… 



Era o catalizador que Carla precisava… O timbre do Canadiano arrancou-lhe desde logo 
um sorriso maroto, e à medida que os vocábulos eram derramados, surgiu-lhe uma enorme vontade de baixar a alça direita do vestido. Os olhares não descolavam, e nenhum dos dois se permitia sequer a pestanejar. Era como se uma batalha pelo controlo do Universo estivesse prestes a começar! 

Ao escutar “…It’s a new dawn…”, Carla deixou cair a rosa a seus pés. A sua mão esquerda deslizou sobre o ombro direito e a alça descaiu no braço. 
Quando o contrabaixo surgiu a marcar o ritmo, foi inevitável o acelerar das batidas dos 
corações de ambos. 
A anca de Carla começou a seguir a cadência da música de uma forma infernalmente 
provocante. 
Havia voltado as costas a Miguel que se encontrava absolutamente fascinado, enquanto 
a segunda alça também era arrastada pelo braço esquerdo. O vestido desceu vagarosamente até à cintura, impulsionado sensualmente pelos dedos de Carla. 
Ela virou-se por momentos, revelando o atraente rendilhado do seu soutien preto. 
Aproximou-o descaradamente da cara de Miguel, deixando-o a morder os seus próprios 
lábios. 
Depois girou de novo, sempre numa dança ritmada. O vestido continuou o seu caminho, 
descendo pelo fabuloso corpo da jovem e revelando o cinto de ligas e o sensual fio 
dental que desaparecia por entre as suas nádegas. 
No resto do trajecto descendente do vestido, Carla foi flectindo as pernas, mantendo o 
tronco direito e o ritmo da música na anca. 
O vestido caiu finalmente no chão, sobre o manto de pétalas. Ela retirou os pés de 
dentro da circunferência que o mesmo desenhava, afastando um pouco as pernas. 
Vergou o corpo para o apanhar, espetando descaradamente o traseiro na direcção de 
Miguel e, sempre sincronizada com a cadência da melodia, endireitou-se e atirou-o para 
longe, num gesto brusco mas que conteve uma bela carga erótica. 
Carla olhou por cima do ombro, só para confirmar que Miguel se encontrava a apreciar 
o espectáculo. Sorriu ao atestar que só lhe faltava um pouco baba para perder por 
completo a compostura. 
Ele estava extasiado pela divina imagem que lhe entrava pelos olhos: Os saltos altos 
sublinhavam a elegância das pernas, cobertas por umas sensuais meias escuras, 
semi-transparentes, encimadas por um cativante trabalhado de renda, preso pelas ligas 
que as uniam ao cinto. O fio dental e o soutien eram as restantes peças que restavam no 
corpo de Carla. Certamente ficariam para o final da actuação. 
As molas que ligavam as meias ao cinto foram soltas, e este começou lentamente a ser 
puxado para baixo pelos polegares de Carla. Ela foi curvando as costas aos poucos, 
fazendo questão de manter as pernas esticadas e os seus glúteos bem pertinho da cara de 
Miguel. A sua anca mantinha um delicioso rebolar, quase enlouquecedor. Miguel era um cavalheiro, de facto. Ardia em vontade de lhe tocar, mas nem por um instante ousou arriscar uma atitude que pudesse pôr em causa o resto da fantástica representação. 
Quando o cinto chegou ao chão, os peitos de Carla quase que estavam colados aos seus 
joelhos, numa fantástica demonstração da sua elasticidade. Ela tirou o cinto, rodou o 
corpo e atirou-o a Miguel, que o recebeu com um sorriso aberto. 
Carla aproximou-se e curvou o corpo sobre ele, aproximando os seus lustrosos lábios 
dos dele e, pousando as mãos sobre os joelhos, afastou-lhe descaradamente as pernas, 
revelando uma brutal erecção. 
- Olha quem acordou! – Brincou ela. 
Miguel não conseguiu evitar que surgisse um rubor no seu rosto, como se se sentisse 
envergonhado. 
- Não tenhas vergonha, meu lindo… Agora já é tarde demais para isso! – Disse, enquanto soltava uma piscadela de olho. 
De seguida, pegou na gravata e segredou: 
- Gostei deste pormenor… Mas mais tarde, vais ficar tão quente, que nem esta peça vais 
querer sobre o teu corpo – Gracejou. 
Então, puxando o artefacto com suavidade mas de um modo convicto, ordenou: 
- Anda daí! Preciso dessa cadeira, agora… 
Miguel obedeceu e deixou-se guiar através do manto vermelho, até aos pés da cama. 
Então, Carla fê-lo sentar, apontou-lhe o indicador direito e rematou com um sorriso: 
- Fica aí quietinho a apreciar… 
 continua...

domingo, 16 de janeiro de 2011

Early Sunday Hadith...


música: Libera me por The American Boychoir

Quando empurrei a madeira velha, a grande portada abriu com um rangido, pela qual escorreu um fio de luz branca, revelando em reflexos prateados o interior da igreja sombria e lúgubre. Ela, esvoaçando no seu vestido vermelho, segurava-me com firmeza pelo pulso, com agressividade até, e os tacões dos sapatos ecoavam pelas paredes decoradas por frescos, estátuas de santos e quadros de arcanjos, um deles penetrando uma mulher com um sabre, numa perfeita analogia dos valores cristãos. Caminhava comigo pelo braço com passos decididos, bamboleando os longos caracóis negros sobre as costas, que eu com os olhos seguia, hipnotizado, de cá para lá, de lá para cá, em direcção ao altar, de onde o Cristo crucificado nos observava. Jurei que ele, com aqueles olhinhos mortiços, adivinhava as nossas intenções na casa do senhor, seu pai. As sombras que dançavam nas paredes lambiam as estátuas como línguas negras, brincando com a minha mente; vi o Cristo tentar saltar da cruz, pronto a tomar uma atitude, arregaçando as mangas, se as tivesse, como um porteiro mal-encarado.

À frente do altar, estacou de forma abrupta, ecoando a voz pelas paredes numa gargalhada, rodando sobre si mesma. Segurei-a pela cintura com firmeza e puxei-a para mim, de costas. Pressionando-a contra o meu corpo, colando-o ao dela, percebi que os saltos lhe concediam aquele dedo de vantagem sobre mim; ainda assim, afastei-lhe o cabelo com um puxão, expondo o pescoço branco e sem marcas. Ela sorria, desde a jugular, perversamente. Se tivesse comigo uma capa negra, tê-la-ia cingido em treva dentro daquele espaço já envolto em penumbra; como um vampiro de caninos afilados, quis fechar o maxilar sobre a carne imaculada, mas mordi o ar num bater de dentes reverberante, quando rodou sobre o corpo e se libertou, provocando-me com o dedo que agitava à frente do meu nariz, «nãnãnã», à medida que recuava para o altar. Fiquei a observá-la enquanto se passeava em volta deste e sentia com os dedos o toque acetinado que recobria a pedra fria. Em torno dela, havia fruta, quilos de fruta espalhada; maçãs, morangos, cerejas, ameixas, uma aguarela de cores açucaradas que contrastavam com o negrume sepulcral e religioso que nos rodeava. Poderia ela ter lá estado antes? Estaria eu a caminhar para uma armadilha? Sentou-se, rodeada por velas, umas baixas, outras altas, todas se derretendo no torpor nocturno, e cruzou a perna num movimento lento e deliberado. Fechou o polegar e o indicador sobre um morango vermelho e intumescido, levou-o à boca, trincando-o, luxuriosa, deixando que o sumo escorresse pelo canto dos lábios e queixo, como uma torrente de sangue fresco. Os meus músculos ficavam rígidos só de ver a figura dela recortada no altar do templo. Levantou os olhos castanhos vivos, brilhantes do reflexo das pequenas chamas que dançavam com as sombras e pontilhavam o espaço, num fulgor de provocação, chamando-me para junto de si.

Saltei o degrau que me separava do altar, transpirando, efervescente, apesar do frio tumular, sentindo o calor que emanava do seu corpo, o sangue pulsar-lhe nas veias, sorvendo o ar impregnado do perfume dela, arquejante. Lançou as garras afiadas ao meu casaco e puxou-me, despindo-me num movimento brusco, cravando-me os dentes no peito. Com uma cereja inchada, de um vermelho negro, acariciando-a entre os dedos, passeou-a pela minha testa e nariz, até chegar à boca, não me permitindo que a mordesse, antes esmagando-a contra os meus lábios; besuntou-me o queixo, empurrou-me para longe e riu. Com uma passada que ecoou como um martelo que cai sobre pedra, devorei os passos que nos separavam; as suas pernas fecharam-se em torno da minha cintura com a força de tenazes, ora afrouxando o aperto, ora entesando as coxas, fazendo as minhas ancas irem e virem em movimentos pendulares. Subi as mãos famintas pelas ancas dela, apertando-as com as unhas, e arranquei-lhe o vestido pela cabeça, despenteando os cabelos longos numa explosão de negro. Ao mesmo tempo que, sôfrego, a libertava do aperto curvilíneo do vestido, ela rasgava-me a camisa pelos botões, implacável, cravando as unhas vermelhas no meu peito e descendo, com força. Sabia que ficava marcado facilmente e dava-lhe gozo deixar a sua marca como se para ela não passasse de uma peça de gado. Esmagou um cacho de uvas com a mão e esfregou-o no meu peito, lambendo-o, num riso deliciado. Olhava-me nos olhos com lábios cheios que se desenhavam num sorriso malicioso. Puxei-lhe o rosto apertando-lhe a mão no pescoço. Reagiu com um suspiro que se espalhou pelo espaço vazio, frio e morto; só os nossos corpos libertavam calor suficiente para aquecer o mundo à nossa volta, o vapor da nossa respiração quente entrelaçava-se e esbatia-se na atmosfera, à medida que os nossos lábios se beijavam, chupavam, mordiam e as mãos trocavam de corpo, numa exploração atrapalhada e ansiosa, como se não houvesse dedos suficientes para percorrer todos os espaços. Sem aviso, como uma gata assanhada, enterrou os dentes no meu lábio. Chupei o sangue e, despeitado, ansiando por aquele pescoço, puxei-lhe a cabeça para trás, colocando-a sob o meu jugo, e contemplei-o, enfim à minha mercê. Era branco, imaculado, e só o Cristo que nos observava sabia o prazer que teria em deixar-lhe a minha marca. Mordi-o com força, chupando a pele com os dentes e lábios. Queria arrancar um bocado de carne. Com as mãos fechadas na minha cabeça, empurrava-me para baixo; passando-lhe as unhas nas costas, lambia-lhe os seios e os mamilos em pequenos movimentos circulares, prendendo-os com os dentes, puxando-os com os lábios; as mãos dela na minha cabeça a encresparem-se de excitação revelavam-me que gostava e os puxões no meu cabelo eram como chicotadas que me acicatavam a continuar. Ela gemia cada vez mais alto e na minha cabeça só pensava em foder, ali, em cima do altar, com os anjos a fazer de público e os santos a servir de juízes. Nada mais me interessava, só ela, nua no altar, a esmagar-me com as pernas contra o corpo transpirado e agora pegajoso das ameixas negras que mordia e espalhava pelo peito dela com a língua e as mãos, arroxeando a pele branca.

Libertei-me do seu aperto e deitei-a. O cabelo negro espraiou-se pelo altar, caindo em cascatas espirais; segurei-lhe uma perna e mordisquei-lhe a coxa, descendo lentamente com os lábios, e foi então que, abrindo-lhe mais as pernas, libertando-a do freio, encostei a língua toda, sentindo uma descarga eléctrica atravessar-lhe o corpo, da ponta das unhas de sangue até à ponta dos fios do cabelo; saboreei-a com a língua, que se mexia em círculos, de cima para baixo, explorando-a de todas as formas possíveis. Senti-a cada vez mais quente e molhada; deixava-me louco a forma como se contorcia e fazia pressão na minha cara. Gemia alto, fazendo com que toda a igreja gemesse em uníssono, num eco que ressoaria nas paredes muito depois de irmos embora, servindo de consolo a viúvas solitárias e companhia a jovens virgens. Como se fosse minha dona, mandou-me parar e, autoritária, ordenou-me que me levantasse. Ergueu-se de um pulo, sobre os saltos, e empurrou-me para o altar; trepou para cima de mim. Os seus olhos felinos e quentes não escondiam o desejo que tinha de me foder, tão forte como o meu. Montou-me com segurança, com controlo total, queria deixar bem claro que era ela quem mandava ali, definindo a que ritmo deveria mexer as ancas e erguer o corpo para melhor me torturar. Cravei-lhe as unhas numa nádega e rodeei-lhe o pescoço com uma mão, entrecortando os suspiros e os gemidos, forçando-a a acelerar, e desci pelo peito, apertando-lhe os seios, puxando-a para mim para lhe morder os lábios, doces da mistura de saliva e sumo, enquanto a sentia subir e descer sem parar. As paredes da igreja transpiravam e a própria madeira do chão e dos bancos rangia, frenética, como se fosse um ser vivo em êxtase. Os santos benzeram-se e o Cristo virou a cara para o lado… espreitando pelo rabo do olho. Os nossos corpos nus, doces e lambuzados roçavam-se um no outro e as peles em ebulição devoravam-se ao toque, extasiadas; com ela tão perto, os cabelos explodindo na minha cara, lambia-lhe a orelha, explorando cada recanto com diligência, e chupava-lhe o pescoço até ficar roxo, ignorando os seus falsos queixumes. Todo o seu corpo pedia mais, mais, mais, o que só me atiçava para lhe dar tudo o que me pedisse, tudo, numa rendição incondicional. Quem passasse lá fora, fugiria para se esconder em casa, trancaria portas, correria o ferrolho das janelas, jurando por todos os santos que, naquela igreja, os espíritos se exorcizavam. Ela gemia, eu arfava, ela mordia, eu suspirava, num ritmo frenético. Voltou a erguer o corpo; forçava-o para baixo e eu sentia que não havia forma de estar mais dentro dela. Deixei escapar um gemido que se repercutiu com os dela pela atmosfera. Rindo com os olhos, divertida, como se tudo não passasse de uma brincadeira, alcançou uma maçã vermelha; com um sorriso sedutor de Eva no paraíso, trincou-a e beijou-me: senti as nossas línguas quentes e carnudas enlearem-se uma na outra em círculos desenfreados, à medida que a maçã se derretia na nossa saliva. Chupou-me a língua e saboreou a fruta, lambendo os lábios. Começou lentamente a descer pelo meu peito, pela minha barriga, que se contorcia e encolhia ao toque quente dos lábios e da língua. Sentia que me engolia, à medida que os seus lábios subiam e desciam com tanta força e sucção que parecia querer arrancá-lo com a boca. O movimento da cabeça, os lábios que comprimiam e afrouxavam o aperto, a língua que se debatia, tudo me deixava com os nervos à flor da pele; sentia que me faria vir neste momento só de me tocar com uma pena. Ela sabia-o bem e jogava com isso, a cabra! Segurei-lhe os cabelos e puxei-a para o meu lado, deitando-a de costas para mim. Passeei as mãos e as unhas pelas coxas dela, marcando-as com cinco arranhões vermelhos e borrando-as com uma massa pastosa de açúcar. Já não havia ali fruta ou formas, tudo era uma massa de carne e sumos doces; com os dois sobre o altar, transpirados e lambuzados, sob escrutínio divino, penetrei-a, pressionando o seu corpo contra o meu com as mãos que se cravavam nas ancas e no rabo. O corpo nu e quente exercia uma atracção irresistível. Apertei-a com mais força, enquanto me mexia por trás dela, mordendo-lhe as costas até sentir a pele clara contrair-se num arrepio. Roçava o corpo num frenesi, mexendo-se com envolvência serpenteante; rodou o pescoço, os seus lábios molhados e quentes procuravam, ávidos, os meus. Apertei-lhe um seio, apertei e puxei o mamilo com os dedos, mordeu-me os lábios, entre suspiros entrecortados. O seu orgasmo era iminente e eu cravava os dentes no meu próprio lábio, para aguentar, para adiar o que se tornava cada vez mais inevitável. A um ritmo cada vez mais rápido, com os corpos em modo automático, senti o seu orgasmo, quando, no limite do suportável, lhe puxei o cabelo e enterrei os dentes no pescoço, descontrolado pelo modo como me excitava ao foder com aquela intensidade. Cada vez mais depressa, mais forte, mais fundo, explodi dentro dela, com a pele a contrair-se e a distender-se, o cérebro a forçar as paredes do crânio, num fulgor tão intenso que nos ameaçava consumir. Parámos, ofegantes, com o altar a escorrer suor e açúcar, os santos a fazer o sinal da cruz e a Virgem com uma mão sobre a cara e a outra cobrindo os olhos do Menino. As velas consumiram-se e caímos na treva prateada do fio de lua que escorria do exterior.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

provocadoras colaborações

Para além de todos aqueles cujos comentários vão enriquecendo este espaço, está mais que na altura de criarmos um espaço de destaque e agradecimento por todas a colaborações generosas que temos recebido, aproveitando para renovar aqui o apelo a que novas manifestações de qualidade possam por aqui vir a ser expressas.
Esperando que não nos estejamos a esquecer de ninguém, segue então a lista por ordem cronológica (que irá sendo sempre actualizada) com as respectivas ligações:

Bloguemate – Ainda estamos para saber por que raio apagaste o belíssimo blog que tinhas. Mas ainda não perdemos a esperança…
provocação gratuita 4


Ant – tens andado desaparecido, mas o pessoal não te esquece!
provocação gratuita 7


Marinheiro Solitário – companheiro de alguns mares navegados, agora já não tão solitário! provocação gratuita 9

H – sempre de olho na luz, gratos pelas fotos!
cumplicidades

será que me imaginas?


Muito Querida – apareceste com muita vontade e… “palavras quentes”! Começaste aqui e acabaste por encontrar o teu próprio espaço, com uma pequena ajuda da tribo ;)
Querido editor: as palavras que nunca te direi
Provocação gratuita 12


Cereja – começaste por nos chamar a atenção com os teus comentários em brasa e depois foste dialogando e deixando por aqui um sumarento rasto de talento! És uma verdadeira inspiração!
Tangerina
provocação gratuita 21
como o peixinho peixinho vermelho que fazia amor na piscina a 90 km/h…
Diálogos (im)prováveis VII


Androcur – desapareceste sem quase deixar rasto, mas ainda a tempo de nos emprestar uma foto…
Doce Tortura – parte 4


Rafeiro Perfumado – pela boa disposição, sempre! (apesar de recentemente te teres reformado, esperemos que temporariamente, da blogoesfera…)
provocação gratuita 22


Alexandre Reis – agradecidos pelo poema!
Pé de cereja


Otário – há quem continue a achar (carpe) que és uma grande promessa do Humor. As tuas “otarices gratuitas”… ahahaahah!
provocação gratuita 25


Cão Sarnento – Ladraste e contagiaste-nos com a tua sarna e talento para os rabiscos… fica a faltar um texto, quem sabe, um dia destes?
provocação gratuita 30
Visão
Olhar
Temet Nosce 


Sleeping Angel - gracias pela ajuda na tempestade cerebral!
Provocação gratuita 40


Fabulastic uma sensibilidade estética ímpar aliada à inteligência e bom humor fabuloso e fantástico!
provocação gratuita 47


Shiuuuuuuuu – serviço público de segredos e confissões, muito bom!
Provocação gratuita 48
– esta que publicamos aqui, deixou de existir por lá, não fazemos ideia porquê…


Michiko Shiri – a tua forma carinhosa e tesuda de olhar para o lugar mais incompreendido e desprezado do corpo humano é ímpar!
provocação gratuita 49


Ménage à quatre – a vossa frase de abertura deu uma excelente provocação gratuita!
provocação gratuita 51

A. Pereira + António F. Silva
~
- o mais longo conto aqui publicado. Um dia destes ainda vira argumento de cinema, vão ver!



António Sabão – pediste um texto para pintar e o resultado foi o que se vê!
Stargazer – um agradecimento pelo que fizeste com o “poema”!
Vermelhejar


Papoila Rubra – é sempre bom andar a passear pela blogosfera e encontrar provocações gratuitas a chamar por nós…
provocação gratuita 52


Zaitoichi! – gracias pelo toque no texto que virou poema! (carpe)
unidade


V – um olhar íntimo, sensível e perspicaz.
que bem que se está ao sol I
crossing swords…
um docinho
Corpos suados (5)


Trolha – um provocador nato!
provocação gratuita 62


Vontade de – é o que se chama um belo começo! Vontade de… continuar?
Olhar… (5)


Francisco del Mundo – gratos por te lembrares deste nosso cantinho para nos honrares com a tua presença!
Eu, tu e… eles
Morde-me


NM – sensibilidade à flor da pele...
provocação gratuita 63
Experiências...


Toque - quando se apela à participação, há quem responda pronta e profusamente...
Corpos Suados
Nuno Miranda Ribeiro - a escrita mais estimulante que eu já encontrei na blogosfera! (carpe)
Floresta


Bernardo Lupi - Desististe do teu blog, mas continuaste o conto por estas bandas. Eu diria que fizeste muito bem, és sempre bem-vindo!
Magda


António Gil - um talento nato. Pena não colaborarmos mais...
Diálogos (im)prováveis X


Helel Ben Shahar - Uma escrita quente, inteligente e apaixonante, esperamos poder publicar aqui mais exemplos disso mesmo!
Early Sunday Hadith


Just a Girl - Apenas uma rapariga que decidiu colaborar connosco. ci aspettiamo una collaborazione in italiano! ;)
Junto ao meu ouvido


Pink Poison - Entraste logo a matar, com imenso tesão e  assim tens continuado...
Pink's Photoblog
Tenho fome de ti

diálogos
diálogos (improváveis) XII


Tavita - Chegou de mansinho, mas não foi por isso de que deixou de arrasar. Vamos ter o prazer de publicar mais coisas tuas?
Paixão Proibida

Lúcio Ferro - O tempo que eu andei a chatear-te a cabeça para publicar isto! Depois desisti e quando menos esperava...
diálogos (im)prováveis) XI

E… last but not least…
PEKENINA – estiveste connosco desde o início, comentando sempre. Tornaste-te numa colaboradora regular, uma verdadeira Provocadora!
Agradecemos também a todos os artistas a quem vamos pedindo emprestadas imagens, frases, música, vídeo para tentar dar alguma dignidade aqui ao tasco.
Para que possam ser facilmente visitadas, fica o link de destaque na barra lateral.
Aproveitamos para mais uma vez apelar ao talento que anda por aí para partilharem connosco e com o resto do mundo os vossos prazeres!

domingo, 17 de agosto de 2008

gelo escaldante

Mais um fim-de-semana de trabalho intensivo. Já faltou mais para terminar o curso e desaparecer de vez... O laço aperta-me o pescoço, incomoda-me hoje mais do que o costume, é um eufemismo para forca. O calor é insuportável, o ar condicionado no máximo não dá conta do recado. Vou enchendo o balde de gelo com vontade de me enfiar na arca, enquanto a chefe me grita ao ouvido que o gelo já devia estar no copo do senhor da mesa 9 há 3 minutos. Pego na toalha, respiro fundo e preparo-me para aturar mais um cliente insatisfeito pronto a descarregar o seu mau humor de pessoa frustrada em cima de mim. Mas não foi isso que aconteceu. Assim que saí a porta de serviço, ela estava a levantar-se da mesa. Não era muito alta, mesmo com os saltos, mas sobressaía no seu vestido vermelho escuro simples, colado ao corpo, onde transpareciam algumas curvas apetitosas. A melhor parte deste trabalho é isto: poder servi-las, aspirando os seus perfumes e espreitando os seus decotes. Estamos sempre a competir por mesas destas e deixamos as mulheres servir as mesas dos homens que elas acham piada. Isto quando a chefe nos deixa fazer esta gestão, claro, e não estão homens e mulheres interessantes na mesma mesa, caso em que temos de tirar à sorte ou tentamos servi-los à vez.
Mas esta mulher de vermelho... pele clara, cabelo escuro, curto, impecavelmente penteado e brilhante, colado ao crânio. Uns lábios vermelhos de cereja e uns olhos... ela olha directamente para mim enquanto me aproximo e o calor aperta. Ela diz "Que calor!" com uma voz tão quente que eu sinto o gelo a derreter mais depressa. Nisto, desata um laço na parte detrás do pescoço e o vestido desliza rapidamente, descobrindo-lhe o corpo por completo, caindo aos seus pés e revelando a sua total nudez. Tem a atitude das ninfas do Manara e algumas curvas da Druuna do Serpieri, um pouco menos sumptuosa, mas equilibrada. Eu paralizo, e perante o meu espanto, ela aproxima-se mais, olhando para o balde que trago nas mãos, e retira lá de dentro dois cilindros. Sorri, e com a outra mão disponível, faz-me subir o queixo que entretanto tinha caído, e pisca-me o olho, voltando costas. Começo a ver as nádegas dela a bambolear lentamente enquanto se afasta um pouco e vai passando o gelo pela face, pelo pescoço, pelas axilas e depois pára. Encosta-se à parede e faz o gelo deslizar pelo peito, endurecendo-o, despertando os mamilos. Vai arredondando as arestas dos cilindros gelados, que passam do estado sólido a líquido ao contacto com a pele escaldante, deixando um rasto de pequenas gotas que vão escorrendo e pingando. Desce pelo centro até ao umbigo, e por lá se detém um pouco, a arrefecer o ventre. Sinto o sangue a descer vertiginosamente, reparo que estou completamente em pé, e isso nota-se bem nas minhas calças, mas nem vale a pena disfarçar porque ninguém está a olhar para mim, está tudo de boca aberta a olhar para ela, a tapar os olhos às criancinhas. Sinto o suor a escorrer e só me apetece enfiar o balde de gelo pela cabeça abaixo. Ela desce as mãos pelo corpo, esfrega o gelo pelo interior das coxas, pelas virilhas e pelo rego das nádegas, e em gestos coordenados e simultâneos, faz desaparecer o gelo dentro dela. Aquilo deve ter-lhe provocado imenso prazer, porque pouco depois o seu corpo estremece todo por entre gemidos, o peito sobre e desce rapidamente devido à respiração acelerada, ela fecha os olhos e abre a boca, soltando um grito desalmado e o som ecoa na minha cabeça e faz-me querer ainda mais penetrá-la e ajudá-la a derreter o gelo.

Escorre-lhe algum líquido por entre as pernas, o único vestígio da água que já foi gelada e agora é quente.




Acordo encharcado em suor e esperma. Foda-se, devia ter percebido que era bom demais para ser verdade... mas mesmo assim, foi bastante real!

imagem: getty images

sábado, 12 de julho de 2008

a cereja, a boca e o amiguinho tímido: uma conversa

Uma cereja rubra e polpuda encontra uns lábios igualmente polpudos e suculentos. Percorre a sua maciez firme e elástica, aloja-se na casinha que se forma à sua medida.
- Que quentinho e confortável, que bem que se está aqui!
Então repara que alguém a observa no andar de cima. É um ser tímido, enfiado no seu capuz de carne tenra.
- Olá! - diz a cereja. - Queres brincar comigo?
Ele sorri timidamente e ela sai da casinha e visita-o, cumprimentando-o ao de leve. Nessa altura, ele sai de dentro do capuz e começa a revelar a sua natureza libidinosa.
- Vem cá, esfrega-te em mim, deixa-me provar esse suco que te envolve! - diz ele inebriado pelo aroma da casinha da cereja e pela textura lisinha e firme da sua nova amiga. E ela faz-lhe a vontade, e riem-se os dois perdidamente.
É então que uma boca de lábios igualmente macios e elásticos entra em cena. Do seu interior, espreita uma língua sedenta, que percorre os lábios antecipando o que se irá passar. A boca começa a passear na periferia da casinha da cereja, a depositar beijos nas suas paredes, a arrastar a língua por aquela textura macia. A cereja e o seu amiguinho vêem-na e chamam-na, pedem para ela se juntar à festa.
- Vem, anda cá morder-nos! - dizem os dois suplicantes.
A boca demora-se. Ela gosta de os fazer esperar, pedir, suplicar. E eles não se fazem rogados. Quanto mais ela se aproxima, mais eles gritam, e pedem, e suplicam. Ela morde os lábios que os envolvem e beija-os devagar.
- Anda lá, vem cumprimentar os teus amigos, vem visitar a casinha que tem sempre as portas abertas para ti, vem tirar-me o capuz e conhecer esta nova amiga cereja!
A boca não resiste mais e toca ao de leve no amigo que se lança a ela aos beijos. Cumprimenta a cereja e bebe o suco que a envolve, sorve-o com os lábios e espreita para dentro da casinha. Os dentes roçam ao de leve no amigo e lançam-se à cereja mordendo-a. Ela gosta, ela grita enquanto é esmagada e comida pelas duas bocas. A boca a saber a cereja continua a esfregar o amigo, a pressionar, a tilitar, faz-lhe cócegas e ele ri-se, ri-se que nem um perdido, e dá gargalhadas estridentes que o fazem vibrar todo e contagia todos à sua volta. A língua lambe-o lentamente, despede-se com um beijo e parte para beijar a outra boca do corpo, dando-lhe a provar um sabor único, com um travo de cereja. :)

terça-feira, 1 de julho de 2008

de onde veio o peixinho...

"A tua beleza submerge-me, submerge o mais fundo de mim. E quando a tua beleza me queima, dissolvo-me como nunca, perante um homem, me dissolvera. De entre os homens eu era a diferente, era eu própria, mas em ti vejo a parte de mim que és tu. Sinto-te em mim. Sinto a minha própria voz tornar-se mais grave como se te tivesse bebido, como se cada parcela da nossa semelhança estivesse soldada pelo fogo e a fissura não fosse detectável."
Anaïs Nin, A Casa do Incesto

Este é o meu excerto preferido do texto que inspirou a cereja aqui

Download do texto completo e outras obras da mesma autora aqui

sexta-feira, 20 de junho de 2008