sábado, 31 de maio de 2008

Um beijo

O que nós fazemos por dar um beijo?

Um beijo delicioso, quente, profundo

que se transforma no toque da nossa língua

num percurso de prazer,

Mais beijos

Mais toques

Mais carícias

Uma delicia!

Aqui deixo um beijo meu provocante

sexta-feira, 30 de maio de 2008

quarta-feira, 28 de maio de 2008

para que serve o adultério?

ilustração: Charb



“Era bela como a mulher do outro.” Esta citação (que alguns atribuem ao anti-semita Paul Morand e outros ao judeu Groucho Marx, mas não é isso que se discute aqui…) resume bem a ambivalência humana. Pelo menos essa contradição que consiste em querer ao mesmo tempo uma só mulher… e um monte delas.

As sociedades polígamas (várias mulheres para um homem) oferecem uma forma (discutível) de resposta. Estima-se que representem cerca de 44% das sociedades humanas, contra 55% que são monógamas e menos de 1% poliândricas (vários homens para uma mulher, como acontece em África na índia ou no Tibete).

Polígamos há muitos. Mas, além disso, é preciso observar de perto os monógamos. Em primeiro lugar, os monógamos perfeitos, um só parceiro durante a vida, são raros: segundo inquéritos, os homens admitem ter tido 11 parceiras durante a vida, em comparação com 3,3 para as mulheres. Logo, as pessoas são, na sua maioria, monógamas num determinado momento, mas podem ser qualificadas de polígamas em série. E sobretudo, há o adultério. 20% dos homens e 11% das mulheres declaram ter cometido uma infidelidade nos cinco anos anteriores à data do questionário (será que as pessoas se enganavam menos antes de 1975, quando a lei francesa considerava o adultério como um delito passível de prisão?). Há pior. Os testes genéticos efectuados em vários milhares de pessoas revelam um número incrível de filhos cujo ADN difere do do pai legal: segundo os estudos, a percentagem de filhos adulterinos varia entre 1 a 10 % (por exemplo, 5,9% num inquérito inglês). De resto, as dúvidas quanto à paternidade à roda dos berços: não é por acaso que os psicólogos demonstraram que os comentários sobre o recém-nascido dizem sobretudo respeito às semelhanças com o Pai!

Woody Allen dizia que as únicas espécies fiéis eram os católicos e as pombas. Na verdade, há muitas outras (sim, eu sei, os católicos não constituem nenhuma espécie…). Pensa-se que existem cerca de 10% de aspécies monógamas – na sua maioria, aves (90% são-no) mas também 3% de mamíferos (gibões, chacais, etc.). Em contrapartida, a poliandria não tem muito êxito: 0,4% entre aves e os mamíferos.

O aspecto mais interessante é que, mesmo nas espécies que se pensava serem monógamas, se evidenciaram recentemente práticas adúlteras. Por exemplo, acreditou-se durante muito tempo que os canários eram monógamos e fiéis, até que um biólogo teve a ideia de realizar testes de paternidade. Ao comparar, numa mesma ninhada, o ADN das avezinhas com o do chefe da família, descobriu que, em média, 20 a 30% dos pequenos possuíam os genes de um macho vizinho! O espantoso é que os investigadores nunca tinham visto a fêmea a dar uma escapadela. Foi necessário segui-la o tempo todo para descobrir que se deixava inseminar discretamente pelos vizinhos, durante cópulas furtivas que tinha o cuidado de esconder do companheiro. Estas investigações torcem o pescoço à impostura que consistia em fazer de um ninho aconchegado a alegoria da harmonia familiar, e da avezinha que choca o emblema do “instinto” maternal. Conquanto desagrade aos românticos, a infidelidade parece desempenhar um papel na Natureza.

Do ponto de vista evolutivo, os biólogos explicam bem esta sexualidade de porta de cocheira. A monogamia “perfeita” permite à fêmea dispor de um macho que cuida dela, dela e das crias. Mas o inconveniente reside no facto de, ao limitar-se a um só macho, correr o risco de ficar com esperma de segunda escolha. A fêmea adúltera recupera as duas vantagens: por um lado, o macho que a protege, e, por outro, a multiplicação de probabilidades de recolher “bons genes”. A sobrevivência da espécie sairia a ganhar. Formularam-se outras hipóteses: as relancear os olhos pelos vizinhos, o borrachinho poderia forçar o “legítimo” a consagrar-lhe mais atenção. Acresce que o “bovarismo” também existe entre os animais. As fêmeas de canário são costureirinhas que se apaixonam por bons cantores. Um macho que lhes dê segurança, tudo bem, mas é difícil resistir ao encanto de um maestro de passagem.

Isto não nos deve fazer esquecer que os mais infiéis são, geralmente, os machos. Podemos explicá-lo afirmando que um macho aumenta as suas hipóteses de reprodução se multiplicar as cópulas, mas que uma fêmea não ganha nada em ter parceiros uns atrás dos outros. O que explica que este tipo de comportamento – macho engatatão, fêmea caseira – tenha sido conservado pela selecção natural.

Seja como for, não é o aumento das suas probabilidades reprodutivas que leva um indivíduo, homem ou animal, a dar facadas no matrimónio. O proveito é certamente mais imediato e agradável. É a necessidade de novidade, confessarão os Don Juans. O espantoso é que isso também exista entre os animais!

Com efeito, sabe-se que um rato fechado na companhia de uma fêmea copula como um tarado no início e, depois, cada vez menos… até acabar por se cansar. Mude-se a parceira ou, apenas, a cor da gaiola, e a libido volta. Os biólogos chamam-lhe “efeito Coolidge”, apelido de um presidente americano dos anos 20. Um dia, ao visitar uma quinta, Coolidge viu um galo a cobrir uma galinha, tendo-se desenrolado o seguinte diálogo. Presidente: “Ele faz isto muitas vezes?” Director da quinta: “Umas dez vezes por dia.” Presidente: “Com a mesma fêmea?” Director: “Não, sempre com uma fêmea diferente.” Presidente (cuja esposa se mantinha um pouco afastada): “Há-de dizer isso à minha mulher…” Alguns investigadores chegam a explicar a moda no vestuário pelo efeito Coolidge, porque proporcionaria um meio de satisfazer a necessidade de novidade!

É possível que o efeito Coolidge contribua para explicar o adultério humano (embora poucas esposas se contentassem com uma explicação tipo: “Desculpa, querida, mas é o efeito Coolidge, não há nada a fazer.”). Em todo o caso, alguns indícios sugerem que o adultério está profundamente enraizado. Sabe-se, por exemplo, que as espécies polígamas se caracterizam geralmente por um dimorfismo sexual: os machos são fisicamente muito diferentes das fêmeas. Em contrapartida, nas espécies monógamas (tanto entre aves como entre mamíferos), os dois sexos têm mais tendência a parecer-se um com o outro. Ora os seres humanos estão mais sujeitos ao dimorfismo… O que os aproximaria mais das espécies polígamas e não das monógamas!

De resto, alguns investigadores chamaram a atenção para a existência desta relação entre dimorfismo sexual e poligamia no interior das próprias sociedades humanas. As mais polígamas acentuariam o dimorfismo sexual: por exemplo, as sociedades muçulmanas, obcecadas pela barba nos homens e o véu nas mulheres. Inversamente, as sociedades ocidentais, onde a monogamia é a regra oficial, são as que mais atenuam o dimorfismo sexual: queixo rapado para os homens e calças para as mulheres.

Porém, convirá não esquecer que a poligamia subsiste, embora escondida, nas sociedades monógamas. Enquanto o chefe de clã somali possui um número de esposas proporcional ao seu prestígio, o empresário ocidental sustenta um número de amantes proporcional à sua conta bancária.

Acresce que, recentemente, a poligamia ocidental assumiu uma forma menos críptica, por meio da troca de parceiros. Esta prática, marginalíssima nos anos 90, explodiu subitamente, provocando uma proliferação de clubes em todas as grandes cidades. Ora, depois de demoradas investigações, o sociólogo Daniel Welzer-Lang, da Universidade de Toulouse, interpreta a troca de parceiros (cujo número de adeptos em França rondará os 400 000, segundo as suas estimativas) como uma forma de poligamia que ainda exprime o domínio dos homens, pois são eles que regulamentam as modalidades do comércio sexual.

Em resumo, o homem possui certamente um fundo polígamo, cuja origem biológica ou cultural não decidiremos aqui… E, ao mesmo tempo, um desejo monógamo, a propósito do qual podemos dizer o mesmo. Logo, o homem seria um monógamo infiel ou um polígamo que cria laços… Seja como for, alguém que nunca está tranquilo (tal como a mulher, consequentemente).


FISCHETTI, António: A Angústia do Chato antes do Coito – 36 perguntas sobre sexo que nunca fez a si próprio; Ed. Bizâncio, 1ª edição, Out. 2003.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Ai Amélie, Amélie...

video
O tempo não mudou nada. Amélie continua só.
Ela diverte-se com questões idiotas sobre o mundo…
Como “quantos casais estarão a ter um orgasmo neste momento?”

Quinze!

E agora, neste preciso momento, quantos serão?
Amélie, deste-me uma ideia... :)

sexta-feira, 23 de maio de 2008

provocação gratuita 17

Se já tiveste oportunidade de TRAIR sem deixar vestígios e sentiste a insuportável tentação de o fazer e resististe, gostava de te conhecer :)

quarta-feira, 21 de maio de 2008

entrevista do otário

pois é, este rapazinho simpático veio ter connosco e fez umas perguntas. o resultado, está aqui no blog assumidamente otário. Não deixem de ver os vídeos dele, são de partir o côco a rir!

segunda-feira, 19 de maio de 2008

* Dança V: Hand in Hand


Esta provocação é diferente, o filme encontrei-o neste blogue.

Aqui o que conta é a determinação e a força de vontade,

Ser diferente perante a indiferença, ser verdadeiramente provocador!


sábado, 17 de maio de 2008

... duramente suave

foto: Dylan Ricci
continuação daqui

A minha atitude. Surpreendi-me a mim mesmo. Foi uma explosão, um soltar de amarras. Sabia que a resposta ia ser positiva, pois ele já tinha falado abertamente da sua homossexualidade e eu já vinha a sentir-me seduzido há algum tempo.

Sempre pensei que pudesse fazer uma mulher feliz. Creio que o consegui, por alguns momentos, sei que não é coisa que conseguisse a vida inteira. Eu tentei, eu bem que tentei e não me arrependo de o ter tentado, o resultado disso foi a coisa mais incrível que alguma vez fiz.

A minha filha. Ternura infinita. Faço qualquer coisa por ela. E foi por ela que saí de casa. Estou com ela quase todos os dias, mas morro de saudades de a ver adormecer. Escolhemos dar-lhe paz e tranquilidade, sei que ela está melhor assim.


Eu estava tão bem com a minha pacatez, o meu trabalho, os meus amigos... ele surgiu para me inquietar.

Tentei resistir-lhe, bem que tentei. Mas era cada vez mais difícil. Masturbava-me a pensar nele, a imaginar como seria estar com ele, ser com ele. E quando chegava a quinta-feira, ansiava por o ver, por poder estar com ele, respirar com ele.

O cinema. Era algo que iria acontecer, mais tarde ou mais cedo. Ela sabia-o muito bem e tratou de me facilitar as coisas. Adoro aquela mulher!

Ele encantou-me. Culto, sofisticado, bem-humorado, expansivo… bom demais para ser verdade. Ele é um sonho do qual eu não quero despertar.
Deixou-me à vontade, ser eu a escolher, como um verdadeiro anfitrião.

A velocidade estonteante a que o sangue me corria pelo corpo. Mas tudo acontecia de forma natural, instintiva, animal.

A boca dele. Grande, generosa. Lutamos os dois pelo domínio. Despimo-nos como se não houvesse amanhã, com fúria, com raiva por não o termos feito antes.

O duche. Mil e uma gotas mornas a escorrer, a percorrer os corpos, as fundirem-se com o gel transformando-o em espuma, dando-nos um pretexto (como se fosse preciso) para nos explorarmos mutuamente.

A boca dele no meu pau… as mãos dele percorrem-no, brincam com as minhas bolas, deslizam com a espuma do duche até encontrarem a minha entrada. Pressiona devagar com um dedo enquanto a sua boca encontra cabeça e mordisca, e faz qualquer coisa com a língua que me deixa doido e pede-me para lhe passar um preservativo de morango. Tem uma colecção enorme no duche. Ele põe-mo com a boca como se já tivesse nascido a fazê-lo. Desliza e engole-me todo, até eu sentir a cabeça apertada contra o fundo da garganta e continua, numa cadência certa, e as mãos deslizam, e os dedos penetram… sinto-os dentro de mim, devagar, a tocar no sítio certo, a aumentar o ritmo, a fazer-me gemer, até eu não aguentar mais de tanto prazer e peço-lhe que pare.

Levanto-o. Beijo-o. Percorro-lhe o corpo coberto de espuma.

O pau dele… ai o pau dele… massajo-o. Beijo-lhe a boca. Acaricio-lhe a cabecinha, devagar, enquanto lhe mordisco as orelhas, o pescoço, os ombros… ele suspira ao meu ouvido… eu percorro-lhe as nádegas, aperto-as, enquanto a minha outra mão continua a percorrê-lo, a rodear a glande, a deslizar pela pele em redor com o polegar… viro-o contra a parede, faço-o sentir-me duro contra as nádegas e continuo a acariciar-lhe as bolas, o pau, as nádegas… encontro a entrada e pressiono com os dedos até ele me pedir para entrar e eu obedeço, devagar… até ele me pedir com mais força, mais depressa… e o tempo pára. A mão dele e a minha no sexo dele. O meu vaivém. A explosão dele. A minha…

Tranquilidade. Cigarro à janela e o tempo retoma o seu curso, o mundo regressa. Nina Simone e dois copos de Mouchão tinto. Cama. Fecho os olhos para ouvir melhor, para saborear melhor. Está calor.



Novamente a inquietação, a fome dos corpos. Sinto o vinho a escorrer-me no rego das nádegas. Ele lambe. Ele morde. Ele penetra-me com a língua… ele lambuza-me com lubrificante, entra devagar com um dedo... com dois… viro-o de costas, provo-o com o vinho, ponho-lhe o preservativo, desço sobre ele devagar… dói. Volto a tentar até me sentir confortável, enquanto ele acaricia o meu pau. Rodamos. Ele por cima, virado para mim, penetra-me devagar enquanto me toco… a dor funde-se com o prazer, com o suor dos corpos. E o prazer sobrepõe-se. Imenso. Carnal. Encarnado. Pecado? É ter vivido tanto tempo sem saber, sem conhecer…

Sorrimos, rimos, gargalhamos. Partilhamos. A cama, a mesa, a vida.

Cor de rosa… o nosso romance é desta cor troçada pelos homens que se dizem muito machos. Não tem mal nenhum. Já estava na hora de me reconciliar com o que sinto, com o que sempre senti. Alegria, arco-íris!




sexta-feira, 16 de maio de 2008

quarta-feira, 14 de maio de 2008

switch off




Estava eu a navegar e passei por aqui e encontrei o vídeo do Mordillo

Será que é preciso estar às escuras para se poder perder a vergonha e dar uns beijinhos?

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Por que é que o riso conquista as mulheres?

ilustração: Charb

“Mulher que ri, meio caminho para a cama”, diz o provérbio. Rir é um prazer, admitamo-lo… Mas daí a transformá-lo num bilhete de acesso a outras formas de prazer, ainda vai um bocado. Contudo, é sabido que um homem aumenta as suas probabilidades de seduzir uma mulher se a fizer rir. O riso é, pois, um instrumento de sedução masculina, e os sociólogos demonstraram-no: são sobretudo os homens que fazem rir as mulheres. Decerto não é por acaso… Tão-pouco é por acaso que os homens ciumentos detestam ver a sua mulher rir na companhia de outro homem. Não há dúvida: há sexo no riso.

Não nos vamos lançar numa análise das teorias do humor, que exigiria um livro inteiro. Para Bergson, o riso explica-se pelo “maquinal aplicado sobre o vivo”, para Kant, “o riso provém de uma expectativa que, de repente, se converte em nada” e, para outros, o riso nasce da incongruência de uma situação, ou da transgressão de regras…

Seja como for, existe um ponto comum entre todas as formas de riso: de uma maneira ou de outra, troça-se de um terceiro. De uma pessoa real, de uma situação… Ou da pessoa virtual que poderíamos ser: imaginamo-la então a cair numa armadilha (no domínio da linguagem ou dos códigos sociais, por exemplo), e rimos por ter escapado subitamente a ela. Em suma, existe troça nessa mímica sonora que consiste em exibir os dentes, emitindo uma espécie de grito triunfal. O riso é a expressão de uma superioridade relativamente ao objecto de que rimos. E, no momento de uma piada ou de uma graça, a pessoa que provoca o riso adquire o poder.

Então, a mulher, numa situação dessas… Uma coisa é certa: uma mulher deve rir com um homem, e não dele. A mulher que ri torna-se cúmplice de quem desencadeou o riso. O que é uma forma de aliança com um dominante… um pouco como entre os primatas, em que as macacas se aliam aos machos “alfa” para lucrarem do ponto de vista alimentar.

Porém, quando nos rimos, não é só isso que fazemos. Todos nós mobilizamos, ao longo do dia, uma grande quantidade de energia psíquica para controlar os tabus sociais, esforço esse que acaba por cansar. O riso actua, pois, como uma válvula que permite a libertação brutal dessa energia repressiva. E daí o prazer.

Decerto que a mulher sente reconhecimento por quem lhe permitiu esse prazer… Abandona-se psicologicamente, e, ao mesmo tempo, fisicamente. Com efeito, o riso é uma expressão sonora não controlada. Não pronunciamos “Ah-ah-ah” deliberadamente, como quando falamos, mas entregamo-nos a salvas vocais que nos escapam. No inconsciente da mulher que ri, pode haver um raciocínio deste tipo: se este homem é capaz de desencadear em mim uma reacção destas, talvez possa proporcionar-me outras formas de abandono. Aliás, se se analisar o aspecto sonoro, será que o riso não evoca uma espécie de orgasmo? Uma mulher que reage com um “Ah-ah-ah” a uma piada de um homem, anuncia que pode emitir “Ah-ah-ah” de outra maneira. Rir é ter algum prazer.

O riso evoca o sexo… Mas o sexo também evoca o riso. Peça a um amigo para lhe contar uma anedota e são grandes as hipóteses de ele se sair com uma sobre sexo. Psicólogos americanos comprovaram-no. Pediram a 14 500 pessoas que classificassem cerca de trinta anedotas por ordem de preferência. Como não podia deixar de ser, são as anedotas sexuais que surgem à cabeça, e muito distanciadas das outras. É lógico. O sexo é o tabu que exige mais energia repressiva. Também é um ditador que está sempre a dominar-nos. Além de permitir a libertação da energia recalcada, a piada sexual proporciona a breve ilusão de ser mais forte que o sexo, “rebaixando-o” por meio do riso.

Quanto maior o mal-estar recalcado, mais divertido é. Inversamente, dir-se-ia que quanto menor é a frustração, menos rimos. Por exemplo, quando fazemos amor, já não estamos inibidos… enfim, estamos menos do que o costume. E, nesse caso, o sexo e muito menos divertido. Imagine que o seu parceiro se escangalha a rir enquanto você se afunda nos limbos do prazer. Dá cabo da atmosfera, não é? Esta incompatibilidade também se exprime nos filmes: é impossível fazer um filme ao mesmo tempo erótico e divertido.

Durante a fase de sedução, o riso aproxima os dois seres que se lhe entregam. Durante o acto sexual, porém, afasta-os. Talvez porque una os dois seres à custa de um terceiro. No amor, estamos sós, a dois. No humor, somos três: há um “objecto”, perante o qual nos encontramos em posição de voyeurs porque troçamos dele. Em primeiro lugar, isso distrai-nos do acto sexual. Além disso, o terceiro de que nos rimos corre o risco de ser a nossa própria pessoa. E isso não é bom, mesmo nada bom. Em suma, ao provérbio “Mulher que ri, meio caminho andado para a tua cama”, convém acrescentar o corolário “Mulher que ri na tua cama é mau sinal”.

segunda-feira, 5 de maio de 2008


continuação daqui
Achas que a repressão sexual sobre as mulheres já não existe? Que já se libertaram há muito das amarras que as condenavam a viver uma vida sem prazer sexual? Mas em que mundo é que vives?

Esta mulher estava a dar-me luta. Apaixonei-me por ela, queria obcecadamente ajudá-la. Queria estar com ela, tentar dar-lhe esse prazer que ela tanto desejava e simultaneamente recusava a si própria. Mas sabia perfeitamente que isso não ia acontecer, que tinha de ser ela e apenas ela a consegui-lo.
Não trocámos mails durante uns tempos. Um belo dia, ela escreve-me:

Estava deitada, num estado onírico. Não sei bem se estava acordada ou a dormir. Estou no meio de um prado florido, com flores amarelas e roxas a pintalgar a paisagem. O céu é de um azul claro uniforme, com tufos de nuvens suaves. Estou dentro de uma banheira branca de metal, num banho morno de imersão em água de óleos perfumados e pétalas de rosa. Os pássaros chilreiam numa sinfonia de acasalamento. É Primavera, claro que é Primavera. Acaricio os meus cabelos, massajo o couro cabeludo e deixo as minhas mãos escorregarem para o pescoço. Cruzo-as para chegar aos ombros, ao interior dos meus braços. Olho para as minhas mãos molhadas e oleadas como se fosse a primeira vez e toco-me, mão na mão. São brilhantes as minhas mãos, os meus dedos deslizam facilmente. Toco no meu peito, aperto-o com as duas mãos, reclino-me e deixo-o assomar à superfície da água, com algumas pétalas de rosa agarradas. Rodeio os mamilos, estimulo-os até ficarem bem rijos. Dirijo-me com as duas mãos para baixo, até à cintura. Sigo depois pelo centro, até encontrar as minhas coxas submersas. Acaricio o interior até às virilhas, colocando as pernas para fora da banheira. Faço isto gentilmente, durante imenso tempo, devagar, até a minha vulva suplicar para lhe tocar. Toco-lhe até a minha vagina me pedir para entrar e continuo assim, a saborear a minha textura íntima, exercitando os músculos, contraindo e relaxando, sabe tão bem!
Vou aumentando o ritmo devagar, em movimentos circulares, desenhando oitos em cima do meu clítoris. Cada vez com mais calor, mais ardor, mais paixão.
Começo finalmente a sentir um pulsar ténue, algo que me impele a continuar a massajar o interior da carne, intensificando essa sensação que me consome, sentindo a tensão a faiscar, a electricidade a percorrer-me o corpo que me faz vibrar e latejar incontrolavelmente.
Ah É isto, é istoooooooooooo!
Não contenho um estranho grito de prazer libertador e uma lágrima escorre-me pela face. É bom demais! E sinto uma paz, uma calma, uma tranquilidade vitoriosa.
Rio às gargalhadas, despertando do estado de sonho em que me encontrava.

Sublime, absolutamente sublime!
Obrigada :-)


Este mail deu-me um tremendo tesão. Fiquei o dia inteiro com as palavras dela na cabeça, e quando finalmente me pude soltar, vim-me a pensar nela, dediquei-lhe o meu orgasmo.

Foi uma vitória suada, muito desejada e extremamente merecida. Agora, minha pérola, o mundo é verdadeiramente a tua ostra!


sexta-feira, 2 de maio de 2008

provocação gratuita 14

Qualidade de vida:

Uma bela esplanada em frente ao mar,
musiquinha tropical e um belo cocktail de frutas.

Um brinde a quem hoje está a trabalhar :)