quinta-feira, 31 de outubro de 2013

swingin' (in the rain) parte 44

continuação daqui | início

Estava um calor convidativo a uma visita à piscina e a Yin fez-se a ela, estreando-a nessa noite estrelada. Nadar de costas sem roupa a olhar as estrelas confirma-se como um grande prazer. Pouco depois, o Yang juntou-se à festa. O casalinho que nos fazia companhia não se quis atrever de início, mas lá para o segundo ou terceiro banho, conseguimos convencer a menina a vir connosco, apesar de se queixar de que a água estava muito fria. Ela tem umas maminhas pequeninas que fazem lembrar a Vénus do Botticelli. Ele não se quis juntar a nós, ficou apenas a observar. 
Dançámos um pouco na pista, mas realmente estava-se melhor cá fora. O Dono do Pedaço apanhou a Yin a jeito e assediou-a contra a parede. Apanhou-a de surpresa e atrapalhou-a um bocado, foi giro, em jeito de retaliação pelo que se tinha passado no início da noite. Pouco depois, o nosso conterrâneo vindo sabe-se lá de onde, também se meteu com ela, levantando-a do chão e deixando-a a espernear no ar. Ficou surpreendida porque ele é magrito e não pareceu fazer grande esforço para pegar nela, que não é propriamente o cúmulo da elegância. Não percebeu de onde veio aquela vontade de lhe tirar o chão, mas enfim, podia ter-lhe dado para pior. Pouco depois, quando voltámos para respirar cá fora, fomos ao banho com ele e a sua digníssima esposa, que nunca tínhamos visto ir ao banho porque vem sempre com indumentárias bastante elaboradas, desta vez não se fez rogada. Muitas mulheres não se deliciam na piscina com receio de estragar a maquilhagem, o que parece uma desculpa parva. Havia um casal à beira da piscina com muito bom ar, apesar de já serem cotas, eram bastante enxutos. A mulher estava super elegante, com um vestidinho branco e preto cai-cai e saia rodada, estilo anos 50, não quis ir tomar banho, mas o homem não se fez rogado e acompanhou-nos. Não chegámos a saber quem eram e também não perguntámos, a curiosidade da Yin não se sobrepôs à timidez.
Fomos embora pouco depois deste último banho de piscina, rumo a uma certa roulotte de bifanas super deliciosas, algures numa localidade que os nossos convidados não sabiam bem qual era, mas que supostamente sabiam o caminho. Depois de muitas voltas com muitas curvas e contra-curvas, com a Yin quase a provocar a indisposição da outra menina, lá demos com o sítio. Eram 6 da manhã e estava a fechar... o que nos valeu foi um café um pouco mais à frente, com pãozinho acabado de fazer, ainda quente, a derreter manteiga...

No dia seguinte rumámos à praia e encontrámo-nos novamente e também com os Duques, mas o tempo estava mau para banhos de sol, pelo que nos ficámos pela esplanada. Apesar do (muito) sono, ainda a recuperar da noite anterior, não deixou de ser uma tarde agradável que se prolongou numa jantarada com os Duques. Tentámos fazer o salame de chocolate branco com bolachas de cacau mas o resultado esteve bem longe do que a Yin tinha imaginado. No entanto, o sabor estava bom e não foi pelo aspeto que sobrou algum pedaço.



continua...

terça-feira, 29 de outubro de 2013

grokking* the pole

Texto inspirado no livro Conscientização escrito e oferecido pelo Ulisses

"Por una cabeza" de Carlos Gardel intrepretado por Brest Chamber Orchestra

Andreia estava a treinar no varão ao som do tango e mostrava a Céu um movimento inventado a partir de algo que tinha visto num vídeo. Céu aplaudiu e mostrou-lhe no outro varão como poderia utilizar a gramática da dança, fazendo a ligação com outros movimentos. Andreia incorporou ambos e continuou a construir frases de movimento ao som do tango, despiu o top e parou abruptamente, em jeito de pergunta. Céu sorriu, percebeu a conversa que ela queria ter e respondeu à provocação com a mesma linguagem. Tomou-lhe o varão e construiu metáforas ondulando-se ao ritmo da música, deixando cair a camisola e revelando a exclamação do seu peito, à desgarrada. Andreia riu, gostou da resposta dela, mas está de calças justas de algodão e não consegue descortinar uma forma elegante de as despir ao mesmo tempo que desafia a gravidade, pelo que as despe encostada ao varão, fazendo-as deslizar devagar pelas pernas sem as fletir, encaixando o varão entre as nádegas e descendo-o de seguida pelo meio das costas. Céu pega numa das rosas vermelhas da jarra e coloca-a na boca. Espera que Andreia termine a descida e aproveita uma perna fletida e um ombro para trepar por ela acima. Seguindo o ritmo da música, mostra-lhe como despir os calções com uma mão, enquanto a outra segura o varão nas alturas e fica lá em cima, de cabeça para baixo. Andreia olha para cima boquiaberta, mas não dá o braço a torcer, faz-se ao varão com um pino, segura-se pelas pernas, ergue o tronco até encontrar-lhe a boca de pernas para o ar e beija-a devagar, roubando-lhe a flor. Percorre-lhe com a rosa o rosto e o peito, segue até ao umbigo, até o corpo lhe suplicar para que o livre da tanga. Termina assim o tango e a tanga. Estão ambas nuas, entrelaçadas uma na outra, com a verticalidade inabalável do varão pelo meio. Os movimentos sucederam-se espontâneos e fluidos, ora muito lentos, ora muito rápidos, com todas as cambiantes de velocidade que o tango exige. Não são precisas palavras, apenas gestos. Sabiam ambas onde iriam chegar, faltando apenas saber como. 
As pulsações estão aceleradas, elas fazem aquilo tudo e até parece que não custa nada, mas é um esforço físico tremendo, horas e horas de treino, muita dor para chegar ao topo. Não será apenas por isso que pulsam tão rápido, nunca estiveram assim, tão nuas, tão próximas uma da outra. O suor escorre-lhes pelos corpos torneados e fá-los brilhar, realçando as formas e os músculos que se movimentam ao ritmo acelerado da respiração. Tocam-se em mútua exploração. Humedecem e aquecem o varão apertado entre as coxas e começam a escorregar devagar, abraçadas num beijo quente, ou melhor, são muitos pequenos beijos que parecem um, com as línguas dançantes lá pelo meio, entrando e saindo da boca, explorando lábios, ombros, pescoços, orelhas, mamilos e arredores. Luxúria pura. Céu posiciona-se de cabeça para baixo e procura o sexo de Andreia, enquanto esta faz o mesmo. repetem o que fizeram na boca, só que estas bocas são maiores, permitem uma exploração mais ampla, nariz e queixo também participam, até ficarem húmidos e brilhantes, lambuzados, a escorrer de prazer. Os sexos latejam, os membros tremem até à vertigem do limite das forças. Andreia solta Céu e escorregam ambas pelo varão lubrificado até ao chão. 

Esfregam-se, penetram-se, amam-se, entregam-se à inevitabilidade do clímax e assim continuam até a inquietação ficar quieta. É a consequência lógica dos acontecimentos, agora já sabem o como e não têm dúvidas quanto ao porquê.



quarta-feira, 23 de outubro de 2013

swingin' (in the rain) parte 43

continuação daqui | início

Os Sem Preconceitos ligaram-nos a perguntar se queríamos ir à praia com eles no primeiro Domingo das nossas férias. Nós tínhamos convidado uma amiga para jantar no sábado, mas ela acabou por se esquecer e lembrámo-nos de os convidar para vir jantar connosco. Aceitaram de imediato e convidámo-los também para ir até ao clube, convite esse que também foi aceite. E assim, sem esperarmos, passámos de uma noite sem planos para um serão bastante preenchido.
O jantar foi super agradável, o que normalmente acontece quando jantamos fora cá dentro, no quintal. Estava uma noite de Verão muito boa, a ementa foi uma saladinha de camarão e fruta com molho de alho, regada com sangria de vinho frisante rosé e champanhe e a sobremesa foi mousse de chocolate branco com fruta.


Rumámos ao clube em amena cavaqueira. Eles já conheciam o espaço, pelo que nos limitámos a descrever com alguma brevidade as nossas experiências e as pessoas. O Yang comentou algo acerca de apanhar o Dono do Pedaço a jeito e surpreendê-lo e quando chegámos, começaram os dois com uma conversa parva qualquer que acabou com um beijo na boca e uns apalpanços que deram algum tesão à Yin, que tentou incentivar a coisa ao máximo. Os Sem Preconceitos fartaram-se de rir, lembrando a conversa que tínhamos tido no carro.


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sexta-feira, 18 de outubro de 2013

swingin' (in the rain) parte 42

continuação daqui | início
Ligámos a um casal nosso conterrâneo com quem já nos tínhamos cruzado o mês passado num café da cidade. Chamemos-lhe Devassos. São dos poucos que dão a cara nos sites, mas apesar de serem da mesma idade que a Yin, andaram em escolas diferentes e não se lembram de alguma vez se terem cruzado. A conversa fluiu no café e ficámos com muito boa impressão deles. São batidos no meio e movem-se com bastante classe.
Convidámo-los para virem connosco assistir a um concerto ao ar livre no parque da cidade e eles aceitaram. Encontrámo-nos na esplanada do costume, eles trouxeram um dos filhotes, que andou a brincar enquanto nós trocávamos ideias.
O concerto foi muito bom, muito bem disposto, uma banda alentejana com imensa energia contagiante. Letras originais, interventivas, bem-humoradas, muito bom mesmo. Ainda ficámos mais um pouco à conversa na esplanada depois do concerto e ficaríamos a noite toda, não fosse o frio e o puto que já passava a hora de dormir. A conversa flui mesmo com eles, falamos sobre tudo, incluindo comida e chegámos aos doces. Eles falaram-nos em salame de chocolate branco e a ideia agrada-nos por demais e a Yin começa a imaginar as cores do salame invertidas, em que a bolacha é a parte escura e o chocolate a parte clara (o salame deles é com bolacha maria). A ideia fá-la salivar, teria de experimentar. Convidámo-los para jantar no dia seguinte, mas já tinham planos.

continua...

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

swingin' (in the rain) parte 41

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O Doce continuava muito metido com ele, estava cansado, tinha-se levantado bastante cedo e já tinha feito noitada no dia anterior. Claramente segue a mesma política do Yang, espera que se metam com ele para dar o troco. A Yin não estava muito para lá virada, e as dores não ajudavam. A Doce foi-se atrevendo, provocando-a a dançar. Ainda lhe deu uma dentada no pescoço ao que ela reagiu com um sorriso tímido, não encorajando, mas também não afastando, escudando-se na sua dor de estômago. O Yang gozava com ela, dizia que andava "com o rabo encostado à parede", a experimentar a situação inversa que aconteceu com a Amélie dos Envergonhados, quando a Yin lhe disse ao ouvido que lhe apetecia beijar-lhe o pescoço e ela respondeu com um sorriso tímido e atrapalhado. Mas ela foi bem menos insistente e atrevida. Pouco depois, os Doces foram embora e nós só ficámos por causa da mousse.
Enquanto não chegava o momento, tivemos oportunidade de assistir à performance dos Embaixadores no sofá, com acrobacias dignas de artistas. A Musa confessou ao Yin que tinha conseguido fazer um 69 invertido, seja lá o que isso for, porque o escuro não dava para ver muito a não ser que ela parecia estar de cabeça para baixo...
Finalmente tinha chegado o momento da mousse. A Yin, que é tão gulosa, apenas a provou, não queria provocar mais o seu estômago. Pediu desculpa à Musa, mas não a lambeu. O Yang ia retirando a mousse com uma colher, para não conspurcar a taça, mas a Musa alambazou-se até ficar saciada de mousse e deu a prová-la a quem quis. Houve um que mergulhou os dedos na taça e enfiou-os de seguida no sexo da sua amante. Pareciam estar bem divertidos, não foi nada que não tivesse passado pela cabeça da Yin, mas não naquele dia, com o estômago a reclamar.
Depois de bem lambuzada, a Musa descansou por fim e ainda sobrou sobremesa. Percebemos assim que a mousse lambida no corpo rende muito mais que servida em taças.


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sexta-feira, 4 de outubro de 2013

swingin' (in the rain) parte 40

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No dia combinado para comemoração do aniversário da Musa, a Yin não se estava a sentir muito bem com dores de estômago e o Yang anestesiava uma dor de dentes com álcool, mas não queriam faltar. O Yang tinha feito mousse de chocolate, a sua famosa mousse que sabíamos que a Musa estava doidinha por experimentar, mas como o seu Guardião não queria ir lá a casa, resolvemos fazer-lhe uma surpresa e levar a mousse até ela. Para além disso, tínhamos comprado um pingalim para lhe oferecer e a Yin esmerou-se a fazer-lhe um embrulho à altura, como aliás é hábito dela, com fita preta e prateada e papel celofane a condizer. Depois de ela tomar medicação para acalmar o estômago, lá rumámos ao clube.
Chegámos antes dos Embaixadores, combinámos com os Doces encontrar-nos por lá e chegámos ao mesmo tempo. Eles já tinham ido lá parar há algum tempo atrás, mas como não estavam registados, não os tinham deixado entrar. Agora como estavam inscritos no site e avisámos com antecedência, não houve problema.
A festa, tal como a Musa havia pedido, era inspirada no Coyote Bar, pelo que haveria muitos cowboys e cowgirls. Nós levámos apenas um chapéu alusivo ao tema, que fomos dividindo pelos dois. A Yin tinha um cinto entrançado de penas nas pontas e foi perdendo-as ao longo da noite. Começámos a fazer as devidas apresentações, a mostrar-lhes o espaço, enquanto eles nos contavam as suas aventuras por outro clube.
Os embaixadores chegaram algum tempo depois. Estava frio, não convidava a mergulhos, por isso mantivémo-nos no interior. Demos a prenda à aniversariante, que pareceu ter gostado bastante e não se fez rogada em começar a utilizar. Andou a distribuir pingalinadas e deu uma no rabo do porteiro que ressoou nos nossos ouvidos, de tão bem dada que foi.
Fomos para a pista de dança assistir a alguns espetáculos de strip. Primeiro uma cow girl com uma curtíssima mini-saia de pele de vaca malhada que andava a distribuir goles de bebida. Não chegou a despir a saia e tinha uma tanga por baixo. Depois o Dono do Pedaço fez-se ao varão e às duas aniversariantes. tinha um certo arzinho de frete, mas portou-se como um profissional e mostrou tudo o que tinha para mostrar quando tirou as calças coladas com velcro de um só gesto e deixou as meninas tocarem-lhe onde quisessem. Por vezes, consegue ser bastante sensual.


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terça-feira, 1 de outubro de 2013

ao Corpo!

Meu Querido Corpo, 
venho agradecer-te publicamente porque és fantástico e mereces. És capaz de suportar todo o tipo de violências que eu Mente, ou algum outro agente exterior exercemos sobre ti e continuar firme com o teu trabalho. Tens uma capacidade incrível de regeneração. Podem achar que isto não é nada extraordinário, que só estás a cumprir o objetivo para o qual foste evoluindo durante milhões de anos, mas eu cada vez mais me maravilho contigo, ó Corpo!


Nunca me preocupei muito contigo, até porque nunca me deste grandes problemas. Basicamente, sempre fui uma pessoa saudável, por pior que te tratasse, tu sempre respondeste bem. Não és nenhum modelo e tens as tuas falhas, já me chateei e rejeitei-te muitas vezes mas a verdade é que tu me serves perfeitamente, tenho tudo mais ao menos no sítio e do tamanho certo, muito pouco que me queixar e muito a agradecer. Normalmente só nos damos conta das coisas importantes quando nos faltam. Sou uma Pessoa extremamente sortuda e privilegiada por te ter a ti Corpo, com muita Saúde - um enorme tesouro - e estou plenamente consciente disso agora. 

Agora entendo a nossa relação sado-maso. Eu Mente, a Sádica, a que puxa por ti, tortura-te, quer sempre mais. Tu Corpo, o meu fiel Escravo que aguenta quase tudo, quase sem se queixar. Como tua Domina, tenho de perceber quais são os teus limites e respeitá-los. Para o bem e para o mal, somos inseparáveis, "na Saúde e na Doença, na Alegria e na Tristeza, até que a morte nos separe", por isso vamos tentar manter isto num nível de sanidade aceitável, ok? Nada de fanatismos ou obsessões, vamos minimizar a Dor e maximizar o Prazer. Tentar perceber ambos, pois já sabemos como andam sempre de mãos dadas, por isso há que saber doseá-los e no (muito) que depende de nós e mantê-los em níveis equilibrados.

Já paraste de crescer há algum tempo, e embora muito lentamente, estás a envelhecer, o que torna as tuas tarefas cada vez mais difíceis e demoradas. Ainda assim, espanto-me com a tua rapidez de recuperação. Só há pouco me dei conta da importância de te respeitar e manter-te saudável. O que até nem é assim tão difícil, basta compreender-te e para te compreender basta ouvir-te. Tu fazes-te ouvir muito bem, eu é que por vezes faço ouvidos moucos....

Por isso, Corpo, vou esforçar-me a sério para te respeitar e mimar. Tu bem mereces, pelo que tens aturado ao longo de todos estes anos. Vou continuar com o exercício físico regular e cuidar bem da alimentação. Vou meditar mais e stressar-me menos.  É tão simples, se não me deixar vencer pela Preguiça e pelo Comodismo, realmente consigo ver as mudanças e os resultados surgem quando me porto bem. E se bem que demoras algum tempo a reagir a estas coisas, o metabolismo é lento mas convicto, com resultados que se prolongam a longo prazo. Porque eu bem sei que no fundo, o teu bem-estar e o meu são um só. Tu e eu somos um só!

CORPO, és o melhor instrumento que me foi dado, o meu interface com o mundo, expressas, comunicas, executas quase tudo o que eu mando e normalmente, fazes um excelente trabalho.
Quando trabalhamos em conjunto, conseguimos cumprir o lema: "Mens sana in Corpore sano"! 

Agradeço-te Corpo, por todas as experiências que me proporcionas, as boas e as más também, porque acabo sempre por aprender alguma coisa com isso! Juntos, vamos tornar-nos numa Pessoa melhor, mais forte, saudável e com muito mais qualidade de Vida!

Imagem: O Pensador de Auguste Rodin. Foto surripiada daqui.